Autor Tópico: Double Dragon II - relato  (Lida 353 vezes)

Macrolook

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Online: 22 de Setembro de 2017, 01:03:57
Essa história aconteceu quando eu era moleque, tinha quase 13 anos, minha mãe havia sido demitida da fábrica que trabalhava, coube a mim, ir lá e receber seu "acerto", pois dois dias depois do fato ela conseguiu outro trabalho.
Morávamos na Vila Paulicéia, periferia de SP, e a antiga empresa que ela trabalhou era em Diadema, perto de uma famosa favela, a Naval.

Pois é, sem escolha e sem ninguém por nós, fui até lá, o encarregado dela, disse para que fosse após as 17:30, e eu encanado com o horário, pois tinha receio de andar a noite por aí com uma certa quantia de dinheiro, fui o mais cedo possível, recebi o valor em espécie, assinei um papel e fui embora.

Estava no ponto de onibus, começou uma chuva forte, não tinha nada perto, a não ser um dos piores lugares (para a época), um fliperama bem vagabundo, naquele tempo era muito mal visto, lugar de marginal e bandido.
Lá fui eu, me proteger da chuva, vi uma máquina que fazia tempo que queria jogar, Double Dragon II, pensei, bem, já que estou aqui, vou esperar um pouco até a chuva passar.

Fui até o balcão, comprei 3 fichas, nisso, já percebi uma molecada me olhando, assim que coloquei a ficha na máquina, colou um moleque maior e com cara de poucos amigos e me disse:
– Aí moleque, deixa eu jogar um pouco! Tudo bem, jogou, pedeu as vidas e disse: Morri. Saiu de lado dando risada.
Coloquei outra ficha, mal começo a jogar e vem um menininho, devia ter uns 5 anos, passou entre mim e a máquina e pisou no meu pé, achei aquilo esquisito, um garotinho daquele teria levado uma porrada, mas algo me disse para não fazer nada, fiquei na minha, e o moleque ficava pisando no meu pé.

Nisso, chegaram mais usn 6 moleques e cercaram a máquina, ficavam gritando coisas no meu ouvido, xingando, foi quando pensei: ferrou, vou ser surrado e roubado.
Não sei o que foi, mas algo me disse, procure o maior deles, o mais folgado e tome uma atitude.
Foi aí que disse ao maior:
Ei, tome uma ficha, me ajude aí, não vou conseguir passar essa fase sozinho! O grandão pegou a ficha, sorriu e logo um mais marrento disse:
– Ae, se tem pra um tem pra todos (nunca esqueci essa frase), e começou a me empurrar, nisso o grandão disse pra mim: tu tem mais ficha aí moleque? Respondo que não, tinha apenas dinheiro para mais duas, então ele falou:
Então Zezo (o moleque da frase) pega lá duas fichas com esse dinheiro e "trais" aqui. O menino pegou o dinheiro, comprou as fichas e entregou na mão do grandão.

A chuva estava parando, pensei, agora é hora de ir embora, disse ao Isaias (grandão), cara, preciso ir, a chuva parou, vou pro ponto. Ele disse:
– Vai embora não moleque, vai ficar e me ajudar aqui com esse troço, tu é bom no jogo e nós vamos virar (terminar) a máquina!
Conseui no talo de energia terminar e matar o ShadowBoss, nisso a molecada já tinha desencanado, queriam era ver o final do jogo, por fim, foram comigo até o ponto de ônibus, ficamos conversando (eu morrendo de medo) até chegar o busão.
Devia ter comigo ali uns 6 salários mínimos, nunca tinha colocado a mão em tanto dinheiro, estavam dentro da japona (jaqueta de plástico) divididos em vários bolsos.

Entrei no ônibus, o motorista me olhou com cara feia, o cobrador me disse:
– Se aprontar algo aqui trombadinha, te dou uma coça! Sentei lá na cadeira única, perto do motorista, dois pontos depois, entra um cara, com uma bíblia na mão, três pontos após, anuncia um assalto e rouba todo dinheiro do cobrador, nisso, resolvo descer do veículo e vejo que estamos perto de um ponto de táxi, decido entrar em um taxi, seria mais seguro, o taxista me olha e me pergunta se tenho dinheiro, digo que não sei ( até hoje não sei como respondi isso), que quanto custaria para ir até tal lugar, ele responde, e digo que essa quantia tinha.

No caminho, fui pensando, que sorte tive em tomar as atitudes corretas nas horas mais impróprias, na época achei que foi apenas sorte, mas hoje, sei que foi instinto de sobrevivência e claro habilidades no DDII.
Foi a partir deste dia que percebi que tinha algo que só saberia decadas depois, a resiliência.

Obrigado Technos!


“Fotografia é poder de observação, não de aplicação da tecnologia.” Ken Rockwell.


Rick99

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Resposta #1 Online: 22 de Setembro de 2017, 12:47:40
Já gastei centenas de fichas nos fliperamas, mas se tem uma coisa que nunca fiz foi de entrar nesses lugares com coisas de valor. A exceção era os que ficavam dentro de shoppings.

Já passei por apuros em algumas situações: moleques querendo roubar meu tênis ou boné, pessoa querendo "dividir" a ficha, marmanjo querendo me bater por tê-lo vencido na máquina, pivete pedindo ficha e com faca na cintura...

Naquela época, bar que tinha fliperama era conhecido como "lugar de gente que não presta"...  :hysterical::hysterical:


fabianob

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Resposta #2 Online: 22 de Setembro de 2017, 13:58:36
Alguém tem o tel de um psicologo bom por favor?  :ponder: :ponder: :ponder:
Df, D750, D5300, YN565EX x2, YN622N, Alguns Kg de Vidro, e muitas histórias.


adrianof14

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Resposta #3 Online: 22 de Setembro de 2017, 14:04:14
o rei da vingança voltou!
Adriano Ferreira
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cfcsosa

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Resposta #4 Online: 22 de Setembro de 2017, 14:10:00
M de Vingança.


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Macrolook

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Resposta #5 Online: 22 de Setembro de 2017, 14:10:59
Já gastei centenas de fichas nos fliperamas, mas se tem uma coisa que nunca fiz foi de entrar nesses lugares com coisas de valor. A exceção era os que ficavam dentro de shoppings.

Já passei por apuros em algumas situações: moleques querendo roubar meu tênis ou boné, pessoa querendo "dividir" a ficha, marmanjo querendo me bater por tê-lo vencido na máquina, pivete pedindo ficha e com faca na cintura...

Naquela época, bar que tinha fliperama era conhecido como "lugar de gente que não presta"...  :hysterical::hysterical:
Era bem assim mesmo, shopping era mais seguro, e mais caro, porém, fiz muitos amigos nos fliperamas, gente que até hoje sobreviveu aquela época muito louca, era muito comum inclusive, a ficha ser moeda corrente, muitas aventuras e encrencas nesses lugares, mas, moleque é idiota e se acha sabido... falo por mim.
“Fotografia é poder de observação, não de aplicação da tecnologia.” Ken Rockwell.


Macrolook

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Resposta #6 Online: 22 de Setembro de 2017, 14:22:57
Alguém tem o tel de um psicologo bom por favor?  :ponder: :ponder: :ponder:
Psicologo bom eu não conheço (só mau), mas dependendo do transtorno indicaria um xamã!
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adrianof14

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Resposta #7 Online: 22 de Setembro de 2017, 18:59:49
cade a parte dois da vingança do fliperama?
Adriano Ferreira
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