Autor Tópico: Sebastião Salgado tomou posse na academia de belas artes da França  (Lida 2869 vezes)

Bucephalus

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Resposta #15 Online: 21 de Dezembro de 2017, 21:35:26
Hoje em dia tá na moda bater no Sebastião Salgado... O cara é reconhecido em tudo que é círculo relevante da fotografia. Mas no Brasil, tem quem insista em dar porrada no cara.
Na real ? É puro recalque de fotógrafo brasileiro frustrado e incompetente, achando que faz igual ou melhor.
Um dos melhores fotógrafos documentais do mundo. Podem até não gostar do estilo e tal, mas o cara é foda.

Acho que se trata de mais um caso de se endeusar ídolos brasileiros. Não tem nada de errado em não gostar do Salgado, errado é fazer esse endeusamento cego como se qualquer outra crítica fosse picuinha, inveja ou ódio infundado.

Veja esse artigo do New York Times, em que o trabalho do SS é criticado por ter forte carga de "voyerismo sentimental":

"A exibição, como o livro, inclui muitas fotografias que não são as suas melhores. (...) A exibição contém vídeos supérfluos e melodramáticos das imagens acompanhadas por música.
(...)
Dito isso, as boas fotografias são tão estupendamente bonitas que elas te fazem esquecer de tudo ao olhar para elas.
(...)
É desnecessário dizer que o trabalho do Sr. Salgado é incrível. Mas um problema no trabalho pode ser aquilo que chamaremos da mecânica que faz esse trabalho ser incrível: a parte da beleza. "Exploração da compaixão" é outra frase usada pelo crítico de arte do Le Monde. Deveriam fotos de sofrimento humano serem tão bonitas?"


http://www.nytimes.com/2001/07/13/arts/photography-review-can-suffering-be-too-beautiful.html?pagewanted=all

E o artigo faz outras observações a respeito desse aspecto negativo no trabalho do SS, só estou com preguiça de traduzir o resto.

Pra quem leu e não entendeu: a crítica é que o conjunto da obra do Salgado é meio irregular. E quando o trabalho é bom, ele faz fotos de pessoas miseráveis com uma ultra-produção que distrai o olhar do espectador: ao invés de o assunto principal ser o sofrimento e as tragédias humanas, o assunto principal é a estética. E vamos ser sinceros, fotos de gente pobre sofrendo é na maioria das vezes somente uma desculpa para olhar fotos bonitas e fingir ter conteúdo.

Veja, essa crítica não foi feita por um brasileiro. No Brasil nego engole cegamente tudo o que ele produz. Não é necessário automaticamente odiar o trabalho do cara, mas ninguém quer analisar criticamente as fotos dele, como esse artigo do NYT.

É uma coisa meio religiosa, dogmática. Sebastião Salgado é deus no Brasil, qualquer comentário que não for positivo é inveja, ou síndrome de vira-lata, ou sei lá o que.
« Última modificação: 21 de Dezembro de 2017, 21:38:38 por Bucephalus »


AFShalders

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Resposta #16 Online: 22 de Dezembro de 2017, 00:02:59
Acho que se trata de mais um caso de se endeusar ídolos brasileiros. Não tem nada de errado em não gostar do Salgado, errado é fazer esse endeusamento cego como se qualquer outra crítica fosse picuinha, inveja ou ódio infundado.

É uma coisa meio religiosa, dogmática. Sebastião Salgado é deus no Brasil, qualquer comentário que não for positivo é inveja, ou síndrome de vira-lata, ou sei lá o que.

Com certeza, mas que é muito esquisito ouvir que o cara é um merda vindo de alguém que diz que faz melhor sem fazer é brabo. Já vi muita gente, inclusive aqui do MF ir por este lado. Mão vou citar nomes, mas tem sim.

O SS é tecnicamente muito bom. As paisagens do Genesis são muito boas. Já os "humanos" tem este problema que você falou mesmo, dá a impressão de estar mais preocupado com a estética do que com o drama humano. Mas não é diferente dos que se dizem fotógrafos de rua e ficam fotografando moradores de rua sem dar nenhuma ajuda real a eles. Ok, as imagens são vistas por muitos, mas acões reais para ajudar, raramente se veem. Vários fotografos de zonas de conflito vão pelo mesmissimo caminho, a maioria diz que é por um motivo humanitário mas no final querem mesmo e ver o nome deles nos creditos e ganhar alguma coisa com isso.
« Última modificação: 22 de Dezembro de 2017, 00:03:59 por AFShalders »
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Resposta #17 Online: 22 de Dezembro de 2017, 01:20:47
Dois errados nao fazem um certo. Se os criticos do SS fazem a mesma coisa que ele ao tirar fotos de mendigos na rua, isso nao invalida a critica inicial. No minimo isso faz com que eles sejam hipocritas.

Mas o problema dos "amantes" da "fotografia" eh que todos gostam ou o odeiam um artista sem nem ao menos saberem ao certo, de forma profunda, porque amam ou odeiam. A maioria das analises fica no supericial, no nivel da estetica. Ninguem analisa o conteudo, a narrativa e o impacto do trabalho no mundo real.

Por exemplo, o autor faz um paralelo da fotografia do SS com a iconografia de arte religiosa, e como o SS usa esse artificio religioso nas imagens dele para colocar as fotografias no mesmo patamar de trabalhos de arte historicos. Porem, segundo o autor, o SS acaba falhando exatamente por esse aspecto "aproveitador" de se usar uma pessoa em sofrimento para se fazer imagens bonitas, que eh algo que as pinturas classicas religiosas nao faziam. O texto tambem compara o Salgado com o Walker Evans, outro fotografo que retratou a miseria humana mas que se saiu muito melhor na empreitada, sem parecer fetichista, superficial ou melodramatico.

Esse artigo do NYT tem profundidade, do tipo que eu nao vejo em jornais brasileiros equivalentes. Se lembre, o Brasil eh uma cultura de glorificacao, de hiperbole, de drama das telenovelas. Uma coluna sobre o SS num jornal ou revista vai ser superficial, e com certeza vai transbordar sentimentalismo. Vao falar da ONG dele, da infancia pobre, de como ele replantou arvores na fazenda dele, etc. Como se esses aspectos pessoais tivessem alguma relevancia para enxergar o trabalho do cara.


Carlos HP

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Resposta #18 Online: 22 de Dezembro de 2017, 10:24:34
Eu tô com o Croix nessa aí. O cara é figura pública, tem sempre quem vai falar mal.

Acho muito válido textos como esses do NYT, que nos fazem refletir sobre o assunto, mas uma crítica de jornal não pode ser tomada como verdade absoluta, é um ponto de vista que reverbera outros que têm pontos de vista em comum. Não concordo que o trabalho dele possa ser resumido ao "embelezamento da tragédia". Ainda não conheço a fundo todos os livros, mas as fotos que vi de Trabalhadores, Êxodos, Sahel, etc. vão muito além disso. Acho que devemos levar em conta o background do crítico, que hoje é crítico de arquitetura, imagino que tenha uma tendência mais a forma do que a arte, como ele deixa transparecer no texto. Pese-se o fato de SS não seguir o estilo da fotografia documental norteamericana - não tem referências tão claras à pintura como os fotógrafos de escola europeia, temos um prato cheio para a crítica.

"We respond not only because of the voyeurism and the manipulation but, again, because of its formal beauty. Two thousand years of Christian art is based on the premise that of course suffering can be beautiful. Mr. Salgado's allusions to Western art, to the point of their becoming a tic in his work, use art history to provide bona fides, both formal and moral. Moroccan refugees huddling in a flimsy motorboat on rough seas, caught in the spotlight from a Spanish helicopter intercepting them while trying to cross the Strait of Gibraltar, immediately brings to mind Delacroix's ''Christ and the Apostles on the Sea of Galilee.'' Vietnamese peasants, in silhouette against a vast landscape, mimic Millet's ''Gleaners,'' which has its own biblical pedigree."

"Of course his photographs are exploitative. Most good photojournalism is. As Cartier-Bresson once said: ''There is something appalling about photographing people. It is certainly some form of violation. So if sensitivity is lacking, there can be something barbaric about it.'' Mr. Salgado chooses to sentimentalize his subjects -- all those beautiful children staring back at us and smiling despite their horrific conditions -- to avoid seeming barbaric and to demonstrate his sensitivity toward them. He is conveying some essential faith in humanity, too; in that respect, his work is sentimental voyeurism and unabashedly manipulative (but not hectoring, which is important). And that is why people respond so strongly to it, for better and worse."

Inclusive, ele estende a crítica a outros fotógrafos:

"Photographers deal with this problem differently, but above all by struggling to make beautiful pictures: what causes any image to stick in the mind, aside from shock content, whose impact tends to be brief, are qualities like pictorial integrity and compositional originality, which are fancy terms for beauty."

Certamente, a Academia de Belas Artes da França foi bem criteriosa ao escolher SS para o posto. Se concordamos ou não é opção individual de cada um. A fotografia dele está formalmente reconhecida por eles como arte, não apenas um registo do cotidiano ou um registro intimista pretenciosamente despretencioso.

Enfim, acho que é mais motivo de orgulho do que demérito.
« Última modificação: 22 de Dezembro de 2017, 10:26:42 por Carlos HP »
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Resposta #19 Online: 22 de Dezembro de 2017, 16:14:49
Não é espanto, é constatação.
Como eu disse, nao tem como esperar ou constatar diferente. Se nao houvesse ninguem que desapreciasse SS, ai sim teria algo novo e interessante (e extremamente raro) a ser constatado.

E sinceramente, o fato de alguem ser reconhecido mundialmente nao significa que ninguem possa ver o trabalho negativamente.

Avedon influenciou a industria da moda inumeras vezes, mesmo assim eu nao tenho elogios a dar ao trabalho dele, mas somente aos titulos dele. Tem fotografos que causaram imenso impacto no mundo da fotografia da moda que nao eh tao apreciado e lembrando com tanta frequencia, como Guy Bourdin que considero mais importante que Avedon.
« Última modificação: 22 de Dezembro de 2017, 16:16:37 por C R O I X »


lee.

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Resposta #20 Online: 22 de Dezembro de 2017, 16:44:47
Bom pra ele  :ok:

Eu não conheço nada do trabalho dele, apesar de ter escutado o nome dele várias vezes. Nunca corri atrás pra conferir
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Ryu

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Resposta #21 Online: 22 de Dezembro de 2017, 23:33:51
Gosto mais das fotos dele isoladas do contexto. Gosto mais das fotos como fotos mesmo.


AFShalders

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Resposta #22 Online: 23 de Dezembro de 2017, 00:17:48
Gosto mais das fotos dele isoladas do contexto. Gosto mais das fotos como fotos mesmo.

Exatamente, penso o mesmo.
« Última modificação: 23 de Dezembro de 2017, 00:18:00 por AFShalders »
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Resposta #23 Online: 23 de Dezembro de 2017, 00:24:40
Vejamos essas fotos isoladas, fora do contexto:







Lindas, nao? Da pra admirar muito, comprar livros da artista, ir a exposicoes, dizer para outras pessoas que essas as suas fotos favoritas.

Porem...












Bonus Round! A fotografa dessas imagens eh essa senhora chamada Leni Riefenstahl, aqui do lado de um certo bigodudo:



A Leni Riefenstahl era a fotografa/cineasta numero 1 do Hitler. Todas as imagens dela refletiam a pureza do ser humano, seus atributos fisicos e forca. Esse tema de elevar o corpo humano a um nivel grandioso e a adoracao de atributos de beleza classica eram centrais na ideologia nazista -- e obviamente os corpos que eles consideravam perfeitos e adorados eram os corpos dos arianos puros.

Esse eh o problema de soh gostar das aparencias. Usando essa logica de que soh a beleza ou o visual importam, podemos acabar, inocentemente, fas e defensores de obras cheias de cargas ideologicas negativas.

Curiosamente, a Leni Riefenstahl viveu por muitas decadas depois depois da guerra, sem nunca ir para a cadeia por sua associacao com os nazistas. Durante o resto de sua vida ela tentou reformar/apagar esse passado nazista de carteirinha: ela resolveu fotografar uma tribo africana, e utilizando a mesma iconografia nazista, tentou elevar o corpo e a beleza deles ao nivel de adoracao:



Eh quase que ridiculo como ela esta fazendo a mesma coisa que ela fazia para o Hitler, soh que agora para compensar o passado racista ela esta fotografando uma humilde tribo selvagem da africa. Eh tipo esses racistas que dizem "eu nao sou racista! meu melhor amigo eh preto!"

E nao, nao estou dizendo que o SS eh nazista; soh usei a Leni Riefenstahl como exemplo comparativo. Acredito que muitos tiros do SS saem pela culatra, mas ninguem presta atencao porque todos soh prestam atencao no visual das imagens e em como ele supostamente esta chamando a atencao para pessoas que precisam de ajuda humanitaria. Essa eh exatamente a mesma estrategia que a Leni Riefenstahl usou, e que no fim serviu para ela escapar do rotulo de nazista. Essas fotos da tribo africana foi um sucesso comercial de vendas na decada de 80. Sim, pessoas compraram em grandes numeros o livro de uma pessoa que ajudou o Hitler a disseminar as ideias de supremacia racial dele, e com fotos cheias de iconografia nazista. Tudo isso, muito provavelmente, porque as pessoas olharam as fotos e pensaram "as fotos sao bonitas, e eh soh isso que importa".
« Última modificação: 23 de Dezembro de 2017, 00:27:25 por Bucephalus »


AFShalders

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Resposta #24 Online: 23 de Dezembro de 2017, 08:19:17
Sem querer polemizar, dessas que você postou a única que mais ou menos presta para mim é a do nadador. Achei as outras uma porcaria como fotos.

O seu ponto de vista é válido MAS não invalida o outro.
« Última modificação: 23 de Dezembro de 2017, 08:20:09 por AFShalders »
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Resposta #25 Online: 23 de Dezembro de 2017, 09:07:09
Bucephalus,

Nao vejo motivo algum para nao apreciar essas fotos da Leni Riefenstahl. Elas foram feitas para enaltecer as formas fisicas humanas e sua siposta perfeicao tal como as estatuas gregas e romanas (o classissimos ao qual o Nazismo mais se inspira). E qual eh o problema?

Os Nazistas achavam que os arianos eram os mais perfeitos e superiores. Mas vc acha que os Gregos e Romanos achavam que todos eram iguais e tinham a mesma capacidade e superioridade da perfeicao humana?

Wernher von Braun eh considerado o pai do missel por muitos e desenvolveu tal tecnologia para o nazismo com o intuito de usar para a guerra. Mas apos o Nazismo ele foi trabalhar para a NASA. Em sua biografia escrito por Michael J. Neufeld ele diz: "The Germans...were pleasantly surprised that they met so little resentment as recent enemies."

Nem tudo que o Nazismo criou eh ruim. Na verdade o Nazismo teve muitas boas ideias e certos principios muito validos, mas que infelizmente usado para fins errados/maleficos, mas que fora desse contexto errado/malefico so tem a agregar. Por isso eu nao vejo nada de errado em ter uma apreciacao pela qualidade de obras desassociadas de seu intuito ou uso inicial de em outra epoca.

Heidegger, o filosofo reconhecido como o mais original e importante do seculo 20,  era Nazista de carteirinha e mesmo apos o Nazismo ele nunca tentou se justificar ou se desligar do partido. E muito eh indicado que a filosofia que ele desenvolveu eh influenciada pelo Nazismo. Mas isso nao faz com que a filosofia dele seja ruim ou deva ser rejeitada mas o contrario, a obra dele eh uma das mais importantes para a contribuicao do conhecimento humano.

Alem disso existem muitas marcas que eram assumidamente nazistas como Boch e Puma. E a tradicao da tocha olimpoca nas olimpiadas foi criada pelo Nazismo. E adivinha pq...!?

Eu penso que a maioria das obras visuais que vemos hoje em dia sao completamente ou quase que completamente desassociada de seu significado inicial. Como John Berge costuma dizer, olhamos para as obras renascentistas hoje como elas nunca foram vistas antes. A expressao de prazer do contati com o divino semelhante ao ecstase sexual representadas nas expressoes de santos em Igrejas e Museus, hoje sao vistos apenas como expessao de dor e sofrimento, pq ver santos como tendo um orgasmo com a "penetracao divina" seria considerado hoje um pecado, algo sujo de se ver e dizer de um santo e de Deus.

Outro ponto interessante importante de tocar eh que nao podemos ficar denegrindo Nazistas do passado como pessoas puramente e eternamente maleficas. Nas mesmas ciscunstancias todos nos temos o mesmo potencial para sermos e fazermos o mesmo que os Nazistas foram e fizeram.

Eu recomendo a leitura auto biografica desse Nazista que chegou ao alto escalao das forcas aereas Nazistas e apos o Nazismo virou motorista de onibus no Canada. Ele conta que demorou mais de uma decada para conseguir ver que o Nazismo era realmente ruim e acreditar que Hitler de fato havia matado judeos e outros povos em camaras de gas.

Vale muito a pena a Leitura:

« Última modificação: 23 de Dezembro de 2017, 09:18:15 por C R O I X »


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Resposta #26 Online: 23 de Dezembro de 2017, 10:25:26
Uma pergunta que fica, sera que o fato do SS morar em Paris e ter constante e proximo contatos com pessoas influentes inclusive na propria academia, nao influenciou a conquista dele nesse premio mais do que o trabalho dele em si. Em outras palavras, sera que ele ganharia tal premio se morasse no Brasil ou nao tivesse qualquer contato constante e direto, ou relacoes com tais pessoas influentes sendo apenas escolhido unicamente pelas suas obras?

Nao estou insinuando nada, mas eh uma questao pertinente que com frequencia eh o caso das "relacoes publicas" que mais influenciam do que o trabalho em si.

Eu mesmo nunca tive uma exhibicao em galeria pq algum curador simplesmente gostou das minhas fotos. Todas as exhibicoes em galerias que tive foi gracas a indicacoes de pessoas proximas ou de confianca desses curadores.

Uma vez li na Forbes alguem dizendo que nao se consegue bons empregos em lista de jornais mas sim fazendo contatos.


Ryu

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Resposta #27 Online: 23 de Dezembro de 2017, 13:50:26
De uma maneira geral, tendo a concordar com o Croix.
Penso que há muitas maneiras de apreciar artisticamente uma obra, que pode ser da mais informada à mais ignorante. E apreciar ignorantemente uma obra artística não é menos legítimo do ter uma tonelada de informações acerca dela ou do autor.
Eu gosto do Sebastião Salgado isolado do contexto, ou apesar do contexto. Seria mais ou menos como ler um texto do Dráuzio Varela. Enquanto ele estiver discorrendo sobre febre amarela, hipertensão ou tireoide, tudo bem, eu leio, pois é ciência. Mas quando o assunto muda para políticas de saúde ou preconceito social, aí eu vou pro banheiro fazer coisa melhor. Não enxergo em Dráuzio Varela autoridade para esse tipo de discurso.
E, se levarmos sempre em conta o contexto como filtro para a apreciação artística, como ateus ouviriam Bach, que compôs quase tudo em função de sua devoção religiosa? Wagner era nazista também. Devemos chutá-lo para a lata de lixo da história? Mas Zubin Mehta gosta de Wagner!
Gosto de Sebastião Salgado naquilo que ele tem de acurácia técnica e artística. Porque se eu ficar obcecado por levar em conta o contexto ideológico que o move, deixo imediatamente de admirá-lo.


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Resposta #28 Online: 23 de Dezembro de 2017, 14:11:29
Wagner era nazista também. Devemos chutá-lo para a lata de lixo da história? Mas Zubin Mehta gosta de Wagner!
Gosto de Sebastião Salgado naquilo que ele tem de acurácia técnica e artística. Porque se eu ficar obcecado por levar em conta o contexto ideológico que o move, deixo imediatamente de admirá-lo.


Tá louco ? Wagner não era nazista ! O cara morreu em 1883 !
No resto concordo.
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Resposta #29 Online: 23 de Dezembro de 2017, 14:42:18
Já que o tópico foi pro lado do nazismo, só algumas ponderações a se fazer.

Hitler era um monstro e fez crimes graves contra a humanidade. Mas era absolutamente amado por alemães no seu período por transformar um país arrasado em uma potência, devolvendo a estima do povo. Mas o que fez ele ser tido como o monstro do século passado? Apenas poder econômico. Hitler não fez nada muito diferente do que Stalin e Che Guevara (e esse último é amado por muita gente), apenas mexeu com o povo mais forte economicamente do planeta, os judeus. Hoje os judeus ainda são vistos como eternas vítimas do holocausto e o anti-semitismo foi abolido do planeta enquanto os judeus continuam controlando todo o sistema financeiro mundial e Israel promove um massacre na região da Palestina.