Autor Tópico: burnt norton, t.s. elliot  (Lida 228 vezes)

angelo di candia

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Online: 16 de Outubro de 2015, 11:33:57
amigos, bom dia.

essa abre uma série de fotos que pretendo iniciar (e mesmo acrescer outras, que já existem) com reflexões sobre o tema "tempo". espero que gostem.

abs,


burnt norton, t.s. elliot by angelo di candia, no Flickr

burnt norton, t.s. elliot (trecho)

time present and time past
are both perhaps present in time future
and time future contained in time past.
if all time is eternally present
all time is unredeemable.
what might have been is an abstraction
remaining a perpetual possibility
only in a world of speculation.
what might have been and what has been
point to one end, which is always present.
(..)
​g​o, go, go, said the bird: humankind
​c​annot bear very much reality.
​t​ime past and time future
​w​hat might have been and what has been
point to one end, which is always present.


pkawazoe

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Resposta #1 Online: 16 de Outubro de 2015, 13:34:42
muito bom,
essa questão da percepção do tempo de algo, alguém ou um objeto,
essa marca no assento tem algo de efêmero, pq no próximo instante ela irá desaparecer,
o vestígio de algum acontecimento, ou resquício de uma memória...
mas outra coisa me chama a atenção, é o "olhar em primeira pessoa"
sua presença é denunciada por esse olhar, angulo baixo, perto e desfoque..
a transitoriedade não é só do assento, mas seu tbm, o seu tempo de perceber que algo aconteceu....




Cristiane Gellert

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Resposta #2 Online: 16 de Outubro de 2015, 14:01:34
Confesso que me falta sensibilidade para entender e apreciar fotos assim.
Sou quase uma ogra: literal até a raiz do cabelo nas minhas fotos.

Mas minha impressão de leiga é de um belo trabalho. Parabéns!
Cristiane Gellert
"Fotografia, uma arte que nos envolve pela surpreendente forma de eternizar o que nosso olhar quer viver para sempre."

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cquevedo

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Resposta #3 Online: 16 de Outubro de 2015, 16:31:35
Muito show... Os detalhes são formidáveis.   :clap: :clap: :clap:  :worship: :worship: :worship:
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Tupiniquim

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Resposta #4 Online: 17 de Outubro de 2015, 16:07:19
Tocante, ainda mais se apreciada em conjunto com o poema!
T3i + Sigma 10-20; Sigma 17-50 f 2.8; Canon 55-250; 50 F 1.8
5D Mark II + 24-105; YN 35; 85 F 1.8; 70-200 f4 USM
580EX II x 2


angelo di candia

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Resposta #5 Online: 19 de Outubro de 2015, 18:20:40
obrigado a todos pelas considerações.

cristiane, permita-me discordar: vc tem muita sensibilidade, sim!

gostaria de agradecer especialmente ao kawazoe, por interpretar com precisão o espírito da composição. por isso o ângulo baixo, a proximidade (tentei chegar o mais perto possível sem descaracterizar que é uma cadeira), a impressão no veludo, etc.. de fato, o aspecto fundamental que quis sugerir nessa foto foi a disparidade que há na percepção do tempo, entre todos os atores envolvidos.

senão, vejamos:

há o tempo do espanto, anterior à foto, o tempo da criação, da ideia original (original na acepção do termo, como em inicial).

há o tempo da marca no veludo, efêmera, volátil, que se dissipará fácil e rapidamente.

ele é (quase) similar ao tempo do registro, o tempo do instante, o tempo do "isso foi" de barthes.

há o tempo do pé que ali pisou, um tempo que se arrasta: presente estando ausente, ausente estando presente, vazio estando cheio, cheio estando vazio, fato se tornando memória, memória se convertendo em fato.

há outro tempo do pé, pé que nunca é o mesmo, que foi nenhum, que depois foi um, que foi o da foto, que é então outro, que será outro ainda.

há o tempo daquele que olha, que se aproxima da foto como quem se abaixou e se aproximou da cadeira, que descobre a foto como quem descobriu a marca ali deixada, tempo da percepção, da compreensão, da análise; tempo de quem vê a foto de fora, de quem se insere nela, de quem se apropria dela. tempo de quem viu-a de um modo, e agora vê de outro: tempo de quem é um e é outro, vendo a foto em tempos diferentes.

há o tempo do espaço representado, tempo ao mesmo tempo passado e transcendental, tempo que se dilui no recorte do espaço (mas não do tempo) que é ela própria, a fotografia.

há o tempo metafísico, o tempo que trespassa e distorce as divagações cronológicas (como se fossem chronos o incerto e a metafísica, uma ciência exata!). o tempo "impalpável", quase impossível de ser representado na fotografia, mas que pode ser medido fora dela.

há o tempo que engana a fotografia, ela que julga possuir o poder de pará-lo. tudo muda, mesmo a fotografia, e nada resiste à inexorabilidade do tempo, nem mesmo ela.

e há o tempo da finitude, tempo de heidegger, tempo que nos une a todos no fim da imagem, da cadeira, do pé, do fotográfo e do espectador; o próprio tempo da existência. é principalmente aqui, nesse fim, que a foto se assemelha ao lindíssimo e extenso poema do título (leiam-no, os que ainda não o fizeram...). nele, elliot elabora reflexões sobre o tempo tomando o nome de um castelo que foi consumido em chamas no norte da inglaterra no século XVII - o burnt norton, hj reconstruído.

há muitas texturas e tons do mesmo tempo, aqui.

novamente, obrigado,