Autor Tópico: Ética e fotografia  (Lida 12709 vezes)

Xiru

  • Trade Count: (8)
  • Colaborador(a)
  • ****
  • Mensagens: 1.400
    • Flickr
Resposta #45 Online: 23 de Junho de 2006, 22:55:15
Bah, a mulher pediu pra nçao fotografarem e eles continuaram. Coisa de covarde, vsf, putz. :(
Gentileza gera gentileza.

Xirú Sander Scherer - Ivoti / RS

Flickr
.. Blog: Andarilho Freak


RFP

  • Colunista
  • Trade Count: (2)
  • Membro Ativo
  • *****
  • Mensagens: 813
  • Sexo: Masculino
Resposta #46 Online: 23 de Junho de 2006, 23:05:41
Citar
Bah, a mulher pediu pra nçao fotografarem e eles continuaram. Coisa de covarde, vsf, putz. :(
Pois é. E o pior é que não era o pessoal do meu grupo, e sim de um conceituado grupo de fotógrafos daqui de SP.


Xiru

  • Trade Count: (8)
  • Colaborador(a)
  • ****
  • Mensagens: 1.400
    • Flickr
Resposta #47 Online: 24 de Junho de 2006, 04:59:58
"A posse de uma câmera pode inspirar algo afim à luxúria". (Sontag)
Gentileza gera gentileza.

Xirú Sander Scherer - Ivoti / RS

Flickr
.. Blog: Andarilho Freak


Bucephalus

  • Trade Count: (1)
  • Colaborador(a)
  • ****
  • Mensagens: 3.089
  • Sexo: Masculino
Resposta #48 Online: 24 de Junho de 2006, 13:32:17
Só pra definir:


Moral ou moralidade - grupo de noções que delimitam o certo do errado. Podem ser noções morais pessoais, sociais, ou princípios. Ex.: falar mal de outras pessoas pode ser algo aceito, mas você particularmente acha moralmente errado OU é considerado socialmente imoral andar pelado na frente de outras pessoas, enquanto naturalistas acham isso moralmente aceito OU seus princípios de honra dizem que você não deve agir de má-fé com outras pessoas.
Um ato moral ou imoral é relativo, e o campo que discute essa relatividade é a ética.

Ética - campo da filosofia que busca entender a moralidade e o que define o certo e o errado.
Uma atitude anti-ética = que vai contra os entendimentos do que é certo e errado


Bucephalus

  • Trade Count: (1)
  • Colaborador(a)
  • ****
  • Mensagens: 3.089
  • Sexo: Masculino
Resposta #49 Online: 24 de Junho de 2006, 13:40:38
Citar
Devolvo a você a pergunta: a mesma liberdade "estética" que você tem para fotografar um mendigo com fome teria para fotografar o Antônio Ermírio de Moraes?

Se a resposta for não, então o que acontece é aproveitar-se de quem não pode nem sabe defender-se. Com quem sabe defender-se, a atitude é outra.
Não entendi a comparação, mas vou tentar responder:

Não teria interesse em fotografar o Antonio Ermírio de Moraes, gostaria muito mais de fotografar ou uma pessoa qualquer na rua que são pessoas anônimas. Só gostaria de fotografar celebridades se elas posassem deliberadamente para a câmera.
Mas deixando minha prrferência de lado, sim, acredito que o fotógrafo pode fotografar ele ou um mendigo. Porém, acho que ninguém se colocaria numa posição de risco de ter a câmera apreendida ou de tomar porrada dos seguranças. Como eu disse, eu pessoalmente não tiraria fotos dele, pois não gosto de tirar fotos de pessoas famosas, sejam políticos, empresários ou artistas, e tirar a foto escondida vai dar a impressão que estou interessado na imagem dela, e não na foto em si.

Você está dando uma interpretação à câmera de arma, que eu vou falar pro mendigo "ei olha aqui!", tirar a foto e se ele reclamar vou ficar rindo e debochando dele. O princípio da foto de rua não é humilhar a pessoa, é registrar uma imagem do dia-a-dia sem interrupções por parte do fotógrafo.


Bucephalus

  • Trade Count: (1)
  • Colaborador(a)
  • ****
  • Mensagens: 3.089
  • Sexo: Masculino
Resposta #50 Online: 24 de Junho de 2006, 13:48:53
Citar
A discussão inicial era sobre a ética em tirar fotos sem o concentimento do fotografado. Se a foto causar alguma meleficiencia ao fotografado, então está contra a ética. Uma das poucas exceções poderia ser "maleficiencia dos poucos X beneficiencia dos muitos", onde se basea a ética do fotojornalismo.

Eu também tenho muitas dúvidas sobre fotografar alguém num lugar público sem seu consentimento, mesmo que esta foto seja para um acervo pessoal. É um tema que merece ser discutido sem dúvida alguma.

[ ]s.
Como eu disse, você deve tirar a foto sem o conhecimento da pessoa para que ela continue se portando naturalmente e porque colocar uma câmera na cara dela pode ser constrangedor. Eu não deixo a pessoa ver que ela foi fotografada, se ela ver e não se importar, tudo bem. Se ela vier falar comigo, eu tento contornar a situação, se não conseguir eu não encrenco, levo na boa e deleto a foto. Gostariade ter a foto, mas se não conseguir não vou discutir com a pessoa, mesmo que que considere que ela esteja sendo equivocada.

Ano passado tirei essa foto de um mendigo (ou pedinte, sei lá) que tava tocando violão no metrô de Lisboa. Tirei a foto muito de longe para ele não me ver, mas no momento que bati a foto ele se virou e sorriu. Eu sorri de volta e ficou tudo bem, apesar que prefiriria que ele agisse normalmente como estava agindo. Se ele não tivesse se virado, ele nunca me viria tirando a foto, e ele não sentiria constrangido (apesar que mesmo me vendo tirar a foto ele não ligou, até curtiu):



Bucephalus

  • Trade Count: (1)
  • Colaborador(a)
  • ****
  • Mensagens: 3.089
  • Sexo: Masculino
Resposta #51 Online: 24 de Junho de 2006, 13:52:38
Citar
Num encontro de fotógrafos de que participei, em um determinado momento, uma senhora humilde se aproximou do grupo vendendo bilhetes de loteria. Um ou dois dos fotógrafos apontaram a câmera pra ela, que imediato disse: "não fotografa não, não fotografa". Não adiantou, eles fizeram alguma brincadeira com ela e dispararam suas reflex em modo contínuo. Fiquei enojado com aquilo. Era como se estivessem violentando a pessoa, usando-a realmente como apenas um objeto.
Como eu disse, vocês estão interpretando a câmera como uma arma, e em certas ocasiões qualquer objeto pode ser usado como arma.

Ex.: Acredito que qualquer um pode fumar um cigarro na rua, mas se alguém do lado falar "por favor, apague o cigarro, me incomoda" e você disser para os seus amigos "todo mundo acende um cigarro, vamos zuar" isso também será um ato de intimidação. Pode acontecer com um cigarro, um chiclete, um cachorro, uma arma ou uma máquina de fotografar.

No final das contas, armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas.


Xiru

  • Trade Count: (8)
  • Colaborador(a)
  • ****
  • Mensagens: 1.400
    • Flickr
Resposta #52 Online: 25 de Junho de 2006, 01:42:59
Exato. PESSOAS MATAM PESSOAS.

Não é a arma.
Nem é a câmera que invade. É o fotógrafo que invade.

Pessoas invadem pessoas.
Gentileza gera gentileza.

Xirú Sander Scherer - Ivoti / RS

Flickr
.. Blog: Andarilho Freak


LeandroFabricio

  • Trade Count: (9)
  • Colaborador(a)
  • ****
  • Mensagens: 1.685
  • Sexo: Masculino
Resposta #53 Online: 25 de Junho de 2006, 02:10:35
Não sei, mas para mim parece simples.

Se eu vejo de longe algo que me interessa e não posso perder o momento eu fotografo. Se eu quiser fazer uso além do hobbie para a tal foto me aproximo e peço autorização.

Se quando estiver fotografando perceber ou for avisado que eu estou incomodando alguém eu paro de fazer as fotos.

Se estou perto do assunto e vejo que alguém seria interessante para um retrato me aproximo e peço para pode fotografar.


Resumindo, cada um tem sua opinião e a lei que se aplica a isso não é das mais claras o que facilita fotógrafos que não respeitam o próximo a fazerem suas fotos mesmo que ROUBANDO a imagem de outro ser humano, o qual muitas vezes não sabe que tem o direito de não querer ser fotografado. Isso é mais uma questão de respeito do que da lei propriamente dita.

Não ando com contratos impressos para utilizar fotos que por ventura eu venha a fazer de alguém na rua. Até porque na grande maioria das vezes prefiro que a pessoa saiba antes que eu pretendo fotografar. E num local público com a pessoa claramente posando ou simplesmente olhando pra câmera (cordialmente) eu já entendo como uma autorização para fotografar... Faço a foto e depois converso ou o contrário, converso e depois faço a foto.

Eu me sinto bem fotografando dessa forma e durmo tranquilo.
São Paulo - SP


Marcelo Almeida

  • Trade Count: (0)
  • Colaborador(a)
  • ****
  • Mensagens: 1.330
Resposta #54 Online: 25 de Junho de 2006, 10:22:06
:thmbup:  


Ivan de Almeida

  • Trade Count: (1)
  • Referência
  • *****
  • Mensagens: 5.297
  • Sexo: Masculino
  • . F o t o g r a f i a .
    • Fotografia em Palavras
Resposta #55 Online: 25 de Junho de 2006, 11:50:25
Leandro.

Acho que você definiu muito bem a fronteira.


LeandroFabricio

  • Trade Count: (9)
  • Colaborador(a)
  • ****
  • Mensagens: 1.685
  • Sexo: Masculino
Resposta #56 Online: 25 de Junho de 2006, 18:31:42
Citar
Leandro.

Acho que você definiu muito bem a fronteira.
 Obrigado Ivan.

 É bem estranho, estava lendo o tópico e pensando comigo mesmo: "Pra que toda essa confusão? Eu acho tão simples da forma que faço."
 
 E na verdade isso não quer dizer que eu faça da forma certa. Porque o certo X errado é bem subjetivo numa comunidade onde há muita mistura étnica e religiosa como no Brasil. Mas isso já é assunto de outro tópico.

 Não digo que faço o certo absoluto, mas faço o que julgo ser certo e, dessa forma, me sinto com a consciência limpa. O que julto muito importante.

 Acho que todos deveriam agir dessa forma, não quero dizer que deveriam fazer da minha forma, mas fazer da forma que lhe deixasse com a consciência limpa e com o pensamento de que não "feriu" ninguém ao fotografar.
São Paulo - SP