Autor Tópico: Profundidade de campo  (Lida 11582 vezes)

Leo Terra

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Resposta #30 Online: 04 de Janeiro de 2007, 23:41:39
Marcos, estou tentando simplificar a coomprenção, mas os estudos sobre o assunto visão já tratam que o olho permanece rastreando a imagem constantemente e o que vemos é um apanhado de imagens montadas, tem até um post antigo aqui onde o Ivan havia postado alguns exemplos do tipo, só não estou conseguindo achar ele agora, mas o que vemos é sim muito semelhante ao que outros estão vendo, porém a influência dos outros sentidos não é tão nula assim os gestaltistas já provaram que essa influência existe e é bem considerável, uma outra questão é que o nosso cérebro concentra atenção em dados objetos (que vão variar de acordo com nossas características culturais) e assim após rápidos rastramentos da imagem ele Monta sim a imagem dando destaque para aquilo que mais chama atenção (isso ocorre em frações de segundos e nem nos damos conta), o processo perceptivo da visão é muito complexo.
O que eu estou dizendo desde o começo é que não faz o menor sentido comparar o nosso olho com fotografia porque o que vemos está muuuuuito longe de ser fotografia, é uma experiência muito complexa, como eu disse no meu post anterior a este o olho em si funciona de forma similar a uma filmadora o que poderia ser interpretado praticamente como uma máquina fotográfica sequencial,concordo com isso, isso é físico, porém não é possível comprar a visão humana com fotografia porque no caso o cérebro tem uma influência muito grande em todo o processo, o olho faz varreduras da cena e o que vemos é resultado de montagens dessas varreduras, além de toda a influência cultural e sensorial, que define o que exatamente vai nos chamar mais atenção e ocupar maior tempo desse período de varredura que o olho faz na cena e assim permitir que esses elementos sejam analisados como mais relevantes, com maior resolução e desta forma analisar o olho comparando com uma câmera não faz o menor sentido, porque o que realmente percebemos não é exatamente o que o olho está vendo, é na verdade um grande apanhado de imagens feitas pelo olho, analisadas, montadas e ajustadas de forma a se adequar aos nossos padrões visuais.
Obviamente se fixarmos a atenção em uma bola vermelha teremos uma percepção muito semelhante da mesma (mas mesmo assim nada garante que alguém com padrões muito diferentes do seu vá perceber a bola de forma diferente), mesmo porque é uma cena muito simples, porém ao mandar um japonês e um brasileiro analisar uma fotografia ou uma cena cotidiana os elementos que eles perceberão melhor e lhes chamarão mais atenção serão totalmente diferentes e assim o resultado final da imagem que terão será completamente diferente, destacando os pontos que mais lhe chamaram a atenção.
Eu tbm gosto das coisas bem físicas, o que se enquadra inclusive no que os médicos fazem ao lhe receitar um óculos, mas infelizmente o processo visual (e perceptivo como um todo) é extremamente psicológico e neurológico, temos elementos básicos na mecânica de nossos cérebros, mas tem muito do que aprendemos e até reprogramamos na no processo de percepção da visão, admito que ainda ando por esse terreno com certo receio, tenho lido bastante, recentemente comprei 2 livros do Rudolf Arnheim sobre percepção e gestalt, mas ainda não terminei o segundo e pretendo reler o primeiro lado a lado com um outro livro que tenho do Ismael Pedrosa sobre cores que tem um tratado muito bom sobre a percepção das cores.

Vou contar uma experiência que tive a algum tempo que foi fantástica, na verdade foi quando comecei a ver a minha percepção visual de forma diferente e depois descobri que tinha muito a ver com algumas coisas propostas pela linha gestaltista da psicologia.
A algum tempo cheguei na porta de minha casa e havia algo que se assemelhava a um toco de pedra sabão cortado em forma de um cubo, estava escuro e fiquei me perguntando quem havia deixado aquele toco de "pedra sabão" por ali, cheguei perto do toco e o toquei com as mãos, nesse exato momento eu senti que aquilo que eu acreditava ser pedra sabão era na verdade madeira, agora o mais incrível é que a partir do toque no objeto, onde meu tato o reconheceu como madeira eu passei a ver claramente MADEIRA e me peguei perguntando, nossa como eu achei que isso fosse pedra sabão, era obvio que era madeira. O meu cérebro se reprogramou imediatamente ao reconhecer o objeto e isso é apenas um dos fatores.
Não gosto de comparações entre fotografia e o olho humano por diversos motivos e um deles é isso, porque apesar da ótica similar e do dispositivo de captura similar o processo da imagem é diferente e o resultado obtido é completamente diferente entre si, você NUNCA conseguira na visão um resultado similar a uma fotografia, mesmo porque nosso cérebro se dá ao luxo de fazer objetos parecerem maiores conforme lhe chamam mais atenção e somos completamente incapazes de reconhecer precisamente uma cor, nosso cérebro pode ser enganado de diversas formas e por ai vai.

A única forma que vejo como construtiva para essa comparação seria compararmos uma montagem baseada em alguma linha do estudo da percepção com o que vemos, ai sim poderíamos ter uma idéia de como nosso aparato visual funciona, agora comparar o que vemos com o fotografia é extremamente simplista, por isso não entendo porque querer comparar o olho com uma câmera uma vez que não vemos o que ele capta e assim não temos a menor idéia do que é a imagem realmente capturada pelo olho?
« Última modificação: 05 de Janeiro de 2007, 10:23:15 por Leo Terra »
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Resposta #31 Online: 05 de Janeiro de 2007, 00:10:24
A discussão está interessante, vou dar minha contribuição.
Uma coisa é o olho humano, o aparato ótico que alimenta o sentido da visão - sujeito às leis da física como não poderia deixar de ser.
Outra coisa é o sentido da visão, o processo de interpretação pelo cérebro das imagens capturadas continuamente pelo olho, com todas as interações já mencionadas à exaustão neste tópico.
Ou seja, todos têm razão!

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Resposta #32 Online: 05 de Janeiro de 2007, 10:11:53
Citar
Vou contar uma experiência que tive a algum tempo que foi fantástica, na verdade foi quando comecei a ver a minha percepção visual de forma diferente e depois descobri que tinha muito a ver com algumas coisas propostas pela linha gestaltista da psicologia.
A algum tempo cheguei na porta de minha casa e havia algo que se assemelhava a um toco de pedra sabão cortado em forma de um cubo, estava escuro e fiquei me perguntando quem havia deixado aquele toco de "pedra sabão" por ali, cheguei perto do toco e o toquei com as mãos, nesse exato momento eu senti que aquilo que eu acreditava ser pedra sabão era na verdade madeira, agora o mais incrível é que a partir do toque no objeto, onde meu tato o reconheceu como madeira eu passei a ver claramente MADEIRA e me peguei perguntando, nossa como eu achei que isso fosse pedra sabão, era obvio que era madeira. O meu cérebro se reprogramou imediatamente ao reconhecer o objeto e isso é apenas um dos fatores.
Fala a verdade Leo, vc voltou era 4:30 hs da manhã depois de ter acabado com o estoque do Pinguim.... :drinks2:  :offtopic:  :risada2:  :whistling:
« Última modificação: 05 de Janeiro de 2007, 10:24:35 por Leo Terra »
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Resposta #33 Online: 05 de Janeiro de 2007, 10:25:13
Pior que não Edu, eu tava 100%, tinha chegado da Faculdade mesmo e na minha Facul não vendiam cerveja... :(
« Última modificação: 05 de Janeiro de 2007, 10:35:18 por Leo Terra »
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Resposta #34 Online: 05 de Janeiro de 2007, 10:30:31
Achei o post antigo sobre o tema que tbm é bem legal... Acho até que rola fundir os tópicos.
http://www.mundofotografico.com.br/forum/i...wtopic=1326&hl=
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Resposta #35 Online: 05 de Janeiro de 2007, 12:40:41
Leo,

Como eu já disse, são duas coisas diferentes: a captação da imagem pelo olho, e a visão.

A captação da imagem pelo olho tem sim profundidade de campo.

Agora, se vamos discutir o sentido visão, façamos da maneira correta, pois não vejo como tocar nesse assunto de forma superficial, nem mesmo com intuito de melhorar a compreensão.

Esse post é bem legal, sim. Acho que pra complementá-lo nos falta alguém que fale sobre a fisiologia da visão em todos os órgãos que a compreendem. Quem se habilita?
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Resposta #36 Online: 05 de Janeiro de 2007, 12:56:02
Leo,

Essa experiência pela qual você passou que consiste o aprender a exergar. A forma, o tamanho, o objeto em si não modificou, mas a sua percepção sobre ele sim.

PS: E é essa que é a parte complexa da visão, que envolve absurdamente mais a neurologia do que a oftalmologia, e que se formos discutir aqui precisaremos de um apoio técnico muito bom pra não ficarmos andando em círculos ou falando besteira.  :laughing:  
« Última modificação: 05 de Janeiro de 2007, 13:05:56 por Marcos Kaddoum »
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Resposta #37 Online: 05 de Janeiro de 2007, 20:30:48
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Leo,

Essa experiência pela qual você passou que consiste o aprender a exergar. A forma, o tamanho, o objeto em si não modificou, mas a sua percepção sobre ele sim.

PS: E é essa que é a parte complexa da visão, que envolve absurdamente mais a neurologia do que a oftalmologia, e que se formos discutir aqui precisaremos de um apoio técnico muito bom pra não ficarmos andando em círculos ou falando besteira.  :laughing:
Então marcos isso tudo é parte de um estudo sofisticado da psicologia. Tenho estudado muito isso, se vc reler meus posts verá que estou me referindo desde o início que não faz sentido tratarmos do que vemos, porque o que vemos é fruto de todo o processo e por isso não vejo nenhum sentido em discutir o olho.
Tenho me aprofundado bastante em estudos sobre a percepção, já li muita coisa a respeito e tenho investido muito tempo e $$$ nisso, tenho gostado muito da linha gestaltista por conta da forma com a qual desenvolvem seus estudos e os gestaltistas dizem sim que tanto a forma como o tamanho dos objetos podem variar na visão, tanto que temos diversas ilusões de ótica que fazem linhas se curvarem e assim por diante.
A experiência mais incrível sobre pessoas que podem ver formas diferentes é a migração dos monitores de tela curva para os de tela plana, quem passou por isso sabe muuuuuito bem que aprendemos a ver formas também, quem migrou deve se lembrar de ver os monitores planos como se estivessem afundados e deve se lembrar do tempinho que levou para se acostumar com o novo formato, conheço pessoas que chegaram a procurar um oftalmologista quando trocaram o monitor achando que estavam com graves problemas de vista que distorciam a visão.
As cores também são afetadas de forma drástica por sentidos como os táteis e por ai vai, como você mesmo disse, discutir a visão de forma completa é muuuito complexo, principalmente porque ela é mais neurológica e psicológica do que qualquer outra coisa, o mecanísmo em si é muito simples,  tem profundidade de campo? Sim, mas com uma hiperfocal que faz com que em praticamente qualquer distância que conseguimos ver ela já gere "foco infinito" sem contar que o que realmente vemos em alta resolução é praticamente o que está em foco, ou seja, com a queda da resolução acabamos tendo também uma influência pífia de uma profundidade de campo pífia o que gera uma influência nula da profundidade de campo no que realmente vemos, além de o que vemos ser uma montagem de várias imagens, então discutir o que vemos não pode ser feito de forma alguma em termos de comparativos fotográficos, isso é tudo o que tenho dito desde o primeiro post, vai falar do olho, tudo bem, mas deixe claro que o que vemos não tem a ver com esses conceitos físicos elementares e que na verdade é um emaranhado de complexas interações que fazem com que no final uma profundidade de campo pífia sobre uma resolução baixa o que a torna mais insignificante ainda (os impactos da queda de resolução são drásticamente maiores do que da profundidade de campo), não tenha nenhuma influência sobre o resultado final do que vemos.
Leo Terra

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Resposta #38 Online: 06 de Janeiro de 2007, 02:10:32
Leo,

Nossos pontos de vista são diferentes aqui. Ainda acho que são dois assuntos bem delimitados que podem facilmente ser tratados de maneira separada. A captação vs. a interpretação da imagem.

Tratando da interpretação ainda acho a neuroftalmologia e a neurologia os caminhos mais seguros pra uma discussão da visão como sentido. Simplesmente pela objetividade, toda baseada na neuroanatomia e cientificamente comprovada.

Não tenho conhecimento em gestalt, e talvez no futuro deva me ater a isso, pois tenho certeza que se trata de uma teoria atual e de alta possibilidade de aplicação na área da saúde. Mas vejo que sua aplicação prática é muito mais eficiente do que seria como instrumento de discussão.

Nunca ouvi relatos de aprendizagem tardia ou, se me permite, "desaprendisagem" na visão. As distorções de cada monitor estão sempre lá. O que muda é a sua aceitação em relação a ela, não a sua percepção. É como a cor da TV. Se alguém nota que sua TV está com muito brilho e sem contraste e conserta pra você, você nota que algo mudou, nota que está melhor, mas de precisa de tempo para se adaptar, e não entende como não percebeu aquele erro de ajuste antes.

Se me permite, sugiro um dar uma olhada na área de deficiência cognitiva. Com certeza irá  enriquecer bastante seu estudo da percepção, por se tratar de lesões com consequências específicas e de fácil identificação.  A forma como um cérebro lesado encara os sentidos é extraordinária. A heminegligência, por exemplo, quando o indivíduo não reconhece a existência do lado esquerdo de nada: não barbeia seu lado esquerdo, não desenha o lado esquerdo do rosto, não consegue descrever o lado esquerdo da rua não exerga o lado esquerdo de uma fotografia. Já ouvi o relato de um pintor famoso, do qual não me recorod o nome, que sofria desse distúrbio. Apesar de tudo continuava a produção das suas obras, mesmo com o lado esquerdo negligenciado.
É bem interessante observar as adaptações feitas por indivíduos com esse tipo de deficiência, e todo o processo de reabilitação cognitiva.

Citar
com a queda da resolução acabamos tendo também uma influência pífia de uma profundidade de campo pífia o que gera uma influência nula da profundidade de campo no que realmente vemos, além de o que vemos ser uma montagem de várias imagens, então discutir o que vemos não pode ser feito de forma alguma em termos de comparativos fotográficos

Não concordo que a influência da profundidade de campo seja pífia ou que o processo não possa ser discutido. Digo isso baseado no que vejo ao fixar o olhar em um ponto com um segundo objeto ao fundo.

Exame comum em um consultório oftalmológico onde se paralisa toda a musculatura ocular (intra ocular e do globo ocular) permitem a análise exatamente do funcionamento desse instrumento que comparamos a fotografia. Sendo assim tão complexo esse sentido, o diagnóstico de algumas patologias (neurológicas inclusive, ligadas a percepção) pode não ser possível se não analisado o olho e a captação da visão de forma exclusiva.

Posso te garantir que a profundidade de campo é um grande constituinte da visão como um todo. por exemplo, é essa profundidade de campo que nos permite dissimuladamente encarar um obejto mas fixar o olhar e foco em outro, quando fazemos ao fingir estar lendo e obervar uma pessoa que se encontra na mesma direção, ao fundo do nosso objeto de leitura.
« Última modificação: 06 de Janeiro de 2007, 02:21:33 por Marcos Kaddoum »
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MICHELA BRÍGIDA RODRIGUES

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Resposta #39 Online: 14 de Outubro de 2013, 01:17:18
Marcelo a profundidade de campo se deve basicamente a um efeito ótico causado pelo diafragma chamado de círculo de confusão, Quanto mais distante um objeto está do ponto de foco maior a projeção deste elemento sobre o diafragma, acontece que se o diafragma fosse um furinho extremamente pequeno e com o ponto de foco exatamente em cima dele apenas o que estivesse em foco atravessaria o buraquinho, e conforme o buraquinho fosse aumentando menores seriam os cortes de intervalos que estão fora do ponto de foco e que seriam projetados como círculos maiores do que o ponto (neste caso um pequeno ponto nessa área se tornaria um ponto grande) faça uma experiência com uma lupa com o sol, ao colocar a lupa em foco vc forma apenas um pequeno ponto, ao ir tirando a lupa de foco esse círculo aumenta, ao misturar esses círculos temos então um fundo totalmente desfocado, quanto menor o diafragma maior o corte que vc faz e portanto menor os círculos de confusão, quanto maior o diafragama maior or círculos de confusão.
Bom baseado nisso (tá a o texto é bem simplista, para entender mesmo, assim que sobrar um tempo eu faço um artiguinho sobre isso) você chegaria à seguinte conclusão, diâmetros de diafragma maiores proporcionam menor profundidade de campo porque formam círculos de confusão maiores, o que provoca diâmetros de diafragama maiores? Abertura relacionada a distância focal (lembrando sempre que a abertora em f-stop é uma relação entre diâmetro de difragma e distância focal), portanto quanto maior a distância focal e maior a abertura menor a profundidade de campo (porque nesses casos o diafragma é maior).
Outros dois fatores que influenciam na profundidade de campo são a distância do objeto em foto e o tamanho da mídia.
A quando chegamos perto de um objeto e o focamos os ângulos para formar este objeto se tornam maiores, desta forma passa-se círculos de confusão maiores pelo mesmo buraquinho, então quanto mais próximo do conjunto ótico está o objeto em foco menor a profundidade de campo e por fim referente ao sensor é exatamente o contrário do que todos imaginam, pois QUANTO MENOR O SENSOR MENOR A PROFUNDIDADE DE CAMPO, isso mesmo, quanto menor o sensor menor é a profundidade de campo, porque círculos de confusão menores são bem mais relevantes na formação da imagem em um sensor pequeno do que em um grande, a questão que confunde a todos é que normalmente sensores menores vêm acompanhados de distâncias focais bem menores para cobrir o mesmo ângulo (Leia: Distância Focal - Crop, ângulo de cobertura, etc., Entendendo os mm da lente.), e no final distância foal acaba tendo um peso bem maior na formação e relevância dos círculos de confusão do que o tamanho da mídia, mas te garanto que uma lente de 70mm em um sensor pequeno tem menos profundidade de campo do que uma lente de 70mm em sensor grande.

Por fim é importante lembrar que só existe um ponto da imagem que tem foco perfeito (que é o ponto de foco), os pontos dentro da profundidade de campo tem foco aceitável (pouco prejudicado pelos círculos de confusão) e os fora da profundidade de campo já possuem um nível de nitidez inaceitável.

Espero ter ajudado. O assunto é bastante complexo para ser discutido assim, mas espero ter conseguido ser o mais claro possível


Leo, tudo bem?

Gosto de ler seus artigos, mas esta resposta, por mais que eu a releia, me deixa com mais dúvidas ainda...

Não entendi a relação pela qual, no sensor menor, o tamanho de círculos de confusão menores terem mais relevância na formação de uma imagem com mais profundidade de campo e o porquê disso acontecer.

Também não entendi o que escreveu: "quando chegamos perto de um objeto e o focamos os ângulos para formar este objeto se tornam maiores, desta forma passa-se círculos de confusão maiores pelo mesmo buraquinho".

Por gentileza, se puder explicar mais, serei mais grata às informações que nos der.

Michela Brígida





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Resposta #40 Online: 14 de Outubro de 2013, 05:22:16
Fato: grandes aberturas propiciam menores profundidade de campo.

Por quê?

- O que acontece no conjunto ótico da câmera que ela "desfoca" o fundo (ou o primeiro plano dependendo do ponto de foco)? Posso chamar isso de "efeito" ou seria uma "consequência"?

- Por que quanto menor a distância do assunto e maior a distância do fundo, o fundo fica ainda mais desfocado?

- Por que em compactas que possuem sensores menores, o efeito é menor?

- Qual seria a relação da abertura (f) com o olho humano? O olho humano simplesmente não ao teria essa "função"?

Vi que tem até uma fórmula matemática para calcular a profundidade de campo, mas queria entender melhor como a câmera faz isso.

Valeu Galera!

Pq a abertura da lente controla a intensidade da luz que entra na camera (enquanto que o shutter controla o tempo que essa luz expoem o negativo ou filme).

Quanto maior a abertura das folhas, mais intensa a luz. E essa intensidade cria o "blur" diminuindo a area ou espaco nitido. Pq dependendo da intensidade da luz as ondas de luz sao diferentes, e quanto mais intensa a luz mais as ondas se "decipam" nas areas perifericas. Ou algo assim.

O espaco entre a lente e o filme ou sensor tambem influencia. Quando mais distante a lente do sensor maior eh o DOF. E quanto maior o sensor, maior deve ser a distancia da lente, para a imagem caber toda no sensor ou filme. E as lentes mais cumpridas tambem (tele lentes por exemplo), a lente fica mais distante do sensor.

Pq quanto maior o espaco entre a lente e o sensor, ou filme, ou quanto maior a distancia de viagem da luz, a as ondas de luz vao "perdendo forca" se eh que podemos chamar assim.

Eu nao sei os termos mais tecnicos. Nunca estudei fisica de maneira aprofundada e mal lembro o que aprendi na escola.


Leo Terra

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Resposta #41 Online: 14 de Outubro de 2013, 21:56:59

Leo, tudo bem?

Gosto de ler seus artigos, mas esta resposta, por mais que eu a releia, me deixa com mais dúvidas ainda...

Não entendi a relação pela qual, no sensor menor, o tamanho de círculos de confusão menores terem mais relevância na formação de uma imagem com mais profundidade de campo e o porquê disso acontecer.

Também não entendi o que escreveu: "quando chegamos perto de um objeto e o focamos os ângulos para formar este objeto se tornam maiores, desta forma passa-se círculos de confusão maiores pelo mesmo buraquinho".

Por gentileza, se puder explicar mais, serei mais grata às informações que nos der.

Michela Brígida

Michela pense o seguinte.
Abertura e distância focal sendo fixas, estas irão produzir o mesmo círculo de confusão na mídia.
Para dar uma idéia em proporções bem visíveis (mas não realista), vamos supor um círculo de confusão de 3mm. Isso quer dizer que, por aquele plano estar fora de foco, cada ponto infinitamente pequeno será projetado com 3mm de diâmetro, produzindo sobreposição entre estes pontos e prejudicando a nitidez.
Pois bem, agora vamos imaginar duas mídias. Um sensor de 10mm x 10mm e um sensor de 1000mm x 1000mm (bem discrepante mesmo, para ilustrar). Supondo que ambos estão há mesma distância, em qual deles estes círculos de confusão irão promover o maior "estrago" na imagem?
Bem vamos analisar a realização da imagem. Se eu imprimir as imagens geradas em 1000mm x 1000mm os círculos de confusão da primeira mídia serão ampliados 100x, ficando com incríveis 300mm de diâmetro, enquanto os da primeira imagem permanecerão com 3mm.
Para a percepção humana qual será aquele que irá produzir maior impressão de desfoque? A resposta é o feito no sensor de 10mm x 10mm.

A questão é que isso é uma realidade se mantivermos tudo mais constante. Mas na prática isso não vai acontecer. Para conseguir manter o mesmo enquadramento com mídias de tamanhos diferentes, precisaremos mudar ou a distância focal ou a distância com a qual fotografamos e ambas as variáveis possuem impacto maior sobre o tamanho dos círculos de confusão do que o resultado da relação de ampliação.

Em essência, o que isso quer dizer... Se mantivermos TUDO MAIS CONSTANTE, as câmeras com sensores menores apresentarão menor profundidade de campo. Mas se compensarmos o enquadramento com uma variação da distância focal ou da distância com a qual fotografamos (como fazemos na prática cotidiana), as câmeras com sensores menores acabarão apresentando uma profundidade de campo maior, não pelo tamanho de seus sensores (como se costuma difundir erroneamente), mas pelo uso de distâncias focais menores.
Leo Terra

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Resposta #42 Online: 15 de Outubro de 2013, 21:59:10
Legal, Leo, grata! Ficou claro com relação à relevância do tamanho do círculo de confusão numa ampliação com uma compacta e também com uma amplicao no mesmo tamanho com uma câmera grande formato considerando fixas as demais variáveis.

Mas ainda não entendi (e essa é a outra questão que perguntei no seu texto) o porquê da distância do objeto fotografado mudar o tamanho do círculo de confusão e como isso acontece na prática.

Muito grata!


MICHELA BRÍGIDA RODRIGUES

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Resposta #43 Online: 15 de Outubro de 2013, 22:24:46
Quando mais distante a lente do sensor maior eh o DOF. E quanto maior o sensor, maior deve ser a distancia da lente, para a imagem caber toda no sensor ou filme. E as lentes mais cumpridas tambem (tele lentes por exemplo), a lente fica mais distante do sensor.




Então, Faustino, a dúvida que tenho agora é mais com relação à distância do objeto fotografado. Ou, como começou o Macelo neste tópico: "- Por que quanto menor a distância do assunto e maior a distância do fundo, o fundo fica ainda mais desfocado?"


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Resposta #44 Online: 16 de Outubro de 2013, 03:31:17

Então, Faustino, a dúvida que tenho agora é mais com relação à distância do objeto fotografado. Ou, como começou o Macelo neste tópico: "- Por que quanto menor a distância do assunto e maior a distância do fundo, o fundo fica ainda mais desfocado?"
Quando vc foca em uma imagem proxima da lente vc pode perceber que a lente se move para frente, se distanciando do sensor, o que faz com que tambem diminua um pouco a area nitida, ou o DOF, mesmo que vc nao altere a abertura das folhas da lente. E quando vc foca em uma imagem distante a lente recua, ficando mais proxima do sensor e por isso aumentando o perimetro ou circunferencia de nitidez.