Autor Tópico: O motivo da fotografia ter acabado hoje em dia.  (Lida 5597 vezes)

C R O I X

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Resposta #14 Online: 25 de Outubro de 2017, 16:17:39
Acho que compreendo seu ponto. "Para ver a fazenda, é preciso sair da fazenda". Não se pode falar do passado até que ele deixe de ser o presente.

Se alguém nasce dentro de um determinado contexto (tecnológico, político, social etc.), a versão de mundo dessa pessoa muito provavelmente refletirá os valores desse mesmo contexto.

Então, a partir desse ponto de vista, concordo que (uma) fotografia (de uma época) pode ter morrido, já que o mundo agora é outro.

Mas penso que algumas características são atemporais e intrínsecas ao ser humano, e assim, desejos e necessidades que nortearam a fotografia de outras épocas, continuam norteando a de hoje, só que com ferramentas e linguagens diferentes, como você disse.

No fim, a fotografia morreu ou se metamorfoseou?

Pessoalmente eu acredito que morreu mesmo e veio outra coisa com outra ferramenta, pq acabam de certa forma sendo atividades diferentes. Tal como o jornalismo pre codigo morse morreu e com o codigo morse surgio outra coisa, que continuou sendo chamado de jornalismo mas a atividade era outra. O mesmo para a pintura pre fotografia (reproducao mecanica) e pos fotografia passou a ser outra (pintura abistrata, impressioismo, cubismo, etc). Ate mesmo para a religiao pre impressora era outra.

Eu concordo que o a forma que se fotografa hoje demanda um outro termo, nao precisa ser necessariamente outro nome que subistitua a fotografia, pq ainda eh registro da luz. Mas sao dua formas de atividades ou relacao com a fotografia distinta.


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Resposta #15 Online: 25 de Outubro de 2017, 16:30:37
A arte ou falta dela evolui/involui no decorrer do tempo, em todos os segmentos, get over it!

Concordo.
A questao que eu busco aqui nao eh reclamar ou celebrar, mas apenas identificar e entender.


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Resposta #16 Online: 25 de Outubro de 2017, 16:49:22
Antigamente a fotografia não era instantânea... a complexidade do processo criava a expectativa e a paixão.
Por isso eu acredito que o romance com essa arte acabou.

Homens e mulheres antigamente tinham um romance bem diferente do que vemos no namoro de hoje.
Chegar ao sexo era tão trabalhoso como chegar na ampliação de uma foto.
Hoje o sexo e a fotografia tornaram-se algo muito comum... Não existe nenhuma expectativa, não existe romance, não existe espera, não existe mais aquele trabalho artesanal... então como esperar que tenha o mesmo valor (conceito) de antigamente?

Basicamente isso, as experiencias que temos com as ferramentas (e ferramentas moldam nossa realidade) criam novos resultados e relacoes com o que criamos e a realidade.

Vou trazer um quote aqui pegando um exemplo da religiao, que o autor do quote usa para tratar desse mesmo assunto aqui mo topico. Como a religiao passa a ser algo completamente distinta do que era, quando passa a ser propagada e experienciada diferente.

“I believe I am not mistaken in saying that Christianity is a demanding and serious religion. When it is delivered as easy and amusing, it is another kind of religion altogether.”
― Neil Postman, Amusing Ourselves to Death: Public Discourse in the Age of Show Business


“In every tool we create, an idea is embedded that goes beyond the function of the thing itself.”
― Neil Postman, Amusing Ourselves to Death: Public Discourse in the Age of Show Business

“The clearest way to see through a culture is to attend to its tools for conversation.”
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Elder Walker

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Resposta #17 Online: 25 de Outubro de 2017, 20:36:13
E nem por isso namoro deixou de se chamar namoro, assim como guerras de espadas e arco e flecha evoluíram para caças supersônicos e bombas nucleares e também não deixaram de se chamar guerras, e assim por diante.

Entendo e concordo com a mudança descrita e a forma diferente que podemos ver na essência, tanto da fotografia quanto de todos os exemplos dados. Mas ainda assim me parece romantismo demais pensar que até o termo que define tais atividades deveriam mudar.
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Bucephalus

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Resposta #18 Online: 25 de Outubro de 2017, 22:10:20
Basicamente isso, as experiencias que temos com as ferramentas (e ferramentas moldam nossa realidade) criam novos resultados e relacoes com o que criamos e a realidade.

Vou trazer um quote aqui pegando um exemplo da religiao, que o autor do quote usa para tratar desse mesmo assunto aqui mo topico. Como a religiao passa a ser algo completamente distinta do que era, quando passa a ser propagada e experienciada diferente.

“I believe I am not mistaken in saying that Christianity is a demanding and serious religion. When it is delivered as easy and amusing, it is another kind of religion altogether.”
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“The clearest way to see through a culture is to attend to its tools for conversation.”
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Mas o lance é: a fotografia artística não mudou nada desde a sua concepção mais de 100 anos atrás, mesmo com as tecnologias digitais.

Hoje podemos produzir fotografia através de sinais digitais ao invés de processos químicos. Podemos distribuir as fotos eletronicamente, para todos os cantos do mundo, ao invés de imprimi-las no papel. Podemos usar o Flickr, Instagram, Facebook, Snapchat.

E, ainda assim, a fotografia artística não faz nada disso. A fotografia de arte hoje ainda é baseada no papel, em fotolivros, em impressões emolduradas na parede, em exposições em museus e galerias, em críticos de artes, em acadêmicos em universidades e curadores em instituições estabelecidas. Ninguém na internet, e usando puramente as ferramentas da internet, está fazendo arte.

O que a internet está fazendo é somente amplificar o que as pessoas sempre faziam, mas antes numa escala menor: tirar fotos inanes e compartilhar essas fotos inanes entre familiares através do famoso album de família, ou compartilhar-las com entusiastas amadores em fotoclubes onde eles trocavam, discutiam a incentivavam uns aos outros a continuarem tirando essas fotos inanes e comprando equipamento.

Com a internet e a fotografia digital, esse processo foi multiplicado e acelerado, mas não inventado. Ficou mais fácil e barato produzir mais fotos inanes por conta das câmeras digitais. Ficou mais fácil de mostrar seu álbum de família para um grupo maior por conta do Facebook. Ficou mais fácil fazer parte de um fotoclube de fotos inanes porque todo fórum de fotografia ou o Flickr são somente isso, fotoclubes de fotos inanes.

Mas a arte fotográfica de verdade ocorre longe da internet, como sempre foi. A fotografia artística ainda é lenta e elitista, e não baseada na disseminação em massa e em apelo coletivo. E sempre foi assim.


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Resposta #19 Online: 26 de Outubro de 2017, 04:35:47
E nem por isso namoro deixou de se chamar namoro, assim como guerras de espadas e arco e flecha evoluíram para caças supersônicos e bombas nucleares e também não deixaram de se chamar guerras, e assim por diante.

Entendo e concordo com a mudança descrita e a forma diferente que podemos ver na essência, tanto da fotografia quanto de todos os exemplos dados. Mas ainda assim me parece romantismo demais pensar que até o termo que define tais atividades deveriam mudar.
Nao tem nada a ver com romantismo, mas meramente com o fato de que em geral as pessoas nao pecebem as mudancas de seu tempo e nelas mesmas, achando que estao fazendo o mesmo que antes apenas com ferramentas novas, nao atentas ou cientes do impacto das ferramentas na nossa forma de pensar.

E enxergar e distinguir tais diferencas eh importante para nao fazer a confusao que muitos fazem hoje entre informacao e distracao, educacao e entretenimento, politica e publicidade, saber que o capitalismo e a mao invisivel do mercado que os sociologistas e economistas liberais classicos se referiam nao tem como existir hoje pq o capitalismo daquele tempo ja se foi e nao tem volta. O Mesmo quando falado de Marxismo, etc.

Nada disso eh romantismo mas se nao a mais importante, eh uma das mais importantes e questoes que as pessoas precisam entender para um raciocinio lucido sobre tais questoes.

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Resposta #20 Online: 26 de Outubro de 2017, 04:50:44
Mas o lance é: a fotografia artística não mudou nada desde a sua concepção mais de 100 anos atrás, mesmo com as tecnologias digitais.

Hoje podemos produzir fotografia através de sinais digitais ao invés de processos químicos. Podemos distribuir as fotos eletronicamente, para todos os cantos do mundo, ao invés de imprimi-las no papel. Podemos usar o Flickr, Instagram, Facebook, Snapchat.

E, ainda assim, a fotografia artística não faz nada disso. A fotografia de arte hoje ainda é baseada no papel, em fotolivros, em impressões emolduradas na parede, em exposições em museus e galerias, em críticos de artes, em acadêmicos em universidades e curadores em instituições estabelecidas. Ninguém na internet, e usando puramente as ferramentas da internet, está fazendo arte.

O que a internet está fazendo é somente amplificar o que as pessoas sempre faziam, mas antes numa escala menor: tirar fotos inanes e compartilhar essas fotos inanes entre familiares através do famoso album de família, ou compartilhar-las com entusiastas amadores em fotoclubes onde eles trocavam, discutiam a incentivavam uns aos outros a continuarem tirando essas fotos inanes e comprando equipamento.

Com a internet e a fotografia digital, esse processo foi multiplicado e acelerado, mas não inventado. Ficou mais fácil e barato produzir mais fotos inanes por conta das câmeras digitais. Ficou mais fácil de mostrar seu álbum de família para um grupo maior por conta do Facebook. Ficou mais fácil fazer parte de um fotoclube de fotos inanes porque todo fórum de fotografia ou o Flickr são somente isso, fotoclubes de fotos inanes.

Mas a arte fotográfica de verdade ocorre longe da internet, como sempre foi. A fotografia artística ainda é lenta e elitista, e não baseada na disseminação em massa e em apelo coletivo. E sempre foi assim.
Mais uma vez concordo com tudo.
Mas nao eh a questao que trato no topico.

Mas falando no caso de arte, a arte sempre sofre impacto do conciente coletivo de seu tempo. Mesmo o artista e industria que continua fazendo arte ao modo passado, o artista e as pessoas nessas insustrias tambem tem suas cameras digitais, seus celulares, seus emails, assistem YT, tem facebook, acompanham artistas via Instagram, blogs, websites, etc. E tudo molda nossa realidade, entao a maneira que enxergamos e nos expressamos, e consequentemente as artes.

Veja Pocasso que resgatou maneiras de expressoes passadas, mas para expressar o conciente de seu tempo e influenciado pelo seu tempo, assim a pintura mesmo sendo feita da mesma forma do que antes (dentro de um estudio com tinta e tela), a pintura renascentista nao tem absolutamente nada a ver com cubusmo, ou impressionismo em geral, ou com a pontura abistrata. A fotografia mudou a pontura mesmo se os pintores nunca tivessem tocado em uma maquina fotografica.

Mas o topico nao eh sobre arte, no entanto tambem vale para as artes.
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