Autor Tópico: Sobre Arte e críticas  (Lida 555 vezes)

Thiago Sigrist

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Online: 23 de Novembro de 2006, 14:05:24
Olá, pessoal!

Qual não foi a minha surpresa ao ler um texto do Pete Myers, no Luminous Landscape, sobre esse assunto que já foi bastante debatido aqui no fórum. E eu acho que ele vai direto ao ponto.

Leiam:
http://luminous-landscape.com/essays/From-...Big-House.shtml

Abraços!

 -- thiago
Thiago Massariolli Sigrist
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Resposta #1 Online: 23 de Novembro de 2006, 17:36:59
O texto é interessante ao abordar essa questão com uma teoria que inclui desde a percepção até o sistema econômico em que vivemos. No entanto, não concordo com muitas coisas.

1. Associar a arte apenas com o sentimento do artista me parece ser simplista demais. Deixa-se de lado todo o aprendizado, as experiências, os conceitos e as referências que ele utiliza, consciente ou inconscientemente em seu trabalho.

2. Da mesma forma, dizer que o observador apenas vê a obra de acordo com a sua percepção intuitiva é um tanto restritivo. O mundo do observador, tão grande quanto o do artista, não se resume a isso, então a forma de ligação que a arte proporciona também vai muito mais além.

3. O autor insiste em generalizar dizendo que os críticos são perdedores que têm inveja daqueles que produzem trabalhos artísticos e ganham com isso. Essa certamente é uma possibilidade, mas não a única. Imagino que haja diversos motivos pelos quais se critique gratuitamente trabalhos alheios.

Concordo, quase totalmente, quando ele coloca que a melhor crítica é não criticar. Isso porque 95% das críticas que vemos em fóruns ou em outros ambientes de discussão na verdade são aplicações de referências coletivas em que não há uma visão do trabalho de uma forma mais completa. Poucas pessoas, ao criticar, tentam entender a obra dentro de um contexto individual, social e temporal. Contudo, quando isso é feito, a crítica pode ser útil, uma vez que significa, antes de tudo, compreensão.

Por isso, também concordo que afastar-se, ou filtrar as críticas pode ser interessante. O artista é quem pode melhor responder sobre o resultado, o impacto e o significado do próprio trabalho. Mas acredito que também possamos ouvir aqueles cuja opinião é importante para nós, uma vez que o efeito que produzimos nessas pessoas geralmente é relevante.


Thiago Sigrist

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Resposta #2 Online: 23 de Novembro de 2006, 18:29:18
Olá, Rodrigo!

Acho bacana você ter se interessado pelo texto.

Concordo com você que ele é simplista em vários pontos, mas acho que não seria interessante se aprofundar muito em certas questões. Acho que essa simplicidade é útil ao texto à medida que lhe dá foco na questão principal, que são as críticas.

O texto serviu muito bem, na minha opinião, pra isso mesmo que você mencionou: é um alerta para aqueles que atribuem valor demais às críticas.

Eu digo isso porque tem muita gente que se guia demais, quase que cegamente, por crítica de fórum, e isso é um absurdo. Muitos fotógrafos renomados fazem coisas que qualquer forista de meia-tigela apontaria como erradas sequer considerando que o artista está tirando proveito desses 'erros' para desenvolver uma estética toda particular.

Dessa maneira, os críticos de fórum muitas acabam matando prematuramente qualquer intenção de experimentalismo, envolvendo esse tipo de 'erros', que o forista possa ter, minando o desenvolvimento dele como artista.

Trocando em miúdos, quem norteia seu desenvolvimento artístico por críticas acaba bloqueando a sua expressão individual, a qual se torna cerceada demais por padrões estéticos muitas vezes duvidosos, os quais, sobretudo no caso da fotografia, vêm sobretudo das imagens publicitárias, como já foi dito aqui. São as tais das referências coletivas que você menciona, Rodrigo, e não ouso dizer que a foto publicitária é a origem de todas, mas de uma parte pelo menos considerável.

Justamente por isso é que critico muito pouco. Tento fazê-lo apenas quando me identifico com o trabalho. Mas também não critico tudo com que me identifico (aliás, não critico quase nada) porque dá um trabalhão danado escrever uma crítica e eu sou preguiçoso.

As críticas, claro, têm a sua validade, mas às vezes é preciso um alerta desse tipo pra lembrar que fazer arte não significa necessariamente agradar a alguém, quem quer que seja.

Abraços!

 -- thiago
Thiago Massariolli Sigrist
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Resposta #3 Online: 24 de Novembro de 2006, 20:04:35
Caro Thiago,

O texto é interessante, e as simplificações, como você bem diz, às vezes são necesárias quando se quer dar ênfase a outras aspectos.

Concordo bastante com o que você comentou: há um referencial coletivo construído pelo grupo e a crítica, na maior parte das vezes, nada mais é do que a aplicação desse referencial. Como resultado há o tolhimento da criatividade, especialmente quando a pessoa está iniciando. Cada crítica, como você diz, precisa ser entendida dentro do referencial individual e grupal.

Quando eu falo de alguma foto, a primeira coisa que tento é aceitá-la, ou seja, ver a foto que existe e está na minha frente, não uma outra que poderia ter sido, uma vez que ela nunca será — o momento já foi. E tento muito mais "ler" a foto, ou seja, descrever minhas percepções, sensações e interpretações daquilo que vejo do que situá-la de acordo com um modelo. Acredito que isso seja muito mais útil para o autor da foto.

Abraços.