Autor Tópico: E o drama continua, se não é prostituição, posso chamar de concorrência desleal?  (Lida 8489 vezes)

Antonio Miguel

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Concorrência desleal se o cara cobra menos do que o trabalho dele vale.

Se eu estou cobrando mais do que o meu trabalho vale, e por isso não arrumo clientes, tenho que realinhar meus preços.

Se meu trabalho vale o que eu cobro, e eu não tenho clientes, o mercado não quer comprar meu trabalho. Mudo o trabalho para o que o mercado quer, ou mudo para um mercado que me queira.

Se eu abaixo o meu preço para quebrar a concorrência e, após ficar só no mercado, poder mandar no preço, aí é dumping.

Na fotografia, acho uma análise extremamente complicada. Um jeito simplista de abordar o problema e encontrar o preço que meu trabalho vale no mercado é botar um preço: se não arrumar trabalho, abaixa. Se arrumar trabalho demais, sobe. Vai ajustando.

Se o preço final não me satisfaz, aí melhor fazer outra coisa. Esse mercado não é o meu.
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vangelismm

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Na fotografia, acho uma análise extremamente complicada. Um jeito simplista de abordar o problema e encontrar o preço que meu trabalho vale no mercado é botar um preço: se não arrumar trabalho, abaixa. Se arrumar trabalho demais, sobe. Vai ajustando.

Se o preço final não me satisfaz, aí melhor fazer outra coisa. Esse mercado não é o meu.

As vezes o preço final satisfaz mas demora para se percebe que o custo não está compensando.
Até quebrar, já apareceram 10 fazendo o mesmo erro.
"A perspectiva de uma imagem é controlada pela distância entre a lente e o assunto; mudando a distancia focal da lente muda o tamanho da imagem , mas não altera a perspectiva . Muitos fotógrafos ignoram este fato, ou não têm conhecimento de sua importância." -  Ansel Adams, Examples – The Making of 40 Photographs


Antonio Miguel

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As vezes o preço final satisfaz mas demora para se percebe que o custo não está compensando.
Até quebrar, já apareceram 10 fazendo o mesmo erro.

Observe que a China adota essa estratégia e é apontada como modelo: o custo de produção deles (em qualquer coisa) não é coberto, se forem levados em conta os custos ambientais e sociais. Eles estão acabando com o ambiente e com sua estrutura social em nome de competitividade. É, no macro, o que qualquer profissional que se mata 20h por dia sem cobrir custo de equipamento faz no micro.

No longo prazo, ambos estarão fora do mercado.

No longo prazo, todos nós estaremos mortos.

No curto prazo, não vejo solução.
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Mayolisa

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Estou no fórum há um bom tempo, mas nunca me inscrevi - sempre achei tudo o que necessitava sem precisar fazer perguntas, e também nunca vi uma discussão que me obrigasse a dar uma resposta.

Para iniciarmos, precisamos falar sobre a qualidade dos fotógrafos e do serviço prestado. Se você for no tópico de sites deste fórum e analisar as fotos, não verá nada demais. Fotos genéricas, direção de modelos ruim, edição básica... Erros grotescos também, como problemas na velocidade do obturador (fotos tremidas em quem supostamente já está em um nível fotográfico capaz de iniciar o marketing digital).

Eu não contrataria ninguém dali.

Este é o mercado brasileiro: quem reclama da concorrência desleal faz o básico na fotografia e trabalha em nichos ultra saturados, como casamentos. Não dá, gente.

No mercado estrangeiro, mais do que a própria fotografia, o que realmente atrai o cliente é a edição utilizada. Brandon Woelfel é jovem e tira fotos que começaram a aparecer constantemente no Tumblr e Pinterest. O cara tem 2 milhões de seguidores no instagram e quem vê uma foto dele sabe que é dele. Beleza é algo subjetivo, é possível que vocês achem as fotos dele horríveis, mas ele parece se dar muito bem com meninas adolescentes e jovens. Lucra horrores.

A única vez que eu vi algo parecido no Brasil (edição como assinatura e como característica principal para a escolha do fotógrafo), foi quando uma blogueira recebeu um ensaio gratuito com temática sobre Harry Potter. A edição se assemelhava muito a própria fotografia dos filmes (achei chocante, admito). Este fotógrafo cobrava R$800,00 por um pacote com 15/25 fotos... As fotos ficaram boas do ponto de vista técnico, mas o que realmente me pegou foi a edição e a ambientação (o ensaio foi em uma biblioteca).

Por mais que haja um saudosismo em relação a uma fotografia do passado que era mais inacessível, mais técnica e com pouca concorrência, é preciso encarar a situação presente e não reclamar diante de um futuro inevitável: as DSLR estão ficando cada vez mais baratas e fáceis de manusear; os celulares com boas câmeras, apenas de ainda caros, conseguem suprir facilmente as vontades do consumidor médio, aquele que considera uma foto boa aquela com fundo desfocado (iPhone 8 em diante); e a democratização do conhecimento (é possível aprender muito gratuitamente pela internet).

Além disso, não dá pra reclamar de quem põe o preço lá embaixo. Quem está começando vai cobrar aquilo que acha que seu trabalho vale.


C R O I X

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Para iniciarmos, precisamos falar sobre a qualidade dos fotógrafos e do serviço prestado. Se você for no tópico de sites deste fórum e analisar as fotos, não verá nada demais. Fotos genéricas, direção de modelos ruim, edição básica... Erros grotescos também, como problemas na velocidade do obturador (fotos tremidas em quem supostamente já está em um nível fotográfico capaz de iniciar o marketing digital).

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Este é o mercado brasileiro: quem reclama da concorrência desleal faz o básico na fotografia e trabalha em nichos ultra saturados, como casamentos. Não dá, gente.

No mercado estrangeiro, mais do que a própria fotografia, o que realmente atrai o cliente é a edição utilizada. Brandon Woelfel é jovem e tira fotos que começaram a aparecer constantemente no Tumblr e Pinterest. O cara tem 2 milhões de seguidores no instagram e quem vê uma foto dele sabe que é dele. Beleza é algo subjetivo, é possível que vocês achem as fotos dele horríveis, mas ele parece se dar muito bem com meninas adolescentes e jovens. Lucra horrores.

A única vez que eu vi algo parecido no Brasil (edição como assinatura e como característica principal para a escolha do fotógrafo), foi quando uma blogueira recebeu um ensaio gratuito com temática sobre Harry Potter. A edição se assemelhava muito a própria fotografia dos filmes (achei chocante, admito). Este fotógrafo cobrava R$800,00 por um pacote com 15/25 fotos... As fotos ficaram boas do ponto de vista técnico, mas o que realmente me pegou foi a edição e a ambientação (o ensaio foi em uma biblioteca).

Por mais que haja um saudosismo em relação a uma fotografia do passado que era mais inacessível, mais técnica e com pouca concorrência, é preciso encarar a situação presente e não reclamar diante de um futuro inevitável: as DSLR estão ficando cada vez mais baratas e fáceis de manusear; os celulares com boas câmeras, apenas de ainda caros, conseguem suprir facilmente as vontades do consumidor médio, aquele que considera uma foto boa aquela com fundo desfocado (iPhone 8 em diante); e a democratização do conhecimento (é possível aprender muito gratuitamente pela internet).

Além disso, não dá pra reclamar de quem põe o preço lá embaixo. Quem está começando vai cobrar aquilo que acha que seu trabalho vale.

Eu concordo com o que vc disse, eh basicamente o que eu disse so que sem relacionar ao trabalho dos fotografos aqui.

O que me chamou atencao foi vc falar de qualidade mencionando fotostremidas/obturador lento. Olha, eu tenho dois livros interessantes "Faces Up" e "Vogue fashion Models", em abos so tem fotos dos fotografos mais renomados e tidos como os melhores. E sem exagero, aproximadamente 1/20 das fotos em ambos os livros sao fotos tremidas.

As fotos que o Terry Richardson faz eram "ruins" ate as revistas de moda comecarem a usar as fotos deles, e a partir de entao, da noite para o dia passou a ser "bom".

Eh ai que entra a questao do julgamento da qualidade que eu falei. Eh subjetivo (para o mercado o bom eh o que vende, para o artista o bom eh o que melhor transmite a sua expressao, para os tecnicistas o bom eh o que segue certas regras tecnicas). A grande maioria dos fotografos hoje, que mal comecaram a se interessar pela fotografia e ja pensam em virar fotografos profissionais, aprendem e costumam se limitar ao aspecto tecnico, pq eh o mais facil, basta memorizar certas regras e copiar.

Nao adianta falar da qualidade do outro fotografo para reclamar da industria. O outro fotografo pode ter as fotos com as edicoes mais fora do padrao, as fotos mais tremidas e com pessoas cortadas nas bordas, se ele tiver publico para as fotos dele ele esta atendendo o que seu publico quer e gosta (e acha bom).

Talvez o publico brasileiro nao gosta e nao quer fotos que sejam diferentes do familiar. Na Alemanha eh assim, o publico em geral nao esta interessado em fotografo criativo, artista, mas sim em fotografo que reproduza o familiar que tal publico considera bom. Para esse grande publico, o fotografo eh apenas um tecnico tal como o eletricista, o pintor de parede e o pedreiro. Eu fui pedir opiniao para uma amiga sobre um flyer que eu criei, e basicamente qualquer inspiracao e ideia minha ela rejeitava. Para ela, o bom se limitava as regras inquebraveis que ela aprendeu no Ausbildung. Ela disse que se eu fizesse do meu jeito, fora das regras (considerado ruim), ninguem ira me contratar. De fato, a maioria do publico nao gosta mesmo, mas por outro lado funciona como peneira para eu contrar o meu publico, o que eu gosto de fotografar e o que gosta das fotos como eu gosto de fazer.

O negocio eh isso, aceitar a realidade da industria, sem choro, sem lamentacoes, sem querer ficar culpando e apontando dedo. Encontrar o seu publico quando se sai do padrao em que a industria esta saturada nao eh facil, demanda experimentos, riscos, criatividade, inspiracoes e casuais oportunidades (lugar certo, hora certa entre as pessoas certas). Eh assim a vida.

Eu me sustento com trabalho bracal e nao estou culpando ninguem por eu nao me sustentar com a fotografia. Eu apenas procuro ver o lado positivo e as diferentes perspectivas (o trabalho bracal eh mais gratificando para mim do que fotografar sem tesao para os outros). Gracas a esse mercado inflado com fotografos barateiros e "ruins" muita gente que no passado nao teria condicoes de pagar um fotografo para seu casamento, hoje tem, e isso eh otimo.
« Última modificação: 26 de Novembro de 2018, 11:16:46 por C R O I X »


Rick99

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[...]
Aí que está o problema, cada dia que passa está mais complicado captar clientes... não sei se sou apenas eu, mas, está dureza fechar meus contratos, as vezes a negociação avança bem, mas sempre tem alguém oferecendo serviços de qualidade, com álbuns personalizados, fotos impressas, video, serviço bom... por preços muito baixos....  aí não tem como concorrer :aua:, tem gente oferecendo serviços de foto e video com album / dvd por menos de 1100,00 e com uma qualidade razoável... e se eu cobro mais do que isso só na fotografia, como fica? Claro que incluí os conhecidos que fazem filmagem, mas fica sempre muito mais caro....
Então para resumir :hysterical: O que tenho percebido é que o pessoal que está cobrando mais barato já deixou de ser o pessoal que está começando, e sim gente que tem bastante tempo e conhecimento (claro que não generalizando), mas são profissionais que tem condições de cobrar valores mais altos e não cobram, sei lá por que motivos... talvez por causa da concorrência mesmo...
(Esse post não é indireta, nem direta para ninguém, é só mais um tópico para opinarmos)

Não li os posts dos colegas, exceto a do Márcio e concordo: quando a oferta é maior do que a demanda, o destino é esse.
Atualmente existem mais caminhoneiros do que trabalho (por conta da crise), então eles reduzem o valor do frete (foi um dos motivos da greve que ocorreu este ano no Brasil). Com os fotógrafos não é diferente.

Esqueça esse papo de que "quem procura qualidade não procura preço". A crise brasileira já dura 4 anos e mudou a rotina da maioria da população. Tem profissionais com mestrado e doutorado que aceitam reduzir o salário em 50% para não ser mais um desempregado. E como vc mesmo citou, tem muito fotógrafo bom que reduziu os preços para não quebrar.
Ainda houve um "boom" de fotógrafos a partir de 2014...  :(


erickdlm

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 :snack: muitos pontos de vistas interessantes...  Continuem...


erickdlm

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Esqueça esse papo de que "quem procura qualidade não procura preço". A crise brasileira já dura 4 anos e mudou a rotina da maioria da população. Tem profissionais com mestrado e doutorado que aceitam reduzir o salário em 50% para não ser mais um desempregado. E como vc mesmo citou, tem muito fotógrafo bom que reduziu os preços para não quebrar.
Ainda houve um "boom" de fotógrafos a partir de 2014...  :(
Aí é que vejo o problema maior,  profissionais bons que antes cobravam numa faixa maior,  reduzindo seus valores e agora fazendo essa concorrência de preços.  Entre dois profissionais do mesmo nível,  que no seu pacote entreguem as mesmas coisas,  um fator que vai fazer diferença é o preço, isso vai obrigar o fotógrafo a diferenciar seus servicos de alguma forma para justificar o valor maior,  mais isso não é fácil e nem sempre convence o cliente a pagar a mais.  :ponder:


Lindsay

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O problema de todo fotografo estabelecido é que tem dificuldade de acompanhar a evolução dos tempos.

Conheço muita gente da velha guarda, fotógrafos que tinham estúdios maravilhosos, profissionais super competentes, fotografavam muuuito para grandes empresas, a maioria teve o faturamento quebrado e hoje estão sobrevivendo com dificuldades, ganhando alguma coisa bem longe daquilo que um dia ganharam. Todos demoraram para perceber as mudanças no mercado de fotografia, que é muito volátil, os produtos fotográficos mudam de formato de tempos em tempos.


Conhecimento importa mais que equipamento.


Edi1000

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Acompanhando o tópico, me sinto à vontade de fazer minha primeira postagem. Fotografei profissionalmente na década de 90/começo dos anos 2000 e de lá pra cá muuuuuuita coisa mudou. As competências são outras. Quando se fotografava com Cromo, não se podia errar 0,5 pontos na fotometria, hoje vejo equipamentos corrigindo "5" EVs devido à grande latitude dos sensores. Fotografava casamentos com Pentax 6x7 e dois Frata 140. Tinha que me preocupar com muita coisa além da direção e composição, cálculos por exemplo. Hoje não ficou mais fácil, ficou diferente! É natural o ingresso de mais gente no mercado, nosso país atravessa uma crise sem precedentes e qualquer pessoa começa um negócio próprio, seja ele qual for. Pergunte aos cabelereiros(as), Pizza delivery, Transporte Escolar, Uber...
Assim que o mercado de trabalho reaquecer, muitas dessas pessoas trocarão com prazer tais atividades em busca da segurança de um emprego formal. Até lá, se reinvente! Tem gente cobrando R$30K um casamento (e tá cheio de serviço). Enquanto outros por R$1.500 reclamam que o mercado tá ruim...
Tenho um amigo que fotografa por prazer. É empregado em uma gigante mundial na área química e fotografa por hobbie aos fds. Cobra R$10k (no mínimo) um álbum de casamento e, faz pelo menos um casamento ao mês. Injustiça né? Que nada, é visão e talento puro!!!
Creio que o primeiro passo seja nos fazer uma pergunta: Meu trabalho não vende por quê?
Seja honesto com a resposta. Talvez precise mudar seu público, talvez mudar sua luz, edição, acabamento do serviço, abordagem comercial, vestimenta...
São muitas variáveis, talvez um bom coach possa ajudar.
Sucesso a todos!


Guaracy Cardoso

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