Autor Tópico: Quanto pode render um filme escaneado?  (Lida 11163 vezes)

pauloh

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Resposta #7 Online: 27 de Junho de 2013, 22:54:43
alguém corta a bebida desse menino!

E olha que eu já viajei na maionese nesse assunto mais que ele.
Já cheguei até desenhar um teste de ciclos de contraste no AutoCad.
Fiz a impressão desse teste e fotografei-o com uma Nikon F100 usando um Velvia 50.
Depois do filme revelado, digitalizei usando uma câmera digital Nikon D7000 com uma lente com tubo de extensão.
Na imagem digital resultante da digitalização cheguei ao resultado de aproximadamente 80 pares de linhas por milímetro, ou seja, 160 linhas por milímetro. Apesar disso, os testes da Fuji apontam uma resolução do Velvia 50 de 160 pares de linhas por milímetro, ou seja 320 linhas por milímetro.
De acordo com o meu teste, um quadro de filme 35mm (com área de 864 mm²) teria um resolução de 160x160x864= 22.118.400 pixels.
Assim sendo, o Velvia 50 teria uma resolução mínima de 22MP. Claro que esse resultado é maior, pois meu teste é limitado pelo equipamento e principalmente pela digitalização. O ideal era ter olhado o filme pelo microscópio para um maior nível de detalhamento.

E olha a maior viagem de todas: O MTF da imagem digitalizada é o produto do MTF da imagem do filme (a imagem original, que está impressa no filme) pelo MTF do equipamento de digitalização (scanner).
Muito complicado?
Explicando: por exemplo, segundo o teste da Fuji o Velvia 50 a 50 ciclos por milímetro (50 pares de linha por milímetro) responde com um contraste de 45% ou 0,45. Agora vamos supor que um scanner nessa mesma frequência (50 ciclos/mm) responda com um contraste de 40% (um scanner típico de 4000dpi como o Coolscan 5000 ED). Então a imagem digitalizada terá, nesta frequência, um contraste de 0,45x0,4=0,18 ou 18%, pois o scanner só vai capturar 40% dos 45% de contraste que estão no filme. Olha o tanto de definição que o Velvia digitalizado perdeu em relação ao original, foi de 45% a 18%.Essa é a teoria por trás da perda de definição de imagem quando um filme é digitalizado. Esse produto é feito para cada frequência, desde zero até o limite do filme ou scanner.
Então para capturar a totalidade dos detalhes do nosso querido Velvia, teríamos que ter um scanner que alcançasse 100% de contraste a 160 ciclos/mm. Esse scanner teria que ter uma óptica incrível e um sensor com uma resolução monstruosa (várias vezes a resolução do Velvia), isso só para não ter perdas de informação. Imaginem o tamanho deste arquivo. Alguns Gigabytes.
« Última modificação: 27 de Junho de 2013, 22:57:18 por pauloh »


AFShalders

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Resposta #8 Online: 27 de Junho de 2013, 23:30:08
De uma maneira mais fácil:

O teorema da propagação dos erros diz que o erro total acumulado é o produto dos erros das etapas. Quanto mais etapas , maior o erro e maior a perda de informação, seja na forma que for.

O teorema de Nyquist diz que um sinal deve ser amostrado (sampled) em uma frequencia pelo menos duas vezes maior que a frequencia do sinal que deseja-se digitalizar. Se for menor há perda de informação. Quanto maior a frequencia de amostragem melhor.

Resumindo, para escanear algo que tenha a resolução linear de 320 lpm precisa de um scanner que de no MINIMO 640 lpm.

O problema está em 99% dos casos na etapa de digitalização. Scanner a sério tem que ter ajuste de foco e controle sobre a curvatura do filme (foco variavel durante o scan) ou entao ser um scanner de tambor (drum)
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pauloh

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Resposta #9 Online: 27 de Junho de 2013, 23:58:48
De uma maneira mais fácil:

O teorema da propagação dos erros diz que o erro total acumulado é o produto dos erros das etapas. Quanto mais etapas , maior o erro e maior a perda de informação, seja na forma que for.

O teorema de Nyquist diz que um sinal deve ser amostrado (sampled) em uma frequencia pelo menos duas vezes maior que a frequencia do sinal que deseja-se digitalizar. Se for menor há perda de informação. Quanto maior a frequencia de amostragem melhor.

Resumindo, para escanear algo que tenha a resolução linear de 320 lpm precisa de um scanner que de no MINIMO 640 lpm.

O problema está em 99% dos casos na etapa de digitalização. Scanner a sério tem que ter ajuste de foco e controle sobre a curvatura do filme (foco variavel durante o scan) ou entao ser um scanner de tambor (drum)


Obrigado! Resumiu o que eu disse.

O gráfico abaixo ilustra bem isso. A curva amarela é o MTF de um filme negativo de cinema. A curva azul é o MTF do scanner (ARRISCAN com resolução 4K). A curva vermelha é o MTF da imagem digitalizada. Notem que o filme possui uma resolução linear maior que o scanner (o filme acima de 100 ciclos/mm e o scanner uns 84).


« Última modificação: 28 de Junho de 2013, 00:08:30 por pauloh »


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Resposta #10 Online: 28 de Junho de 2013, 09:46:58
Rsrsrsrs.... e ainda querem tirar a minha garrafa de cachaça. Oras, me deixem beber em paz.

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Resposta #11 Online: 28 de Junho de 2013, 10:32:39
Aí vai o pequeno teste que eu fiz. A imagem não é muito boa, pois usei uma lente barata e antiga na câmera digital. Ela inclusive tem um pouco de fungo, o que acaba prejudicando bastante o contraste e a definição. A lente usada no teste foi uma Nikon 28-300mm na posição 28mm, que para mim é a mais nítida. A abertura 5.6 e o tempo de exposição se não me engano foi de 1/6 de segundo. Usei um disparador de cabo na F100. Esse é um crop 100% a 11000 dpi, equivalente a 160MP em 36x24mm. O número indica a frequência em ciclos/mm ou pl/mm.



Abaixo, a imagem completa do teste desenhado. Aquela régua na lateral é para eu poder calcular o tamanho da imagem que seria projetada sobre o filme.




pauloh

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Resposta #12 Online: 28 de Junho de 2013, 10:58:07
Estou postando também a imagem (crop 100%) com outro balanço de cor, um pouco de sharp e com uma resolução menor (5500 dpi), ou seja, 40MP em 35mm (36x24mm).


« Última modificação: 28 de Junho de 2013, 10:59:42 por pauloh »


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Resposta #13 Online: 28 de Junho de 2013, 12:00:08
Resumindo pra quem ainda boiou:

A imagem digitalizada de um filme é muito inferior à imagem que você veria colocando o filme em uma mesa de luz e vendo stravés de uma boa lupa. Muita diferença mesmo.

Qualquer processo de conversão/aquisicão de imagem causa perdas.

Scanners de mesa são quebra galho, mas dão resultados aceitáveis a partir de negativos/diapositivos de medio formato. Para 35mm são sofríveis, pode até ser o Epson V750...


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