Autor Tópico: Uma Dúvida: Se Fotografia é Arte, Todo Fotógrafo é Artista?  (Lida 6759 vezes)

fabiomoreira

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Resposta #30 Online: 09 de Janeiro de 2015, 13:43:39
E o Armando disse tudo:

Citar
ninguém deveria estudar para ser violonista, pianista, e demais. Deve-se aprender música primeiramente, neste contexto um músico é um artista pois exprime sua arte através da música. Isso é simples de entender. O instrumento que ele escolhe é o meio pelo qual ele faz música, sou músico antes de ser violonista.

Armando, já anotei essa frase no meu bloco de notas .. haha .. mas uma que me servirá de inspiração!   :D



ArmandoFerreira

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Resposta #31 Online: 09 de Janeiro de 2015, 13:48:28
Em muitos casos é até contraditório: uma foto bem executada, correta, estética boa, composição equilibrada em muitas situações é considerada só um "bom registro".
Enquanto que um doido faz umas fotos abstratas, borradas, tremidas, cortadas, tortas, sem "eira-nem-beira", que ninguém consegue entender....daí ele é chamado por muitos de "artista". Vai entender.....

Não que eu não gosto de fotografia abstrata, existem muitos trabalhos interessantes e bem executados.

Neste caso entramos em uma situação natural: nosso gosto e sensibilidade pessoal.

Nossa opinião é soberana, se outros vão concordar com ela não importa, é a nossa visão e interpretação do nível artístico da obra.

O que pode ser "bom" para mim artisticamente não necessariamente é bom para o outro.  :ok:
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Guilherme Ambrosio

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Resposta #32 Online: 09 de Janeiro de 2015, 14:06:35
Fábio,

Fotografia é uma arte, ela pode ser extremamente expressiva através de sua linguagem visual. Podem carregar em si o significado que talvez não pudessem ser exteriorizadas nem com mil palavras, conforme a máxima clichê. Porém, nem toda captura é arte. Para uma fotografia ser arte, ela necessita antes ser percebida. Deve além de comunicar uma ideia, ter motivos para ser capturada, transmitir algo, objetivando um significado. Deve respeitar as técnicas e seguir a harmonia entre os elementos que a compõe. Uma fotografia que não atenda a isto é somente imagem e quem a produz não é artista, é apenas um operador de câmera.

Ao observar uma fotografia em que os elementos estão agrupados em um padrão de composição que se comunicam entre si mantendo uma relação, transmitindo um significado e trabalhando em conjunto para anunciar um significado direto que fale por si só, aí está a arte. Podemos enfim identificar a consciência do artista/fotógrafo ao produzi-la, identificando a necessidade que aquele momento tinha de ser registrado. E isto não está relacionado necessariamente ao padrão do que é belo, mas mais ao que transmite. O que te faz ler algo claro que provoque alguma sensação, muitas vezes além de diferenças culturais.

Sobre a questão do equipamento, uma boa foto independe dele. O que classifica uma foto como boa está longe de ser unicamente a qualidade estética proporcionada por equipamento moderno, conforme dito anteriormente ao conceituar arte. Participamos de fóruns e debatemos entre nós (fotógrafos, artistas ou não) como produzimos as imagens, o que se ajusta melhor às nossas condições e necessidades, o que nos irá melhor atender. É sobre o que gostamos de falar. Mecânicos falarão sobre motores e ferramentas; isto é natural! É o que nos diverte. Ninguém melhor do que autor para falar sobre sua criação, sobre o que sentiu, o que o fez registrar aquele momento e toda filosofia por trás do instante. Já o significado fica por conta de cada pessoa que lê a imagem, isto não gera grandes discussões, boas fotografias são claras.

De fato, não nos preocupamos com as fotos para os fotógrafos e sim para os que não vivem a fotografia. Os colegas estão dentro do set, podem ver os fios e cabos que sustentam todo o cenário por trás da boa fotografia. Tudo que não é mágico! Por trás de tudo ainda há alguém com uma câmera, botões, vidro e componentes eletrônicos. Ao observar as fotos do Gênesis tenho essa impressão. De que Sebastião nunca esteve ali, de que aquele local é intocado e que eu estou ali sozinho observando sem nada à minha volta. Mas não nos passa pela cabeça, sabemos que ele ainda está ali com os pinguins e elefantes. Queremos saber qual câmera, quais objetivas, quais, quais...

No final quem vive nossa fotografia são os outros.
A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz;

Mateus 6:22


fabiomoreira

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Resposta #33 Online: 09 de Janeiro de 2015, 14:12:19
Então, como a Armando lembrou: "muitas obras de arte do começo do século passado eram ridicularizadas e hoje possuem reconhecimento como arte de altíssimo nível.!"

Todo artista de vanguarda geralmente é incompreendido pela sua geração.
E eu ri quando o FMSalles disse "Se você considera que precisa estar no museu para ser arte" e ainda foi lá e deu os exemplos. Mas não deixa de ser uma verdade, pois, quando algo é exposto no museu é como se sentíssemos na obrigação de ver "com outros olhos". É como se o museu "exigisse" a nossa atenção.
Duchamp nos prova isso quando assina um mictório, inverte sua posição normal e o intitula "A fonte".

Quando questionaram se uma foto 3x4 pode ser considerada arte, bem. Se um mictório pode, porque uma foto 3x4 não pode?! haha xD
Se não me engano, existe uma fotógrafa paulista que já faz um trabalho semelhante. Basicamente, ela resgata fotografias que ela encontra jogadas no lixo e então faz delas a sua arte. E as fotos nem são de sua autoria!! haha Mas tá lá, é arte. É arte não pelo trabalho de fazer as fotos, mas por ela ter essa percepção, e de trazer um questionamento.
Geralmente toda arte incompreendida traz em si um questionamento, e geralmente é um questionamento sobre o próprio modo de fazer e receber a arte. Em resumo, uma arte feita para artistas pensarem sobre a arte.

É por isso que as fotografias de cowboy do Richard Prince me fazem pensar: porque ele refotografou fotos de revista das propagandas da Marlboro!! Ou seja, ele refotografou a foto de outro fotógrafo, e enquanto a sua foto vale milhões, ninguém lembra quem foi o cara que fez as fotos da campanha da Marlboro. Eu ia ficar muito puto se isso acontecesse com as minhas fotos! xD haha
 :hysterical:


Guilherme Ambrosio

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Resposta #34 Online: 09 de Janeiro de 2015, 14:22:49
Citar
Geralmente toda arte incompreendida traz em si um questionamento, e geralmente é um questionamento sobre o próprio modo de fazer e receber a arte. Em resumo, uma arte feita para artistas pensarem sobre a arte.

Já acho forçassão de barra! :no:
« Última modificação: 09 de Janeiro de 2015, 14:23:30 por Guilherme Ambrosio »
A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz;

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fabiomoreira

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Resposta #35 Online: 09 de Janeiro de 2015, 14:36:09
Ae o Raphael diz: "Enquanto que um doido faz umas fotos abstratas, borradas, tremidas, cortadas, tortas, sem "eira-nem-beira", que ninguém consegue entender....daí ele é chamado por muitos de "artista". Vai entender.....

Porr...deu até um desânimo agora. Estava fazendo justamente isso com as minhas fotografias agora, pensando que tava fazendo arte ... SHUASHUASHhsuahsua .. foda!! kk
Mas ei, dá uma conferia no trabalho de um cara chamado Antoine d'Agata. Ele faz parte da Magnum.
Quando eu vi o trabalho desse cara eu pensei: "mas que porr*! comé que esse cara consegue entrar pra Magnum com essas porcarias de foto??" Mas depois essas fotos ficaram por um bom tempo na minha cabeça, não parava de pensar nelas. Me senti impulsionado a ver aquilo de novo e de novo, pra ver se era verdade ou não. Hoje, ele é meu fotógrafo favorito.
:)

Quanto as foto do Reno valer milhões, bem, isso é fácil de explicar porque o trabalho do Gursky não se resume apenas aquela foto. Eu acho o trabalho dele muito fod*. Suas fotografias são um retrato perfeito da sociedade contemporânea, e elas tem essa coisa de transmitir uma sensação de grandiosidade. E agora, a gente só vê a foto pelo monitor. Mas pensa ver a FOTO VERDADEIRA - 1,80m de altura e 3,6m de largura!!!
http://publicdelivery.org/andreas-gursky-duesseldorf-museum-kunstpalast/
Agora, a arte virou um mercado. E uma fotografia de Gursky não deixa de ser um investimento.


fabiomoreira

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Resposta #36 Online: 09 de Janeiro de 2015, 15:00:31
Citar
Já acho forçassão de barra! :no:

Pois é Guilherme, tu pode até discordar, mas não deixa de ser uma realidade.
E no fundo, sempre foi assim.

As artes plásticas são o exemplo perfeito disso.
Se estudar cada um dos movimentos artísticos, percebe-se que cada um trazia em si uma critica a forma como os pintores executavam e o que desejavam transmitir com a sua arte.

Até na fotografia encontramos situações assim:
Os pictorialistas, que começaram a interferir no negativo para provar que a fotografia poderia ser arte, e não simplesmente um mero registro da realidade. Eles provavam que o fotógrafo era também "criador", e não apenas um clicador.
Ai depois veio o grupo de Ansel Adams e disse "vamô acaba com essa palhaçada toda aí negada!!" haha  -  Bem, não foi exatamente assim que eles disseram, mas para o grupo f/64 a fotografia não precisava de intervenção de ninguém. E eles buscavam ressaltar justamente aquilo que a câmera tinha de tão peculiar. E umas dessas características era a nitidez. Eles queriam fotos nítidas, com uma grande profundidade de campo (por isso o f/64)
O  Edward Weston fez fotos de pimentões. É, pimentões!!
Mas para ele, depois de fotografados, aquilo já era outra coisa, e não mais pimentões. Na verdade, uma das intenções dele era fazer do comum algo inusitado! E esse é um dos "poderes" da fotografia - você passar a enxergar algo banal como algo digno de admiração.
Para alguns, aquilo continua sendo pimentões, e daí fica pensando: ah, mas foto de pimentão! Até eu!!"
Por que minha foto de pimentão não vale um milhão?? :(
hahaha
http://www.ideafixa.com/o-olhar-direto-de-edward-weston/

Outro exemplo são essas instalações onde você pode interagir com a obra. Por muito tempo a obra era tipo uma coisa sagrada que ninguém podia tocar, pois poderia danificar e tal. Daí que alguns artistas começaram a questionar isso e a pensar a arte como algo que pode ser manipulado e que depende justamente dessa interação para existir.

É por isso que a arte hoje tá essa loucura! Ninguém sabe dizer onde ela começa e onde ela termina.
« Última modificação: 09 de Janeiro de 2015, 15:08:04 por fabiomoreira »


fabiomoreira

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Resposta #37 Online: 09 de Janeiro de 2015, 15:30:58
Eu adoro a história do Porco Empalhado!! haha

"Era uma vez" um artista brasileiro que, em 1967 manda para o Salão de Arte Moderna de Brasília um porco empalhado, devidamente engradado, com uma corrente que o ligava a um pernil do lado de fora do caixote.
A obra foi aceita, e o artista - veja só - entra em contato com o Jornal da Tarde e manda publicar uma foto do porco com a seguinte pergunta ‘Qual o critério dos críticos para aceitarem esse trabalho no Salão de Brasília?.
Aquilo gerou uma repercussão tremenda entre os critícos - afinal, nunca ninguém havia questionado o motivo de sua obra ser aceita em uma exposição.
 :hysterical:

O nome do artista em questão é Nelson Leirner, e a carreira dele é basicamente uma critica a arte.
Abaixo segue o link com uma entrevista dele de 2008. Ai vocês conhecem um pouco mais sobre a carreira do Leirner, suas ideias sobre arte e os artistas e a história do porco haha. Para quem tiver tempo - recomendo!
 :ok:
https://arthurdantas.wordpress.com/2014/01/02/nelson-leirner/


Guilherme Ambrosio

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Resposta #38 Online: 09 de Janeiro de 2015, 16:16:20
Sou um cara simples e conservador gosto das coisas em sua essência mais pura.
Acho o pictorialismo um grande "Hei! Eu também posso fazer isso. Me aceite!". Nunca achei legal.

Alterar, pintar, riscar, arranhar e destruir um negativo a fim de que se torne algo único somente para implorar o grande rótulo da arte. Se capturar uma imagem numa superfície fotossensível não pode ser caracterizado como arte, então eu não quero ser artista. Quero ser fotógrafo!

A verdade é que isso se estende desde que o daguerreótipo surgiu em 1839. Entre os artistas somente Picasso entendeu que a fotografia não chegara para substituir a pintura e sim para liberta-la das amarras formais do Academicismo. Dando origem aos demais movimentos, como o próprio cubismo,o  pontilhismo, o dadaísmo e etc.

A fotografia como arte, a meu ver, nunca deveria ter sido provada e sim aceita como é.
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fabiomoreira

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Resposta #39 Online: 09 de Janeiro de 2015, 16:32:51
Guilherme

Sabe, quando eu comecei a fotografar, minha visão sobre fotografia, e sobre o que era uma boa fotografia, se assemelhava muito ao que você disse. Isso foi por volta de 2010, quando eu fiz o meu curso básico de fotografia no SENAC, aqui  em uma cidade vizinha.
Foi só em 2012 que eu tive condições de comprar a minha câmera. E quando eu comecei a fotografar, foi justamente atrás desse ideal de fotografia que eu corri. Em pouco mais de um ano, eu já considerava que tinha andado um bom caminho, eu estava gostando até das minhas fotos.
Daí em 2014 comecei a faculdade de fotografia. A principio, pensei, aquilo não ia ser de muita utilidade - afinal, um diploma não faz de você um fotógrafo, certo?! ;-) Queria fazer mais pelos contatos, e o diploma seria o que me permitiria trabalhar como professor, ou em outra área que exigisse uma formação superior.
De qualquer forma, me dediquei mesmo a estudar sobre fotografia, principalmente nas matérias teóricas. Peguei os livros de estética, alguma coisa de semiótica (é meio chato no começo, mas se aprende muita coisa) e me dediquei um pouco mais sobre a teoria. Em menos de um ano, todas as minhas crenças sobre a fotografia sumiram feito fumaça.
Hoje sou um fotógrafo triste e amargurado. Não tenho mais sentido na vida :/
SHUAHUASHUSUHAhuahahhaha
 :hysterical:

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Participamos de fóruns e debatemos entre nós (fotógrafos, artistas ou não) como produzimos as imagens, o que se ajusta melhor às nossas condições e necessidades, o que nos irá melhor atender. É sobre o que gostamos de falar. Mecânicos falarão sobre motores e ferramentas; isto é natural! É o que nos diverte.

Aproveitando o exemplo dos mecânicos...
Mas a mecânica, por assim dizer, é uma ciência. A fotografia, por outro lado, tem essa questão de ideologia, de filosofia, de admiração, reflexão - não todas, obviamente. Mas muitos fotógrafos admitem essa busca, afirmam que a fotografia não é mero registro.

E quando eu abri o tópico, eu queria ser meio chato mesmo, porque eu acho que se discute muito sobre essa "ciência" da fotografia. E a outra parte, a parte "artística", bem, essa fica meio que jogada num canto, meio que "já que a arte é subjetiva, é cada um por si".

Eu admito que é difícil falar sobre arte porque, olha só as respostas que tivemos! Todos concordam que a fotografia é arte quando transmite um sentimento, emoção, ideia, valores, beleza, ou registram uma gota de orvalho pendurada numa folha. Mas como é que transmitimos isso?
Essa é a discussão que muitas vezes falta, e falta porque cada um vê caminhos diferentes para alcançar esses objetivos. Uns podem se sentir compelidos a explorar os confins do planeta do outro lado do mundo, enquanto outros sentem que podem fazer isso no estúdio, ou fazendo auto-retratos, ou sendo fotojornalistas, etc etc etc ..

Acho que seria bom para o progresso de cada um de nós se pudéssemos descobrir afinidades com outros fotógrafos, ideais em comum, filosofias em comum. Mas para isso, é preciso começar de algum ponto.

Bem, essa é uma opinião né?! Se isso vai ser levado adiante ..


fabiomoreira

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Resposta #40 Online: 09 de Janeiro de 2015, 17:23:19
Guilherme..
Quanto ao pictorialismo, sou da mesma opinião que você .. sou e não sou (cara, é uma droga não ter certeza de nada, sério!! haha)
Eu não quero riscar os meus negativos, eu não quero fazer manipulações criativas com as minhas fotos no photoshop, eu não pretendo criar efeitos "bonitinhos e surrealistas" nas minhas fotografias.
Quanto a pintar minhas fotos, hmm, pode ser :)
Rabiscar, escrever .. hmm .. pode ser também :D
Haha, eu não sou nada conservador.

Esse cara pinta as suas fotos. Dá uma olhada Guilherme!  :ok:
http://fotografeumaideia.com.br/site/fotografos/inspiracoes/212-o-polemico-jan-saudek
Mas esse site ai pegou as fotos mais leves dele. Ele tem fotos bem mais pervertidas do que essas!! haha
E sabe o que eu gosto nele? Sabe aquele velho clichê de nú artístico "ser sensual sem ser vulgar" ?!
Pois é, esse cara é totalmente vulgar, e totalmente artístico (na minha concepção de arte, claro ;D)

Vale à pena dar uma conferida, estudar várias fontes. Vai que você descobre algo de útil no pictorialismo??

Eu, da minha parte, quero uma fotografia ligada a vida, da vida vivida, cotidiana e banal. Se eu vou conseguir isso, não sei. Se vou morrer pobre? Com certeza. De qualquer forma, o pictorialismo me ensinou que eu tenho a liberdade de escrever sobre uma foto por exemplo (futuramente isso me vai ser útil) mas eu não quero criar um mundo de fantasias e photoshop como os "pictorialistas modernos".
(Obvius e hypeness da vida amam esse caras!!)

http://obviousmag.org/archives/2014/03/a_fotografia_surrealista_de_elton_fernandes.html

http://www.hypeness.com.br/2014/01/jovem-de-21-anos-cria-serie-de-auto%C2%AD-retratos-fantasticos-e-surreais/

http://www.hypeness.com.br/2014/03/fotografo-sueco-e-dono-do-portfolio-mais-surreal-que-voce-ja-viu/

http://www.hypeness.com.br/2014/01/fotografias-criativas-e-encantadoras-produzidas-por-uma-jovem-de-21-anos/


Pois é, Picasso entendeu que a fotografia não chegara para substituir a pintura e a revolucionou. Mas ele não foi o único. Delacroix, lá no começo da daguerreotipia, via o daguerreótipo como aliada da pintura, e não como concorrente. Delacroix não chegou a revolucionar a arte como o fez Picasso, mas entrou para a história como um dos maiores pintores de todos os tempos.

E se Picasso disse que a pintura não precisava de tanto academicismo, por que com a fotografia teria que ser diferente?? 
« Última modificação: 09 de Janeiro de 2015, 17:26:14 por fabiomoreira »


Raphael Sombrio

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Resposta #41 Online: 09 de Janeiro de 2015, 17:40:09
E se Picasso disse que a pintura não precisava de tanto academicismo, por que com a fotografia teria que ser diferente?? 

Quando começou a fotografia digital e alguns fizeram as primeiras manipulações nos arquivos por conta e risco, de sua autoria, esses tbm foram massacrados por estarem alterando as fotos.

Hoje os tratamentos, até alguns mais pesados, já são cotidiano de quase todos e aceitos em quase todos os concursos e tal.

Duas coisas são certas: o futuro é incógnito, nem imaginamos o que nossos netos poderão fazer, quanto à fotografia ou qualquer arte, ou qualquer coisa, e, sempre que algo novo surgir, poucos vão gostar, e a maioria ( sem nem entender direito ) vai detestar e criticar.


ArmandoFerreira

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Resposta #42 Online: 09 de Janeiro de 2015, 17:48:45
Fato para colocar lenha na conversa: a evolução digital evolui junto com a arte, se o fotógrafo possui sensibilidade de capturar um bom momento e aprimorar isso depois em softwares de edição ou até com foto composições, por que não seria arte se esta forma cumpre seu papel?

Se formos levar para um lado "purista" não haveria gravação digital de áudio, emendas de nota por nota, o que seria válido e autêntico seria apenas a apresentação ao vivo do artista. O mesmo se pode dizer da fotografia digital.

Encontrar novas formas de fazer/aceitar a arte é natural da evolução do ser humano e do mundo ao seu redor.

Ontem eu gravei um violonista com um gravador portátil, 2 microfones condensadores, 24 bits, 96kHz em meu escritório e a qualidade sonora, modéstia à parte, ficou melhor que gravações famosas de 10 anos atrás... tenho certeza que o técnico de gravação que gravou o trabalho há 10 anos é muito mais artista do que eu sou nesta área, é evidente!

Hoje, teoricamente, "fazer" arte se tornou acessível, um cara compra uma Rebel, faz uns cortes inusitados, uns borrões e diz que é arte... o Fábio ilustrou bem, como os demais amigos, alguns conceitos de arte e parâmetros que usamos para defini-la mas ainda prefiro pensar amplamente, sem "encaixotar" a arte à nível de excelência, a medíocre e suas intermediações.

Como músico clássico é difícil ouvir Michel Teló... mas ele é músico, faz arte e atinge um público. Agora cada um tem sua opinião se esta arte é válida ou não, para meu gosto pessoal ela se enquadra musicalmente como medíocre.

Para mim o que ficou claro na proposta do tópico e, certamente fiquei muito feliz, é conversar mais sobre o aspecto artístico/estético do que apenas o técnico. Deveríamos postar algumas fotos e ficar "discutindo" sobre ela, conceitos, visões diferentes, isso amadurece o fotógrafo.
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spiderman

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Resposta #43 Online: 09 de Janeiro de 2015, 17:49:02
Nós adoramos conceituar e categorizar as coisas. Acho que o mundo seria muito mais tranquilo se nos libertássemos dessa "carga teórica" e simplesmente vivêssemos. Muitas energias são gastas para investigar o que é arte e quando uma fotografia é boa ou ruim. Neste sentido a arte virou mais alimento do ego do que uma compreensão da existência humana. Esses questionamentos vêm geralmente atrelados a um sentimento de frustração e negatividade. Do tipo "como essa fotografia tão ruim vale tudo isso?" ou "eu não acho que isso seja arte". Quando a motivação pela fotografia ou qualquer outro tipo de expressão não é orgânica, natural, visceral, mas somente um meio para elevar o próprio ego, esses questionamentos costumam aparecer. Daí se dá a importancia de comprender o que é bom e o que é ruim, de separar o "joio" do "trigo". Até para descobrirmos qual é o segredo da produção de "trigo", que geralmente está atrelada ao sucesso, dinheiro, etc. É a tal da capitalização daquilo que não tem sentido algum em ser capitalizado. Trata-se de uma miopia social. O verdadeiro trigo é muito menos consensual do que a gente imagina. É uma busca individual do nosso lugar no mundo a partir daquilo que nos toca, que nos inspira; um desenvolvimento dos sentidos. A partir daí, creio que se torna dispensável a identificação do joio. Ele simplesmente não nos interessa mais. Começa-se a explorar o mundo de possibilidades que o trigo proporciona. É uma passagem da negação à degustação, a partir de uma visão mais positiva.
Não necessariamente isso passa pela negação da intelectualidade, mas ela já não se faz mais necessária. E me parece que aí se encontra um dos grandes gargalos. Seria uma quebra de paradigmas. Principalmente no mundo ocidental, fomos acostumados com a racionalidade. Daí vem o nosso ímpeto por regras, pelo pensamento cartesiano, pela categorização, pela separação, pela decodificação. Isso tudo atrapalha nosso potencial criativo. Junta-se a isso o tal do ego e dá o que dá: busca pela "perfeição estética", supervalorização da popularidade, expressão subordinada à capitalização, etc.
Enfim, talvez a sua fotografia tenha piorado porque voce não deixou ela fluir como um rio que desagua no mar, naturalmente. ;)
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ArmandoFerreira

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Resposta #44 Online: 09 de Janeiro de 2015, 18:50:36
Nós adoramos conceituar e categorizar as coisas. Acho que o mundo seria muito mais tranquilo se nos libertássemos dessa "carga teórica" e simplesmente vivêssemos. Muitas energias são gastas para investigar o que é arte e quando uma fotografia é boa ou ruim. Neste sentido a arte virou mais alimento do ego do que uma compreensão da existência humana. Esses questionamentos vêm geralmente atrelados a um sentimento de frustração e negatividade. Do tipo "como essa fotografia tão ruim vale tudo isso?" ou "eu não acho que isso seja arte". Quando a motivação pela fotografia ou qualquer outro tipo de expressão não é orgânica, natural, visceral, mas somente um meio para elevar o próprio ego, esses questionamentos costumam aparecer. Daí se dá a importancia de comprender o que é bom e o que é ruim, de separar o "joio" do "trigo". Até para descobrirmos qual é o segredo da produção de "trigo", que geralmente está atrelada ao sucesso, dinheiro, etc. É a tal da capitalização daquilo que não tem sentido algum em ser capitalizado. Trata-se de uma miopia social. O verdadeiro trigo é muito menos consensual do que a gente imagina. É uma busca individual do nosso lugar no mundo a partir daquilo que nos toca, que nos inspira; um desenvolvimento dos sentidos. A partir daí, creio que se torna dispensável a identificação do joio. Ele simplesmente não nos interessa mais. Começa-se a explorar o mundo de possibilidades que o trigo proporciona. É uma passagem da negação à degustação, a partir de uma visão mais positiva.
Não necessariamente isso passa pela negação da intelectualidade, mas ela já não se faz mais necessária. E me parece que aí se encontra um dos grandes gargalos. Seria uma quebra de paradigmas. Principalmente no mundo ocidental, fomos acostumados com a racionalidade. Daí vem o nosso ímpeto por regras, pelo pensamento cartesiano, pela categorização, pela separação, pela decodificação. Isso tudo atrapalha nosso potencial criativo. Junta-se a isso o tal do ego e dá o que dá: busca pela "perfeição estética", supervalorização da popularidade, expressão subordinada à capitalização, etc.
Enfim, talvez a sua fotografia tenha piorado porque voce não deixou ela fluir como um rio que desagua no mar, naturalmente. ;)

Concordo contigo em quase tudo, no conceito de arte tudo é subjetivo demais, absolutista de nossa parte dar formas, categorizar, julgar, dar mérito ou demérito, escalar, enfim, como forma de redução e pejorativa.

Entendi bem seu ponto de vista e respeito mas acredito que cabe, pelo menos para mim, um senso crítico e de avaliação pessoal.

Eu adoro compor e me permito esta liberdade visceral no momento da execução do meu instrumento mas ela é baseada na técnica e amadurecimento pessoal e de inteligência musical adquirido durante os anos.

Já o ego e as demais formas narcisistas de expressar arte eu abomino, normalmente no meio artístico se vive em meio às cobras, cheio de falsos tapinhas nas costas e outras coisas piores, pelo menos eu vivo isso musicalmente.

OS grandes músicos e fotógrafos que conheci e me sensibilizaram com sua arte eram em sua grande maioria muito simples e de uma visão do mundo como um todo e sua arte inserida nele.

Qual o papel do fotógrafo? Ganhar prêmios para estampar o quão bom ele é ou tentar/mudar o mundo ao seu redor na sua maneira de se expressar? Utópico mas não impossível.

Gostei da sua colocação, parabéns pelo texto.  :ok:
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