Autor Tópico: Sobre olhar  (Lida 1748 vezes)

bluebell

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Online: 05 de Agosto de 2015, 06:09:36
Oi, pessoal, tudo bom?
Imagino que deve haver discussões parecidas já no fórum, mas como não vi nenhuma recente, gostaria de propor algumas perguntas a vocês a respeito de olhar fotográfico.
Sei que as perguntas não têm respostas certas e erradas, e é justamente por isso que eu gostaria de saber as respostas de cada um e ter uma ideia de como funciona a "mente fotográfica" de vocês. :D
As perguntas são as seguintes:
O que você considera ser, ou como definiria, o que chamam de olhar fotográfico? Você acha que esse olhar pode ser treinado/aprimorado/desenvolvido? Se sim, como? E como você treina/aprimora/desenvolve o seu?
Eu tenho minhas respostas para cada pergunta, mas conhecer um pouco do processo criativo de outros fotógrafos creio que é sempre enriquecedor para o nosso próprio.
É isso! Espero que consigam tomar um tempinho para responder e obrigada desde já!


pkawazoe

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Resposta #1 Online: 05 de Agosto de 2015, 15:08:32
Eu considero esse tal olhar fotográfico mais como percepção
“ver” sempre foi uma questão muito complexa e como vemos é algo particular de cada pessoa,
depende muito mais  de “quem somos” do que “o que queremos”
ok, eu explico isso….

eu acredito que colocamos um pouco nós em cada foto que fazemos,

e para fazer esta foto é preciso ter conhecimento técnico, repertório, experiência, imaginação,
estado de espirito e inspiração, talvez uma outra coisa aqui e ali……
eu poderia falar de cada item que coloquei mas o repertório é algo que merece atenção
pq não fotografamos com os olhos, nos fotografamos com o cérebro
e é preciso alimenta-lo com muita pintura, escultura, desenho, filmes, literatura, musica, fotos de diversas linguagens, etc, etc e etc….tudo que possa mudar constantemente nosso conceito de mundo, nossa visão sobre realidade.

mas as vezes não conseguimos o que queremos, pq nos falta a técnica, ou a experiência ou
simplesmente estamos entediados quando saímos para fotografar ou temos que dar atenção
as pessoas que estão conosco, etc….

e as vezes não conseguimos ver, talvez nós somos cegos para algumas coisas, e aprender a enxergar leva mais tempo que aprender a ler….
nos temos uma relação com o mundo verbal muito mais forte que mundo visual
por exemplo quando vc vê uma cadeira, seu cérebro associa com a palavrava quase que imediatamente, mas uma cadeira antes de ser cadeira é forma, volume, cor, linhas….
então quando fotografamos estamos muito mais ligados aos significado dos objetos do que
a forma dos objetos em si….
não que os significados (mesa, cadeira, etc) não tenham importância, eles têm….
mas uma imagem é composta por outros conceitos além destes…..

e alguém com olhar mais atento e experiente sempre nota quando temos sucesso ou falhamos
na intenção da nossa fotografia.
pq ver tbm é compreender, seja a técnica, a linguagem, contexto.

então, o tal olhar fotográfico é tão complexo quanto uma pessoa pode ser…. :ok:


Maneco Pizarro

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Resposta #2 Online: 05 de Agosto de 2015, 16:00:26
Tentando ajudar, copiei e colei abaixo, o que está no Blog de Michel Teo Sin

https://michelteosin.squarespace.com/blog/2015/5/31/como-melhorar-o-seu-olhar-fotografico


Como melhorar o seu olhar fotográfico?
 


Obviamente uma das qualidades dos fotógrafos é o olhar mas o que não é tão óbvio é que a forma que as pessoas vêem as coisas muda de acordo com a sua educação, cultura, experiências vividas, ambiente, estado físico e mental. Vemos imagens mais por causa do nosso cérebro do que os olhos, não é a toa que a origem/raiz da palavra imaginação é imagem.

No lado fisiológico, de acordo com Emily Balcetis, o que realmente nossos olhos vêem com nitidez é a área central da nossa visão equivalente ao nosso polegar com o braço esticado na nossa frente. O resto da área do nosso campo de visão é o que o nosso cérebro interpreta em cima manchas visuais e do “scan” do ambiente que fizemos momentos antes de focar nossa visão em algo.

Já no lado psicológico, ainda de acordo com Balcetis, o estado físico e emocional também influenciam a forma que enxergamos as coisas. Um exemplo da pesquisa dela é que pessoas mais motivadas e com melhor condicionamento físico, ao serem questionadas sobre qual a distância de um objeto em relação a elas, chutavam distâncias menores que pessoas não motivadas ou com condicionamento físico pior.

Oliver Sacks, neurologista e escritor, diz que “o ato de ver e olhar não se limita a olhar para fora, não se limita a olhar o visível, mas também o invisível. De certa forma é o que chamamos de imaginação” e “o que vemos é constantemente modificado por nosso conhecimento, nossos anseios, nossos desejos, nossas emoções, pela cultura…”

O que tem muito a ver com o que o cineasta Wim Wenders diz em relação aos livros e filmes:

“O que mais me agradava nos livros era o fato de que aquilo que eles nos davam não se achava apenas dentro deles, mas o que nós crianças, adicionávamos a eles. É o que fazia a história acontecer. Quando crianças, podíamos realmente ler entre as linhas e acrescentar toda a nossa imaginação, nossa imaginação realmente complementa as palavras”

“Quando comecei a assistir aos filmes, era assim que os via. Queria ler entre as linhas, e na época, isso era possível. (…) era possível ler entre as imagens. Atualmente, os filmes são totalmente fechados, enclausurados. Não há mais espaço para inserir o sonho. O que você vê é o que você recebe”

Sabendo disso tudo, onde quero chegar é que a fotografia deve instigar a imaginação, tanto do fotógrafo ao olhar as cenas do seu entorno quanto da pessoa que vê a fotografia. Como uma imagem pode ser interpretada de formas diferentes por cada pessoa por causa da sua experiência de vida, minha dica para melhorar a seu olhar e consequentemente a sua fotografia, é tentar viver cada vez mais experiências diferentes que estimulem a sua mente e corpo. Conheça lugares e pessoas diferentes, tente aprender e fazer coisas novas.

Deixe um pouco de lado as técnicas, notícias e dados de equipamentos fotográficos para observar mais o seu entorno. Numa era onde todos são fotógrafos, o que diferencia você dos outros é a forma que você enxerga o mundo.


C R O I X

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Resposta #3 Online: 05 de Agosto de 2015, 22:01:40
Nao eh um assunto que estou familiarizado mas ja li esse termo aqui e acola.

Mas acredito que a percepcao para a composicao, momento, narrativa e espaco acontecem com a uniao de alguns fatores.

1. Referencias. Ao ter vivenciado perta aproximacao e abordagem visual, vc tende a ter tal abordagem e aproximacao como referencia mesmo que inconcientemente. Ao ver vc sente e sabe como querer abordar pq la no fundo vc registrado em vc referencias.

2. Conhecimentos tecnicos que ajudem a botar em pratica as suas referencias, a sua abordagem, a sua aproximacao.

3. Apratica que dara habilidade motora e mental, e consequentemente o aperfeicoamento e afinidade com a abordagem/aproximacao/narrativa.

4. O mais misterioso e talvez o mais desejavel. O estado mental que permita que vc tenha os seus sentidos, atencao e consequentemente percepcao agucada, independente de tudo acima.


Eu diria que os itens 1 e 4 sao os mais importantes antes de tudo. Com esses dois a pessoa sente menos necessidade ou dependencia dos intens 2 e 3. Repetindo que nao quero dizer que nao dependam ou nao precise dos intens 2 e 3, mas sim sao menos dependentes do exercicio desses para logo desenvolverem o "bom olhar".

O extremo apego ou sentimento de necessidade do item dois eu considero a falta ou dificuldade em resgatar ou obtencao passada dos itens 1 e 4.

Eu falo isso baseado na minha vivencia e reconheco que o mundo eh muito mais abrangente que minha vivencia. Mas no momento o que sei de minha vivencia eh o que tenho para compartilhar.


Para finalizar, eu tambem diria que "bom olhar fotografico" esta relacionado com a relacao mental e emocional da pessoa com o tema, espaco, ambiente, narrativa, experiencia, etc. Relacionado principalmente ao item 1 e 4. Costumam serem os olhares que fazem imagens rica e belas sem necessidade de complexidade ou engenhosidade de apelo visual as cores, formas, tangibilidade, materialidade.

Enquanto que sem esses apego emocional, mental, etc, o olhar passa a ser frio, buscando o arranjo e apelo tecnico, emocional, engenhoso, etc, principalmente as formas, tangibilidade e materialidade, que sao as mais conhecidas formas de apelo  mas nao as unicas.
« Última modificação: 05 de Agosto de 2015, 22:12:44 por C R O I X »


angelo di candia

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Resposta #4 Online: 05 de Agosto de 2015, 22:25:06
o olhar fotográfico é como refletimos a nossa visão do mundo. é fruto de treinamento, mas também de sensibilidade, de erudição, de linguagem e de reflexão.
o olhar, mais que o olhar fotográfico, é como enxergamos o outro a partir das nossas referências pessoais, de caráter, artísticas, culturais, etc..


C R O I X

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Resposta #5 Online: 05 de Agosto de 2015, 22:34:20
O que tem muito a ver com o que o cineasta Wim Wenders diz em relação aos livros e filmes:

“O que mais me agradava nos livros era o fato de que aquilo que eles nos davam não se achava apenas dentro deles, mas o que nós crianças, adicionávamos a eles. É o que fazia a história acontecer. Quando crianças, podíamos realmente ler entre as linhas e acrescentar toda a nossa imaginação, nossa imaginação realmente complementa as palavras”

“Quando comecei a assistir aos filmes, era assim que os via. Queria ler entre as linhas, e na época, isso era possível. (…) era possível ler entre as imagens. Atualmente, os filmes são totalmente fechados, enclausurados. Não há mais espaço para inserir o sonho. O que você vê é o que você recebe”

Sabendo disso tudo, onde quero chegar é que a fotografia deve instigar a imaginação, tanto do fotógrafo ao olhar as cenas do seu entorno quanto da pessoa que vê a fotografia. Como uma imagem pode ser interpretada de formas diferentes por cada pessoa por causa da sua experiência de vida,[...]

Na verdade esse eh o principio da arte. O que torna trabalhos artisticos interessantes, para nao dizer bons, eh o espaco para que o observador possa tambem fazer parte, se aproximar mentalmente e sentimentalmente, inglobando o seu proprio mundo na obra. Eh que faz vermos algo ja conhecido como se fosse a primeira vez, e ao mesmo tempo sentir familiaridade com o que ve pela primeira vez.

O contrario disse seria a evidencializacao de tudo, sem que haja realmente um espaco para o mundo da imaginacao mas somente da admiracao tecnica, ou corrupcao dos sentidos como chamam, ao apelo das formas, materialidade, espaco, cores, emocoes, etc. A obra entao nao te traz o sentimento de familiaridade, de lar, de atemporalidade e indistancia, mas sim o oposto.

Um exemplo simplista disso sao os filmes com muita porrada, explosoes, tiros para todo lado e manobras radicais com um final emocionalmente feliz... Comparado com filmes que exploram o silencio (seja sem trilhas sonoras durante o filme ou cenas rapidas ou com trilha sonora e som ambiente que de espaco ao silencio mental), cenas longas, menos movimentos e sem um final definido.


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Resposta #6 Online: 05 de Agosto de 2015, 22:39:50
o olhar fotográfico é como refletimos a nossa visão do mundo. é fruto de treinamento, mas também de sensibilidade, de erudição, de linguagem e de reflexão.
o olhar, mais que o olhar fotográfico, é como enxergamos o outro a partir das nossas referências pessoais, de caráter, artísticas, culturais, etc..

Em resumo, o visual tambem eh uma linguagem onde tambem se da a narrativa, expressao, abordagem, etc. Compreendendo isso e deixando de lado a tendencia da tecnicidade vazia, fria e muda que muitos seguem, ja eh um grande passo.


spiderman

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Resposta #7 Online: 05 de Agosto de 2015, 22:48:51
Muito legal o tópico e as respostas dos colegas.
Acho que tudo que já foi dito é extremamente aproveitável. Dá pra perceber que cada um tem a sua maneira de desenvolver esse olhar fotográfico. Como também há diversas interpretaçoes do que contempla um olhar desenvolvido.
Creio que se há uma verdade é a de que o olhar fotográfico funciona diferentemente do nosso olhar convencional. Ou seja, aquilo que é belo por trás da camera diverge daquilo que é belo a olho nu.
A diferença entre aquele que possui o olhar fotográfico e aquele que nao o possui é a compreensao, de fato, de que na fotografia existe uma outra percepçao sobre a beleza. A partir daí começa-se a enxergar o mundo sobre outra ótica. O equipamento fotográfico nao é essencial para adquirir essa percepçao. Ou seja, eu posso treinar o meu olhar fotográfico sem nunca sequer ter feito uma só foto. Bem, com essa afirmaçao, pode-se dizer que a prática fotográfica pode ser desprezada nessa caminha. Ela pode funcionar apenas como um facilitador para determinadas pessoas.
Os métodos para o desenvolvimento do olhar sao particulares a cada individuo, mas tudo passa pela observaçao, análise, reflexao. Trata-se de olhar atentamente, viver o presente e evitar as distraçoes.
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spiderman

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Resposta #8 Online: 05 de Agosto de 2015, 22:55:15
Na verdade esse eh o principio da arte. O que torna trabalhos artisticos interessantes, para nao dizer bons, eh o espaco para que o observador possa tambem fazer parte, se aproximar mentalmente e sentimentalmente, inglobando o seu proprio mundo na obra. Eh que faz vermos algo ja conhecido como se fosse a primeira vez, e ao mesmo tempo sentir familiaridade com o que ve pela primeira vez.

O contrario disse seria a evidencializacao de tudo, sem que haja realmente um espaco para o mundo da imaginacao mas somente da admiracao tecnica, ou corrupcao dos sentidos como chamam, ao apelo das formas, materialidade, espaco, cores, emocoes, etc. A obra entao nao te traz o sentimento de familiaridade, de lar, de atemporalidade e indistancia, mas sim o oposto.

Um exemplo simplista disso sao os filmes com muita porrada, explosoes, tiros para todo lado e manobras radicais com um final emocionalmente feliz... Comparado com filmes que exploram o silencio (seja sem trilhas sonoras durante o filme ou cenas rapidas ou com trilha sonora e som ambiente que de espaco ao silencio mental), cenas longas, menos movimentos e sem um final definido.
Eu acho que essa fronteira aí entre o lazer e a beleza é muito bem definida. Já a fronteira entre o drama e o melodrama, a reflexao e a auto-ajuda, o sentimento e o sentimentalismo demanda certa sutileza.
É a fotografia de espetáculo que tem dominado o mundo.
« Última modificação: 05 de Agosto de 2015, 22:56:34 por spiderman »
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Resposta #9 Online: 05 de Agosto de 2015, 22:57:50
Nao vejo problema nenhum nisso. Desde que se dê nome certo aos bois.
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Resposta #10 Online: 05 de Agosto de 2015, 22:57:52
Muito legal o tópico e as respostas dos colegas.
Acho que tudo que já foi dito é extremamente aproveitável. Dá pra perceber que cada um tem a sua maneira de desenvolver esse olhar fotográfico. Como também há diversas interpretaçoes do que contempla um olhar desenvolvido.
Creio que se há uma verdade é a de que o olhar fotográfico funciona diferentemente do nosso olhar convencional. Ou seja, aquilo que é belo por trás da camera diverge daquilo que é belo a olho nu.
A diferença entre aquele que possui o olhar fotográfico e aquele que nao o possui é a compreensao, de fato, de que na fotografia existe uma outra percepçao sobre a beleza. A partir daí começa-se a enxergar o mundo sobre outra ótica. O equipamento fotográfico nao é essencial para adquirir essa percepçao. Ou seja, eu posso treinar o meu olhar fotográfico sem nunca sequer ter feito uma só foto. Bem, com essa afirmaçao, pode-se dizer que a prática fotográfica pode ser desprezada nessa caminha. Ela pode funcionar apenas como um facilitador para determinadas pessoas.
Os métodos para o desenvolvimento do olhar sao particulares a cada individuo, mas tudo passa pela observaçao, análise, reflexao. Trata-se de olhar atentamente, viver o presente e evitar as distraçoes.

exatamente, spider...
eu ouso dizer que, ao contrário do que apregoa o senso-comum, deve haver muito de inato no "olhar fotográfico".
treinamos, adequamos ele às coisas que adquirimos na vida, mas deve haver tb algum dom, alguma inspiração e alguma transcendência, que passa ao largo da técnica fotográfica e do aprendizado.
há muito do lado direito do cérebro, não só do lado esquerdo, em cada foto que fazemos.
e que seja assim!




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Resposta #11 Online: 05 de Agosto de 2015, 23:04:35
exatamente, spider...
eu ouso dizer que, ao contrário do que apregoa o senso-comum, deve haver muito de inato no "olhar fotográfico".
treinamos, adequamos ele às coisas que adquirimos na vida, mas deve haver tb algum dom, alguma inspiração e alguma transcendência, que passa ao largo da técnica fotográfica e do aprendizado.
há muito do lado direito do cérebro, não só do lado esquerdo, em cada foto que fazemos.
e que seja assim!
Eu nao acredito nessa de dom nao. Podemos nascer com determinadas características que facilite determinadas práticas, mas nao chega a ser um dom. Acredito muito mais no nosso "favorecimento hereditário". Veja, nao estou falando de genética. Falo daquilo que vem lá de cima, dos nossos descendentes. Algo assim ó: Meu avô desenvolveu sua vida toda o olhar fotográfico. esse transmitiu pro meu pai, que transmitiu pra mim (situaçao hipotética). Mas isso está mais ligado a educaçao do que a genetica em todo caso.
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Resposta #12 Online: 05 de Agosto de 2015, 23:11:58
Outra questao fundamental que acho que o Croix já falou é o quanto isso está ligado a nossa vida como um todo. O nosso olhar fotográfico nao está dissociado daquilo que somos. Nós nao somos um eu dividido em varias partes. Somos um eu completo e indissociável. Náo existe desenvolvimento do olhar sem o desenvolvimento do nosso eu.
Isso ficou muito mais evidente com a arte contemporânea. Nao importa a sua obra mas o que você é. A experiencia pessoal é muito mais cativante do que a produçao daquilo que é belo. É o processo, a vivencia, que importa e nao o resultado final. Isso é viver o presente e nao viver fazendo projeçoes futuras.

http://www.costalara.com/blog/terry/

Certo, ele poderia ter dado milhoes de exemplos melhores, mas o fato de ser ele um ser repugnante nao invalida a tese.
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angelo di candia

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Resposta #13 Online: 05 de Agosto de 2015, 23:28:28
Eu nao acredito nessa de dom nao. Podemos nascer com determinadas características que facilite determinadas práticas, mas nao chega a ser um dom. Acredito muito mais no nosso "favorecimento hereditário". Veja, nao estou falando de genética. Falo daquilo que vem lá de cima, dos nossos descendentes. Algo assim ó: Meu avô desenvolveu sua vida toda o olhar fotográfico. esse transmitiu pro meu pai, que transmitiu pra mim (situaçao hipotética). Mas isso está mais ligado a educaçao do que a genetica em todo caso.

claro.. concordo com vc. na verdade, tb acredito que o meio é o fator que mais influencia, mais que caracteres hereditários, genéticos..
acho q me expressei mal, por usar a palavra "dom", "transcendental", etc.. nem quis passar alguma ideia de espiritualização ou coisa o que valha, pelo contrário (até pq sou um cara da ciência, hehe)
acho mesmo que o "inato" que encontramos na arte em geral tem muito de científico, e foi isso q quis dizer.. são neurotransmissores e caminhos no cérebro, e mesmo no cérebro mais rudimentar que temos, no hipocampo, sistema límbico e hipotalâmico, que pouco entendemos e que pode explicar, p.ex, os gênios da arte que nasceram e cresceram sem ter tido nenhuma formação ou contato prévio com a arte específica que desenvolveram dps, e ainda assim fizeram revoluções. há inúmeros exemplos disso, de einstein a dostoievski, de mozart a rembrandt, de caravaggio a van gogh. se extrapolarmos para nós, reles mortais e em menor escala diante desses "deuses", percebemos que deve haver algo que não entendemos ainda, mas que justifica uma ação inata em como a arte se desenvolve em cada um.
mais ainda, e reforçando, é o que não entendemos ainda e que guarda relação com isso de criatividade, de inquietação, isso que não sabemos direito de onde vem mas que está no íntimo do próprio drama da criação, desde o início dos tempos.
abs,
« Última modificação: 05 de Agosto de 2015, 23:36:50 por angelo di candia »


bluebell

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Resposta #14 Online: 06 de Agosto de 2015, 02:38:54
Gente, gostei muito de praticamente tudo que vocês falaram! É tanta coisa boa, obrigada por tomarem um tempo pra refletirem comigo :D
Eu ia citar aqui as partes que mais gostei, mas vi que ia ficar muita coisa. Acho que todos concordam em certo ponto que o tal do "olhar fotográfico" está fortemente ligado ao que somos, que por sua vez está fortemente ligado ao que vivenciamos, ao que nos é/foi ensinado, ao que consumimos (e me refiro àquilo que alimenta nosso cérebro diariamente - músicas, fotos, livros, filmes, pessoas, etc) e por aí vai. E acredito que esse nosso "eu" está sempre mudando e, se não está, está buscando a mudança. Eu, pelo menos, nunca estou completamente satisfeita com as minhas fotos e espero nunca estar, porque eu nunca quero me satisfazer com o que sou. E também acho que se estamos satisfeitos é sinal de que não queremos evoluir, o que não me parece uma boa ideia, já que acho que sempre teremos no que evoluir. O que eu quero dizer é um complemento a tudo que já foi dito. Quero dizer que eu acho que a gente não vai ter sempre o mesmo olhar fotográfico, mas que ele vai mudando conforme nós mudamos e que essa mudança constante é, para algumas pessoas, inevitável, mas, para todos, necessária.