Autor Tópico: Fotografia Feliz  (Lida 2802 vezes)

Ivan de Almeida

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Online: 09 de Dezembro de 2006, 11:33:15
Frequentemente, pergunto-me qual o sentido de minha fotografia. O engraçado é que há três anos atrás eu sabia perfeitamente qual era esse sentido, uma grande narrativa afetiva da minha vida. Mas agora, muito afastado daquela simplicidade, vejo que junto com ela perdi um pouco de algo que hoje me deu vontade de chamar “fotografia feliz”.

Hoje estava brincando com o Adobe Lightroom e com o DNG Recovery Edges, que tem o condão de acrescentar às nossas imagens pixels desprezados pelo fabricante. Por mera brincadeira e curiosidade, resolvi pegar uma foto feita com as Fujis que já tive. Por ser a primeira a me interessar, peguei uma realizada em abril de 2004 com a já há muito vendida Fuji s5000, CCD de apenas 3mp mas que entregava uma imagem maior devido ao seu SuperCCD. A lente fixa, o zoom longo e flexível, o fato é que eu a usava de maneira muito livre e sem cerimônia, e muito estável que era a câmera me permitia fotografar com uma liberdade agora inexistente. Assim eu não incomodava a família, fotografava rapidamente (mesmo sempre em modo manual), fotografava quase com qualquer luz mesmo limitado ao ISO 200, pois os pontos perdidos no ISO recuperava sobjeamente na estailidade. A foto abaixo, por exemplo, foi feita com a lente em focal-equivalente de 200mm, mas está direita, e a velocidade foi de apenas 1/125 (e poderia ser menos).

Bem, aí encontrei essa e outras fotos, e ficou-me a impressão de ter perdido algo, ter perdido certa naturalidade. Nesse tempo, ao comprar a s5000 eu vinha de uma curta (seis meses) experiência com uma Canon A30, 1.2mpx, e de uma longa experiência, trintenária, com reflex de filme, mas sempre tendo como foco, principalmente nos dez anos anteriores, fotos da vida familiar.

Minha linguagem de fotografia familiar mudou muito pouco. Observando esta foto de 2004, vê-se ser a mesmíssima abordagem. A fotografia complexificou-se com a inclusão de outros temas e de outras preocupações, mas em essência é a mesma. Mas sinto ela não ser uma fotografia tão feliz quanto a de antes.

Observando a foto feita pela s5000 fico pensando: E ela basta? E sou obrigado a reconhecer bastar. Ela pode existir em formatos bem legais, nem tão pequenos, como por exemplo 18X24, e manter a qualidade necessária à contemplação. Será mais perfeita que outra nova? Por certo não. Mas quanto vale a felicidade que nela transparece, resultado da total despretensão e brincadeira?

« Última modificação: 09 de Dezembro de 2006, 11:52:16 por Ivan de Almeida »


Thiago Sigrist

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Resposta #1 Online: 09 de Dezembro de 2006, 14:21:02
Isso realmente dá o que pensar, Ivan.

Eu acho que a fotografia fica mais gostosa quando é descomplicada, então acho que nós devemos tentar retirar dela toda a complexidade e a elaboração que for possível.

Eu acho que as minhas melhores fotos, sobretudo as de família, amigos, namorada etc, foram feitas naquele esquema de apontar-e-clicar. Sem ficar sofisticando muito. Geralmente o que acontece é que coisas como fotometria, abertura e outras variáveis eu já acertei fazendo outras fotos, aí é só apontar e clicar mesmo, e tudo funciona bem melhor.

Acho que quando a gente esquece um pouco que o equipamento tem ISO 1600, faz foco em meio segundo, tem estabilizador de imagem, tantos megapixels e bla bla bla, e lembra que o botão mais importante da câmera é o disparador, que a função mais importante dela é tirar fotos, aí a coisa deslancha.

A sua foto é um ótimo exemplo disso, ela transborda espontaneidade, essa calma e tranqüilidade do olhar do seu filho... Tudo o que é importante está capturado. E eu digo mais, você podia ter tremido a foto, errado um pouco o foco, enfim, feito uma dessas besteirinhas, mas o que existe de importante continuaria lá na foto. Nesse sentido, digamos assim, ela não mudaria. Por isso que às vezes eu me acho um tanto fútil quando fico pensando em equipamentos, ou em sofisticação disso ou daquilo... Enfim, é sempre muito interessante refletir sobre isso...

Por fim, fica um exemplo de uma foto que eu fiz, como falei, apontando-e-clicando, mas que acho que capturou bem o momento, apesar das deficiências técnicas. É de um amigo meu numa festa julina:



Abraços!

 -- thiago
Thiago Massariolli Sigrist
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Ivan de Almeida

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Resposta #2 Online: 09 de Dezembro de 2006, 16:27:22
Bonita foto, Thiago. Ficou realmente bom o fundo de bandeirinhas hiper-saturadas e é engraçado que a pessoa de costas -tudo errado- está certa!

Você me compreendeu bem. Tendemos a supervalorizar aspectos técnicos, e muitas vezes eles são menos importantes do que o clima da foto.

Quem tem feito aqui no fórum um trabalho interessante nessa direção é o Fabio Yamauti. Ele tem dado atenção a essa vida íntima, tranquila, natural, e suas fotos às vezes têm deficiências de nitidez ou luz, mas são sempre interessantes e as virtudes mais que suplantam os defeitos. Na verdade são defeitos essenciais, sem eles não haveria a foto.


Nigazz

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Resposta #3 Online: 09 de Dezembro de 2006, 16:57:28
Concordo plenamente, que a arte de fotografar, ficou mais complexa, ao se falar em fotográfia não falamos do momento da foto, do clima ou mensagem que ela transmite e sim do equipamento, dos pixels, do valor que se deve cobrar, lógico que existe o lado profissional, mas nesse caso, não se encaixa aqui, eu sou exemplo disso, nem aprendi tanto a fotografar e já troquei de camera 3 veses, e isso digo, muito mais seduzido por equipamento, do que pela valorização da foto em si, é sábio e de grande valor lembrar que a foto é a valorização do momento, é simplicidade e sofisticação, mas da imagem ... as vezes nos preocupamos em deixar tudo certinho e perdemos o melhor momento, perdemos a essência ...
Luiz Lima
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MateusZF

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Resposta #4 Online: 09 de Dezembro de 2006, 20:09:39
Citar
Frequentemente, pergunto-me qual o sentido de minha fotografia. O engraçado é que há três anos atrás eu sabia perfeitamente qual era esse sentido, uma grande narrativa afetiva da minha vida. Mas agora, muito afastado daquela simplicidade, vejo que junto com ela perdi um pouco de algo que hoje me deu vontade de chamar “fotografia feliz”.

Hoje estava brincando com o Adobe Lightroom e com o DNG Recovery Edges, que tem o condão de acrescentar às nossas imagens pixels desprezados pelo fabricante. Por mera brincadeira e curiosidade, resolvi pegar uma foto feita com as Fujis que já tive. Por ser a primeira a me interessar, peguei uma realizada em abril de 2004 com a já há muito vendida Fuji s5000, CCD de apenas 3mp mas que entregava uma imagem maior devido ao seu SuperCCD. A lente fixa, o zoom longo e flexível, o fato é que eu a usava de maneira muito livre e sem cerimônia, e muito estável que era a câmera me permitia fotografar com uma liberdade agora inexistente. Assim eu não incomodava a família, fotografava rapidamente (mesmo sempre em modo manual), fotografava quase com qualquer luz mesmo limitado ao ISO 200, pois os pontos perdidos no ISO recuperava sobjeamente na estailidade. A foto abaixo, por exemplo, foi feita com a lente em focal-equivalente de 200mm, mas está direita, e a velocidade foi de apenas 1/125 (e poderia ser menos).

Bem, aí encontrei essa e outras fotos, e ficou-me a impressão de ter perdido algo, ter perdido certa naturalidade. Nesse tempo, ao comprar a s5000 eu vinha de uma curta (seis meses) experiência com uma Canon A30, 1.2mpx, e de uma longa experiência, trintenária, com reflex de filme, mas sempre tendo como foco, principalmente nos dez anos anteriores, fotos da vida familiar.

Minha linguagem de fotografia familiar mudou muito pouco. Observando esta foto de 2004, vê-se ser a mesmíssima abordagem. A fotografia complexificou-se com a inclusão de outros temas e de outras preocupações, mas em essência é a mesma. Mas sinto ela não ser uma fotografia tão feliz quanto a de antes.

Observando a foto feita pela s5000 fico pensando: E ela basta? E sou obrigado a reconhecer bastar. Ela pode existir em formatos bem legais, nem tão pequenos, como por exemplo 18X24, e manter a qualidade necessária à contemplação. Será mais perfeita que outra nova? Por certo não. Mas quanto vale a felicidade que nela transparece, resultado da total despretensão e brincadeira?

Postou suas fotos no concurso da Nikon?
Um dos temas era a alegria, sorriso..etc
Minha máquina fotográfica e prolongamento natural do meu braço.
Foto é algo que depende de uma certa visão... De quem fotografa, de quem vê e de quem interpreta...

www.ribeiraopreto.sp.gov.br
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Ivan de Almeida

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Resposta #5 Online: 09 de Dezembro de 2006, 20:24:02
Ihhh...!
Não, não entrei. Não presto muita atenção em concursos, não me sinto muito atraído.
Mas agradeço a dica.
Abraços,
Ivan

 


scalla

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Resposta #6 Online: 09 de Dezembro de 2006, 21:43:06
Pitaco de quem ainda é leiga mas é uma "olheira" de fotografias.
Eu chamo essas fotografias de fotografias com alma e as técnicamente perfeitas
me parecem, muitas vezes, assépticas, embora belas, frias.
A mim, parece que fotografias com pequenos "defeitos" ficam mais humanas, como se o seu autor realmente estivesse mais interessado  em capturar o momento, a emoção, enquanto aquelas de perfeição técnica me transmitem a preocupação maior na técnica e a emoção fica secundária, como se o desafio fosse sempre se ultrapassar os limites em relação ao equipamento.
Eu sei que o ideal é unir as duas coisas, mas para mim essa emoção do momento  deve  sobrepujar a técnica.
(Não me refiro as fotografias de produtos ou catálogos)
Eu sou apenas uma observadora e olho as fotografias dessa maneira.
« Última modificação: 09 de Dezembro de 2006, 23:18:47 por scalla »
Dulce Scalla - SP -

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nelson161

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Resposta #7 Online: 09 de Dezembro de 2006, 22:07:35
Muito bom este assunto, Ivan.
Eu já analisei minhas fotos antigas. À medida que ia aprendendo a fotografar, estudando enquadramentos criativos, utilizando algumas regras de fotografia, estava perdendo algumas cenas expontâneas da infância das minhas meninas. Descobrí isso justamente numa foto que tirei da minha filha numa festinha de São João da escola, neste ano.
Eu gosto muito desta foto, não pela qualidade, mas pela expressão do rosto da Bárbara ao ouvir o resultado que ela havia vencido o concurso de caipirinha. Não tive tempo de selecionar abertura, exposição nem procurar melhor ângulo. Simplesmente fiz a foto com os ajustes das fotos anteriores. Claro, o zoom da DSLR ajudou muito, já qua não estava tão próximo, mas qualquer compacta faria a mesma foto. À partir deste momento mudei o modo de fotografar minha família, além das fotos estudadas e posadas, procuro ficar com a máquina a mão para clicar o momento decisivo, ou talvez... A "fotografia feliz" do Ivan ou a "fotografia com alma" da Dulce.
Vejo as fotos de meus amigos, tiradas com compactas ou celulares. Felizes com uma foto torta, escura, tremida, sem enquadramento, faltando um pé ou uma mão, as vezes faltando uma fileira de cabeças.  Mas estão felizes. O que realmente conta, é guardar aquele pedacinho de "tempo" para sempre.


 
Nelson161
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KODAK XERETA


Ivan de Almeida

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Resposta #8 Online: 09 de Dezembro de 2006, 22:32:40
Linda foto, Nelson.

Meu ponto não é exatamente uma contradição entre técnica e espontaneidade, porque não as vejo como antagonistas. Sempre fotografo em M, isso é um cacoete e como sempre usei câmeras mecânicas, não é nada trabalhoso, é uma fluxo natural de ações e idéias. Mesmo com as s7000 e s5000 eu fotografava em M e essa foto acima é assim também e em RAW.

Mas de toda forma é um distencionamento, isso é Há certo compromisso com o erro no mesmo sentido que você relatou, virou e clicou, e mesmo regulando a câmera o compromisso com o erro acontece em deixar estourar (essa que postei tem estouros que hoje não admito -risos), em usar velocidades mais baixas do que devia, ISOs mais elevados do que o prudente, etc.

Nessa que postei o estouro do fundo permitiu-me pegar o rosto com bons tons, por exemplo. Hoje eu admito menos estouro, e assim reduzem-se as oportunidades. É só um item, mas é verdade.


RFP

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Resposta #9 Online: 10 de Dezembro de 2006, 00:15:24
Eu sinto algo parecido quando vejo minhas fotos antigas e penso nas minhas fotos hoje. Antes de passar um bom tempo fotografando, lendo uma série de livros e artigos sobre fotografia, pensando na questão da fotografia como disciplina teórica, havia apenas um clique despretensioso, ingênuo, leve, que não existe mais — e nunca mais existirá.

Hoje, antes de fazer uma foto, penso no seu significado dentro do contexto das minhas outras fotos, questiono a questão da criação versus o referente, percebo minhas limitações e mais uma série de coisas que simplesmente me impedem de fazer a foto e pronto. Também não adianta tentar fotografar despretensiosamente como no início, simplesmente não funciona. Quando se perde essa ingenuidade, esse prazer pelo fim em si do processo, não há mais retorno.

Tenho a sensação que conforme fui conhecendo mais coisas, lendo mais, vendo mais fotos de artistas consagrados, algo evoluiu nas minhas fotos, e na mesma proporção uma frustração por ter que escolher alguns caminhos frente a muitas possibilidades. Permanecer no nível inicial talvez fosse mais prazeroso, mas imagino que não seria suficiente.

É um pouco da sensação que tenho com as pesquisas que faço na minha área, a psicologia: invariavelmente, a cada estudo concluído, saio com mais perguntas do que quando comecei. Escrevo um artigo para responder uma questão e, no seu final, abro três novas perguntas. E o curioso é que eu sei que isso vai ser sempre assim.


Renato Reis

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Resposta #10 Online: 10 de Dezembro de 2006, 10:05:20
Fotos de Familia tem o grande poder de dizer tudo, sem o uso de palavras. A imagem se basta.

Não conheci meu avô materno, Zé Inácio. Mas por toda minha vida escutei histórias contadas pela minha mãe, tios, primos mais velhos e pela minha avó, Josefa.
Eu só conhecia uma foto do meu avô.

Eis que em Julho, fui a Palmas, e fiquei na casa da Tia Trindade, mulher do Tio Carlos que sempre esta aqui em casa, já que ele é caminhoneiro, e aqui conseguiu trabalho melhor que lá. Enfim, Tia Trindade começou a mostrar umas fotos, fotos bonitas, que diziam muita coisa, encontrei até uma do casamento de meus pais, que hoje são separados, Eis que encontro uma foto do meu avó, num curral da fazenda que ele morava, junto com meu primo Rodrigo (filho da Tia Trindade e do Tio Carlos) com 4 anos. Vendo aquela fotografia me veio a afirmação em imagem de todas as histórias que eu ouvi sobre ele. Meio mágico isso. Acho que isso acaba nos mostrando que a Fotografia é o que o próprio nome já diz, escrever com a luz, e eternizar momentos.

Aqui a foto em questão, tirada pelo Tio Carlos

http://www.flickr.com/photos/renatus
http://www.fotolog.net/renatus

Equipamento: Dois Olhos Castanhos Escuros, com 0,75 Graus de Astigmatismo + Cerebro com 23 anos de uso, mas em perfeito funcionamento.


Ivan de Almeida

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Resposta #11 Online: 10 de Dezembro de 2006, 10:32:18
Que legal está ficando este tópico...

Gostei da história, Renato.

Tenho fotos que fiz entre 1970 e 1985 e ao vê-las emergem densas as sensações da época.

Evidentemente a discussão da "Fotografia Feliz" não resume-se a isso, não contrapõe -pelo menos para mim- técnica e evocação, mas indica sim haver um valor nos registros e assim havendo, haver um valor em poder criar esses registros.

Para mim, no caso da foto mostrada no início do tópico, é evidente que são os estourados, hoje absolutamente ausentes nas minhas fotos, que permitiram a captura. É um compromisso, tem estourados e captura ou não teria estourados nem captura.

Aliás, note-se ser a lente da s5000 incrivelmente resistente à luz frontal! Levou luz de frente em dose cavalar e não permitiu vazamento sobre a imagem... Essa é outra questão, por exemplo... Quantas lentes aguentam isso? E lentes para DSLR?


fabio_yamauti

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Resposta #12 Online: 11 de Dezembro de 2006, 09:39:47
Citar
Bonita foto, Thiago. Ficou realmente bom o fundo de bandeirinhas hiper-saturadas e é engraçado que a pessoa de costas -tudo errado- está certa!

Você me compreendeu bem. Tendemos a supervalorizar aspectos técnicos, e muitas vezes eles são menos importantes do que o clima da foto.

Quem tem feito aqui no fórum um trabalho interessante nessa direção é o Fabio Yamauti. Ele tem dado atenção a essa vida íntima, tranquila, natural, e suas fotos às vezes têm deficiências de nitidez ou luz, mas são sempre interessantes e as virtudes mais que suplantam os defeitos. Na verdade são defeitos essenciais, sem eles não haveria a foto.
Ivan, obrigado pela citação.

Confesso que a minha visão de fotografia, principalmente retratos, mudou
bastante após ver as tuas fotografias. Até então, retratos para mim eram
aquelas típicas fotos posadas, sorriso amarelo para a câmera e flash
detonando as cores, profundidade, sombras e texturas.
Até o dia em que resolvi desligar o flash, usar a lente 50mm f/1.8, ISO
elevado (eu evitava por causa do ruído). Fiz fotografias felizes e também
fiquei muito feliz com o resultado. Trata-se daqueles retratos em um aniversário
de crianças em que uma moça as está maquiando.
Me encantam os retratos naturais, que descrevem o ambiente e a situação,
com a luz disponível, cores, texturas. O flash chamaria muito a atenção
e acabaria com a naturalidade das expressões.
Atualmente só utilizo o modo manual da câmera mas não tenho ainda tanta
agilidade em fotometrar e ajustar.
Como você comentou, meus retratos muitas vezes pecam no foco e nitidez.
Às vezes o ruído também é grande devido ao ISO 1600. Mas prefiro estes
"problemas" na fotografia do que simplesmente não fazer a fotografia.

Como o Thiago disse, é quando esquecemos que a câmera possui uma centena de
ajustes e simplesmente apontamos e clicamos é que as fotografias saem felizes.
Com alguns problemas técnicos, é verdade, mas ainda assim felizes.

Abraços,
Fabio

 
Fotografia Karatê Ecoturismo Geocaching


Ivan de Almeida

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Resposta #13 Online: 11 de Dezembro de 2006, 09:55:54
Muito legal ler isso, Fabio.

Isso é que é legal no mundo. Um dia alguém olha algo que fazemos e aprende. No outro dia olhamos o que a pessoa fez a partir disso e aprendemos nós.

Tenho gostado muito das suas fotos. Essa última da prima e do tio está sensacional.


Alvaro

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Resposta #14 Online: 11 de Dezembro de 2006, 10:39:19
A técnica correta e estudada, o equipamento capaz, são sem dúvida importantíssimos.

Mas mais importante é o momento. Aí está o sentido último da fotografia: capturar as imagens que mereçam ser capturadas.

Capturar da melhor forma possível, claro. Mas mesmo que essa "melhor forma possível" esteja muito aquém dos auto-impostos padrões de qualidade, a qualidade do momento é mais importante que a qualidade da foto !

E nesse sentido estão muito boas todas as fotos postadas.

Aquela do Renato, bem velha, me fez lembrar que há quem tente criar esse envelhecimento artificialmente, via PS, he he he he, sinal que há algum valor estético nisso ... mas a dele é autêntica ! É algo como a diferença entre o jens rasgado de tanto usar e o que já se compra rasgado...

A tranqüila foto do filho do Ivan (aliás, Ivan, você dá maracujina em doses cavalares para os seus filhos ? Eles estão sempre calmíssimos !!!), com uma luz muito bonita.

Muito lindinha sua filha Nelson.  Será que isso não basta para a foto ter valido a pena ? Claro que basta...

Esse final de semana, minha noiva bateu uma foto nossa com o celular. Sem poder sequer enquadrar, apontou e clicou. O enquadramento cortou metade do olho dela fora... o equipamento gerou um ruído com quase nada de foto no meio. E, mesmo assim, adoramos a foto. Perdi uma hora no photoshop para pelo menos tentar homogeneizar um pouco as cores distorcidas pelo celular. Editei e consertei o que pude. É um caso extremo, claro. Mas se não fosse o celular, o momento teria sido perdido.