Autor Tópico: Que se funk!  (Lida 241 vezes)

Macrolook

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Online: 22 de Dezembro de 2018, 02:54:40
Fazia muito tempo que não andava de ônibus, desde garoto acho, mas quem usou transporte público no Brasil, sabe que é uma merda, lotado, apertado, sem segurança, caro, quente e fedorento.
Nos meus trinta e poucos, estava lá eu, pegando busão de novo, lição de humildade, sei lá, não me incomoda, na verdade, odeio dirigir, se o transporte público fosse bom, sinceramente, carro para quê?

Enfim, lá estava eu, viajando todos dias de segunda a sábado, em circular (busão de centro de cidade) fazendo trajeto entre duas cidades de 70km... é, sem cinto, sem condições, conforto e claro, com a permissão da ARTESP, orgão comprado que regula e deveria proibir isso, mas, como não sei, era permitido, teve treta claro, mas fica para outra história, pegava esse bus, por que era o único disponível, e de carro, bem, tinha pedágio e ficava inviável...

Todos dias ia em pé, aguentando arroto de mortadela, flatulências, bafo de cachaça, cheiro de marmita com repolho, encoxadas, suvaqueira, conversa fiada e ser espremido a cada parada no meio da rodovia, deveriam ser umas 11 acho.

Além disso, sempre tinha um filho de deus que ligava a porra do celular com aqueles funks desgraçados, PUTA QUE PARIU, esse povo desconhece os fones de ouvido? Que fosse heavy metal ou ópera, mano, ninguém é obrigado a escutar a música alheia, e quase todo puto dia aparecia um desses calangos sem um pingo de noção.

Um dia, um moleque se enfiou lá no fundo, ligou uma caixinha que amplificava o som e mandou ver um proibidão, era sexta-feira, 19:00, a galera estava exausta, fedida e sem saco, além disso, tinha uns caboclos que era bem xucros, e neste dia deviam ter tomado uns rabos de galo (pinga com querosene, acho), estavam comentando de ir dar umas pancadas no garoto, esses caras eram parrudos, um deles parecia o Popeye e o outro um lutador de sumô, percebi que ia dar merda, resolvi tomar uma atitude.

Me espremendo igual a resto de pasta de dente, cheguei até o funkeiro, e comecei a encara-lo.

—Qual é tiozão, c qué dá pá mim? Curto homem não, meu negócio é pepeca.
—Seguinte zé, não tô curtindo esse som, aliás, eu e a metade desse busungo, tem fone de ouvido saporra não?
— Funkeiro não usa fone, nóis curte a sonzera assim mesmo, tá incomodado, tapa os ouvido, cusão!
— C curte ópera?Perguntei, ele riu tirando uma, e disse:
— Num fode coroa, isso é som de defunto, nem quando eu morrer!
— Bom, e se eu ligar meu celular com uma ópera bem berrenta, e ai?
— Não ia gostar não, ia mandar se desligar essa bosta...
— E se eu não desligasse, que você faria? Ele riu com um ar de desdém e mandou:
— Quebraria a porra do seu celular e mandaria c enfiar isso no cú, seu velho otário do caralho.
— Você e quantos mais? Ele era magrelo e com cara de anêmico, pensei, ou tá com parça ou está armado...
— Tenta a sorte aí tiozão, te apago rapidão, vem só para você ver...
Nisso, a galera ficou assistindo, e o moleuqe "cresceu", se levantou e começou a me encarar.
— Seguinte pivete, vim aqui para ver qual é a sua, eu ia te dar um toque se você fosse de boa, mas, percebi que tu é um babaca, então, vou guardar para mim o conselho que ia te dar, boa sorte.
—Rala daqui, além de velho é cagão, vá por uma fralda, aposto que se borrou todo, vaza otário, e o seu conselho, vai dar para a puta da sua mulher, aquela arrombada!
Eu ri e saí de fininho, fui rindo, quando cheguei perto dos dois trogloditas, falei:
—É, vocês tinham razão, ele não escuta muito bem, deve ser por causa do som alto constante, perdi a aposta que fiz com vocês, tome (R$50), agora, se com educação eu não consegui, qual é a solução de vocês?
Bom, respondeu o Popeye, isso você vai saber amanhã, agora, nós "vai" descer, o moleque também para na próxima, vamos "educar" ele do nosso jeito. Cansado de ouvir essas porcarias que toca no telefone desses funkeiro sem noção.

Na segunda-feira, soube pelo motorista, que o moleque tentou dar uma facada em um deles, os dois, bebâdos, deram muitos tapas na orelha do garoto, parece que perdeu parcialmente a audição, e ainda teve que fazer uma cirurgia, pois tinham enfiado o celular no reto do garoto.
Depois desse dia, resolvi que tentar entender certas ideologias é uma total perda de tempo.
Ainda sobrou para mim, pois acharam que eu tinha dado R$50 para que fizessem aquilo com o garoto, na verdade, percebi que os dois tinham outra maneira de lidar com ele, apenas tentei avisa-lo, mas, ele foi bem obtuso comigo.
Se fodeu, e desta vez, nem precisei fazer nada.




“Fotografia é poder de observação, não de aplicação da tecnologia.” Ken Rockwell.


Elder Walker

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Resposta #1 Online: 27 de Dezembro de 2018, 13:34:14
Pesado!

Gostei da observação de que, independentemente de ser funk ou qualquer estilo musical, o problema é ouvir sem fones num local público tão apertado e compartilhado como um ônibus.
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Macrolook

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Resposta #2 Online: 28 de Dezembro de 2018, 01:07:28
Pesado!

Gostei da observação de que, independentemente de ser funk ou qualquer estilo musical, o problema é ouvir sem fones num local público tão apertado e compartilhado como um ônibus.
É algo muito comum, em hospitais, repartições públicas e até mesmo (pasme) em funerais!
Quis entender para poder lidar com isso em algumas ocasiões, mas, a mente humana condicionad não consegue enxergar sua própria falta de noção, isso diminui a empatia e bom senso, após esse incidente, simplesmente me aproximo e fico encarando o sujeito(a) com cara de louco, até que este(a) se sinta incomodado e desliga o som. Funciona 99% das vezes.
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