Autor Tópico: [+18] Fotógrafo Japonês nos mostra o que não queremos ver  (Lida 4475 vezes)

Lordakner

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Resposta #15 Online: 25 de Junho de 2012, 20:28:56
O Fato é que ele ganha DINHEIRO E FAMA expondo essas deformidades.
Ninguém está negando a humanidade por trás das deformidades.
Poucas pessoas se sentiriam a vontade sendo fotografadas quando estão acordando.

A humanidade está vinculada, também, a um senso de privacidade e respeito.

Não é difícil convencer um mendigo sem dentes a ficar diante de uma câmera.
Todo mundo aqui sabe disso.
A questão, para mim, é se é ÉTICO fazer isso, por uma boa foto.

Eu não faço.
Não gosto de quem faz.
Simples assim.
:\
Pentax k3 + Canon Mark III + Oly xz2 + Oly OMD EM5 + Oly e-510 & uma pancada de Oly's OM + Mamiya + Contax...
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FeLopes

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Resposta #16 Online: 25 de Junho de 2012, 20:56:47
O Fato é que ele ganha DINHEIRO E FAMA expondo essas deformidades.
Ninguém está negando a humanidade por trás das deformidades.
Poucas pessoas se sentiriam a vontade sendo fotografadas quando estão acordando.

A humanidade está vinculada, também, a um senso de privacidade e respeito.

Não é difícil convencer um mendigo sem dentes a ficar diante de uma câmera.
Todo mundo aqui sabe disso.
A questão, para mim, é se é ÉTICO fazer isso, por uma boa foto.

Eu não faço.
Não gosto de quem faz.
Simples assim.
:\

Isso é uma questão de ponto de vista. Ele ganha fama e dinheiro fotografando seres humanos, como muito fotógrafo profissional artista ou até mesmo fotojornalista. A nacional geography ganha dinheiro expondo culturas que nem sabem direito o que é dinheiro, e por vezes de uma forma antropológica nada adequeada.

Fora que o trabalho dele tem uma questão conceitual forte com a filosofia budista. O cara não fez fama pegando umas velhinhas e fotografando elas nuas, o cara fez fama trabalhando fotografia durante 25 anos com uma linguagem própria e absurdamente coesa com a trajetória artística dele,e os conceitos que ele se propos a trabalhar e não com um iphone + instagram fotografando o mendigo sem dente em troca de uma bombinha de cachaça.

A questão é enxergar além do óbvio. A primeira vista uma Nan Goldwin é uma louca que não se preocupa com técnica e fotografou gays e mulheres agredidas, casais transando enquanto o filho brinca na mesma cama, mas só depois de uma vista mais apurada que se entende o grau de humanidade e afeto das fotos (ou não).

Acho super ético, e se fosse do tipo de fotografia que gosto estaria fazendo sem medo (pior é quando o negócio é aparentemente ético, mas no fim o fotógrafo só tá se aproveitando mesmo, como acontece muito com a área de cultura popular e indigena)


FeLopes

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Resposta #17 Online: 25 de Junho de 2012, 20:57:46
P.S.: Moderação, sugiro mover o tópico para área de arte fotográfica, acho uma discussão mais pertinente de se acontecer lá do que aqui


Lordakner

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Resposta #18 Online: 25 de Junho de 2012, 21:11:08
Fora que o trabalho dele tem uma questão conceitual forte com a filosofia budista.
Filosofia budista é uma coisa legal de se falar e parece muito bonita.
Até que você vê os ataques budistas no Sri Lanka.
Budismo é muito bom onde não há nada, alem do budismo e poeira.
Vide o Nepal.
Eu sou ocidental e não tenho nenhum problema com Armani e Ferrari. :)

Pobreza é pobreza, miséria é miséria e sofrimento é sofrimento.
Ele pode ser budista, mas não é deformado.
Se ele se deformar e passar a fazer auto-retratos, aí vamos entender a posição dele.
No dos outros, sempre foi refresco. :)
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FeLopes

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Resposta #19 Online: 25 de Junho de 2012, 23:00:40
Filosofia budista é uma coisa legal de se falar e parece muito bonita.
Até que você vê os ataques budistas no Sri Lanka.
Budismo é muito bom onde não há nada, alem do budismo e poeira.
Vide o Nepal.
Eu sou ocidental e não tenho nenhum problema com Armani e Ferrari. :)

Pobreza é pobreza, miséria é miséria e sofrimento é sofrimento.
Ele pode ser budista, mas não é deformado.
Se ele se deformar e passar a fazer auto-retratos, aí vamos entender a posição dele.
No dos outros, sempre foi refresco. :)

Arte vem justamente pra provocar, pra problematizar, e são culturas diferentes com olhares diferentes. Deu uma lida no site dele na galeria com as fotos de crianças? Pobreza é pobreza, mas pra algumas culturas, o fato de ser pobre por opção é algo nobre (até a nossa cultura ocidental e popular tem isso, ter cara de pobre é considerado bonito quando a pessoa tem dinheiro, pois aparentemente deixa a pessoa mais "humilde"). Miséria quase encaro como pobreza. Sofrimento é sofrimento, mas em diversas culturas o sofrimento vai desde a danação eterna ao prazer absoluto, independentemente de ser ocidental ou não (Jesus foi crucificado e todo mundo acha lindo).

Beleza importante, mas muita gente esquece que beleza e estética também são formas de criação conhecimento. Não trata de ser belo e agradável, e sim de levar esse olhar pra outro horizonte, sem deixar de ser ocidental, oriental ou um gremlin

Mostrei isso para dois amigos "deformados" eles amaram. Não acho que ele ser ou não deformado influencia no resultado final, fora que existe uma aceitação por parte dos fotografados e dos responsáveis por eles no registro, sendo assim, a obra é colaborativa. E pelo que vi no site dele, acho muito dificil ele ter ganho muito dinheiro com as fotos e pelo site, acho que ele tá pouco se preocupando com status (o site parece uma página do finado geocities o.o)


spiderman

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Resposta #20 Online: 25 de Junho de 2012, 23:07:47
Felopes, entendo o seu ponto de vista mas não creio que ele pode ser aplicado em qualquer caso. O trabalho da Nan goldin é esteticamente muito mais interessante do que essas fotos desse japa aí. Como o da Diane Arbus também é. Ou mesmo o trabalho do Gustavo Lacerda com os albinos.

Não dá pra colocar tudo no mesmo pacote.
Campanha de crowdfunding pra lançamento do livro - Retratos pra Yayá

Acesse e apoie: www.catarse.me/retratosprayaya


Pacheco

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Resposta #21 Online: 25 de Junho de 2012, 23:09:47
Muita apelação pro meu gosto, já tive um filho com hidrocefalia, infelizmente faleceu, e uma das crianças mostradas aí me lembrou muito todo o sofrimento que "tivemos" por 7 longos anos, acho desnecessário isso.
Canon eos 60D + 18-135mm + 50mm 1.8 + 2YN 560 + YN568EX + Vivitar 285 + Sony nex F3 + um monte de tranqueiras relacionadas à fotografia.



Lordakner

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Resposta #22 Online: 25 de Junho de 2012, 23:11:54
Miséria quase encaro como pobreza. Sofrimento é sofrimento, mas em diversas culturas o sofrimento vai desde a danação eterna ao prazer absoluto, independentemente de ser ocidental ou não (Jesus foi crucificado e todo mundo acha lindo).
Você tocou num ponto importante. Miséria, dor e sofrimento só podem ter algum aspecto "positivo" sob o olhar religioso.
Eu não sou religioso, então mudo o "positivo" para "alienado".
Ninguém é deformado podendo optar por estar sadio.
Ninguém é corcunda ou coxo, se pudesse optar por correr ou andar ereto.
O corpo tem estética e essa estética está intimamente ligada à saúde.

Aceitação da deficiência e a luta para suplantá-la é algo até louvável.
Usá-la como medalha, é patético.
Ganhar em cima dela, é vergonhoso.
 :)
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Lordakner

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Resposta #23 Online: 25 de Junho de 2012, 23:15:16
Felopes, entendo o seu ponto de vista mas não creio que ele pode ser aplicado em qualquer caso. O trabalho da Nan goldin é esteticamente muito mais interessante do que essas fotos desse japa aí. Como o da Diane Arbus também é. Ou mesmo o trabalho do Gustavo Lacerda com os albinos.

Não dá pra colocar tudo no mesmo pacote.
Esse dos albinos eu vi e achei muito legal.
Em nenhum momento abalou a dignidade dos fotografados,
Foi nítido o esforço do fotógrafo para ressaltar os aspectos positivos, principalmente os olhos deles, que são lindos.  :ok:
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mad666

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Resposta #24 Online: 25 de Junho de 2012, 23:35:51
Honestamente, se as fotos fossem como as de Bresson ou Antanas Suktus, mostrando essas pessoas doentes em atividades rotineiras, mostrando q elas sao tb "gente como a gente", acho q teria uma sensibilidade q falta aih. Pegar um doente fisico, deixa-lo parado num estudio e bater uma foto... eh forçar a barra!!!!

Seria interessante se fosse mais foto-jornalistico, mas nao eh!!! Nao ha sensibilidade ou contexto, soh o doente fisico. Acho apelativo...
"Um dia, crio coragem e me torno profissional!"

Duvidas!!!??? Agora, nada de mensagem pessoal. Use o forum!!!!


pedro_raythz

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Resposta #25 Online: 25 de Junho de 2012, 23:45:06
Não acho que o problema nem é ter feito no estúdio ou não.

As fotos estão mal executadas mesmo. A fotografia não tem nenhum diferencial, o que tem são os fotografados.


Branco Melo

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Resposta #26 Online: 27 de Junho de 2012, 08:34:15
"O fotógrafo japonês e budista Manabu Yamanaka já enxerga nesses corpos poesia para a sua obra."
Gostei não.
Tem gente que ver poesia na desgraça alheia.
Cameras: Canon 60D, T5i, T3i, Elan 7n; Objetiva: Canon EF 55-250mm, Canon EF 28-135mm macro, Canon EF-S 18-55mm, Sigma EF 28-105mm. Canon 18-55mm; Canon 24-105 USM Is L; Flashs: Canon speedlite 540EZ, Canon speedlite 430EX2, flash yongnuo YN 568ex ii.

 http://www.flickr.com/photos/photografobranco/


FeLopes

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Resposta #27 Online: 28 de Junho de 2012, 20:30:25
Você tocou num ponto importante. Miséria, dor e sofrimento só podem ter algum aspecto "positivo" sob o olhar religioso.
Eu não sou religioso, então mudo o "positivo" para "alienado".
Ninguém é deformado podendo optar por estar sadio.
Ninguém é corcunda ou coxo, se pudesse optar por correr ou andar ereto.
O corpo tem estética e essa estética está intimamente ligada à saúde.

Aceitação da deficiência e a luta para suplantá-la é algo até louvável.
Usá-la como medalha, é patético.
Ganhar em cima dela, é vergonhoso.
 :)

Discordo completamente, principalmente quando em determinadas correntes há um pensamento filosófico e um padrão de vida, como acontece com o hinduismo. Saindo do universo das religiões, muito artista de body art trabalha com deformação corporal e alterações dessa estética, fora isso existem as parafilias como o devoteismo e suas variações. Concordo que quase ninguém seria corcunda ou coxo por opção, mas tem gente que felizmente se aceita assim, e busca desenvolver potencialidades desse corpo coxo, e nesse caso, porque não revelar esse corpo? Essas fotografias não são éticas pra quem? Os dois únicos envolvidos demonstram na maioria uma aceitação a obra, e pelo que andei lendo, o fotógrafo trabalha mais fotografia como processo de criação do que como uma obra final. Pelo que li, ele demorou em cada série cerca de 5 anos pra realizar e tem um processo de criação extremamente coeso. Pode ter seus questionamentos técnicos (e fiquei curioso em ver uma ampliação de uma delas. Na série dos mendigos elas chegam a medir 1,80), mas enquanto processo, é perfeito

Tem gente que ver poesia na desgraça alheia.

Melhor ver poesia do que desgraça e dor. Lembrei de quando tava circulando com o espetáculo de um amigo deficiente, uma senhora dessas de interior chegou nele, pos a mão no ombro dele e disse "Oh meu Deus, coitado ! Aleijadinho das pernas !". Eu, ele e a produtora nunca rimos tanto na vida circulando com um trabalho e completamos a frase da senhora "Pois é minha senhora, mas venha assistir hoje o espetáculo que a senhora vai ver o aleijado sumir a escada!". Pra mim poética nada mais é do que ver potenciais artísticos em cada coisa no mundo, incluindo na desgraça, que é bem relativa.

Felopes, entendo o seu ponto de vista mas não creio que ele pode ser aplicado em qualquer caso. O trabalho da Nan goldin é esteticamente muito mais interessante do que essas fotos desse japa aí. Como o da Diane Arbus também é. Ou mesmo o trabalho do Gustavo Lacerda com os albinos.

Não dá pra colocar tudo no mesmo pacote.

Concordo que não dá pra colocar tudo no mesmo pacote. O que questiono é que as críticas feitas aqui foram com base apenas nas fotos e de um ponto de vista técnico e tradicional

Abs !