Autor Tópico: Adquirindo XP  (Lida 2255 vezes)

LeandroR

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Resposta #15 Online: 02 de Setembro de 2016, 00:10:39
Macrolook, o relato da sorveteria que queria que você fotografasse o sorvete do cliente para não desperdiçar chega a ser engraçada demais para ser verdade...  :hysterical: :hysterical: :hysterical: :hysterical: :hysterical: :hysterical: :hysterical:
 
Inacreditável que empreendedores tenham um pensamento como este.
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Rafaeldsr

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Resposta #16 Online: 02 de Setembro de 2016, 04:06:48
Pessoal. Sei que muitos não irão concordar, mas após ler o tópico, gostaria de deixar um comentário:

Acredito que vocês, fotógrafos experientes e profissionais (e falo isso sem nenhuma ironia, por favor), por vezes, não olham para a situação pelos olhos do cliente. Um microempreendedor, no nosso país, sofre muito para conseguir manter a sua empresa estável e obter algum lucro com isso, sobretudo em tempos de crise.

Sei do que falo pois meu pai teve uma lanchonete sozinho por 22 anos,e ,após alguns problemas que não vêm ao caso, fechou e reabriu em outro lugar em sociedade com um amigo. O ponto é: O novo estabelecimento tem sido um relativo sucesso em seus primeiros meses, com um movimento satisfatório, e ele, assim como o sócio, está tirando em torno de R$2200,00 por mês, já com as contas do estabelecimento todas pagas. Não é um valor muito alto, mas também não é tão baixo assim. Suficiente, eu diria. Agora, vale lembrar que eles possuem apenas mais dois funcionários, e que os mesmos trabalham informalmente (o que reduz bastante custos) um motoboy, que recebe R$25,00 + valor das taxas de entrega por dia, e outro funcionário que recebe R$40,00 por dia. A questão é: apesar de estarem há apenas alguns meses em operação, pretendem fazer uma pequena reforma no local, e lá se vão mais gastos. Eu, como iniciante e hobbysta, acho que seria bastante interessante que eles contratassem um fotógrafo de produtos profissional, porque eu, apesar de ter feito algumas coisas para eles de favor, passo longe de ter um trabalho considerado bom. Agora, imaginem vocês, na situação deles, recebendo R$2200,00 por mês, fazer um orçamento de fotografias profissionais e receberem algo como R$1500,00 como resposta?(não faço a menor ideia do quanto vocês cobram, talvez o valor esteja muito alto, foi apenas um chute meu) Para o mundo da fotografia, não é um valor realmente alto, mas para o mundo deles, com certeza é! Isso significaria uma redução bastante considerável dos ganhos deles no mês, mas todos têm contas à pagar, certo? Além de que, esse dinheiro poderia ser utilizado para coisas mais urgentes (ou importantes?).

Tudo isso foi só para mostrar que, apesar de uma boa fotografia sempre ser ótimo para qualquer empresa, nem sempre é um luxo ao qual elas podem se dar. Aos olhos dos fotógrafos, uma boa fotografia faz toda a diferença. Um designer olha um cardápio feito por um profissional e um feito por um amador e nota uma diferença gigantesca. Um fotógrafo olha a foto do cardápio e nota na hora se é de celular, se é profissional ou amadora. Mas na minha opinião, nada disso é o que vai trazer o cliente em sua maioria ao estabelecimento. A qualidade dos serviços prestados, sim. A propaganda é a alma do negócio, mas propaganda se dá de várias formas. Boca-a-boca, inclusive. Acho que o mais importante para um estabelecimento, de qualquer tipo, é prestar serviços que agradem seus clientes. Então, na hora de pensar em fazer fotografias profissionais e se deparar com um valor muito alto para o que o que podem pagar, as pessoas acabam optando por alternativas mais práticas, baratas, e, claro, com muito menos qualidade, o que no entanto não parece interferir tanto quanto a qualidade do serviço prestado de fato.

Posso fazer mais uma comparação com o caso do meu pai, com uma lanchonete concorrente das redondezas(a do meu pai chegou bem depois, mas concorre): Nos últimos 6 anos, teve 4 donos diferentes (o 4º acabou de começar), o primeiro deles não se importou muito com reformas e fotografias, era o que mais tinha sucesso, pois seu lanche era relativamente bom. Não sei por que vendeu. Durou aproximadamente 3 anos. O segundo dono começou fazendo várias reformas, deixou o lugar muito bonito (o que eu acho importante), fez cardápios bonitos (não me lembro agora se eram profissionais), mas seu lanche era terrível. Não durou muito tempo. 1 ano e meio, mais ou menos. O terceiro dono tratou de colocar a família para trabalhar no negócio. Inicialmente deu certo, mas o lanche também era ruim. Duraram 1 ano e 3 meses, aproximadamente. O dono atual está começando agora, mas eu diria que o ponto já está queimado, sabem? O lugar é bastante atrativo para ir uma primeira vez, mas eu não me arrisco mais. E tenho certeza que muita gente também não. Fica em frente ao lugar onde moro e pelo que ando vendo, as vendas não andam bem também. No fim, um lugar bonito e chamativo acabou não sendo de grande utilidade quando a qualidade do serviço prestado não era tão boa.

Sem desmerecer o trabalho de vocês, nem dizer que deveriam cobrar menos. Só queria tentar abrir os olhos de vocês para que vejam às vezes ao olhar do cliente também. Uma pessoa comum pode até notar a diferença entre uma foto profissional e uma amadora, mas não liga tanto para isso. E se um cliente acha caro o trabalho de vocês, nem sempre é porque ele é "pão-duro". Talvez ele apenas não tenha condição de investir isso e/ou não entenda a diferença gigantesca entre uma foto de celular e uma foto feita por um profissional do ramo.

Agora, para estabelecimentos maiores, de fato a coisa muda de figura, quando o cliente tem dinheiro da empresa em caixa e ainda assim não quer investir por ignorância não apenas na fotografia, mas também na administração, dou toda a razão para vocês.

Acabei me estendendo demais, mas espero que entendam o que quis dizer. Passar bem! :)
Iniciante.
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Resposta #17 Online: 02 de Setembro de 2016, 06:46:23
Essa do sorvete foi foda!
"A perspectiva de uma imagem é controlada pela distância entre a lente e o assunto; mudando a distancia focal da lente muda o tamanho da imagem , mas não altera a perspectiva . Muitos fotógrafos ignoram este fato, ou não têm conhecimento de sua importância." -  Ansel Adams, Examples – The Making of 40 Photographs


Macrolook

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Resposta #18 Online: 02 de Setembro de 2016, 11:46:08
Macrolook, o relato da sorveteria que queria que você fotografasse o sorvete do cliente para não desperdiçar chega a ser engraçada demais para ser verdade...  :hysterical: :hysterical: :hysterical: :hysterical: :hysterical: :hysterical: :hysterical:
 
Inacreditável que empreendedores tenham um pensamento como este.
Cara, o pior é que quando fui a uma pizzaria express, dessas que servem mini pizzas para viagem, o padrão foi
exatamente igual, fiquei anestesiado por tamanha ignorância coletiva, e percebi que mesmo eles afirmando que não entendem nada de fotografia, eles querem do jeito deles, que não podem perder esse dinheiro, ah e detalhe, queria pagar em pizza e que eu fosse uma vez por semana lá, até receber tudo... levaria uns 6 meses de pizza rs.
Para não perder a piada, na boa, disse, olha, se aceitassem sua pizza para pagar as contas, seguramente aceitaria.
Obviamente não aceitei, agradeci e fui embora.
« Última modificação: 02 de Setembro de 2016, 11:47:22 por Macrolook »
“Fotografia é poder de observação, não de aplicação da tecnologia.” Ken Rockwell.


Macrolook

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Resposta #19 Online: 02 de Setembro de 2016, 11:57:25
Para o mundo da fotografia, não é um valor realmente alto, mas para o mundo deles, com certeza é! Isso significaria uma redução bastante considerável dos ganhos deles no mês, mas todos têm contas à pagar, certo? Além de que, esse dinheiro poderia ser utilizado para coisas mais urgentes (ou importantes?)


Olha, o que estou percebendo no mundo corporativo é que as pessoas pagam por pedreiros, marceneiros, faxineiros, arquitetos, contadores, serralheiros, etc, pagam sem pestanejar, quando se trata de estrutura, ferramentas e insumos, ninguém fica "chorando".
O problema do empresário brasileiro é que ele acha que o design, a fotografia, sites, ou seja comunicação visual, não é importante, por isso ele vê como supérfluo, como algo que pode ficar para depois.
Grave erro, por quê qualquer empresa que se preze, por mais familiar que seja, precisa entender que existem padrões mínimos para que uma empresa seja EPP ou prestador de serviço, precisam se comunicar com seu público, e isso é a ponta do iceberg, é o que o cliente vê, o que atraí, e o mais importante, muita gente sabe que se o cliente cuida da imagem, que para muitos é apenas um detalhe, para outros sabem que os detalhes é que realmente fazem a diferença.
Eu consigo dizer a você se o produto do empresário é bom só de olhar a embalagem, o logo, o menu, lógico que nem sempre é via de regra, mas dá para entender o seguinte:
Se o cara se preocupa com a imagem que o cliente tem do seu estabelecimento, ele se preocupa com os insumos, com a qualidade, com a limpeza, etc.
Os empresários devem saber que imagem faz parte do orçamento, e que não é coisa para ser deixada por último, é tão importante quanto as outras coisas, e se me permite, não é luxo, é respeito ao seu produto, é sua apresentação.
Recomendo aos meus clientes se não querem ou não podem fazer fotos boas, que façam um cardápio sem imagens, é melhor que fazer porcaria e queimar o filme.
Esse é meu ponto de vista técnico e como cliente também, sei que muitos dizem não ter condições, mas se for abrir uma empresa ou prestar serviços, sua imagem conta muito.
Os serviços de fotografia são caros? Não acho, acho caro uma progressiva de cabelo, que vai durar alguns meses, um penteado de casamento que vai durar uma noite, um jantar refinado que vai durar minutos, um whisky que não dura uma noite, fotografia é para sempre, ninguém pensa nisso, mas se for comparar, é bem barato, pois a durabilidade é imensamente maior que qualquer
outro produto que for consumir.
« Última modificação: 02 de Setembro de 2016, 12:22:05 por Macrolook »
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Resposta #20 Online: 02 de Setembro de 2016, 15:00:53
Sempre que levo minha filha a escola, deparo que há carros estacionados em lugares proibidos, não que eu seja do DETRAN, mas certos locais colocam em risco a integridade física das pessoas, neste caso crianças, existem pessoas que compras as CNHs, e desconhecem ou ignoram estes sinais, que se estão ali, tem uma razão de ser.

Existe um local onde está a faixa-lombada, os carros param bem ali em cima, como é uma via de mão dupla, e os veículos param onde não deveriam e os outros ignoram que é uma escola, causam um caos, em sua preguiça ou falta de cidadania.
Por este motivo eu decidi fotografar todos os carros que fazem isso, e posto mesmo, podem me processar que nem ligo.
Curiosamente hoje, depois de deixar minha garotinha, um ser que parou na faixa, estava entrando no carro, educadamente abordei e perguntei o por quê de parar ali, e se entendia que aquilo poderia colocar em risco a integridade física das crianças.

O cara ficou puto, falou que estava "descarregando" o filho, quem era eu para chamar a atenção dele, etc.
Criou uma cena, começou a perder a razão e veio partir para cima, calmamente, eu olhei para ele, que estava a uns poucos centímetros da minha face, e disse:
Olhe, este tipo de exemplo não é legal para seu garoto, para estas pessoas que nos estão olhando, tampouco para você, aqui não é lugar para isso, sou bem civilizado e odeio violência, se você quiser resolver isso de modo físico, vamos para minha academia, lá, tem ringue, tatame e primeiros socorros, seguramente algum de nós talvez precisará e sinceramente
com essa raiva toda é bem provável que eu tenha chance de levar vantagem, pois desse jeito é bem fácil perder uma luta, digo isso por que levo 20 anos praticando e já sei como é.

Na hora o cidadão engoliu seco, virou as costas e foi embora.
Quando estava descendo para pegar meu carro ele parou com o seu do meu lado, me xingou, gritou, amaldiçoou todos meus antepassados, enquanto isso tirei uma foto dele, com sua cara de ódio, mais tarde postarei lá, onde posto todos estes inúteis que se intitulam pais, tenho pena do menino, espero de coração, que este cara amadureça.
   
« Última modificação: 02 de Setembro de 2016, 15:02:15 por Macrolook »
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felipemendes

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Resposta #21 Online: 02 de Setembro de 2016, 15:14:51
Olha, o que estou percebendo no mundo corporativo é que as pessoas pagam por pedreiros, marceneiros, faxineiros, arquitetos, contadores, serralheiros, etc, pagam sem pestanejar, quando se trata de estrutura, ferramentas e insumos, ninguém fica "chorando".
O problema do empresário brasileiro é que ele acha que o design, a fotografia, sites, ou seja comunicação visual, não é importante, por isso ele vê como supérfluo, como algo que pode ficar para depois.

Note que o "mundo corporativo" é diferente do pequeno empresário. Note também que em um mundo de oferta e procura, 'ninguém fica "chorando"' é um erro colossal (assim como não chorar pra ter o melhor equipamento fotográfico também é).

Quem dita as regras do mercado é... o mercado! É uma entidade invisível e sem controle de ninguém em especial, mas de toda a sociedade. Claro que pros fotógrafos seria excelente se o vendedor de coxinha quisesse foto com Nikon D5, mas não é como o mercado age. Pro mercado de moda, aparência é tudo, então quanto melhor a aparência é, e quanto melhor for retratada, melhor. Pro mercado de coxinha, o sabor conta muito mais que a aparência. Claro que a aparência conta, mas uma coxinha bem fotografada só vai ser marginalmente melhor que a coxinha mal fotografada. E levando em conta que o dono da lanchonete precisa pagar "pedreiros, marceneiros, faxineiros, arquitetos, contadores, serralheiros, etc, pagam sem pestanejar", o gasto além disso tem que demonstrar que vai valer muito a pena.

Conhece a pirâmide de Maslow?

Na base estão as necessidades mais básicas: Fome, sede, sono. É a finalidade básica do negócio: lucro. Se o negócio não garante aquilo, nada mais vale a pena.

No segundo nível, abrigo. É onde entram os prestadores de serviços básicos, acertadamente listados por você como pedreiros, marceneiros, faxineiros, arquitetos, contadores, serralheiros. São eles que fazem um ambiente minimamente habitável pro negócio.

No terceiro, a necessidade social. No caso do negócio, é o ponto. Note que aqui a coisa não é mais 100% necessária: um ponto bom ajuda muito, mas se o negócio for muito bom, o ponto não precisa ser tão bom. Da mesma forma, se o negócio for ruim, o ponto não ajuda.

No quarto, está a necessidade de estima. Como a empresa se vê. Como ela acha que o cliente a vê. No caso da lanchonete, é aqui que o fotógrafo entra. No caso de uma loja de roupas (que vende "beleza"), a estima é muito mais relevante. Muitas empresas não estão preocupadas com este aspecto porque não há outra opção. Ou porque todas as opções são igualmente ruins.

Finalmente lá em cima está a auto-realização. É o dono da lanchonete que sente que está fazendo do mundo um lugar melhor por vender coxinha. Cada esfiha pra ele é uma obra de arte, e como tal, ele com certeza vai gostar de ter fotos do produto do trabalho dele. Obviamente poucos donos de lanchonetes chegam a este estágio, por isso você não verá deles com muita frequência.

Note que a fotografia como negócio entra principalmente nos níveis superiores da pirâmide. Enquanto isso, o comerciante normalmente luta pra estar ali até o terceiro, talvez quarto nível.
Felipe


Macrolook

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Resposta #22 Online: 02 de Setembro de 2016, 15:48:11
Note que o "mundo corporativo" é diferente do pequeno empresário. Note também que em um mundo de oferta e procura, 'ninguém fica "chorando"' é um erro colossal (assim como não chorar pra ter o melhor equipamento fotográfico também é).

Quem dita as regras do mercado é... o mercado! É uma entidade invisível e sem controle de ninguém em especial, mas de toda a sociedade.

Felipe, agradeço muito, respeito seu ponto de vista, mas discordo de alguns pontos:
Se o mercado ditar o quanto eu devo cobrar, vou morrer de fome, pois como afirmou "É uma entidade invisível e sem controle de ninguém" e o mercado muitas vezes é desordenado, o que chamaria mais de leigo, pois muita gente acha que certas competências são fáceis e por não pegar no pesado ou não ter diploma, não vale o que pedem.
Uma coisa é um cliente achar que é caro, outra é o por quê daquele valor, no caso da fotografia, uns acham que não é primeira necessidade, enquanto para outros não tem preço.

Você fala sobre Maslow, ok, é psicologia, prefiro as ciências exatas, mas concordo mais com Victor Vroom e a teoria da expectativa.
Diferimos na questão de barganha, não gosto de barganhar, acho uma ofensa ao trabalho dos outros, mesmo que seja um produto, prefiro pagar, pois para mim não é somente preço que conta, é atendimento, pós venda, qualidade e relacionamento, pode ser cultural para muitos, mas não na minha cultura.
Infelizmente vivemos em um mundo onde as pessoas procuram sempre preço, abrem mão da qualidade mínima, e depois isso fica muito mais caro, veja os móveis de hoje, o atendimento nas lojas, a qualidade da educação... a guerra dos preços, tenho uma frase que aprendi e incorporei: Cliente que vem por preço vai embora pelo mesmo motivo.

Veja por exemplo a área da beleza, os salões estão sempre cheios, fale de crise pra um cabeleireiro, desconhecem, as mulheres, com crise ou sem não deixam de se cuidar, dão um jeito, mesmo isso não sendo primeira necessidade.
Quando digo mundo corporativo, me refiro a pessoas que querem uma empresa, que não abrem biroscas, que realmente amam o que fazem, mesmo sendo em um fundo e quintal, se preocupam com tudo, desde a qualidade dos produtos até como o cliente percebe seu valor. Isso é missão, não é abrir qualquer coisa e vamos ver o que vira.

Se estivéssemos em uma guerra pós apocalíptica, onde faltaria água, abrigo, as necessidades mais básicas seriam mais importantes realmente, mas ainda assim, a fotografia teria seu lugar, vivemos em mundos diferentes, no meu, todo mundo tem seu valor, mas nos outros mundos, no qual o mercado dita as regras, mesmo sendo anônimo e sem controle, muita gente é supervalorizada, futebol por exemplo, não precisamos de bola na rede para sobreviver, mas esse mercado tão sarcástico, valoriza mais um jogador que um cientista ou professor... é o que tem, talvez, mas nem por isso tenho que dizer amém para ele  toda vez que o mercado acha que deve comandar meu valor, e não eu.
« Última modificação: 02 de Setembro de 2016, 16:13:04 por Macrolook »
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LeandroR

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Resposta #23 Online: 02 de Setembro de 2016, 16:04:31
Perfeita a colocação, Felipe. O mercado dita os preços e é extremamente importante que seja desta maneira. É uma "mão invisível" que traz balanço as coisas. É a lei de demanda e oferta e ela não é "malvada", muito pelo contrário, beneficia a sociedade de maneira geral.
« Última modificação: 02 de Setembro de 2016, 16:04:52 por LeandroR »
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felipemendes

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Resposta #24 Online: 02 de Setembro de 2016, 17:56:47
Felipe, agradeço muito, respeito seu ponto de vista, mas discordo de alguns pontos:
Se o mercado ditar o quanto eu devo cobrar, vou morrer de fome...

Sim. O mercado diz quanto vale seu trabalho.

Tudo tende a um equilíbrio: uma atividade remunerada só existe se alguém paga por ela. Se mais gente estiver disposta a pagar, primeiro o fornecedor da atividade vai cobrar mais caro, depois mais gente vai entrar na mesma atividade até o preço baixar. Não sou eu ou você que dizem isso, mas, como vc já ouviu de vários clientes, "meu sobrinho faz por 1/5 do preço". Não digo que seja certo ou errado, mas pro pequeno comerciante, é assim que funciona.

Imagine o seguinte: vc vai comprar um carro usado. Entra nos classificados e vê o primeiro anúncio do carro que vc quer. Vc compra? Não, você vê varios carros similares e avalia o que traz melhor custo-benefício pra você. Quem está vendendo carro acima desta fronteira pode dar sorte em vender pra alguém desinformado, mas via de regra vai ter que baixar o preço pra um valor que o mercado pague.

Note que o carro que você está buscando não necessariamente é o mesmo que outra pessoa busca. Existem faixas de preço. Obviamente a expectativa de encontrar um carro potente e cheio de opcionais em uma faixa baixa de preço não pode ser grande. Mas existem faixas diferentes pra expectativas diferentes. O dono da lanchonete não faz questão da foto excelente, a do sobrinho dele está de bom tamanho. Ele é o cliente. No caso, o que você pode oferecer está muito além da expectativa dele, e também acima do preço. Claro que se você oferecesse um trabalho ótimo pelo valor que ele está disposto a pagar, o negócio aconteceria. Mas se não houver conciliação entre estas duas coisas (preço e expectativa), o negócio não acontece.

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Diferimos na questão de barganha, não gosto de barganhar, acho uma ofensa ao trabalho dos outros, mesmo que seja um produto, prefiro pagar, pois para mim não é somente preço que conta, é atendimento, pós venda, qualidade e relacionamento, pode ser cultural para muitos, mas não na minha cultura.

Tenho que discordar. Lembre: preço e expectativa. O que lhe impede de cobrar o dobro ou triplo do que você cobra? O motivo é a barganha: você coloca no seu serviço o preço máximo que espera que alguém pague.

O mesmo, infelizmente, vale pro jogador de futebol: o salário dele não "nasce" de lugar nenhum. Ele vem de algum lugar. Acredite ou não, mas dinheiro fluiu por vários caminhos pra chegar até ele, por causa dele.

Acredite ou não, eu sou da área de exatas. Anos em diversas posições técnicas, não técnicas e gerenciais ensinam um pouco sobre estas coisas. Quando mais novo, eu ficava frustrado quando clientes não gostavam das minhas ideias super-futuristas. Hoje eu vejo que a coisa vai bem além.

Solução hiper-resumida pra ganhar muito dinheiro: saiba quem é seu mercado. Saiba o que ele espera de você. Atenda-o bem. (e me mande 10% pela consultoria!  :D)
« Última modificação: 02 de Setembro de 2016, 17:59:00 por felipemendes »
Felipe


Macrolook

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Resposta #25 Online: 02 de Setembro de 2016, 23:00:45
Sim. O mercado diz quanto vale seu trabalho.

Não digo que seja certo ou errado, mas pro pequeno comerciante, é assim que funciona.

Fico lisonjeado quando alguém como você dedica seu tempo em ensinar e compartilhar, mas creio que existe muita disparidade em nossos mundos, opiniões técnicas e pessoais.
Não o mercado não dita quanto vale meu trabalho, existe uma base lá fora, entre os bons e ruins, entre os sobrinhos e profissionais. Repito, o mercado generalista a que você se refere, onde os sobrinhos, o pequeno comerciante, não definem o valor do meu trabalho, pois para eles o que importa é preço e não qualidade, não é meu mercado.
Não tem como vender o mesmo valor de alguém que paga software e outro que não paga, mas para muitos empresários, não importa se você é honesto ou não, o importante é o preço, desde que pague barato, tanto faz se seu software é pirata ou pago, esse tipo de gente? Não é meu mercado, são praticamente coniventes com certas práticas, quase receptadores.
Nem todos pequenos comerciantes pensam assim, eles não sabem, desconhecem, ou ignoram esse tipo de valor.
Meu intuito é educar meu público, sem enganar, cobrar mais do que deveria, isso se chama trapaça, abuso e monopólio, não é meu feitio nem como atuo, se outros o fazem, é por isso que está como está, não é porque existe oferta e demanda
devemos ser rapinas e cobrar quanto queremos e sim quanto vale nosso trabalho.



Imagine o seguinte: vc vai comprar um carro usado. Entra nos classificados e vê o primeiro anúncio do carro que vc quer. Vc compra? Não, você vê varios carros similares e avalia o que traz melhor custo-benefício pra você. Quem está vendendo carro acima desta fronteira pode dar sorte em vender pra alguém desinformado, mas via de regra vai ter que baixar o preço pra um valor que o mercado pague.
Obviamente caro Felipe, que tenho parâmetros e sei o que cabe no meu orçamento, é insultar minha inteligência achar que vou comprar qualquer coisa, o que quero dizer é que jamais vou depreciar o trabalho de outra pessoa, principalmente prestadores de serviços, obvio que vou pesquisar, mas quando escolher o que esteja nos meus padrões de qualidade, não ficarei insistindo para pagar menos do que vale. Experimente barganhar em um posto, um consultório, com taxas públicas, bem difícil, vão rir na cara de quem o fizer.



Tenho que discordar. Lembre: preço e expectativa. O que lhe impede de cobrar o dobro ou triplo do que você cobra?
Bom senso e honestidade, cálculo entre equipamentos, cursos, softwares, deslocamento, despesas fixas e variáveis, depreciação, etc, isso é o que me faz cobrar o que devo cobrar, de forma justa e honesta.
Como disse, nossos mundos são diferentes, não é por que o mercado com sua entropia faz o que quer com os preços, que deva sacrificar qualidade x preço e vender para o pequeno comerciante pelo preço que ELE acha justo, e sim pelo preço que realmente vale meu serviço. Inclusive ele tem que ter uma margem de lucro para manter seu negócio, por mais empírico que seja.
Normalmente fazem comparações com preço e não com qualidade, isso é tentar nivelar algo que não faz sentido, apenas um claro, pagar mais barato, levar vantagem se aproveitar do outro que precisa trabalhar, quase um leilão de habilidades.
Na boa, RH é algo que vive transformando pessoas em números, eu não sou adepto ao RH, por mais plausível e científico que pareça, é cruel, com suas metodologias prussianas de controle de massas e frases feitas, isso é minha opinião pessoal.
Você é uma pessoa bem informada, entretanto, opinião cada um tem a sua, e da mesma forma seu próprio modo de ver as coisas.
Realmente estou descobrindo meu mercado, venho de um onde as corporações sem escrúpulos utilizam metodologias para controlar empresas, sindicatos, trabalhadores e sinceramente, sei como o mercado é vil e por isso mesmo, prefiro encontrar lacunas nele para poder viver de forma digna e não ceder ao que ele impõe.
Parece utopia, mas é como vivo.
Grato pela aula. É sempre um prazer ler suas postagens.

« Última modificação: 02 de Setembro de 2016, 23:17:28 por Macrolook »
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bruno_sfc

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Resposta #26 Online: 03 de Setembro de 2016, 00:20:46
Eu já fiz (sim) muitos trabalhos de graça e também muitos trabalhos cobrando pouco. Mas todos em todos me dediquei e tratei os clientes com muitos respeito, não me lembro de ter em algum momento tentado "ensinar" cliente nenhum. E as experiências que adquiri com esses trabalhos me ajudaram muito, e também outros trabalhos vieram a partir dessas experiências. O que eu já fiz é expor meu lado e negociar. Não sendo interessante para mim de alguma forma, não faço.

Eu já fui uma pessoa reativa e não me trouxe nada de bom, muito pelo contrário. O melhor XP que você pode adquirir é ser uma pessoa boa de se relacionar, mesmo em situações adversas. Parece papo furado, mas toda experiência [ruim?] tem algo bom pra ensinar se você tiver sensibilidade pra aprender. Fotografar não é só saber a parte técnica.


Macrolook

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Resposta #27 Online: 03 de Setembro de 2016, 02:43:20
não me lembro de ter em algum momento tentado "ensinar" cliente nenhum.

Quando digo educar um cliente, é mostrar a ele, o que pode ser feito, os benefícios para seu negócio, como e por quê, para que não seja enganado, para que saiba ao menos identificar um profissional de um oportunista, na área em que atuamos.
Já fui educado por muitas pessoas, na sua maioria ótimos profissionais, dos quais hoje são referência no que fazem, e os agradeço e muito por não apenas me venderem um bom serviço ou produto, mas também por me ajudarem a ver de outra forma e pudesse adquirir conhecimento e expertise deles.

Grato por suas palavras.
« Última modificação: 03 de Setembro de 2016, 02:45:22 por Macrolook »
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Resposta #28 Online: 15 de Setembro de 2016, 01:34:18
A ultima discussão aqui foi sobre o mercado, fato, ele existe e não é muito lógico, mas está aí para nos ensinar.
Com a crise, e fotografia sendo item considerado supérfluo (cerveja, pizza e decoração são itens de primeira necessidade então?), muitas empresas de fotografia local estão fechando as portas por aqui, notei também, que existe um culto ao mais barato e a prazeres efêmeros, coisas que não duram 20 minutos, contra fotografia, que se for de qualidade pode durar 2 gerações tranquilamente.
Me dou conta que o problema não é apenas falta de cultura artística, vai além, está tudo muito superficial, enfim, alguns valores estão sendo esquecidos.
Esta semana fui a um possível cliente, pessoa de posses, queria fazer um retrato de família, ideia proposta pela avó, que conheci em um evento artístico.

Quando falamos de preço, riu, aliás, gargalhou, não viu valor, apenas disse: Muito caro, imagine pagar R$XXX por um retrato, desse jeito vou deixar a área de avicultura e virar fotógrafo também.

Sacando que o desdém era tamanho, fui bem direto e disse: notei que gosta de cerveja, vi que tem uma coleção bem vasta no hall de entrada, deve ter ao menos umas 50 marcas de países diferentes, foram presentes ou comprou todas? Ele disse com o peito estufado, comprei todas, uma para cada lugar que visitei!

Houve uma breve pausa, e logo lancei um olhar bem cínico e falei: É, cada um tem seus valores e prioridades... tenha um bom dia.
“Fotografia é poder de observação, não de aplicação da tecnologia.” Ken Rockwell.


bruno_sfc

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Resposta #29 Online: 15 de Setembro de 2016, 12:01:48
A ultima discussão aqui foi sobre o mercado, fato, ele existe e não é muito lógico, mas está aí para nos ensinar.
Com a crise, e fotografia sendo item considerado supérfluo (cerveja, pizza e decoração são itens de primeira necessidade então?), muitas empresas de fotografia local estão fechando as portas por aqui, notei também, que existe um culto ao mais barato e a prazeres efêmeros, coisas que não duram 20 minutos, contra fotografia, que se for de qualidade pode durar 2 gerações tranquilamente.
Me dou conta que o problema não é apenas falta de cultura artística, vai além, está tudo muito superficial, enfim, alguns valores estão sendo esquecidos.
Esta semana fui a um possível cliente, pessoa de posses, queria fazer um retrato de família, ideia proposta pela avó, que conheci em um evento artístico.

Quando falamos de preço, riu, aliás, gargalhou, não viu valor, apenas disse: Muito caro, imagine pagar R$XXX por um retrato, desse jeito vou deixar a área de avicultura e virar fotógrafo também.

Sacando que o desdém era tamanho, fui bem direto e disse: notei que gosta de cerveja, vi que tem uma coleção bem vasta no hall de entrada, deve ter ao menos umas 50 marcas de países diferentes, foram presentes ou comprou todas? Ele disse com o peito estufado, comprei todas, uma para cada lugar que visitei!

Houve uma breve pausa, e logo lancei um olhar bem cínico e falei: É, cada um tem seus valores e prioridades... tenha um bom dia.

Como você cobrou, por hora ou por foto? O tratamento está incluso? Licenciamento? Qual tipo de fotos eles esperam? O que você ofereceu? Você já tem algum trabalho no direcionamento que eles desejavam? Qual o detalhamento do seu orçamento?

Essa história de crise que você me contou me lembrou que quando a crise bateu nas portas dos EUA, lá no começo de 2008, muitos fotógrafos fecharam (sim) as portas, mas a Sue Bryce investiu no seu próprio estúdio. Todo mundo achou que ela estava fazendo uma loucura (e era sim um pouco de loucura), mas ela usou toda sua experiência (técnica/estética) que teve há muito (mais de 25 anos) tempo atrás e ofereceu um serviço (bodouir?) para as mulheres que estavam passando por algum momento de baixa estima. O resto é história, não preciso nem contar. Hoje ela tem um negócio tão bem sucedido que virou até celebridade. Claro, não acho que isso sozinho signifique sucesso, o caminho é mais complicado que isso e de escolhas muito individuais. Mas acho interessante ter lembrado da história dela, porquê vejo que cada pessoa lida de uma forma diferente com os obstáculos. Ter consciência das dificuldades, saber lidar com os obstáculos, ter persistência parecem pontos fundamentais para quem não quer se desgastar com os altos e baixos da profissão [qualquer uma?].