Autor Tópico: Melhor uso do Dynamic Range  (Lida 4051 vezes)

nandoespinosa

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Online: 29 de Outubro de 2019, 11:33:11
O assunto surgiu em outro tópico. Numa daquelas discussões sem sentido sobre a câmera X é muito melhor que a Y. Recupero 29 stops com ela...  :shock: :no:

Na realidade não importa muito o tamanho do DR do equipamento se você não souber usá-lo. Ou se tiver um entendimento errado do que se trata realmente o DR.

Eu gostaria muito que buscássemos aqui um tópico de conceitos e técnicas e não de "sensor X" vs "sensor Y".


Lucas M. Dias

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Resposta #1 Online: 29 de Outubro de 2019, 12:08:44
Pois é, tem gente que acha que pq não usa DR na própria fotografia é manjador de tudo 🤷🏻‍♂️


Mas enfim, falando sério sobre necessidade e aplicação de DR, a técnica que mais utilizo hoje em dia é a ETTR. O grande problema das câmeras digitais é a recuperação de realces, então essa técnica visa justamente não perder a informação das altas luzes, recuperando as sombras depois.
Onde mais aplico isso é em fotografia de decoração de casamentos e muitas vezes até de interiores de imóveis. Em casamentos é muito comum de se ter uma iluminação muito forte com aqueles spots de luz em um ponto, o que acaba por eliminar muita informação de cores das flores caso essa técnica não seja utilizada. Dessa maneira existem áreas na imagem em que a exposição ficará 3 ou mais pontos abaixo, completamente preto na imagem capturada, sendo um DR bom extremamente útil!

Só lembrando que DR bom não é só ter a capacidade de recuperação de sombras com menos ruído, mas manter a fidelidade das cores e wb para se aproximar o máximo possível do que vemos com nossos olhos!

Muita gente faz bracketing para montar um HDR depois, essa é outra técnica útil em varias situações em que você tem tempo de sobra. Muitas vezes esse tempo não existe durante a captura. Também toma muito mais tempo de edição na pós para se ter um HDR de boa qualidade, por isso quando eu posso tento evitar.

Depois posto algumas imagens em que um bom DR foi fundamental!


nandoespinosa

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Resposta #2 Online: 29 de Outubro de 2019, 12:17:30
Mas enfim, falando sério sobre necessidade e aplicação de DR, a técnica que mais utilizo hoje em dia é a ETTR.
Eu também. Pro meu equipamento atual, +1 de exposição é bem suficiente pra recuperar sem problemas.

Há algum tempo vi um vídeo sobre o ISO alto e a preservação maior dos realces em função de se tratar de uma escala logarítmica. E como trabalho sempre em ISO acima de 3200, tento clicar pra não precisar mexer nas sombras.


Lucas M. Dias

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Resposta #3 Online: 29 de Outubro de 2019, 16:04:18
Aqui são algumas situações em que um bom DR é fundamental (todas com ETTR). Apesar da capacidade de recuperação da Fuji ser boa eu não recupero mais de 4 stops, o que equivale a chegar no ISO 3200, acima disso o ruído fica forte já que minha câmera é da segunda gen

A primeira é uma situação bem comum em eventos por causa dos spots de luz que comentei, são fontes fortes que apesar de reguláveis se assemelham a um flash direto. A mesa principal (ao fundo) estava com uma fonte de luz muito forte (uns 10 spots em potencia alta), enquanto que a luz da mesa de primeiro plano era bem escura (um spot em potencia baixa). No raw a parte debaixo da imagem sai quase preta (uns 3 stops de recuperação)

A segunda é uma caverna, para quem já foi sabe o quanto a luz muda a cada passo que se dá. Os detalhes nas pedras precisaram de 3 a 4 stops de recuperação

A ultima dispensa muita descrição, é uma luz do Sol entrando pela janela para dar profundidade na imagem (alguns clientes gostam disso). O fundo precisou de uma recuperação de 3 stops.

Com relação a usar outras técnicas como HDR. Na primeira é bem difícil, é uma correria pra lá e pra cá para finalizar tudo, mal dá para fazer uma foto quem dirá um bracketing. Na segunda era impossível, a foto foi feita com a câmera apenas apoiada (não fixada) em uma pedra no meio do passeio. Na terceira era possível, estava parado, com tempo e tripé, mas utilizando o DR da câmera fiz o tratamento dessa foto em 20s, se tenho a opção de fazer algo mais rápido não tem pq fazer de outro modo.







nandoespinosa

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Resposta #4 Online: 29 de Outubro de 2019, 16:17:16
Caramba, Lucas.. Precisou recuperar 3 stops mesmo em ETTR?  :eek: Como você faz a medição pro ETTR?


nandoespinosa

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Resposta #5 Online: 29 de Outubro de 2019, 16:23:49
A primeira ficou linda! Quanto tempo de exposição tu precisou?


Lucas M. Dias

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Resposta #6 Online: 29 de Outubro de 2019, 16:34:03
Caramba, Lucas.. Precisou recuperar 3 stops mesmo em ETTR?  :eek: Como você faz a medição pro ETTR?

Uso o histograma da câmera e o próprio preview de exposição pra deixar o máximo de informação que eu quero nas altas luzes. As vezes tem informação que não é necessária, que nem o clarão da cortina na primeira foto ou o céu atrás das arvores da segunda foto, então posso deixar estourar, isso ajuda a não ter que recuperar tanto
Um ponto a se considerar é que as Canon aguentam mais altas luzes do que a Fuji, você deve conseguir superexpor 1 ponto a mais antes de perder informação. Aí tem que aproveitar mais a boa recuperação de sombras que a Fuji tem (acho que as mais novas melhoraram nesse ponto)


Lucas M. Dias

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Resposta #7 Online: 29 de Outubro de 2019, 16:35:20
A primeira ficou linda! Quanto tempo de exposição tu precisou?

Boa pergunta, geralmente não vou além dos 2s, deve ter sido 1s. Se deixo mais alguém passa na frente :hysterical:


peridapituba

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Resposta #8 Online: 30 de Outubro de 2019, 08:14:19
A melhor aplicação que uso para ampliação do DR é combinar o uso de uniwb com ettr, o que praticamente é imperativo fazer qdo se usa uniwb.
No meu caso, eu não uso flash, então a forma que encontrei para preservar informação das baixas luzes até o limite máximo do estouro das altas foi esse.
Mas a principal função que muitos fotógrafos não procuram se aprimorar chama-se fotometria.
Vejo muita fotometria mal feita sendo corrigida no pós-captura de forma errada.
Tudo é um conjunto, se vc fotometra bem, sabe o que esperar da sua imagem e o que pode ser sacrificado em função de se obter o resultado ideal (se for preciso), tudo conspira para uma boa imagem.
« Última modificação: 30 de Outubro de 2019, 08:14:53 por peridapituba »


peridapituba

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Resposta #9 Online: 30 de Outubro de 2019, 08:20:00
E outra ferramenta primordial para quem quer fotografar ampliando o DR é o histograma.
Se a pessoa sabe fotometrar bem e sabe usar as informações do histograma de maneira correta, é certeza que vai ampliar os limites do DR até o máximo possível.


lopescardoso

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Resposta #10 Online: 30 de Outubro de 2019, 08:33:44
E quando se tem uma super camera com um super DR como a minha antiga super Canon Rebel XT? rsrsrs
O que me sobrava era fazer HDR!!!

Essa da faixada da Portaria do Pontão, em Brasília, feita com 9 exposições diferentes... ainda assim os highlights não ficaram 100%.

Por favor perdoem a qualidade pois baixei do celular pra poder postar



Aqui, uma com 9 exposições também, da Catedral de Maringá - PR.


E Aqui, 7 exposições da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro
As luzes de Vapor de Sódio da rua em frente não ajudaram muito.


lopescardoso

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Resposta #11 Online: 30 de Outubro de 2019, 08:37:37
Com relação a usar outras técnicas como HDR. Na primeira é bem difícil, é uma correria pra lá e pra cá para finalizar tudo, mal dá para fazer uma foto quem dirá um bracketing. Na segunda era impossível, a foto foi feita com a câmera apenas apoiada (não fixada) em uma pedra no meio do passeio. Na terceira era possível, estava parado, com tempo e tripé, mas utilizando o DR da câmera fiz o tratamento dessa foto em 20s, se tenho a opção de fazer algo mais rápido não tem pq fazer de outro modo.

Como disse o Lucas, pra fazer isso demanda bastante tempo. Essas que fiz precisou de um bom tempo para fazer, tanto os cliscks quanto a pós...
Em eventos não temos isso nunca, então é muito difícil aplicar essas técnicas.


rahmati

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Resposta #12 Online: 04 de Novembro de 2019, 13:02:28
Existe uma diferença muito grande entre usar bem o DR da câmera e exagerar e eliminar os pretos de vez da imagem, não? Não é porque é possível recuperar tudo que se deva recuperar tudo — é a minha opinião. As duas primeiras imagens desse post exemplificam isso perfeitamente: respeitam as áreas de sombra, e ainda assim têm trocentos stops de informação.
www.rahmati.com.br — Fotografando com compacta desde sempre.
• Fujifilm XF10 (28mm (equiv.) f/2.8)
• Sony NEX-F3 (Sigma 30mm f/2.8 + Soligor Tele-Auto 135mm f/2.8 + Sony OSS 18-55mm f/3.5-5.6)
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Lucas M. Dias

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Resposta #13 Online: 04 de Novembro de 2019, 13:20:01
Existe uma diferença muito grande entre usar bem o DR da câmera e exagerar e eliminar os pretos de vez da imagem, não? Não é porque é possível recuperar tudo que se deva recuperar tudo — é a minha opinião. As duas primeiras imagens desse post exemplificam isso perfeitamente: respeitam as áreas de sombra, e ainda assim têm trocentos stops de informação.

Sim, é necessário ter muito bom senso na hora de tratar uma imagem!

Esse é um dos maiores motivos por vermos tanto HDR horrível por aí, tem gente que acha que se trata simplesmente de subir todas as sombras e pretos, e baixar todos os realces de uma imagem pra informação aparecer. Tem que saber o que precisa ser mostrado na imagem e como fazer isso, e esse conhecimento só se consegue com estudo!


Certa vez eu dei dicas para uma pessoa sobre um PB que estava muito bem composto, mas o tratamento deixava a desejar, até passei uma ideia de tratamento para que ela utilizasse. Recebi a resposta de “é assim que eu gosto”...  8-)
Bom gosto não é opinião apenas, é conhecimento


Leonardo Tonin

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Resposta #14 Online: 04 de Novembro de 2019, 15:53:40
Lucas, uma pessoa pode gostar de aprender e associar aprendizado ao gosto, mas o bom gosto que voce fala, parece se aproximar mais das escolas de pinturas, onde os aprendizes seguiam os mestres.O que provavelmente acontece na fotografia de casamento.

 Eu acredito que o gosto e formado tambem por identidade, afetividade, obcessao,  uma rigidez em detalhes, ignorar um pouco que a arte nao mudou o homem, e que tem ate um peso devido a disciplina e esconder limitacoes.  Vi isto nas aulas humilhantes que tive de alemao, quando tive o "prazer" de ter consciencia de minhas limitacoes, nos egos dos que se lascaram como eu para aprender. Existe o peso da competicao, da vaidade. Acho que tudo isto e gosto, ou desgosto. E algo que nao sei o que e.     

Deveriamos usar menos a terceira pessoa.





« Última modificação: 04 de Novembro de 2019, 15:55:13 por Leonardo Tonin »