Autor Tópico: [ARTIGO] Por do sol e hora mágica  (Lida 47834 vezes)

Paulo Machado

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Online: 03 de Novembro de 2007, 22:12:40
Por do sol, ao mesmo tempo um chavão, que todos estão cansados de fotografar, e um momento especial. Com uma luz particular e cores maravilhosas. Mas como fotografá-lo? O que é hora mágica?

Em primeiro lugar vamos definir o que é por do sol: é o momento em que o sol cruza o horizonte do observador no oeste e pode ser calculado em vários sites como o http://www.sunrisesunset.com e http://www.golden-hour.com .

Mas não é isto em que estamos interessados e sim no crepúsculo, que tem uma definição mais ampla. Ele corresponde ao período antes do nascer ou depois do por do sol onde pode se observar um gradiente entre a luz e a escuridão. E este período pode ser dividido em civil, náutico e astronômico.

O crepúsculo civil, o mais útil para nós fotógrafos, começa quando sol está 6º abaixo do horizonte e termina com o nascer do sol, ou vice-versa. Durante este período é possível ver as estrelas mais brilhantes e Vênus, e é possível andar em lugares abertos.

Depois vem o crepúsculo náutico, o sol está entre 6º e 12º abaixo do horizonte, há luz suficiente para atividades externas e é possível ver as estrelas mais brilhantes e Vênus. E por fim o crepúsculo astronômico com o sol entre 12º e 18º abaixo do horizonte é o limite para começar a observação de objetos de luz muito tênue, como nebulosas.

Mais amplo que o crepúsculo temos a "hora mágica", o período em que o sol está baixo o suficiente para a luz atravessar a atmosfera por uma distância maior. Por isto fica com tons mais avermelhados, é suave e direcional, produzindo sombras longas e cores saturadas.  Tudo que nós queremos.

Mas, ao contrário do por do sol e do crepúsculo, não dá para saber com antecedência quando esta luz especial começa. Depende das condições atmosféricas, altitude e até latitude. Se o local for cercado de montanhas, um vale, por exemplo, pode ser difícil observar esta transição da luz.



Com estas definições dá para perceber que se o por do sol for as 18h a atividade fotográfica deve começar lá pelas 15h, arrumando o equipamento, escolhendo as locações e se posicionando em relação ao local do poente. E termina lá pelas 19h, bem depois do por do sol.

Para aproveitar a luz da hora mágica, como ela é direcional e suave, e as sombras são longas, uma boa maneira é posicionar-se lateralmente em relação ao sol. Assim voce terá um contraste de luz e sombra, que dá volume aos objetos, e tons quentes nas áreas iluminadas.



Pode ser feito com retratos também. Se voce ficar de costas para o sol e colocar as pessoas olhando para voce os tons ficam quentes mas os olhos costumam ficar apertados por causa da luz forte. Ou então é bom usar óculos escuros.



Quando o sol fica mais baixo e começa a iluminar as nuvens com tons avermelhados está começando a hora das melhores fotos. Aqui um exemplo de fotos feitas do mesmo lugar com 40 minutos de diferença entre elas.

16:47

 
17:31


Impressionante a diferença, não? Na primeira as nuvens estão bonitas mas o sol ainda está muito alto, estourando o lado direito da foto e os tons característicos da “hora mágica” não estão presentes.

Vejamos o que acontece com mais alguns minutos.

17:40


Mudaram as cores de novo! E que cores, cada uma mais bonita do que a outra. Nesta hora tudo acontece muito rápido, não dá para ficar de bobeira, tem que estar preparado, fotometria, foco e com tripé. Sim, com tripé, as exposições podem ficar longas e é melhor ter uma foto com boa nitidez.

Nesta última foto 90% das pessoas já tinham levantado para ir embora, perdendo o espetáculo. E se esperarmos mais algum tempo, como ficaria?

17:49


Nem precisa falar, as cores mudaram. Quantas possibilidades em um único por do sol. E com mais 20 minutos, já de outro ângulo, agora com uma mistura com luzes artificiais e uma exposição de 20s.
Notem que esta foto foi feita mais de 40 minutos depois do por do sol e ainda é possível notar a luz diferente no poente.

18:09


Desde a primeira foto da sequência até a última passaram 1h20m e deu para ver bem como a luz é dinâmica. A presença de nuvens ajuda muito a refletir a luz do sol e deixa tudo mais colorido.

E o por do sol neste dia foi as 17:31. A única foto com o sol ainda alto está com cores feias, sem contraste. Se o sol aparecer na foto pior ainda, tudo fica meio esmaecido. Esta é a maneira errada de fazer, cores desbotadas, um estourado feio na foto. O segredo é esperar a luz suave quando o sol está baixo o suficiente e até pelo menos 30m depois do por do sol dá para fazer fotos com esta luz especial. Claro que a medida que o tempo passa as exposições vão ficando mais longas, fazendo-se necessário o uso do tripé.

Outro segredo, talvez o mais importante, é a paciência. Para aguardar a melhor luz, o melhor dia, voltar várias vezes no local até que as condições sejam ótimas. E ficar atento. As mudanças na luz são rápidas neste período.

Tecnicamente são fotos simples. A fotometria em modo multisegmento das câmeras modernas não tem nenhuma dificuldade em lidar com estas cenas. Se voce for fazer uma silhueta, com a luz mais forte atrás do assunto principal, o melhor é usar fotometria pontual nas áreas claras. Mantenha aberturas pequenas para uma profundidade de foco que abranja todo a cena. Com câmeras compactas este fator não costuma ser limitante, mas com SLR usar pelo menos f11 é importante para garantir a nitidez em todo o campo.
Nesta foto a fotometria foi feita no mar, ainda iluminado pela luz refletida do céu, então no primeiro plano só aparece as silhuetas das pessoas. Pode ser usado um flash de preenchimento para iluminar levemente o primeiro plano, dando um efeito interessante.



Exposições mais longas podem ser conseguidas facilmente após o por do sol mesmo sem aberturas muito pequenas que comprometam a nitidez por causa da difração e sem o uso de filtros ND. 30m após o por do sol em ISO 100 e f11 as exposições podem facilmente passar dos 30s, o que dá bonitos efeitos se a foto for feita a beira mar, por exemplo.

Quando em local aberto procurem olhar na direção oposta ao poente, ou nascente, 180º, pois a luz pode estar interessante. Especialmente se houver nuvens. E ela estará bem suave, pois não e direta do sol e sim indireta, refletida das nuvens e do céu.



Então o pulo do gato é estar atento as mudanças da luz e olhar em todas as direções. Pois uma cena que pareça não ter nada demais pode ficar especial após alguns minutos.

Se o sol estiver parcialmente bloqueado pelas nuvens dá para tirar fotos interessantes com uma tele curta, uma 300mm já é o suficiente, para fazer o sol parecer aquela bola grande.

Uma foto de exemplo, feita com uma lente 75-300 em 300mm. Como o sol está parcialmente bloqueado dá para ter detalhes no primeiro plano, mas a falta de contraste é evidente. Se não houvessem nuvens como a luz do sol é muito mais intensa não haveria detalhes no primeiro plano.



Espero que tenha passado algumas informações úteis e principalmente a vontade de fotografar, a motivação que é tão importante para sempre estarmos aprendendo, melhorando a nossa técnica e treinando o nosso olhar.
« Última modificação: 21 de Agosto de 2009, 19:57:07 por Pictus »
When words become unclear, I shall focus with photographs. When images become inadequate, I shall be content with silent.  - Ansel Adams


pedro_raythz

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Resposta #1 Online: 03 de Novembro de 2007, 23:52:34
Excelente o artigo, Paulo!

E isso não são fotos, são pinturas! Lindas mesmo! Vou tentando aprimorar meu olhar pra algum dia chegar a esse nível :P


Rodrigão

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Resposta #2 Online: 04 de Novembro de 2007, 01:12:30
Fotos maravilhosas....
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Eduardo Proença

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Resposta #3 Online: 04 de Novembro de 2007, 17:53:08
kd os emoticons com o bonequinho aplaudindo???
clap clap clap clap!!!!
Excelente artigo!!!
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Fernanda Maia

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Resposta #4 Online: 05 de Novembro de 2007, 16:27:47
 :D :D :D
Bacana demais...
Fiquei até emocionada!
 :D :D :D
Fernanda Maia
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Davi Sato

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Resposta #5 Online: 05 de Novembro de 2007, 16:49:04
Muito bom, Paulo!!!  ;D
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mascarenhasbh

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Resposta #6 Online: 06 de Novembro de 2007, 14:38:41
ótimo , grande iniciativa ! 10

 =]