Autor Tópico: Como fotografar aquilo que não é visivel???  (Lida 895 vezes)

Lindsay

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Online: 19 de Novembro de 2020, 15:26:23
Fotografando o invisível.

Afirmação: "Cada fotografia estabelece uma relação própria e individual com o espectador."

E então, vc já parou pra pensar nisso??? Tem jeito??? Como é que se pode fazer para fotografar o invisível???

Por favor, me ajudem a explorar esse assunto  :ok:
« Última modificação: 19 de Novembro de 2020, 15:27:23 por Lindsay »
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C R O I X

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Resposta #1 Online: 19 de Novembro de 2020, 16:24:33
Esses dois paragrafos que fazem parte de um texto que publiquei no meu livro "A anxiedade da Inexistencia", responde a sua pergunta

Ter consciência significa aparecer para si mesmo, mas aparecer para si mesmo (nossa mente) não é suficiente para garantir sua realidade objetiva11. Apenas sob o olhar de outra pessoa que o indivíduo se torna um objeto a si mesmo (HUSTVEDT, p.370)12.  Através de expressões artísticas, como pintura, escrita, escultura e fotografia, estamos sempre nos comunicando com alguém, um espectador, a quem queremos aparecer;  Mesmo que o espectador seja um eu imaginário, a auto narrativa do indivíduo (onde é formado o senso de identidade da pessoa)13.  É como se o desejo de criar fosse um desejo de aparecer em outro objeto através do qual nossa existência possa ser percebida além de nos mesmos.  Também é no trabalho artístico que o artista aparece para si, desta vez não apenas através de sua auto narrativa mental (as imagens mentais de si), mas através de um eu materializado  que pode ser percebido através dos sentidos corporais – da emoção – no mundo objetivo. Como se isso confirmasse nossa existência a nós mesmos.

 O mesmo é a reação das pessoas à nossa própria aparência, que nos confirma nossa própria existência.  Quando falta essa interação, sentimos-nos invisíveis.  O corpo sente fome de confirmar sua existência.  O corpo sente desaparecer, resultando em ansiedade, apreensão sobre sua própria inexistência, e que só pode sentir-se descansado novamente quando os sentidos são alimentados pela reação interativa de sua aparência a outra pessoa, confirmando sua existência.


Em resume, toda criacao sugere um espectador, mas o espectador nao eh necessariamente um publico alheio a nos mas sim nos mesmos. E mesmo assim esse espectador continua sendo invisivel, mas como Kandinsky sugeriu, o verdadeiro ver nao acontece com os olhos. Os olhos apenas olhar, o que ve eh o copro. Se vc sente e esta ciente do que sente, vc esta vendo.

Uma vez um amigo pediu a minha opiniao de uma foto que ele fez e eu gostei muito, entao fiz uma descricao detalhada do pq eu gostei da foto. Ele respondeu que fez tudo o que eu descrevi sem pensar e nem saber. Eu disse a ele que as melhores fotos sao as que fazemos sem pensar mesmo. Se estamos sentindo e confiando no que sentimos, fazemos pq acreditamos que o nosso sentimento esta correto. Saber o pq esta correto eh secundaro e nao eh impostante para pazer a obra, mas somente para julgar a hobra se necessario ou desejado apos a criacao.

As pessoas que confundem o olhar com o ver acabam nao vendo nada. Bresson disse que o problema das pessoas eh que elas nao viam. E muitas pessoas que admiram as obras do fotografo concordam com ele e ate citam ele, mas sem realemnte entender o que ele quiz dizer com isso.
« Última modificação: 19 de Novembro de 2020, 16:27:05 por C R O I X »


Lindsay

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Resposta #2 Online: 19 de Novembro de 2020, 18:55:51
Esses dois paragrafos que fazem parte de um texto que publiquei no meu livro "A anxiedade da Inexistencia", responde a sua pergunta

Ter consciência significa aparecer para si mesmo, mas aparecer para si mesmo (nossa mente) não é suficiente para garantir sua realidade objetiva11. Apenas sob o olhar de outra pessoa que o indivíduo se torna um objeto a si mesmo (HUSTVEDT, p.370)12.  Através de expressões artísticas, como pintura, escrita, escultura e fotografia, estamos sempre nos comunicando com alguém, um espectador, a quem queremos aparecer;  Mesmo que o espectador seja um eu imaginário, a auto narrativa do indivíduo (onde é formado o senso de identidade da pessoa)13.  É como se o desejo de criar fosse um desejo de aparecer em outro objeto através do qual nossa existência possa ser percebida além de nos mesmos.  Também é no trabalho artístico que o artista aparece para si, desta vez não apenas através de sua auto narrativa mental (as imagens mentais de si), mas através de um eu materializado  que pode ser percebido através dos sentidos corporais – da emoção – no mundo objetivo. Como se isso confirmasse nossa existência a nós mesmos.

 O mesmo é a reação das pessoas à nossa própria aparência, que nos confirma nossa própria existência.  Quando falta essa interação, sentimos-nos invisíveis.  O corpo sente fome de confirmar sua existência.  O corpo sente desaparecer, resultando em ansiedade, apreensão sobre sua própria inexistência, e que só pode sentir-se descansado novamente quando os sentidos são alimentados pela reação interativa de sua aparência a outra pessoa, confirmando sua existência.


Em resume, toda criacao sugere um espectador, mas o espectador nao eh necessariamente um publico alheio a nos mas sim nos mesmos. E mesmo assim esse espectador continua sendo invisivel, mas como Kandinsky sugeriu, o verdadeiro ver nao acontece com os olhos. Os olhos apenas olhar, o que ve eh o copro. Se vc sente e esta ciente do que sente, vc esta vendo.

Uma vez um amigo pediu a minha opiniao de uma foto que ele fez e eu gostei muito, entao fiz uma descricao detalhada do pq eu gostei da foto. Ele respondeu que fez tudo o que eu descrevi sem pensar e nem saber. Eu disse a ele que as melhores fotos sao as que fazemos sem pensar mesmo. Se estamos sentindo e confiando no que sentimos, fazemos pq acreditamos que o nosso sentimento esta correto. Saber o pq esta correto eh secundaro e nao eh impostante para pazer a obra, mas somente para julgar a hobra se necessario ou desejado apos a criacao.

As pessoas que confundem o olhar com o ver acabam nao vendo nada. Bresson disse que o problema das pessoas eh que elas nao viam. E muitas pessoas que admiram as obras do fotografo concordam com ele e ate citam ele, mas sem realemnte entender o que ele quiz dizer com isso.
ok Marcio, depois de ler e reler umas 3x acho que entendi o que vc quis dizer. E apesar da maneira como vc se expressou, a citação retirada do seu livro faz sentido.

Mas olha só, conforme vc mesmo descreveu, as fotografias comunicam. Então propositalmente poderia o indivíduo, através da fotografia, comunicar propositalmente alguma questão que não seja/esteja tão intimamente espelhada na existência dele mesmo, digo do próprio fotografo???
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C R O I X

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Resposta #3 Online: 20 de Novembro de 2020, 09:29:14
[...]
Então propositalmente poderia o indivíduo, através da fotografia, comunicar propositalmente alguma questão que não seja/esteja tão intimamente espelhada na existência dele mesmo, digo do próprio fotografo???

Poderia, e eh essa a principal diferenca entre arte e publicidade. A arte eh prempre a experiencia do fotografo das coisas e do mundo em relacao a ele mesmo. Ou seja, confirmando a si mesmo, atravez da arte, o que sente. Ja a publicidade ou comercial eh uma reproducao de linguagem (no caso visual) para concretizar um conceito, experiencia ou desejo de alguem (do diretor, to designer, do cliente, do consumidor, dos amigos fotografos, da familia, etc).

Gustave Flaubert, quando perguntado quem era Madame Bovary, ele disse "A madame Bovary sou eu". Isso chocou as pessoas. Mas a verdade eh que todo bom escritor e artista, eh os personagems de seus livros, no sentido de viver, pensar e sentir o que tais personagens sentem, vivem e pensam. Pq se o autor nao for seus personagens o personagem nao esta vivo mas apenas sendo descrito de forma impessoal. E o mesmo eh a fotografia ou qualquer arte.

Como Siri Hustvedt diz: "Eu sou uma mulher mas quando escrevo eu as vezes eu sou um homem".


felipemendes

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Resposta #4 Online: 20 de Novembro de 2020, 15:57:24
Poderia, e eh essa a principal diferenca entre arte e publicidade.

Eu acho que arte e publicidade não são mutuamente excludentes. Arte pode ser publicidade e vice-versa. Arte pode ser também "jogar pra torcida", que seria trabalhar na temática fácil e popular em detrimento de significado profundo (por exemplo, Romero Britto). E não creio haver nada de errado nisso. Pode parecer fácil de assimilar, mas se fosse fácil de fazer, todo mundo faria. Mas aqui a arte enveredaria pro kitsch, que já conversamos em outro tópico, mas não é o assunto.

Quando vi o título do tópico, já estava com uma resposta simplista na ponta da língua: "É só tornar o invisível visível, ué". É o que faço quando vou fazer fotos de nebulosas invisíveis a olho nu. Mas a resposta simplista pode servir a vários casos. No caso da nebulosa, é procedimentado: você tira uma foto em tais e tais configurações, verifica se está no lugar correto por meio de um mapa estelar, faz outra foto até chegar ao lugar certo. Daí você faz X fotos, empilha e trata, pra trazer os detalhes à superfície. Ou seja, sua conexão com o invisível se dá por meio de um mapa estelar (e quem criou o mapa, como fez?).

A resposta simplista também serve ao caso figurativo que vocês estão discutindo. Você não fotografa sem ver o expectador. Você precisa ver e entender o expectador vendo sua obra a fim de fazer a foto do jeito que ele (ela) entenda. Um jeito simples de ilustrar a ideia seria a Medusa com Perseu. Apesar de Perseu nunca ver a Medusa diretamente, ele sabia onde ela estava por causa do reflexo. Como matá-la sem vê-la? Simples (mas não fácil): tornando-a visível. Se fosse fácil, qualquer um faria; por isso o herói era Perseu e não um camponês qualquer. Por isso tantos viraram pedra ao tentar matá-la.

Em conclusão, é necessário entender como funciona o expectador. Isso seria torná-lo visível, da maneira que entendi a pergunta.
« Última modificação: 20 de Novembro de 2020, 16:01:05 por felipemendes »
Felipe


Leonardo Tonin

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Resposta #5 Online: 20 de Novembro de 2020, 17:34:09
Paul klee falou algo assim... Tornar o invisivel visivel.


Maneco Pizarro

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Resposta #6 Online: 20 de Novembro de 2020, 18:39:25
Bacana, isso... Como acho que tem mais a ver com percepção do que propriamente com fotografia, permito-me palpitar.

A começar que acho a ordem inversa do que foi dito. Acho que fotografamos o visível, aquilo que está ali, estabelecido, seja lá  que for. Só que muitas vezes mostramos mais, aí, sim, mostramos o invisível... A meu ver isso só acontece quando a foto sai do contexto razão e por algo que acho inexplicável, atinge plenamente a emoção.

Quando você olha para uma foto e sai mexido com ela, indo muito além do gostei ou do não gostei. Quando manifesta ou desperta muito mais sentimento que qualquer outra coisa. Quando você fica alterado, feliz ou puto com o que viu... Essa é, na minha opinião, a retratação do invisível. Quando ela desperta um sentimento real.

Olhar a foto do negro espancado e ficar puto, triste, por ser parte disso... Isso, para mim, é mostrar o invisível da fotografia.

Não sei se me fiz claro, mas tentei colocar a minha impressão sobre o assunto e longe de querer ser certa ou errada. Apenas uma impressão, ok, camaradas?


Leonardo Tonin

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Resposta #7 Online: 20 de Novembro de 2020, 21:12:05
Infelizmente é verdade.


Lindsay

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Resposta #8 Online: 20 de Novembro de 2020, 21:36:18
Muito bom Felipe, Marcio, Leonardo, Maneco...

 :clap: :clap: :clap:
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Resposta #9 Online: 20 de Novembro de 2020, 21:38:07
O fotografo e professor Marcio Scavone tem uma teoria e um livro: Luz Invisível.

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pkawazoe

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Resposta #10 Online: 21 de Novembro de 2020, 01:08:54
Eu percebo que as pessoas em geral se atem muito ao que é real, eu entendo que essa é a natureza da fotografia, mas e se tivéssemos a postura de fotografarmos aquilo que imaginamos e  não o que vemos. 


pkawazoe

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Resposta #11 Online: 21 de Novembro de 2020, 01:09:26
O fotografo e professor Marcio Scavone tem uma teoria e um livro: Luz Invisível.


muito bom


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Resposta #12 Online: 21 de Novembro de 2020, 09:25:45
Eu acho que arte e publicidade não são mutuamente excludentes. Arte pode ser publicidade e vice-versa. Arte pode ser também "jogar pra torcida", que seria trabalhar na temática fácil e popular em detrimento de significado profundo (por exemplo, Romero Britto). E não creio haver nada de errado nisso. Pode parecer fácil de assimilar, mas se fosse fácil de fazer, todo mundo faria. Mas aqui a arte enveredaria pro kitsch, que já conversamos em outro tópico, mas não é o assunto.

Quando vi o título do tópico, já estava com uma resposta simplista na ponta da língua: "É só tornar o invisível visível, ué". É o que faço quando vou fazer fotos de nebulosas invisíveis a olho nu. Mas a resposta simplista pode servir a vários casos. No caso da nebulosa, é procedimentado: você tira uma foto em tais e tais configurações, verifica se está no lugar correto por meio de um mapa estelar, faz outra foto até chegar ao lugar certo. Daí você faz X fotos, empilha e trata, pra trazer os detalhes à superfície. Ou seja, sua conexão com o invisível se dá por meio de um mapa estelar (e quem criou o mapa, como fez?).

A resposta simplista também serve ao caso figurativo que vocês estão discutindo. Você não fotografa sem ver o expectador. Você precisa ver e entender o expectador vendo sua obra a fim de fazer a foto do jeito que ele (ela) entenda. Um jeito simples de ilustrar a ideia seria a Medusa com Perseu. Apesar de Perseu nunca ver a Medusa diretamente, ele sabia onde ela estava por causa do reflexo. Como matá-la sem vê-la? Simples (mas não fácil): tornando-a visível. Se fosse fácil, qualquer um faria; por isso o herói era Perseu e não um camponês qualquer. Por isso tantos viraram pedra ao tentar matá-la.

Em conclusão, é necessário entender como funciona o expectador. Isso seria torná-lo visível, da maneira que entendi a pergunta.
A publicidade usa muito da arte e a arte usa muito da publicidade, mas isso nao as fazem ser a mesma coisa.

Eu acho que arte e publicidade sao coisas bem distintas pq a primeira incita conforto ou desconforto dos sentidos para uma experiencia sobre o mundo ou imaginario de um mundo. Ja a publicidade trabalha na provocacao de anxiedades no espectador, sugerindo a ele que ele eh incompleto e que so pode se tornar completo de novo ao atingir o que a mensagem apresenta como ideal. Ou seja, a publicidade tira o amor da pessoa por ela mesma em sugerindo que ha uma versao melhor dela que ela inda nao possui, mas que pode possuir pelo preco, objeto ou lugar que esta sendo apresentado.

A arte eh sobre a experiencia do mundo que a pessoa pode perceber dentro de si. A publicidade eh a experiencia de si que a pessoa nao experiencia em si mesma mas sim em um objeto, local ou ideal a ser alcandado e que eh apresentado na imagem.

A arte faz vc fazer parte do mundo que eh expresso, a publicidade faz vc se sentir distante do mundo que eh apresentado.
« Última modificação: 21 de Novembro de 2020, 09:31:39 por C R O I X »


Leonardo Tonin

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Resposta #13 Online: 21 de Novembro de 2020, 09:48:20
Publicidade é um meio de comunicacao.
Eu nao conheco o fotografo Marcio Skavone, o que eu percebi foi...

No primeiro momento é narrada uma ficcao sobre o fotografo, a etnicidade popular e a fotografia por Luis Fernando Verissimo, e segue apresentando, atores, comediantes, , pessoas publicas. Como se a sociedade estivesse assegurando o trabalho do fotografo. Entao é uma comunicacao publicitaria feita por gente da literatura, do Teatro, no segundo momento o fotografo coloca a percepcao muito proxima do que o Croix comentou. É um ponto bastante fiel a sensibilidade, de um modo classico.

Outro fotografo,  que dialoga com publicidade e arte é o Miro.

Mas esse tipo de situacao é excessao. A arte é algo  que vai mais proximo da cultura.
« Última modificação: 21 de Novembro de 2020, 09:54:56 por Leonardo Tonin »


C R O I X

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Resposta #14 Online: 21 de Novembro de 2020, 09:55:02
O fotografo e professor Marcio Scavone tem uma teoria e um livro: Luz Invisível.


Isso eh muito poetico.

Eu gosto do que Susan Sontag escreveu em Against Interpretation. Que arte (no caso a fotografia) nao eh para ser explicada, o que a torna ela em um objeto utilitarista. Arte eh para ser experienciada e nada mais.

E de fato, o mais importante das minhas fotografias nao eh a foto. Eu nao gosto de fotografar as pessoas por causa do resultado em si e somemte. O prazer da fotografia, pintura, desenho, escrita e esporta esta na execucao. No prazer da experiencia e interacao do corpo com o mundo. O resultado eh apenas a lembranca de tal experiencia.

Essa experiencia nao eh o que se ve mas sim o que se sente, ritimo, padroes, sentimentos, emocao.

Os gregos da antiguidade diziam que o melhor atleta nao era o que faz o esporte por causa do resultado mas o que faz o exporte por causa da execucao da atividade. E Dun Scotus, na idade media, diz o mesmo. O amor real nao eh o amor que se atinge mas o que se experiencia em volta do que se eh desejado, tem realmente atingir. Uma vez atingido o desejo desaparece.

Por isso existem duas formas de execucao das coisas. Uma eh pelo objetivo final. E quando eh feito algo pelo objetivo final a atividade em si eh um obstaculo a ser superado, a se livrar do caminho do que se deseja no final. Como aristotales disse, eh igual fazer guerra pela paz.

A outra forma de execucao nao eh pelo objetivo final mas pela atividade em si. O que Dun Scotus chamava de amor verdadeiro. Eh igual a peregrinacao, em que a caminhada ao destino faz parte e eh o desejo, e nao meramente o destibo em si. Quem busca eliminar essa atividade peregrina que demanda tempo e espaco, focado no objetivo final, se tornam em pessoas vazias.

E eh esse o vazio que cria a crise de conciencia que as pessoas vivem hoje em dia. Vivemos uma sociedade focada em logistica que busca eliminar tempo e espaco para obter desejos e que ao mesmo tempo faz as pessoas se sentirem eternamente vazias correndo atras de um desejo apos o outro. E essa anxiedade eh o que tornam as pessoas trabalhadores e consumistas, em que as pessoas pensam que eh o que trara a felicidade e liberdade delas mas sem saber elas se tornam miseraveis, culpando demais pessoas e ideologias pelo pavio delas.