Autor Tópico: Crítica fotográfica  (Lida 11337 vezes)

Ivan de Almeida

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Online: 11 de Setembro de 2006, 22:28:13
A partir de críticas que tive em fotos minhas, gostaria de abrir esse debate:

O que é uma crítica a uma fotografia?

Mais especificamente, gostaria de propor a seguinte cadeia de perguntas:

1) Toda fotografia deve ser ciritcada no sentido de encontrar defeitos?

2) O crítico deve ser capaz de separar sua prefer~encia fotográfica e estética da crítica que faz?

3) Toda crítica é válida?

4) O criticado deve levar em consideração toda crítica ou não?

5) Qual o critério para separa o joio do trigo?

6) Quais os elementos que são digamos a parte objetiva das críticas?

 


Alex Biologo

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Resposta #1 Online: 11 de Setembro de 2006, 22:55:55
Bom Ivan, acho que esse tópico é bastante interessante, vamos por partes

Eu encaro a crítica como qualquer informação sobre algo, no caso da foto, sobre a foto, e como sempre carregada de informação pessoal, acho impossível se criticar algo (ainda mais arte) sem uma forte carga de idéias pessoais., vamos ver agora pergunta a pergunta

1) Não vejo a crítica como encontrar defeitos, mas sim como falar a leitura que se faz, procurando dizer exatamente a linha de raciocínio que se teve, o apontar possíveis "falhas" nada mais é do que mostrar outras alternativas e principalmente  propor coisas novas a quem fez a obra

2) Ivan, isso depende muito da crítica, quando a crítica é profissional, o crítico fala sim de suas preferências e aliás ao fazer a crítica sempre esdcolhemos padrões de comparação e é a partir destes que tecemos nossos comentários

3) Se a crítica for dada como forma de se iniciar uma discussão saudável, com certeza é válida. A questão é pra crítica poder ser válida depende também de quem recebe a crítica.

4) Eu levo em consideração todas as críticas, quando ouço um não gostei, procuro saber pq e me atendo aos detalhes, levar a crítica a sério não é mudar a sua forma de fazer, mas sim fazer com que seu trabalho tenha sentido a partir do momento que interage com quem o vê, isso é claro se o trabalho for concebido como expressão artística.

5) Não existe separação, tudo deve ser levado em conta, ou vc faz algo que só deve ter ressonância numa parcela diminuta da população e só mostra seu trabalho pra esse pessoal, ou então aceita que seu trabalho vai ser lido e transformado pelo olhar do outro e respeita isso, procurando entender todo o ruído da comunicação que levou seu trabalho a ser entendido de forma errada. Acho que a partir do momento em que mostramos algo para o público estamos a mercê de críticas e estas críticas podem nos levar a caminhos totalmente diferentes do esperado. é claro que é muito melhor um não gostei devido a isso, do que um não gostei e ponto final.

6) A parte objetiva está naquilo que de certa forma possui regras. no caso da foto: fotometria (a mensagem transmitida teve o apoio da medição de luz escolhida?), composição (as estratégias apresentadas não são conflitantes? surgiu algo interessante na foto? algum elemento atrapalha a harmonia?) e em menor escala, a própria mensagem transmitida, o restante é puramente emocional.

Como disse antes, acho que ao mostrar qualquer coisa que tenha feito para qualquer pessoa já me coloco aberto a críticas e na verdade as espero, como forma avaliar e melhorar um trabalho.
Alex Martins dos Santos - São Paulo/SP
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Guto Marc

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Resposta #2 Online: 11 de Setembro de 2006, 22:57:28
Eu acho que uma resposta só é válida para sua pergunta:

Tudo depende de quem recebe a crítica.
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Resposta #3 Online: 11 de Setembro de 2006, 23:07:08
Minhas concepções.

1) Apenas as fotos utilitárias, que servem a algum propósito. Essas fotos geralmente são regidas por normas relativas ao seu uso posterior. Uma foto publicitária, por exemplo, precisa obedecer à sua utilidade. Em outros casos, encontrar defeitos significa impor ao autor uma referência subjetiva.

2) Precisar, não precisa. O crítico pode falar o que bem entender. Agora, quando é capaz de separar "o que eu faria" de "o que o outro faz", a crítica é mais útil para ambos.

3) Em relação à análise da foto em si, não necessariamente. Mas acredito que toda manifestação desse tipo revela referências, preconceitos e ideais que podem render debates interessantes, se proporcionarem uma tomada de consciência tanto para o crítico como para o criticado.

4) Se a crítica é feita a partir de um referencial fechado do crítico e o debate não evolui, a crítica corre o risco de perder o sentido e pode ser desconsiderada.

5) Críticas boas são aquelas que levam em consideração não apenas a relação observador-foto, mas todos os outros aspectos anteriores e posteriores que já citei. O crítico bom é aquele que pode explicar sua própria crítica em relação a aspectos de história pessoal e formação, entre outras coisas. Ou seja, a boa crítica é aquela que faz uma leitura consciente de seus próprios vieses.

6) Não sei se é possível uma crítica totalmente objetiva. Talvez a observação dos aspectos técnicos da foto. Paradoxalmente, acredito que uma certa objetividade pode ser dar através da "leitura" da foto, ou seja, do relato da própria percepção, apesar de isso já ser subjetivo. A interpretação da foto conterá uma subjetividade exponencial, uma vez que utilizará a percepção, já subjetiva, para basear concepções anteriores.
« Última modificação: 11 de Setembro de 2006, 23:08:17 por RFP »


Thiago Sigrist

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Resposta #4 Online: 11 de Setembro de 2006, 23:19:12
Pôxa Ivan, você é o cara que faz as perguntas difíceis por aqui... Heheheheh...

No fundo, concordo com o Alex, no sentido que considero ser uma crítica qualquer coisa que se deseje dizer sobre uma foto. Apesar disso, é um fato que a palavra crítica costuma ser usada com sentido negativo, isto é, o de desaprovação, de apontar defeitos mesmo.

No geral, só me preocupam mesmo as críticas virtuosas, aquelas em que o crítico percebe faltar ao autor algum conhecimento ou experiência ou qualquer coisa que esteja limitando a consciência plena do processo criativo.

Boas críticas, mas as boas mesmo, são aquelas que ajudam o fotógrafo a crescer. Mas elas têm o sério problema de ser difíceis de fazer, além de demoradas... E muitas vezes não temos tempo nem paciência de fazê-las, dado o bombardeio de posts, a sobrecarga de informação que a internet proporciona.

Por esses motivos é que eu mesmo não faço muitas críticas por aqui!

Abraços!

 -- thiago
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Ivan de Almeida

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Resposta #5 Online: 11 de Setembro de 2006, 23:38:10
Bem, eu mesmo vou responder a mim mesmo, considerando o primeiro post apenas um lançamento de assunto e me engajando no processo de responder como os demais colegas.

-----------------------------

1) Toda fotografia deve ser ciritcada no sentido de encontrar defeitos?

Não, absolutamente. Acho que o principal da crítica é observar se a fotografia ou qualquer outra obra tem uma idéia-presidente evidente e se os demais elementos estão subordinados a essa idéia. Minhas críticas são sempre a partir desta identificação da idéia-presidente, e se esta é o suficientemente definida não creio que seja importante observar mais nada. Se ela foi insuficientemente perseguida, isso é um elemento a se apontar.




2) O crítico deve ser capaz de separar sua preferência fotográfica e estética da crítica que faz?

No mais possível sim. Considero especialmente sem sentido críticas do tipo "eu faria assim ou assado", pois evidenciam a incapacidade do crítico de separar-se da ação de criticar e também evidencia certa incapacidade de lidar com a alteridade. Necesariamente os outros fazem diferentemente de nós, e aceitar isso é essencial, do contrário a crítica não é crítica, mas mera manifestção do ego do crítico.




3) Toda crítica é válida?

De forma alguma. Todos temos lembrança de pessoas que falam a respeito de desenhos do Picasso "meu sobrinho de três anos faz igualzinho!". Evidentemente tal crítica é irrelevante. Embora todos possam manifestar o gostei-não gostei, as críticas não devem ser todas levadas em consideração, nem mesmo se forem elogiosas.



4) O criticado deve levar em consideração toda crítica ou não?

Obviamente não. Feve levar em consideração somenta as criticas que mostrem mínima compreensão da abordagem em sua especificidade. Quem aceita qualquer crítica fica sem referencial.



5) Qual o critério para separa o joio do trigo?

Normalmente a crítica útil contém uma análise e não somente uma expressão de gosto. A crítica útil também não reduz uma obra qualquer a um só elemento, mas contempla o todo. A crítica a apenas um elemento de uma obra já em si denota ser análise tosca.



6) Quais os elementos que são digamos a parte objetiva das críticas?

Paradoxalmente, como bem mostrou o Rodrigo, o simples gostei ou não gostei tem certo grau de objetividade por denotar uma recepção da obra. Mas além disso há uma observação dos meios técnicos e da relação entre a intenção (a tal idéia-presidente) e os meios com que foi perseguida. Nesse sentido os meios técnicos tornam-se obetivos em relação à intenção maior.


Acrscento que fotografia não é uma obra aberta, e não cabe ao crítico aperfeiçoar a foto. Pode falar da relação entre intenção e meios, mas não inventar aperfeiçoamentos, pois isso é romper a barreira autor-crítico, que é palpável. O crítico antes de tudo tem de, para fazer uma c´ritica útil, abandonar completamente o desejo de co-autoria. Talvez o mais danoso viés da cr´tica seja este desejo, que a torna sempre inútil..
 


Ivan de Almeida

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Resposta #6 Online: 11 de Setembro de 2006, 23:53:16
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Eu acho que uma resposta só é válida para sua pergunta:

Tudo depende de quem recebe a crítica.
É o mesmo que dizer que toda crítica é válida e que o problema são os criticados  e como toda afirmação totalizante, não pode ser verdadeira.


A questão, Guto, é que criação não é democracia. Criação é o ato de uma personalidade definida, e essa personalidade cria a partir de suas idiossincrasias, não a partir do gosto comum.


Quem não preza suas idiossincrasias não é um criador, é no máximo um repetidor hábil. Quem só produz para agradar a todos não é um criador.


 


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Resposta #7 Online: 11 de Setembro de 2006, 23:53:24
Ivan, não concordo.
Crítica existe para ser difundida. Você pode gostar ou não.....você pode absorver ou não.
Depende do seu bom-senso, da sua maturidade, do seu grau de satisfação e do seu ego.
Um artista se for fazer sua obra para ser admirada somente do jeito que ele pensou e elaborou, deixa de ser um artista e passa a ser um matemático. A essência da arte é a interpretação pessoal. Tolher a crítica é quebrar um paradigma artístico. O artista que quer então que sua obra seja admirada única e exlusivamente do jeito que ele pensou em sua concepção deve então providenciar um "manual da obra". Ficaria estranho, não ?
Para mim, a explicação do "faria desta forma" que você condenou é justamente a base para troca de experiências, e fechar isso é extremamente prejudicial. Pq não pode haver debate ? Pq o que o outro enxerga ou "quer fazer" deve ser ignorado ? Só porque não é ele o autor ? Eu gosto muito quando nas minhas fotos as pessoas criticam dizendo como elas fariam, pois isto enriquece minha visão ao permitir enxergar a minha imagem com os olhos e composições alheios.
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Resposta #8 Online: 11 de Setembro de 2006, 23:57:56
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Eu acho que uma resposta só é válida para sua pergunta:

Tudo depende de quem recebe a crítica.
É o mesmo que dizer que toda crítica é válida e que o problema são os criticados  e como toda afirmação totalizante, não pode ser verdadeira.


A questão, Guto, é que criação não é democracia. Criação é o ato de uma personalidade definida, e essa personalidade cria a partir de suas idiossincrasias, não a partir do gosto comum.


Quem não preza suas idiossincrasias não é um criador, é no máximo um repetidor hábil. Quem só produz para agradar a todos não é um criador.
Ivan, você respondeu enquanto eu escrevia....rs.....vou complementar: vc está misturando as coisas.
A criação não é uma democracia, mas sua admiração ou crítica é.
A partir do momento que você expõe sua criação, liberta a obra a críticas.
E no mesmo instante que você quer "filtrar" as críticas, coloca-se em um patamar acima dos "seres comuns". Então não entendo o motivo da criação artística exposta. Ou cria-se para realização pessoal e não mostra para ninguém, ou cria-se para realização pessoal e coletiva e compartilha suas experiências com todos. Isso inclui as críticas e elogios.
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Resposta #9 Online: 12 de Setembro de 2006, 00:04:55
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Ivan, não concordo.
Crítica existe para ser difundida. Você pode gostar ou não.....você pode absorver ou não.
Depende do seu bom-senso, da sua maturidade, do seu grau de satisfação e do seu ego.
Um artista se for fazer sua obra para ser admirada somente do jeito que ele pensou e elaborou, deixa de ser um artista e passa a ser um matemático. A essência da arte é a interpretação pessoal. Tolher a crítica é quebrar um paradigma artístico. O artista que quer então que sua obra seja admirada única e exlusivamente do jeito que ele pensou em sua concepção deve então providenciar um "manual da obra". Ficaria estranho, não ?
Para mim, a explicação do "faria desta forma" que você condenou é justamente a base para troca de experiências, e fechar isso é extremamente prejudicial. Pq não pode haver debate ? Pq o que o outro enxerga ou "quer fazer" deve ser ignorado ? Só porque não é ele o autor ? Eu gosto muito quando nas minhas fotos as pessoas criticam dizendo como elas fariam, pois isto enriquece minha visão ao permitir enxergar a minha imagem com os olhos e composições alheios.

Guto, desculpe-me, mas não é assim. Veja, toda arte tem campos de especificidade e toda arte tem um público treinado para ela. Só na arte-pop é que o público é treinado pela mero conviver em sociedade.

Já disse várias vezes isso. Peque uma pintura de um pintor de rua e pegue uma pintura do Mabe. Peça para 50 transeuntes dizerem qual é melhor, e 49 dirão que a boa é a do pintor de rua com a cara enrugada do velhinho de cachimbo. Olha que pegue um artista abstrato fácil de gostar, que é o Mabe, pois se pegar um realmente espc´cifico a proporção vai a 1/1000.

mas cá entre nós, para a história da arte o pintor do velhinho de cachimbo é irrelevante. Se voc~e igualar toda a crítica, estará igualando a crítica do cara que nunca se preocupou com arte com a crítica do público formado no assunto.

A partir de certo patamar a contemplação artística exige do observador uma formação.

Um músico de música concreta não pode dar sequer atenção a um ouvinte mediano que diga que sua música é esquisita, do contrário ele sucumbiria e faria música-pop.

Não, Guto, as c´riticas não são todas válidas. Não se pode achar que o cara que acabou de ouvir falar de flash de enchimento e critica todas as fotos dizendo que deveria ter sido usado flash de enchimento (já li dúzias disso) deva ser levado a sério.
« Última modificação: 12 de Setembro de 2006, 00:06:11 por Ivan de Almeida »


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Resposta #10 Online: 12 de Setembro de 2006, 00:09:58
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E no mesmo instante que você quer "filtrar" as críticas, coloca-se em um patamar acima dos "seres comuns".

Isso parece ser a grande "fantasia". É claro que temos de filtrar as cr´ticas. Não se trata de se achar superior, mas de meramente entender que há uma assimetria de formação no mundo, e que essa assimetria de formação produz críticas assimétricas.

Você não acha que quando os impressionistas criaram o impressionismo eles estavam exatamente dizendo aos tradicionalistas (grande maioria) que os recusamvam euq não achavam válidas as críticas deles?

O voc~e acha que alguém faz alguma coisa que saia do feijão com arroz sem ouvir críticas medianas e conservadoras?

Dando importãncia a qualquer crítica o mundo não roda.


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Resposta #11 Online: 12 de Setembro de 2006, 00:13:52
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Ivan, não concordo.
Crítica existe para ser difundida. Você pode gostar ou não.....você pode absorver ou não.
Depende do seu bom-senso, da sua maturidade, do seu grau de satisfação e do seu ego.
Um artista se for fazer sua obra para ser admirada somente do jeito que ele pensou e elaborou, deixa de ser um artista e passa a ser um matemático. A essência da arte é a interpretação pessoal. Tolher a crítica é quebrar um paradigma artístico. O artista que quer então que sua obra seja admirada única e exlusivamente do jeito que ele pensou em sua concepção deve então providenciar um "manual da obra". Ficaria estranho, não ?
Para mim, a explicação do "faria desta forma" que você condenou é justamente a base para troca de experiências, e fechar isso é extremamente prejudicial. Pq não pode haver debate ? Pq o que o outro enxerga ou "quer fazer" deve ser ignorado ? Só porque não é ele o autor ? Eu gosto muito quando nas minhas fotos as pessoas criticam dizendo como elas fariam, pois isto enriquece minha visão ao permitir enxergar a minha imagem com os olhos e composições alheios.

Guto, desculpe-me, mas não é assim. Veja, toda arte tem campos de especificidade e toda arte tem um público treinado para ela. Só na arte-pop é que o público é treinado pela mero conviver em sociedade.

Já disse várias vezes isso. Peque uma pintura de um pintor de rua e pegue uma pintura do Mabe. Peça para 50 transeuntes dizerem qual é melhor, e 49 dirão que a boa é a do pintor de rua com a cara enrugada do velhinho de cachimbo. Olha que pegue um artista abstrato fácil de gostar, que é o Mabe, pois se pegar um realmente espc´cifico a proporção vai a 1/1000.

mas cá entre nós, para a história da arte o pintor do velhinho de cachimbo é irrelevante. Se voc~e igualar toda a crítica, estará igualando a crítica do cara que nunca se preocupou com arte com a crítica do público formado no assunto.

A partir de certo patamar a contemplação artística exige do observador uma formação.

Um músico de música concreta não pode dar sequer atenção a um ouvinte mediano que diga que sua música é esquisita, do contrário ele sucumbiria e faria música-pop.

Não, Guto, as c´riticas não são todas válidas. Não se pode achar que o cara que acabou de ouvir falar de flash de enchimento e critica todas as fotos dizendo que deveria ter sido usado flash de enchimento (já li dúzias disso) deva ser levado a sério.
Ivan, mas aí é simples: o artista só deve divulgar sua obra, circular e se relacionar com os "do meio", pois assim só receberá críticas baseadas na técnica.
Isso acaba transformando a arte numa ciência exata.  
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Resposta #12 Online: 12 de Setembro de 2006, 00:23:25
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Ivan, mas aí é simples: o artista só deve divulgar sua obra, circular e se relacionar com os "do meio", pois assim só receberá críticas baseadas na técnica.
Isso acaba transformando a arte numa ciência exata.

Se for observar, nas artes termina havendo isso mesmo.

Não são críticas baseadas na técnica, Guto, mas, cá entre nós, quantas pessoas voc~e conhece que são capazes de ouvir uma obra do John Cage e gostar? Não se gosta do Cage pela técnica, mas pela educação do ouvido para lidar com outras sonoridades.

Você acha que isso é problema do John Cage? Né não...

Agora, quantas pessoas são capazes de ouvir o Capital Inicial e gostar? Muito mais não é verdade? Mas e daí? isso faz do Capital melhor que o Cage? O Cage deveria fazer pop para ser popular? Ser popular é a medida da excelência artística?

 


Alex Biologo

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Resposta #13 Online: 12 de Setembro de 2006, 00:39:12
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E no mesmo instante que você quer "filtrar" as críticas, coloca-se em um patamar acima dos "seres comuns".

Isso parece ser a grande "fantasia". É claro que temos de filtrar as cr´ticas. Não se trata de se achar superior, mas de meramente entender que há uma assimetria de formação no mundo, e que essa assimetria de formação produz críticas assimétricas.

Você não acha que quando os impressionistas criaram o impressionismo eles estavam exatamente dizendo aos tradicionalistas (grande maioria) que os recusamvam euq não achavam válidas as críticas deles?

O voc~e acha que alguém faz alguma coisa que saia do feijão com arroz sem ouvir críticas medianas e conservadoras?

Dando importãncia a qualquer crítica o mundo não roda.
Ivan, essa sua afirmação me fez pensar.

Veja quando vc ouve a crítica e a aceita a ponto de achá-la interessante se modifica a partir dela, não? o Expressionismo não foi isso? Veja os tradicionalistas pregavam uma coisa que alguns artistas viam de forma oposta, vc acredita que sem a crítica contrária eles teriam feito o movimento chegar onde chegou?

Eu acho pouco provável, afinal quando se é questionado busca-se sempre melhorar e a melhora não necessariamente vai na direção da crítica, a partir do momento em que se fecham os ouvidos para a crítica, faz-se apenas algo para consumo pessoal e não para ser visto e discutido.

Se eu acredito que estou certo, não farei sempre a mesma coisa do mesmo jeito? Ou pelo menos com pouca alteração, afinal a inquietação não existe. Com a crítica boa ou má sempre surge a oportunidade de responder a crítica feita.
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Thiago Sigrist

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Resposta #14 Online: 12 de Setembro de 2006, 00:54:26
Faço coro ao pessoal, dizendo que muitas críticas não só podem como devem ser descartadas!

Vendo as coisas por um viés diferente dos colegas, que mais estão preocupados com arte: imagine uma mãe coruja que tira fotos dos seus bebês e põe na internet, com o maior gosto. Pôxa, tem várias.

Pois bem, eu estaria fazendo um desserviço gigantesco se dissesse a ela que as fotos são ruins, que eu tô cansado de ver foto de bebê daquele jeito, todas iguais e bla bla bla. É um absurdo, é uma crítica totalmente descabida, pois eu estou sendo tirano a ponto de ir contra as intenções que aquela pessoa colocou para sua fotografia.

É como eu disse: a idéia que fica por trás de críticas desse tipo é a tirania de querer, num auge de infantilidade, que toda a fotografia do mundo seja feita para agradar a você. Como sabemos, não é.

Abraços!

 -- thiago
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