Autor Tópico: [Artigo] Preconceitos fotográficos  (Lida 9366 vezes)

Ali Tuna

  • Trade Count: (0)
  • Novato(a)
  • Mensagens: 11
Resposta #15 Online: 29 de Junho de 2020, 13:27:03
Por meio de uma escolha prévia de 20 pessoas com perfis totalmente distintos, formaram-se os pares. O encontro deu-se em um estúdio fotográfico, onde todos participaram de uma sessão em que cada um tirava fotos do outro utilizando apenas uma câmera aqui.  O resultado dessa reação ao preconceito pode ser conferida gratuitamente na Galeria Sérgio Caribé.


hribeiro

  • Trade Count: (0)
  • Colaborador(a)
  • ****
  • Mensagens: 2.156
  • Sexo: Masculino
Resposta #16 Online: 24 de Outubro de 2020, 18:30:39
Havia me esquecido desse tópico!
Abri novamente hoje.

Eu percebo que o gosto pela fotografia é extremamente variável.
Extremamente.
Quando vejo resultados de concursos fotográficos, poucas vezes acho a foto vencedora a melhor.
Não sei o motivo. Frequentemente acho outra entre as primeiras, que gosto mais.
E às vezes acho a vencedora ruim, sem graça. Até me pergunto: o que viram nisso?
Essa diversidade de gosto pessoal atrapalha um "caminho", um estilo que agrade
muitas pessoas.
Esse é um motivo para eu respeitar muito aqueles fotógrafos que se tornam admirados por
um grande público! Não é fácil agradar muita gente.
Essa variedade de gostos e julgamentos termina por atrapalhar nossas mudanças.
Impede que façamos algo diferente pelos julgamentos variados que aparecem. Ou até por ficarmos sem retorno em relação ao que produzimos de novo. E a falta de retorno e comentário sempre é encarada ou interpretada como uma coisa negativa.
Helvio

Nikon D750, Nikon D3100, Nikkor 18-105mm, Nikkor 18-35mm, Nikkor 24mm f/2.8, Nikkor 50mm f/1.8G, Nikkor 24-120mm ED f/4,  Nikkor 80-200mm f/2.8D ED - Speedlight SB-700, Oloong SP660II manual, Flash Agfa.
Canon AE-1. Canon 50mm 1.8, Rolleiflex T K8
www.flickr.com/helviosilva   https://500px.com/helviosilva


Ernesto

  • Mecenas
  • Trade Count: (0)
  • Referência
  • *****
  • Mensagens: 10.106
Resposta #17 Online: 01 de Novembro de 2020, 18:45:37
Nós somos frutos dos nossos condicionamentos. A forma como agimos e pensamos está de acordo com aquilo que nos foi ensinado, com o que vimos nos outros como nossos modelos e com o que aprendemos na nossa história de vida. A partir daí, criamos nossas regras mentais sobre nós, sobre o mundo, sobre o certo e o errado. Quando isso acontece numa área mais específica da nossa atividade, como a fotografia, a rigidez fica mais evidente.

Basta pensar na etapa mais importante de qualquer criação fotográfica: aquilo que decidimos fotografar. É como se tivéssemos, nas nossas mentes, duas caixinhas: a do que é fotografável e o que não é. Como o texto diz, flores, faces e sorrisos são alvos fáceis. E, em tempos de redes sociais, pratos de comida e espelhos de academia também entram na lista. Existe apenas uma parcela de coisas e experiências que enxergamos como ‘fotografáveis’.


Foto de pawel szvmanski

Outra esfera das nossas preconcepções — ou preconceitos — fotográficas se refere a como fotografar. Seja utilizando uma câmera dedicada no modo manual, com lentes fixas ou o próprio celular, costumamos ter um modo de fazer as fotos. Posso apensas usar grandes aberturas para ter desfoque de fundo, ou inclinar o smartphone de uma certa forma para o melhor ângulo na selfie.

Tudo isso porque o nosso preconceito fotográfico estabelece que existe um modelo daquilo que é aceitável numa fotografia. O assunto, a forma e a estética esperada definem se a fotografia vai para a caixinha mental da aprovação, do bom, do certo ou da desaprovação, do ruim, do errado. Nós estamos o tempo todo julgando e classificando aquilo que vemos e fazemos, bem como aquilo que os outros são e fazem.

Como essas ideias são tão pessoais e rígidas, fica muito difícil apreciar quem faz algo diferente, seja no assunto, na forma ou na estética. Essa dicotomia na hora de ver torna isso praticamente impossível, pois é como se o fato de eu apreciar o diferente invalidasse aquilo que eu faço. Como geralmente só existem duas caixas, a do bom e a do ruim, se algo está numa caixa, o diferente daquilo obrigatoriamente teria que estar na outra. Daí a nossa incompreensão e intolerância.

É quase desnecessário dizer que é por isso que os bons fotógrafos — e os bons manuais de fotografia — insistem na experimentação, em sair da zona de conforto, em descondicionar o olhar. Só dessa forma será possível uma fotografia desinibida, sem medo e criativa. É claro, eu continuo achando que o sorriso do meu bebê de seis meses é a cena mais fotografável do mundo, mas se eu realmente quiser buscar uma fotografia expressiva, preciso perceber as minhas caixinhas mentais e fazer o máximo para ir além delas.

Original no Camera Obscura.


Gostei !!! Muito boa a sua análise !!  :clap:

"You can fool some of the people all of the time, and all of the people some of the time, but you can not fool all of the people all of the time."
Abraham Lincoln


Ernesto

  • Mecenas
  • Trade Count: (0)
  • Referência
  • *****
  • Mensagens: 10.106
Resposta #18 Online: 01 de Novembro de 2020, 18:46:06
Havia me esquecido desse tópico!
Abri novamente hoje.

Eu percebo que o gosto pela fotografia é extremamente variável.
Extremamente.
Quando vejo resultados de concursos fotográficos, poucas vezes acho a foto vencedora a melhor.
Não sei o motivo. Frequentemente acho outra entre as primeiras, que gosto mais.
E às vezes acho a vencedora ruim, sem graça. Até me pergunto: o que viram nisso?
Essa diversidade de gosto pessoal atrapalha um "caminho", um estilo que agrade
muitas pessoas.
Esse é um motivo para eu respeitar muito aqueles fotógrafos que se tornam admirados por
um grande público! Não é fácil agradar muita gente.
Essa variedade de gostos e julgamentos termina por atrapalhar nossas mudanças.
Impede que façamos algo diferente pelos julgamentos variados que aparecem. Ou até por ficarmos sem retorno em relação ao que produzimos de novo. E a falta de retorno e comentário sempre é encarada ou interpretada como uma coisa negativa.

Concordo plenamente  :ok:
"You can fool some of the people all of the time, and all of the people some of the time, but you can not fool all of the people all of the time."
Abraham Lincoln