Autor Tópico: Onde estao os inquietos?  (Lida 2299 vezes)

Portela 2011

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Resposta #45 Online: 28 de Março de 2012, 17:46:34
Aria, tambem sou abelhudo aqui, como voce. O pouco que vi de historia da arte ou conceitos artisticos vem de poucos semestres que cursei arquitetura (e depois parei), de alguns anos que estudei artes plasticas em BH (mas era adolescente) e como ja faz muito tempo, e naquela epoca so me importava em riscar papel. Nada de livros, não sobrou muito na memoria.

Mas, conforme o Zaca falou, a tendencia historica e de negação ao estilo anterior. Concordo com você também que a arte é reconhecida pelo tempo. Porem, atualmente estas duas verdades históricas vem sofrendo mudanças. As escolas de artes ou linhas, ou tendências como queira chamar, vem mudando a postura de negação. Pelo que venho observando vam acontecendo uma postura de evolução e releitura de estilos passados. Claro, um clássico depende do tempo para se tornar um clássico. Mas o conceito para se definir arte vem evoluindo também. Tanto que, na USP (nesta eu sei que existe, não sei se tem em outras universidades brasileiras) existe curso de pós-graduação em crítica de arte. Ví uma entrevista com um pró-reitor de lá falano sobre isso. É um movimento acadêmico que quer elimiar o crítico do "eu ach que isso é arte", e capacitar proficionais de artes para analisar critérios concretos (não matemáticos, mas conceituais) para análise a avaliação de arte.

Acredito que na época de Van Gogh o conhecimento muito menos difundido e a ignorância popular, davam aos artistas menos divulgação que hoje. Menos pessoas procuravam por isso. E, o apoio da burguesia da época (os mescenas, que acredito ainda eram a força dominante econômica). Em contraponto a esta perspectiva, Leoardo da Vinci e Michelangelo eram tidos como grandes mestres mesmo em sua época. Outro fator é que até o advento do modernismo, os movimentos artístcos eram mais rígidos e a mudança de paradigmas um rompimento mais radical. Por exemplo, quando a pintura passou a não ser mais necessária como registro, com o advento da fotografia. Necessitou buscar novos caminhos para sua sobrevivêcia.

Me perdi...  :shock: :shock: :shock:

Ah sim... acredito que há como mensurar arte. Claro, gostar de uma coisa ou não, é pessoal, e particularmente, acho que qualquer posicionamento é válido gostar ou não é uma questão pessoal. Quanto ao valor artístico é outra história. Bom, paro por aquí, porque não tenho cmpetência para ir mais adiante, nem informações mais aprofundadas.  :D

É como avaliar o valor de um vinho ou wisky... quem é que determina se uma bebida é boa ou ruim...  :shock:
« Última modificação: 28 de Março de 2012, 17:48:15 por Portela 2011 »


Aria

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Resposta #46 Online: 28 de Março de 2012, 18:49:30
Aria, tambem sou abelhudo aqui, como voce. O pouco que vi de historia da arte ou conceitos artisticos vem de poucos semestres que cursei arquitetura (e depois parei), de alguns anos que estudei artes plasticas em BH (mas era adolescente) e como ja faz muito tempo, e naquela epoca so me importava em riscar papel. Nada de livros, não sobrou muito na memoria.

Mas, conforme o Zaca falou, a tendencia historica e de negação ao estilo anterior. Concordo com você também que a arte é reconhecida pelo tempo. Porem, atualmente estas duas verdades históricas vem sofrendo mudanças. As escolas de artes ou linhas, ou tendências como queira chamar, vem mudando a postura de negação. Pelo que venho observando vam acontecendo uma postura de evolução e releitura de estilos passados. Claro, um clássico depende do tempo para se tornar um clássico. Mas o conceito para se definir arte vem evoluindo também. Tanto que, na USP (nesta eu sei que existe, não sei se tem em outras universidades brasileiras) existe curso de pós-graduação em crítica de arte. Ví uma entrevista com um pró-reitor de lá falano sobre isso. É um movimento acadêmico que quer elimiar o crítico do "eu ach que isso é arte", e capacitar proficionais de artes para analisar critérios concretos (não matemáticos, mas conceituais) para análise a avaliação de arte.

Acredito que na época de Van Gogh o conhecimento muito menos difundido e a ignorância popular, davam aos artistas menos divulgação que hoje. Menos pessoas procuravam por isso. E, o apoio da burguesia da época (os mescenas, que acredito ainda eram a força dominante econômica). Em contraponto a esta perspectiva, Leoardo da Vinci e Michelangelo eram tidos como grandes mestres mesmo em sua época. Outro fator é que até o advento do modernismo, os movimentos artístcos eram mais rígidos e a mudança de paradigmas um rompimento mais radical. Por exemplo, quando a pintura passou a não ser mais necessária como registro, com o advento da fotografia. Necessitou buscar novos caminhos para sua sobrevivêcia.

Me perdi...  :shock: :shock: :shock:

Ah sim... acredito que há como mensurar arte. Claro, gostar de uma coisa ou não, é pessoal, e particularmente, acho que qualquer posicionamento é válido gostar ou não é uma questão pessoal. Quanto ao valor artístico é outra história. Bom, paro por aquí, porque não tenho cmpetência para ir mais adiante, nem informações mais aprofundadas.  :D

É como avaliar o valor de um vinho ou wisky... quem é que determina se uma bebida é boa ou ruim...  :shock:

Acho que não foi só uma questão de divulgação, Portela. A questão é: o que fazia que alguns fossem reconhecidos e outros não? Acho que o trabalho do Van Gogh não foi reconhecido em sua época porque em sua época não era avaliado como arte. Se algo que não era considerado arte pode vir a ser visto como arte, então esses critérios mudaram. E acredito que eles tendem a mudar sempre. Mesmo hoje em dia, algo que não é considerado arte, poderia vir a ser considerado como tal no futuro. Por que não? Isso é possível. Reconheço que são critérios conceituais, que tem uma razão de ser, mas eles não são tão objetivos. E se os critérios servem para definir o que é arte e o que não é, ao mesmo tempo que eles afirmam, também negam. Talvez os critérios mudem até de acordo com o campo. Será se os critérios pra definir que uma foto é artística são os mesmos pra definir que uma pintura é artística? Também me pergunto quem é que define o que é ou não arte? Só sei que não é algo que possa ser definido por um só indivíduo. Apesar de haver critérios, vai depender da aceitação de algum grupo e de ter significado para uma coletividade. 
Mas chegar à conclusão de que algo não é arte, também não significa dizer que é ruim ou que seu valor está sendo diminuído.
"Una persona puede cambiar de nombre, de calle, de cara…pero hay una cosa que no puede cambiar… no puede cambiar de pasión".

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Portela 2011

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Resposta #47 Online: 28 de Março de 2012, 19:04:48
Ária, concordo com você que critérios mudam. Faz parte da evolução humana. O que digo é que atualmente, como isso acontece tem outra conotação. Que o tempo que Van Gogh demorou para ser reconhecido como icone, não como arte, mas como ponto de ruptura de um estilo novo, foi, em muito pela difusão cultural da época. Mais adversa e lenta para mudanças, e mais lenta na difusão de ideias.  :ok:

Mas concordo com você. Uma obra que hoje não é considerada arte, por ser no futuro. Só acho que este tempo de maturação hoje é bem menor. Uma coisa mais ou menos assim. Procure textos sobre "Zé Côco do Riachão".  :D

http://adonato.wordpress.com/2010/04/02/ze-coco-do-riachao/
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dhgfontana

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Resposta #48 Online: 31 de Março de 2012, 19:05:36
até porque a crítica da arte não é só gostar ou não... muitas vezes, se existe emoção, se a obra representa algo importante do artista já tem algum valor, pois é o que a arte é: tentar evoluir como seres humanos e não perecer no comum, em apenas existir até o fim.

o problema é que existem fotos demais, muito analisadas de forma técnica... nos esquecemos do conteúdo!!

Pode ser o momento histórico, como foi o impressionismo, podem ser muitas coisas que fazem com que seja uma longa conversa na mesa do bar! Mas que, com todo o equipamento tecnológico que temos hoje, esquecemos de dar conteúdo para o que fazemos (ou fazemos clichês), ah isso acontece demais!
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