Autor Tópico: [Artigo] Preconceitos fotográficos  (Lida 4147 vezes)

RFP

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Online: 01 de Abril de 2019, 09:46:00
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Você pode não admitir, mas tem preconcepções fotográficas. Todos nós temos. Elas são inevitáveis. Elas pairam nas profundezas da mente, escondidas na sombra, quietas no silêncio, esperando. Na visão de uma flor, uma face ou qualquer outra isca fotográfica, as preconcepções se desenrolam em uníssono, como um cardume de peixes, e lhe carregam sem que você perceba. Fugidias e intangíveis, as preconcepções sempre concordam, sempre elogiam, nunca se queixam, nunca criticam. Elas tornam a fotografia algo fácil. Elas liberam você do suor do pensamento, do exercício mental que deixam o cérebro cansado, a mente ardida, a imaginação ofegante. Guiado pelas preconcepções, você só precisa posar o assunto (“sorria”), disparar (“não se mexa”), e se dar um tapinha nas costas (“muito bem”). Por que evitar criaturas tão agradáveis? Porque elas inibem a sua fotografia.
Derek Doeffinger — The Kodak Workshop Series — The Art of Seeing

Nós somos frutos dos nossos condicionamentos. A forma como agimos e pensamos está de acordo com aquilo que nos foi ensinado, com o que vimos nos outros como nossos modelos e com o que aprendemos na nossa história de vida. A partir daí, criamos nossas regras mentais sobre nós, sobre o mundo, sobre o certo e o errado. Quando isso acontece numa área mais específica da nossa atividade, como a fotografia, a rigidez fica mais evidente.

Basta pensar na etapa mais importante de qualquer criação fotográfica: aquilo que decidimos fotografar. É como se tivéssemos, nas nossas mentes, duas caixinhas: a do que é fotografável e o que não é. Como o texto diz, flores, faces e sorrisos são alvos fáceis. E, em tempos de redes sociais, pratos de comida e espelhos de academia também entram na lista. Existe apenas uma parcela de coisas e experiências que enxergamos como ‘fotografáveis’.


Foto de pawel szvmanski

Outra esfera das nossas preconcepções — ou preconceitos — fotográficas se refere a como fotografar. Seja utilizando uma câmera dedicada no modo manual, com lentes fixas ou o próprio celular, costumamos ter um modo de fazer as fotos. Posso apensas usar grandes aberturas para ter desfoque de fundo, ou inclinar o smartphone de uma certa forma para o melhor ângulo na selfie.

Tudo isso porque o nosso preconceito fotográfico estabelece que existe um modelo daquilo que é aceitável numa fotografia. O assunto, a forma e a estética esperada definem se a fotografia vai para a caixinha mental da aprovação, do bom, do certo ou da desaprovação, do ruim, do errado. Nós estamos o tempo todo julgando e classificando aquilo que vemos e fazemos, bem como aquilo que os outros são e fazem.

Como essas ideias são tão pessoais e rígidas, fica muito difícil apreciar quem faz algo diferente, seja no assunto, na forma ou na estética. Essa dicotomia na hora de ver torna isso praticamente impossível, pois é como se o fato de eu apreciar o diferente invalidasse aquilo que eu faço. Como geralmente só existem duas caixas, a do bom e a do ruim, se algo está numa caixa, o diferente daquilo obrigatoriamente teria que estar na outra. Daí a nossa incompreensão e intolerância.

É quase desnecessário dizer que é por isso que os bons fotógrafos — e os bons manuais de fotografia — insistem na experimentação, em sair da zona de conforto, em descondicionar o olhar. Só dessa forma será possível uma fotografia desinibida, sem medo e criativa. É claro, eu continuo achando que o sorriso do meu bebê de seis meses é a cena mais fotografável do mundo, mas se eu realmente quiser buscar uma fotografia expressiva, preciso perceber as minhas caixinhas mentais e fazer o máximo para ir além delas.

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Lindsay

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Resposta #1 Online: 01 de Abril de 2019, 13:10:10
É isso ai Rodrigo, vc reduziu ao campo da fotografia uma manifestação comportamental do ser humano comum envolvido nos conceitos e noções de alguma sociedade. Mas como seu sempre digo, esse conceito (do certo/errado) ocorre devido ao conhecimento social à que esse indivíduo foi submetido. Assim sendo, ele apresenta variações ao longo da crosta do planeta.

Mas merece, e vou enfatizar o ponto principal de sua colocação, que são as limitações estéticas impostas por esses preconceitos, que cerceiam a criatividade de "fotografos e expectadores".
« Última modificação: 01 de Abril de 2019, 13:11:17 por Lindsay »
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RFP

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Resposta #2 Online: 02 de Abril de 2019, 06:38:04
Mas merece, e vou enfatizar o ponto principal de sua colocação, que são as limitações estéticas impostas por esses preconceitos, que cerceiam a criatividade de "fotografos e expectadores".

Lindsay, acho que é isso mesmo. E a partir daí, temos dois caminhos possíveis: o de continuar reafirmando nossos preconceitos, argumentando e justificando porque achamos algo bom ou ruim; ou passar a perceber nossa forma de pensar como algo condicionado e questionar isso.

Como psicólogo, acho bem mais interessante o segundo caminho, embora eu saiba que não é algo fácil de fazer. O julgamento e a reafirmação daquilo que pensamos vem automaticamente.

Mas achei bem interessante encontrar o texto que citei no começo do artigo numa espécie de manual — antigo — da Kodak.
« Última modificação: 02 de Abril de 2019, 06:39:29 por RFP »
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Lindsay

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Resposta #3 Online: 03 de Abril de 2019, 19:45:42
Quem fica preso aos preconceitos acaba repetindo padrões, vivendo dentro de uma prisão mental.

Fotografia condicionada, circunstancial, que se faz para a sociedade, e não para si mesmo. O indivíduo não tem sequer a oportunidade de entender aquilo que seria a mais pura e bela expressão que poderia surgir de dentro de si mesmo.

Muitas vezes o fotografo pode até ter medo ou vergonha de fotografar para si mesmo, ou de enfrentar as opiniões e convenções da sociedade.

Mas Rodrigo, na pratica, de que maneira o fotografo poderia escapar dessa armadilha???
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RFP

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Resposta #4 Online: 04 de Abril de 2019, 16:55:09
Mas Rodrigo, na pratica, de que maneira o fotografo poderia escapar dessa armadilha???

Os manuais de fotografia costumam sugerir atividades que levem o fotógrafo a fazer coisas diferentes, como por exemplo fotografar assuntos que eles não costumam fotografar, usar uma câmera limitada, etc. Acho que as experiências desse tipo são válidas e podem de fato fazer com que ampliemos nossa forma de ver e de fazer.

Mas eu acho essa forma um pouco forçada. Existe uma grande chance de experimentarmos e voltarmos para o nosso padrão. Gosto mais de uma abordagem mais sutil, em que tentamos tomar mais e mais consciência dos nossos próprios preconceitos. Acredito que, com mais consciência, existe a possibilidade de uma mudança mais permanente.
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Arnalsan

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Resposta #5 Online: 04 de Abril de 2019, 19:43:28
Excelente artigo.

Eu tenho questionado muito minha fotografia, e por tal, motivo estou fotografando muito menos ou quase nada, pois, ao fazer um curso no Masp com Mauro Restife e depois no Sesc com Scott Maclay vi que minha fotografia estava total condicionada a coisas que eu nem sabia.
Pensei em fazer o curso "o descongestionamento do olhar" para tentar desconstruir estes preconceitos. Mas estou sem grana e estou focando em um projeto fotográfico especifico e retratos para tentar clarear as ideias.
Valeu por compartilhar,


cheferson

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Resposta #6 Online: 05 de Abril de 2019, 23:22:38
Há, nos dias atuais, um preconceito absurdo: o dos equipamentos. Qualquer câmera DSLR mais básica é zilhões de vezes melhor que câmeras de filmes antigas e os grandes fotógrafos da história fizeram fotos com câmeras de filmes bem inferiores em recursos, mas hoje galera valoriza mais equipamento do que composição, luz, as emoções envolvidas. Por isso que hoje em dia poucas fotos me impressionam.


nandoespinosa

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Resposta #7 Online: 06 de Abril de 2019, 12:37:14
O condicionamento é natural.. Como o Lindsay falou os preconceitos são parte do comportamento humano.
Até em questionarmos padrões e buscarmos fazer algo "diferente" estamos nos condicionando, nos encaixotanto, nos limitando.
Eu tenho uma puta dificuldade em fazer uma fotografia conceitual. Meu trabalho é de registro. Tem que ser.
Mas ao mesmo tempo eu acho lindo alguém que consegue quebrar os padrões, sair do usual.
Eu teria que estudar muito para fazer algo nesse estilo que me agradasse.

Tem alguns participantes aqui do fórum que tem esse viés.. Mas ainda assim, acabam seguindo os "seus padrões". Isso é visível. E não vejo com maus olhos. Acho que a identidade é algo necessário na arte. E boa parte de ter uma identidade significa criar a sua forma, o seu olhar, o seu padrão.
« Última modificação: 06 de Abril de 2019, 12:40:52 por nandoespinosa »


RFP

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Resposta #8 Online: 07 de Abril de 2019, 06:39:06
O condicionamento é natural.. Como o Lindsay falou os preconceitos são parte do comportamento humano.
Até em questionarmos padrões e buscarmos fazer algo "diferente" estamos nos condicionando, nos encaixotanto, nos limitando.
Eu tenho uma puta dificuldade em fazer uma fotografia conceitual. Meu trabalho é de registro. Tem que ser.
Mas ao mesmo tempo eu acho lindo alguém que consegue quebrar os padrões, sair do usual.
Eu teria que estudar muito para fazer algo nesse estilo que me agradasse.

Tem alguns participantes aqui do fórum que tem esse viés.. Mas ainda assim, acabam seguindo os "seus padrões". Isso é visível. E não vejo com maus olhos. Acho que a identidade é algo necessário na arte. E boa parte de ter uma identidade significa criar a sua forma, o seu olhar, o seu padrão.

Sim, é difícil escapar dos condicionamentos — se é que é possível. O grande lance é notar os próprios condicionamentos. Pois, quando não o fazemos, acabamos confundindo o nosso condicionamento com o certo, a verdade, o bom.
Ausente permanentemente


Diego Dahmer

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Resposta #9 Online: 13 de Setembro de 2019, 16:10:13
Sou novato aqui no fórum e estou impressionado com o nível da galera!
Ótimo tópico! Concordo que o condicionamento é natural, até por que cada um tem as suas inspirações e são condicionandos a reproduzir aquilo que está dentro da mente de forma inconsciente. Acho que a chave é abrir a mente cada vez mais para ter um leque maior referências.
Parabéns galera pelo alto nível de debate!


Raphael Sombrio

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Resposta #10 Online: 16 de Setembro de 2019, 09:30:19
Sim, é difícil escapar dos condicionamentos — se é que é possível. O grande lance é notar os próprios condicionamentos. Pois, quando não o fazemos, acabamos confundindo o nosso condicionamento com o certo, a verdade, o bom.

Ótima discussão!

Eu passo frequentemente por fases de questionamentos e críticas pessoais, silenciosas, que em alguns casos me incomodam muito.
O que fazer? Como fazer? Como mudar? Como inovar, deixar se ser tão repetitivo?

Já percebi claramente os meus condicionamentos e já arrisquei algumas mudanças, como testes, experimentos, mas não consigo muito achar que essa pequena mudança me trouxe algo melhor do que o usual.

Não engesso meu olhar para agradar aos outros, ao contrário, faço o que desejo fazer buscando em meu íntimo o que realmente valorizo como mensagem, mas essa mensagem tende a ser algo mais padrão mesmo, sem ser algo inusitado ou abstrato, conceitual.


cheferson

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Resposta #11 Online: 17 de Setembro de 2019, 00:35:15
Nós somos frutos dos nossos condicionamentos. A forma como agimos e pensamos está de acordo com aquilo que nos foi ensinado, com o que vimos nos outros como nossos modelos e com o que aprendemos na nossa história de vida. A partir daí, criamos nossas regras mentais sobre nós, sobre o mundo, sobre o certo e o errado. Quando isso acontece numa área mais específica da nossa atividade, como a fotografia, a rigidez fica mais evidente.

Basta pensar na etapa mais importante de qualquer criação fotográfica: aquilo que decidimos fotografar. É como se tivéssemos, nas nossas mentes, duas caixinhas: a do que é fotografável e o que não é. Como o texto diz, flores, faces e sorrisos são alvos fáceis. E, em tempos de redes sociais, pratos de comida e espelhos de academia também entram na lista. Existe apenas uma parcela de coisas e experiências que enxergamos como ‘fotografáveis’.


Foto de pawel szvmanski

Outra esfera das nossas preconcepções — ou preconceitos — fotográficas se refere a como fotografar. Seja utilizando uma câmera dedicada no modo manual, com lentes fixas ou o próprio celular, costumamos ter um modo de fazer as fotos. Posso apensas usar grandes aberturas para ter desfoque de fundo, ou inclinar o smartphone de uma certa forma para o melhor ângulo na selfie.

Tudo isso porque o nosso preconceito fotográfico estabelece que existe um modelo daquilo que é aceitável numa fotografia. O assunto, a forma e a estética esperada definem se a fotografia vai para a caixinha mental da aprovação, do bom, do certo ou da desaprovação, do ruim, do errado. Nós estamos o tempo todo julgando e classificando aquilo que vemos e fazemos, bem como aquilo que os outros são e fazem.

Como essas ideias são tão pessoais e rígidas, fica muito difícil apreciar quem faz algo diferente, seja no assunto, na forma ou na estética. Essa dicotomia na hora de ver torna isso praticamente impossível, pois é como se o fato de eu apreciar o diferente invalidasse aquilo que eu faço. Como geralmente só existem duas caixas, a do bom e a do ruim, se algo está numa caixa, o diferente daquilo obrigatoriamente teria que estar na outra. Daí a nossa incompreensão e intolerância.

É quase desnecessário dizer que é por isso que os bons fotógrafos — e os bons manuais de fotografia — insistem na experimentação, em sair da zona de conforto, em descondicionar o olhar. Só dessa forma será possível uma fotografia desinibida, sem medo e criativa. É claro, eu continuo achando que o sorriso do meu bebê de seis meses é a cena mais fotografável do mundo, mas se eu realmente quiser buscar uma fotografia expressiva, preciso perceber as minhas caixinhas mentais e fazer o máximo para ir além delas.

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Ótima discussão!

Eu passo frequentemente por fases de questionamentos e críticas pessoais, silenciosas, que em alguns casos me incomodam muito.
O que fazer? Como fazer? Como mudar? Como inovar, deixar se ser tão repetitivo?

Já percebi claramente os meus condicionamentos e já arrisquei algumas mudanças, como testes, experimentos, mas não consigo muito achar que essa pequena mudança me trouxe algo melhor do que o usual.

Não engesso meu olhar para agradar aos outros, ao contrário, faço o que desejo fazer buscando em meu íntimo o que realmente valorizo como mensagem, mas essa mensagem tende a ser algo mais padrão mesmo, sem ser algo inusitado ou abstrato, conceitual.

Acredito que exista uma diferença entre o seu olhar fotográfico, a sua foto como arte, e aquilo que o mercado quer. Quando digo mercado me refiro aos clientes que te pagam para que você faça seu trabalho e dinheiro com fotografia.

Há, uma enorma diferença, entre esses dois mundos que podem em muitos casos ser compatíveis. Há também pessoas que só fotografam por hobby, algo bem terapêutico na verdade.

Vejo a fotografia de rua como um divisor de águas na minha vida. Por exemplo, se você sair com apenas uma lente fixa na rua e começar a fazer foto de rua, encontrará lugares, pessoas e momentos únicos que não se repetirão, além disso, você precisará pensar a composição, os elementos dentro da cena, a emoção que você quer registrar, etc. É um grande exercício pra sair desse "comodismo mental" .

Outra coisa que faz muito bem a quem fotografa é viajar. Viajar expande nossos horizontes, nos faz conhecer novas pessoas, novos lugares, e aumenta nossa percepção de mundo e, consequentemente, nossa fotografia melhora e se beneficia dessa nova interação social e cultural no qual os locais que viajamos nos fazem ter.


hribeiro

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Resposta #12 Online: 17 de Setembro de 2019, 20:01:17
Ótima discussão.

A educação de cada um, em seu sentido mais amplo é responsável por esse condicionamento. E disso é muito difícil de escapar.
Temos opinião pessoal, própria.
Temos padrões de bom e ruim, de feio e bonito, etc..
É muito difícil de fugir disso tudo pois essas coisas estão dentro de nós, de nossa trajetória.
Deixar esses conceitos é bem complicado.
Perderemos nossa identidade??
Vamos produzir algo que é contrário ao que acreditamos?

Há ainda a opinião externa. Também condicionada, também conduzida por padrões. Individuais e coletivos.
Como vamos enfrentar esses olhos de fora?
É duro quando produzimos uma imagem que pensamos ser boa e o mundo não nota... ou nota e não qualifica como boa...
Imagine produzir algo que não está alinhado com o que acostumamos a achar bom, bonito, estético, aceitável.

De um tempo para cá tenho obedecido menos ao meu "olho lógico".
E faço imagens de coisas ou situações que me sinto atraído mesmo que contrarie o meu "policiamento", minha "censura" interna. Mesmo que a mente sussurre: Quem vai gostar disso?

Acredito que há de se desobedecer essa lógica interna para podermos escapar dos padrões que levamos conosco.
Mas isso está longe de ser fácil.
Helvio

Nikon D750, Nikon D3100, Nikkor 18-105mm, Nikkor 18-35mm, Nikkor 24mm f/2.8, Nikkor 50mm f/1.8G, Nikkor 24-120mm ED f/4,  Nikkor 80-200mm f/2.8D ED - Speedlight SB-700, Oloong SP660II manual, Flash Agfa.
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ronaldom1

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Resposta #13 Online: 18 de Setembro de 2019, 08:25:53
Os condicionamentos fotográficos, são em última análise resultado daquilo que somos, acreditamos, aprendemos e vivenciamos... acredito que o caminho do auto conhecimento e ter consciência destes condicionamentos representa a melhor forma de experimentarmos o novo, seja na escolha do que fotografarmos, das composições e regras que desejamos ou não seguir... não se trata de mudar o que somos de forma arbitrária ou forçada, mas apenas de termos consciência do que somos, preferências, bagagem cultural... aí surgem as oportunidades de conscientemente experimentarmos e conhecermos novas formas de interação com a fotografia...
Outro ponto que considero importante é nos expormos a novos estímulos e formas diferentes de enxergar... seja visitando exposições fotográficas com temas variados, artes visuais variadas, contato com grupos com formas diferentes de pensar, vestir e agir... enfim abrir novas referências, que poderão servir de parâmetro estético em nossa fotografia de forma consciente ou inconsciente.
Observar os detalhes da vida: o céu, o sol, as expressões e olhares... fotografar é viver intensamente !

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rahmati

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Resposta #14 Online: 07 de Outubro de 2019, 10:16:36
Mesmo que a mente sussurre: Quem vai gostar disso?

Eu acho que essa é a pior armadilha que a gente cai se procura uma fotografia autoral... E é uma das mais difíceis de superar. Tenho tentado, mas esse sussurro da mente aí que você disse é mais como um grito, ou um motor de trator, ou um tremor de terra.
www.rahmati.com.br — Fotografando com compacta desde sempre.
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