Autor Tópico: Sebastião Salgado: "A fotografia deixou de ser memória"  (Lida 655 vezes)

Sunriser

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Online: 26 de Maio de 2014, 21:17:39
Múrcia, 24 mai (EFE).- O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado disse neste sábado no festival Fotogenio, de Mazarrón (Múrcia, Espanha), que a fotografia deixou de ser memória e se tornou apenas uma imagem instantânea.

"Hoje a fotografia em geral mudou. Antes, qualquer um que saía de férias levava sua câmera, trazia as fotos, fazia cópias, as colocava em um álbum e essas fotografias eram fotografias. Eram mostradas aos filhos, dez anos depois já eram um pedacinho de sua história e, 30 anos mais tarde, a memória da família", comentou em entrevista coletiva.

No entanto, na opinião do brasileiro, isso acabou. "90% da fotografia é feita com telefones e fica dentro de uma memória. É uma imagem, mas já não é mais uma fotografia. A fotografia deixou de ser memória. É realmente uma instantânea", declarou.

O homem que se considera "possivelmente uma espécie de dinossauro", que segue neste trabalho "porque as pessoas ainda têm paciência para esperar" suas fotos, afirmou: "Quando você transforma sua vida, junto com as pessoas que fotografa, é como sua casa, sua forma de vida, e não é você quem tira as fotos. São as pessoas que estão diante de você que as oferece, trabalhando juntos".
"Para ser fotógrafo é preciso ser fotógrafo. Muita gente não consegue. É preciso sentir o enorme prazer de estar ali, de trabalhar como fotógrafo. Como jornalista é um sacrifício muito forte. É preciso ter esse prazer de passar horas e horas construindo sua imagem", explicou.

O fotógrafo brasileiro oferecerá esta tarde uma conferência sobre "Genesis", seu último trabalho, na oitava edição do festival, com cerca de mil pessoas na plateia. EFE

Fonte: https://br.noticias.yahoo.com/sebasti%C3%A3o-salgado-fotografia-deixou-ser-mem%C3%B3ria-162737965.html



mbennert

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Resposta #1 Online: 27 de Maio de 2014, 09:39:13
E dá para discordar? Não pq só "O Sebastião Salgado" que falou... mas até mesmo a gente que vive fotografia, não só no trabalho, mas no dia a dia da gente, não imprime as fotos!
Passei 6 meses nos EUA e tenho umas 10 mil fotos de lá... não tenho nenhuma impressa.... vergonha! Tenho mais de 5 mil fotos da minha filha de um ano e meio... e impressa "só" umas 300, graças a minha esposa!  Já é bastante, mas não chega a 10%! :(
Fuji X-T20 (x2) / Canon FTb
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Hoogle

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Resposta #2 Online: 27 de Maio de 2014, 10:57:46
Eu discordo.

Dizer que fotografia digital deixou de ser memória só por que é vista em outro meio? Isso não faz sentido.

Em muitos quesitos, o meio digital é até mais ligado à memória que o meio físico.

A fotografia digital é replicável. Torna mais fácil compartilhar momentos.
Sua mãe quer uma cópia daquela foto bonita das férias? Ok, aí vai uma cópia.
Seus parentes estão lá no Japão e você não os vê a muito tempo? Sem problema, manda uma foto por e-mail.
Esqueceu o álbum em casa? Tem no facebook. Junta o povo para todo mundo poder ver aqui nessa TV bem grande.

A fotografia digital é durável. Enquanto a impressão é comida por traças, ou se vai embora em um incêndio,
os arquivos digitais estão lá, firmes e fortes nos servidores redundantes do Flickr, Dropbox, ou qualquer outro serviço,
e ainda posso ter cópias em mídia física, e até mesmo imprimir quantas vezes quiser sem perda de qualidade.

A fotografia digital é acessível.
E daí que é feita com celular? E daí que é vista só pela tela do computador?
Se é isso ou nada, melhor ter isso, não?
Um registro é mais memória que nenhum registro.

A fotografia não deixou de ser memória.
Foi a memória que acompanhou o tempo e mudou de formato.
« Última modificação: 27 de Maio de 2014, 11:02:47 por Hoogle »


ordenalfabetix

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Resposta #3 Online: 27 de Maio de 2014, 18:46:57
Eu discordo.

Dizer que fotografia digital deixou de ser memória só por que é vista em outro meio? Isso não faz sentido.

Em muitos quesitos, o meio digital é até mais ligado à memória que o meio físico.

A fotografia digital é replicável. Torna mais fácil compartilhar momentos.
Sua mãe quer uma cópia daquela foto bonita das férias? Ok, aí vai uma cópia.
Seus parentes estão lá no Japão e você não os vê a muito tempo? Sem problema, manda uma foto por e-mail.
Esqueceu o álbum em casa? Tem no facebook. Junta o povo para todo mundo poder ver aqui nessa TV bem grande.

A fotografia digital é durável. Enquanto a impressão é comida por traças, ou se vai embora em um incêndio,
os arquivos digitais estão lá, firmes e fortes nos servidores redundantes do Flickr, Dropbox, ou qualquer outro serviço,
e ainda posso ter cópias em mídia física, e até mesmo imprimir quantas vezes quiser sem perda de qualidade.

A fotografia digital é acessível.
E daí que é feita com celular? E daí que é vista só pela tela do computador?
Se é isso ou nada, melhor ter isso, não?
Um registro é mais memória que nenhum registro.

A fotografia não deixou de ser memória.
Foi a memória que acompanhou o tempo e mudou de formato.

Ótimo raciocínio, concordo plenamente.

Inclusive escaneei todas as fotos de família... trabalhão enorme (porque era foto que não acabava mais e escaneei na resolução máxima do scaner). Agora tá tudo em meio digital.

Abraço
Ordenalfabetix
____________________________
Nikon D800, D7000, Nikkor AF-S 24-70mm f/2.8G ED, AF-S VR 70-300mm f/4.5-5.6G IF-ED, AF-S 85mm f/1.8G, Sigma 17-50mm f/2.8 EX DC OS HSM, Metz Mecablitz 52 AF-1
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edugandolfe

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Resposta #4 Online: 27 de Maio de 2014, 18:49:54


Quando eu era criança eu ia na casa de minhas tias, ou avós e ao sentar no sofá não dava 20 minutos estávamos vendo os lindos álbuns de família, impressos com as melhores fotos, comendo bolinho de chuva com açúcar salpicado. Isso é memória e deve ser a memória que o mestre Salgado está dizendo.

Eu imagino a situação de quando eu morrer, meus netos e bisnetos vão ter álbuns lindos para serem guardados e revistos, mesmo que guardados num armário velho. Imagino também que se eu não fizer isso, meus bisnetos vão perder meus arquivos digitais que estava em uma HD que se queimou ou foi formatada, aquele Flickr do vovô não está mais no ar...acabou.

A quantidade de fotos que consideramos lindas hoje excede o tempo e dinheiro para imprimi-las, assim, penso em fazer 3 álbuns onde a cada período, vou alimentando-o com fotos, um com família, outro com viagens e outro com fotos diversas que gosto...

Mas até aonde vai a importância disso eu não sei...são poucos que se importam hoje com uma foto de qualidade, vejo casos no Face onde "até choram" por fotos de celular a noite, extremamente granuladas, sendo assim...não sei o que é certo ou errado, eu sei o que eu quero guardar pra mim e fazer de tudo para perpetuar meu nome e minha história na minha passagem.







spositom

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Resposta #5 Online: 27 de Maio de 2014, 23:50:58
Melhor que um ou outro, são os dois :D

Nada como o ritual de ver as fotos com amigos/família (as vezes não são os mesmos) :shock:

Em casa o véio é o rei do cromo, só slide, o barulho do ventilador, a molecada brincando com a sombra do ultimo buraco do carrossel... to quase chorando aqui. :) :) :)

Por outro lado é muito bom rever amigos, fotos, passeios,eventos que estão distantes e sem o arquivo digital isso seria muito mais difícil, cada qual tem o seu espaço e o profissional tem que saber a diferença de usar um e outro


Raphael Sombrio

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Resposta #6 Online: 28 de Maio de 2014, 10:45:22
Eu discordo.

Dizer que fotografia digital deixou de ser memória só por que é vista em outro meio? Isso não faz sentido.

Em muitos quesitos, o meio digital é até mais ligado à memória que o meio físico.

A fotografia digital é replicável. Torna mais fácil compartilhar momentos.
Sua mãe quer uma cópia daquela foto bonita das férias? Ok, aí vai uma cópia.
Seus parentes estão lá no Japão e você não os vê a muito tempo? Sem problema, manda uma foto por e-mail.
Esqueceu o álbum em casa? Tem no facebook. Junta o povo para todo mundo poder ver aqui nessa TV bem grande.

A fotografia digital é durável. Enquanto a impressão é comida por traças, ou se vai embora em um incêndio,
os arquivos digitais estão lá, firmes e fortes nos servidores redundantes do Flickr, Dropbox, ou qualquer outro serviço,
e ainda posso ter cópias em mídia física, e até mesmo imprimir quantas vezes quiser sem perda de qualidade.

A fotografia digital é acessível.
E daí que é feita com celular? E daí que é vista só pela tela do computador?
Se é isso ou nada, melhor ter isso, não?
Um registro é mais memória que nenhum registro.

A fotografia não deixou de ser memória.
Foi a memória que acompanhou o tempo e mudou de formato.

 :clap: :clap:


Luciano.Queiroz

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Resposta #7 Online: 28 de Maio de 2014, 11:13:09
Concordo com o Salgado...

Não acho que algum dia o digital será melhor que o analógico para a tal "memória" que é questionada. Pelo menos em memória de longo prazo!

É claro que muitos daqui tem backup de seus arquivos em vários locais, etc, etc, etc... Mas não dá pra generalizar! A imensa maioria da população mundial tem a foto instantânea somente.. O arquivo se perde quando estraga (ou é perdido/ roubado o celular), quando estraga cartão de memória, quando pega vírus no PC, etc.. tudo vai embora. É raro achar alguém que tem backup organizado de tudo que é digital.

Tenho fotos de família com 60 anos ou mais impressas em papel e guardadas sem nenhum cuidado dentro de caixas de sapato. E estão lá, firmes e fortes. Se fossem bem cuidadas então estariam perfeitas. Guarde um arquivo digital hoje por 15 ou 20 anos esquecido em algum HD e talvez nem consiga mais abrir o arquivo no futuro por causa da mudança de tecnologias.

Quero ver alguém ter minhas fotos digitais 10 anos depois que eu morrer. Backup nas nuvens? quem tem a cesso a isso se eu não estiver aqui? Flickr, 500px, e esses sites de arquivamento, quem da família conseguirá acesso a isso, ainda mais pela maioria ser em inglês e em sites fora do Brasil?

E não é só com foto. Com tudo que é digital! Não se preserva mais a memória musical, fotográfica, em video, etc.. com algumas exceções, nada disso vai atravessar gerações!

Se não me engano li uma matéria tempo atrás em que o Bruce Willis processava o iTunes, porque ele não conseguia passar pros filhos a coleção de música digital que tinha... (é uma legislação um pouco diferente a compra de licença de uso, mas só pra ilustrar a perda do digital em relação ao meio físico)

Tenho uma amiga que cuida do acervo Memorial de uma família de usineiros da cidade. Certa vez fui visitar o acervo e conversávamos também sobre isso! Tudo do patriarca dessa família é arquivado. As cartas que ele enviava sempre arquivava uma cópia, os negativos e slides de suas viagens, as cadernetas de anotação, agendas, etc... sua história está preservada. E se fosse digital? pouquíssima coisa disso existiria.

Conversando com o proprietário de um laboratório fotográfico aqui na cidade, ele me disse ser impressionante como vem aumentando o volume de impressões fotográficas de um tempo pra cá. Segundo ele, através dos comentários dos clientes, as pessoas estão se dando conta que perderam 10 anos de memória da família! Todos que compraram o digital no finalzinho do século XX e no começo do século XXI, ficou maravilhado com o poder de tirar fotos e não precisar gastar dinheiro com impressão. Só não contavam que esses arquivos iriam se perder e a lembrança de vários momentos ia embora junto.
« Última modificação: 28 de Maio de 2014, 11:18:25 por Luciano.Queiroz »
Luciano Queiroz
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Humberto Yoji

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Resposta #8 Online: 28 de Maio de 2014, 11:23:27
Eu concordo em partes, não seria tão radical, mas o ponto é válido. O digital acabou virando supérfluo, descartável, desvalorizado. A imensa maioria das fotos tiradas hoje são para mero divertimento de alguns segundos ou minutos nas redes sociais. Não ficam, se perdem, são esquecidas, substituídas. E são feitas com esse intuito mesmo, de apenas registrar o momento, compartilhar, e depois se perder.

Claro que tem exceções, principalmente entre nós, fotógrafos. Mas mesmo eu, já perdi muitos arquivos, centenas de fotos que tirei nos meus primeiros anos na fotografia, tudo foi embora, perdido no HD de algum computador que não tenho mais ideia de onde está atualmente. Não imprimi nenhuma delas, não guardei nenhum arquivo, nada, passou. E, o pior de tudo, não me faz falta.

Hoje tenho uma relação bem diferente com a fotografia não-profissional. Eu "economizo" cliques, tiro fotos do que acho que preciso, que merece ser guardado. Pra mim, é o que eu guardo, o que eu copio, reproduzo... Claro que ainda faço cliques apenas por fazer, e esses são os que acabam esquecidos em alguma pasta dentro de um HD antigo.