Autor Tópico: [Artigo] Preconceitos fotográficos  (Lida 10146 vezes)

Ali Tuna

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Resposta #15 Online: 29 de Junho de 2020, 13:27:03
Por meio de uma escolha prévia de 20 pessoas com perfis totalmente distintos, formaram-se os pares. O encontro deu-se em um estúdio fotográfico, onde todos participaram de uma sessão em que cada um tirava fotos do outro utilizando apenas uma câmera aqui.  O resultado dessa reação ao preconceito pode ser conferida gratuitamente na Galeria Sérgio Caribé.


hribeiro

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Resposta #16 Online: 24 de Outubro de 2020, 18:30:39
Havia me esquecido desse tópico!
Abri novamente hoje.

Eu percebo que o gosto pela fotografia é extremamente variável.
Extremamente.
Quando vejo resultados de concursos fotográficos, poucas vezes acho a foto vencedora a melhor.
Não sei o motivo. Frequentemente acho outra entre as primeiras, que gosto mais.
E às vezes acho a vencedora ruim, sem graça. Até me pergunto: o que viram nisso?
Essa diversidade de gosto pessoal atrapalha um "caminho", um estilo que agrade
muitas pessoas.
Esse é um motivo para eu respeitar muito aqueles fotógrafos que se tornam admirados por
um grande público! Não é fácil agradar muita gente.
Essa variedade de gostos e julgamentos termina por atrapalhar nossas mudanças.
Impede que façamos algo diferente pelos julgamentos variados que aparecem. Ou até por ficarmos sem retorno em relação ao que produzimos de novo. E a falta de retorno e comentário sempre é encarada ou interpretada como uma coisa negativa.
Helvio

Nikon D750, Nikon D3100, Nikkor 18-105mm, Nikkor 18-35mm, Nikkor 24mm f/2.8, Nikkor 50mm f/1.8G, Nikkor 24-120mm ED f/4,  Nikkor 80-200mm f/2.8D ED - Speedlight SB-700, Oloong SP660II manual, Flash Agfa.
Canon AE-1. Canon 50mm 1.8, Rolleiflex T K8
www.flickr.com/helviosilva   https://500px.com/helviosilva


Ernesto

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Resposta #17 Online: 01 de Novembro de 2020, 18:45:37
Nós somos frutos dos nossos condicionamentos. A forma como agimos e pensamos está de acordo com aquilo que nos foi ensinado, com o que vimos nos outros como nossos modelos e com o que aprendemos na nossa história de vida. A partir daí, criamos nossas regras mentais sobre nós, sobre o mundo, sobre o certo e o errado. Quando isso acontece numa área mais específica da nossa atividade, como a fotografia, a rigidez fica mais evidente.

Basta pensar na etapa mais importante de qualquer criação fotográfica: aquilo que decidimos fotografar. É como se tivéssemos, nas nossas mentes, duas caixinhas: a do que é fotografável e o que não é. Como o texto diz, flores, faces e sorrisos são alvos fáceis. E, em tempos de redes sociais, pratos de comida e espelhos de academia também entram na lista. Existe apenas uma parcela de coisas e experiências que enxergamos como ‘fotografáveis’.


Foto de pawel szvmanski

Outra esfera das nossas preconcepções — ou preconceitos — fotográficas se refere a como fotografar. Seja utilizando uma câmera dedicada no modo manual, com lentes fixas ou o próprio celular, costumamos ter um modo de fazer as fotos. Posso apensas usar grandes aberturas para ter desfoque de fundo, ou inclinar o smartphone de uma certa forma para o melhor ângulo na selfie.

Tudo isso porque o nosso preconceito fotográfico estabelece que existe um modelo daquilo que é aceitável numa fotografia. O assunto, a forma e a estética esperada definem se a fotografia vai para a caixinha mental da aprovação, do bom, do certo ou da desaprovação, do ruim, do errado. Nós estamos o tempo todo julgando e classificando aquilo que vemos e fazemos, bem como aquilo que os outros são e fazem.

Como essas ideias são tão pessoais e rígidas, fica muito difícil apreciar quem faz algo diferente, seja no assunto, na forma ou na estética. Essa dicotomia na hora de ver torna isso praticamente impossível, pois é como se o fato de eu apreciar o diferente invalidasse aquilo que eu faço. Como geralmente só existem duas caixas, a do bom e a do ruim, se algo está numa caixa, o diferente daquilo obrigatoriamente teria que estar na outra. Daí a nossa incompreensão e intolerância.

É quase desnecessário dizer que é por isso que os bons fotógrafos — e os bons manuais de fotografia — insistem na experimentação, em sair da zona de conforto, em descondicionar o olhar. Só dessa forma será possível uma fotografia desinibida, sem medo e criativa. É claro, eu continuo achando que o sorriso do meu bebê de seis meses é a cena mais fotografável do mundo, mas se eu realmente quiser buscar uma fotografia expressiva, preciso perceber as minhas caixinhas mentais e fazer o máximo para ir além delas.

Original no Camera Obscura.


Gostei !!! Muito boa a sua análise !!  :clap:

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Ernesto

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Resposta #18 Online: 01 de Novembro de 2020, 18:46:06
Havia me esquecido desse tópico!
Abri novamente hoje.

Eu percebo que o gosto pela fotografia é extremamente variável.
Extremamente.
Quando vejo resultados de concursos fotográficos, poucas vezes acho a foto vencedora a melhor.
Não sei o motivo. Frequentemente acho outra entre as primeiras, que gosto mais.
E às vezes acho a vencedora ruim, sem graça. Até me pergunto: o que viram nisso?
Essa diversidade de gosto pessoal atrapalha um "caminho", um estilo que agrade
muitas pessoas.
Esse é um motivo para eu respeitar muito aqueles fotógrafos que se tornam admirados por
um grande público! Não é fácil agradar muita gente.
Essa variedade de gostos e julgamentos termina por atrapalhar nossas mudanças.
Impede que façamos algo diferente pelos julgamentos variados que aparecem. Ou até por ficarmos sem retorno em relação ao que produzimos de novo. E a falta de retorno e comentário sempre é encarada ou interpretada como uma coisa negativa.

Concordo plenamente  :ok:
#DeFérias