Autor Tópico: Cartier Bresson - 2 respostas pra pensar  (Lida 2309 vezes)

mascarenhasbh

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Online: 12 de Abril de 2007, 11:02:52
Jornalista - Mas é verdade que a fotografia não o interessa?

C. Bresson - Ela em si, o seu processo, não me interessa. O que me importa é a vida e o meio imediato de transcrevê-la. A máquina fotográfica é um caderno de croqui, é o desenho imediato, com a sensibilidade, a surpresa, o subconsciente, o gosto pela forma.


Jornalista - O que incomoda na fotografia é uma certa facilidade técnica.

C. Bresson - A técnica, em si, não existe. Mas é verdade que a fotografia é fácil demais e é preciso que adaptemos a técnica àquilo que queremos. Fotografia não se aprende. Por isso, digo que sou contra as escolas de fotografia, acho mesmo desonesto. Hoje com o filme 400 ASA, os problemas de luz não existem mais, só conta a experiência. É preciso adivinhar e depois, se não estamos seguros, basta verificar. O aprendizado, o contato excessivo com a máquina é a preguiça do olho, ele fica atrofiado. Não precisamos nem de célula fotoelétrica, o olhar é suficiente para saber quando a luz muda...Espero nunca ver o dia em que as lojas de equipamentos fotográficos vendam esquemas geométricos para colocarmos nos visores de nossas câmaras; ou a "Regra dos Terços" colada nos nossos óculos.


Achei legal porque isso nos estimula a esquecer um pouco a intensiva busca pelo equipamento perfeito , ex. essa guerra de nikon x canon.
E mostra oq vale mesmo , eh o momento , a sensibilidade , a composicao etc :]
"regra dos tercos colada nos nossos oculos" realmente nao existe , mas no visor da camera ja tem : [ ...
 


Paulo Dupin

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Resposta #1 Online: 12 de Abril de 2007, 11:39:01
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Achei legal porque isso nos estimula a esquecer um pouco a intensiva busca pelo equipamento perfeito , ex. essa guerra de nikon x canon.
E mostra oq vale mesmo , eh o momento , a sensibilidade , a composicao etc :]
"regra dos tercos colada nos nossos oculos" realmente nao existe , mas no visor da camera ja tem : [ ...

Legal seu tópico Mascarenhas.
Muito adequado.
 :thmbup:

[ ]s
Paulo
Paulo Dupin
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too old to rock'n'roll, too young to die


LuizNdo

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Resposta #2 Online: 12 de Abril de 2007, 13:04:30
A fotografia preocupada com a técnica produz belas imagens.
Mas somente quando a fotografia se preocupada com o momento é que ela produz imagens impressionantes.

Bresson sabia disso.
>> Belo Horizonte <<
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Fribeiro

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Resposta #3 Online: 12 de Abril de 2007, 13:54:53
Eu acho que certas pessoas nascem com talentos naturais, sejam para pintura, musica, esportes e etc..
Bresson com certeza se enquadra nisto, mas nem todos nasceram com o talento nem a sensibilidade do Bresson,  por isso que eu acho que buscar um aprendizado através de cursos ou buscar equipamentos melhores, pode sim te ajudar a buscar as "suas" imagens imagens impressionantes, mesmo que sejam impressionantes somente para você.

 
Francisco Ribeiro
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joseazevedo

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Resposta #4 Online: 12 de Abril de 2007, 13:55:01
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Jornalista - Mas é verdade que a fotografia não o interessa?

C. Bresson - Ela em si, o seu processo, não me interessa. O que me importa é a vida e o meio imediato de transcrevê-la. A máquina fotográfica é um caderno de croqui, é o desenho imediato, com a sensibilidade, a surpresa, o subconsciente, o gosto pela forma.


Jornalista - O que incomoda na fotografia é uma certa facilidade técnica.

C. Bresson - A técnica, em si, não existe. Mas é verdade que a fotografia é fácil demais e é preciso que adaptemos a técnica àquilo que queremos. Fotografia não se aprende. Por isso, digo que sou contra as escolas de fotografia, acho mesmo desonesto. Hoje com o filme 400 ASA, os problemas de luz não existem mais, só conta a experiência. É preciso adivinhar e depois, se não estamos seguros, basta verificar. O aprendizado, o contato excessivo com a máquina é a preguiça do olho, ele fica atrofiado. Não precisamos nem de célula fotoelétrica, o olhar é suficiente para saber quando a luz muda...Espero nunca ver o dia em que as lojas de equipamentos fotográficos vendam esquemas geométricos para colocarmos nos visores de nossas câmaras; ou a "Regra dos Terços" colada nos nossos óculos.


Achei legal porque isso nos estimula a esquecer um pouco a intensiva busca pelo equipamento perfeito , ex. essa guerra de nikon x canon.
E mostra oq vale mesmo , eh o momento , a sensibilidade , a composicao etc :]
"regra dos tercos colada nos nossos oculos" realmente nao existe , mas no visor da camera ja tem : [ ...
Uma das coisas que eu já aprendi é que fotografia não faz parte de "exatas". Se fosse o caso o número de fotos sensacionais que veríamos seria muito maior

Fotografia é "humanas". Quem fotografa é você, não a máquina.

Por isso acho divertido quando vejo aquelas discussões a minha cámera faz isso, a minha faz aquilo, a minha é melhor que a sua, minhas lentes são top, gente que gasta o que não tem numa lente L, por exempplo, pra fotografar o cachorro no quintal e revelar 10x15 num laboratório de 1 hora...

Na verdade é mais triste do que divertido. É um problema conceitual. Infelizmente a maioria das pessoas não usa fotografia como uma forma de expressão ou para registrar a sua visão do mundo. O que se vê é gente seduzida pelo fascinante mundo dos equipamentos fotográficos - que realmente são muito sedutores por si só - e muitas fotos dejà vu, réplicas de boas fotos que você já cansou de ver por aí.

Há também os técnicos de plantão, profundos conhecedores da toda e qualquer referência técnica sobre os mais obscuros meandros do processo fotográfico cujas imagens são... técnicas. Tem um forum americano que frequento sempre que tenho uma dúvida técnica que é bem assim, os caras manjam TUDO, mas as fotos são lamentáveis.

Isso acontece com todos nós numa determinada fase do nosso envolvimento com fotografia. Acho até importante, faz parte do processo de aprendizado e do conhecimento. Mas o mais importante é não ficar nisso, não se perder no deslumbre do equipamento ou na mistificação da técnica.

Fotografia depende do seu olhar, da sua visão. Depende da sua CULTURA fotográfica, da EDUCAÇÃO do seu olhar e de uma boa dose de INCONFORMISMO.

Cultura e educação do seu olhar não significam que você tenha que saber quando ela foi inventada, por quem, quais os grandes fabricantes de filmes, câmera e equipamentos, em que países estão, quem foram os grandes fotógrafos até hoje e aí por diante. Não, isso não é vestibular!

Por cultura e educação do seu olhar eu digo que é legal você saber porque Henri Cartier-Bresson se tornou Henri Cartier-Bresson. Olhe suas fotos, se quiser até leia um pouco sobre sua história, mas estude suas fotos. O que há de tão especial no jeito desse homem ver a vida ao seu redor para torná-lo uma referência mundial? Você é que vai ter que responder.

E vendo suas fotos, assim como a de inúmeros outros fotógrafos consagrados, você verá que muitas são tremidas, estão fora de foco, o filme foi revelado errado. Como que fotos tecnicamente ruins se tornaram referência a ponto de serem vendidas por milhares de dólares?? O que está sendo comprado é a imagem, o conceito, a idéia, o momento ilustrado, não uma gelatina de prata colada num papel.

Uma foto tecnicamente ruim que tenha conteúdo vale muito mais do que uma foto "perfeita" que não diz nada.

Quanto mais as pessoas entenderem isso, mais elas vão se libertar do supostamente seguro concretismo da técnica para cair na insegurança e na subjetividade da inspiração. E isso apavora muita gente. Você vai estar se expondo, expondo suas idéias a julgamento e a maioria não está preparada para isso. Acaba achando que uma crítica a uma idéia é uma rejeição pessoal. Por isso se seguram na técnica. "Essa foto está meio sem graça... " "Mas está no foco, a exposição está perfeita!" "Ah, que bom, ótimo!" Quantas vezes você já não viu diálogos assim?

O inconformismo é necessário para que você tente fazer as coisas diferentes. Chegue mais perto. Abaixe-se. Suba numa cadeira. O "será que assim..." deve ser mais praticado se você quer que suas fotos se diferenciem na paisagem. Não tenha medo de errar mas aprenda com seus erros. Aos poucos esse inconformismo vai ajudar você a desenvolver um estilo. É um processo lento mas sólido.

Tecnicamente, o seu equipamento, hoje, dá de 10 na Leica que Henri Cartier-Bresson usava. Mas o olhar dele bate o de qualquer um nesse ou em outros foruns que participo. Técnica é necessária, mas não é tudo. Não é nem 1/4.

Ansel Adams nunca teve receio de dividir seus segredos com ninguém. Muito pelo contrário. Escreveu livros contando como fez cada uma das fotos, antes de morrer doou boa parte de seus negativos originais a faculdade espalhadas pelos Estados Unidos para que estudantes de fotografia pudessem aprender ampliação a partir de um original real de um mestre. Suas fotos, embora tecnicamente perfeitas, não o tornaram conhecido por causa disso. Ele soube usar a técnica para reforçar o que queria mostrar a respeito do assunto fotografado, fossem nuvens invadindo o vale em Yosemite ou o a abstração da maré na areia das praias em Big Sur.

Sou autodidata, aprendi o que sei lendo e vendo. Teve uma época na minha vida em que cansei de ver fotografias, sentia a necessidade de ler sobre imagens, viajar em teorias. Pode parecer maluco, mas é interessante. Na época, achei uma revista - Camera & Darkroom - que, apesar de americana (americano é muito técnico e "equipamentista"), era muito boa, tinha umas discussões aprofundadas, mas sempre de forma CLARA, sobre conceitos e todo o lado subjetivo da fotografia. Foi muito bom enquanto durou... A revista acabou... Maldita economia que não permite às boas coisas sobreviver.

Os franceses são muito bons nisso, nas discussões filosóficas, em exercitar o pensamento. Tanto é que a França sempre produziu ótimos fotógrafos - nenhum deles muito técnico, curiosamente, mas todos muito expressivos. infelizmente meu francês é só o básico do básico, mas um dia eu chego lá, com um dicionário do lado a coisa vai.

Bom, já gastei muitas letrinhas, espero que alguém tenha saco de ler isso e, mais importante, considere praticar um pouquinho esse inconformismo e educação do olhar. Repensem sua relação com a fotografia. Sejam os maiores críticos das suas fotografias. Eu mesmo preciso voltar a praticar isso. Minhas últimas imagens estão muito "registro de família" apenas. Quem tiver a curiosidade de ver algumas imagens ue eu fiz, por favor acesse:

http://www.usefilm.com/photographer.asp?ID=55356

Abraço a todos,

José Azevedo

PS - Tem um DVD sobre o trabalho de Henri Cartier-Bresson ( HENRI CARTIER-BRESSON: THE IMPASSIONATE EYE) que é interessante para se conhecer ele e sua obra. São flashes de amigos e fotógrafos comentando suas imagens em meio a uma entrevista. Não é bem um documentário, mas material para se ver naqueles dias em que você está buscando inspiração. Comprei na Laserland ( www.laserland.com.br ) e custa 89 reais.
Também comprei um do William Eggleston lá, que custa 79 reais. É um documentário acompanhando ele em suas andanças em busca de imagens, em uma exposição e em uma palestra. É como se você estivesse ao seu lado, calado enquanto ele conversa com outras pessoas. Não é nada técnico, é inspiracional. Food for thoughts.

ATENÇÃO - esses dois DVDs são meio experimentais, o de William Eggleston mais ainda. Quem procura "os segredos de HCB" ou "Dicas e truques para fotografias fantásticas por William Eggleston" vai ficar decepcionado... não venham me pedir indenização depois :-)
« Última modificação: 12 de Abril de 2007, 14:23:21 por joseazevedo »


josantana

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Resposta #5 Online: 13 de Abril de 2007, 17:43:36
José,

Não tem o que falar, seu texto foi maravilhoso. Como estou engatinhando ainda na fotografia, estou correndo atrás de técnica, mas não vejo a hora desta se tornar mais orgânica para que eu possa me preocupar mais com o momento do que com o equipamento.

Grande abraço... irei atrás de suas indicações... ;)

Jo.
Jo Santana


MateusZF

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Resposta #6 Online: 13 de Abril de 2007, 20:19:21
•   "Para mim, a foto e o desenho estão muito próximos. Um é ação, o outro, meditação. E a grande coisa que me falta na fotografia é o grafismo. A caligrafia do desenho. Nada disso existe na fotografia."
Cartier
Minha máquina fotográfica e prolongamento natural do meu braço.
Foto é algo que depende de uma certa visão... De quem fotografa, de quem vê e de quem interpreta...

www.ribeiraopreto.sp.gov.br
http://www.meadiciona.com/mateuszf


Lucas Eduardo

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Resposta #7 Online: 15 de Abril de 2007, 00:12:41
o que será q ele diria da era digital??? hehehe
provavelmente seria o anti-digital mais famoso :P
Sul Foto Clube


carfael

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Resposta #8 Online: 16 de Abril de 2007, 08:54:47
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Jornalista - Mas é verdade que a fotografia não o interessa?

C. Bresson - Ela em si, o seu processo, não me interessa. O que me importa é a vida e o meio imediato de transcrevê-la. A máquina fotográfica é um caderno de croqui, é o desenho imediato, com a sensibilidade, a surpresa, o subconsciente, o gosto pela forma.


Jornalista - O que incomoda na fotografia é uma certa facilidade técnica.

C. Bresson - A técnica, em si, não existe. Mas é verdade que a fotografia é fácil demais e é preciso que adaptemos a técnica àquilo que queremos. Fotografia não se aprende. Por isso, digo que sou contra as escolas de fotografia, acho mesmo desonesto. Hoje com o filme 400 ASA, os problemas de luz não existem mais, só conta a experiência. É preciso adivinhar e depois, se não estamos seguros, basta verificar. O aprendizado, o contato excessivo com a máquina é a preguiça do olho, ele fica atrofiado. Não precisamos nem de célula fotoelétrica, o olhar é suficiente para saber quando a luz muda...Espero nunca ver o dia em que as lojas de equipamentos fotográficos vendam esquemas geométricos para colocarmos nos visores de nossas câmaras; ou a "Regra dos Terços" colada nos nossos óculos.


Achei legal porque isso nos estimula a esquecer um pouco a intensiva busca pelo equipamento perfeito , ex. essa guerra de nikon x canon.
E mostra oq vale mesmo , eh o momento , a sensibilidade , a composicao etc :]
"regra dos tercos colada nos nossos oculos" realmente nao existe , mas no visor da camera ja tem : [ ...
Uma das coisas que eu já aprendi é que fotografia não faz parte de "exatas". Se fosse o caso o número de fotos sensacionais que veríamos seria muito maior

Fotografia é "humanas". Quem fotografa é você, não a máquina.

Por isso acho divertido quando vejo aquelas discussões a minha cámera faz isso, a minha faz aquilo, a minha é melhor que a sua, minhas lentes são top, gente que gasta o que não tem numa lente L, por exempplo, pra fotografar o cachorro no quintal e revelar 10x15 num laboratório de 1 hora...

Na verdade é mais triste do que divertido. É um problema conceitual. Infelizmente a maioria das pessoas não usa fotografia como uma forma de expressão ou para registrar a sua visão do mundo. O que se vê é gente seduzida pelo fascinante mundo dos equipamentos fotográficos - que realmente são muito sedutores por si só - e muitas fotos dejà vu, réplicas de boas fotos que você já cansou de ver por aí.

Há também os técnicos de plantão, profundos conhecedores da toda e qualquer referência técnica sobre os mais obscuros meandros do processo fotográfico cujas imagens são... técnicas. Tem um forum americano que frequento sempre que tenho uma dúvida técnica que é bem assim, os caras manjam TUDO, mas as fotos são lamentáveis.

Isso acontece com todos nós numa determinada fase do nosso envolvimento com fotografia. Acho até importante, faz parte do processo de aprendizado e do conhecimento. Mas o mais importante é não ficar nisso, não se perder no deslumbre do equipamento ou na mistificação da técnica.

Fotografia depende do seu olhar, da sua visão. Depende da sua CULTURA fotográfica, da EDUCAÇÃO do seu olhar e de uma boa dose de INCONFORMISMO.

Cultura e educação do seu olhar não significam que você tenha que saber quando ela foi inventada, por quem, quais os grandes fabricantes de filmes, câmera e equipamentos, em que países estão, quem foram os grandes fotógrafos até hoje e aí por diante. Não, isso não é vestibular!

Por cultura e educação do seu olhar eu digo que é legal você saber porque Henri Cartier-Bresson se tornou Henri Cartier-Bresson. Olhe suas fotos, se quiser até leia um pouco sobre sua história, mas estude suas fotos. O que há de tão especial no jeito desse homem ver a vida ao seu redor para torná-lo uma referência mundial? Você é que vai ter que responder.

E vendo suas fotos, assim como a de inúmeros outros fotógrafos consagrados, você verá que muitas são tremidas, estão fora de foco, o filme foi revelado errado. Como que fotos tecnicamente ruins se tornaram referência a ponto de serem vendidas por milhares de dólares?? O que está sendo comprado é a imagem, o conceito, a idéia, o momento ilustrado, não uma gelatina de prata colada num papel.

Uma foto tecnicamente ruim que tenha conteúdo vale muito mais do que uma foto "perfeita" que não diz nada.

Quanto mais as pessoas entenderem isso, mais elas vão se libertar do supostamente seguro concretismo da técnica para cair na insegurança e na subjetividade da inspiração. E isso apavora muita gente. Você vai estar se expondo, expondo suas idéias a julgamento e a maioria não está preparada para isso. Acaba achando que uma crítica a uma idéia é uma rejeição pessoal. Por isso se seguram na técnica. "Essa foto está meio sem graça... " "Mas está no foco, a exposição está perfeita!" "Ah, que bom, ótimo!" Quantas vezes você já não viu diálogos assim?

O inconformismo é necessário para que você tente fazer as coisas diferentes. Chegue mais perto. Abaixe-se. Suba numa cadeira. O "será que assim..." deve ser mais praticado se você quer que suas fotos se diferenciem na paisagem. Não tenha medo de errar mas aprenda com seus erros. Aos poucos esse inconformismo vai ajudar você a desenvolver um estilo. É um processo lento mas sólido.

Tecnicamente, o seu equipamento, hoje, dá de 10 na Leica que Henri Cartier-Bresson usava. Mas o olhar dele bate o de qualquer um nesse ou em outros foruns que participo. Técnica é necessária, mas não é tudo. Não é nem 1/4.

Ansel Adams nunca teve receio de dividir seus segredos com ninguém. Muito pelo contrário. Escreveu livros contando como fez cada uma das fotos, antes de morrer doou boa parte de seus negativos originais a faculdade espalhadas pelos Estados Unidos para que estudantes de fotografia pudessem aprender ampliação a partir de um original real de um mestre. Suas fotos, embora tecnicamente perfeitas, não o tornaram conhecido por causa disso. Ele soube usar a técnica para reforçar o que queria mostrar a respeito do assunto fotografado, fossem nuvens invadindo o vale em Yosemite ou o a abstração da maré na areia das praias em Big Sur.

Sou autodidata, aprendi o que sei lendo e vendo. Teve uma época na minha vida em que cansei de ver fotografias, sentia a necessidade de ler sobre imagens, viajar em teorias. Pode parecer maluco, mas é interessante. Na época, achei uma revista - Camera & Darkroom - que, apesar de americana (americano é muito técnico e "equipamentista"), era muito boa, tinha umas discussões aprofundadas, mas sempre de forma CLARA, sobre conceitos e todo o lado subjetivo da fotografia. Foi muito bom enquanto durou... A revista acabou... Maldita economia que não permite às boas coisas sobreviver.

Os franceses são muito bons nisso, nas discussões filosóficas, em exercitar o pensamento. Tanto é que a França sempre produziu ótimos fotógrafos - nenhum deles muito técnico, curiosamente, mas todos muito expressivos. infelizmente meu francês é só o básico do básico, mas um dia eu chego lá, com um dicionário do lado a coisa vai.

Bom, já gastei muitas letrinhas, espero que alguém tenha saco de ler isso e, mais importante, considere praticar um pouquinho esse inconformismo e educação do olhar. Repensem sua relação com a fotografia. Sejam os maiores críticos das suas fotografias. Eu mesmo preciso voltar a praticar isso. Minhas últimas imagens estão muito "registro de família" apenas. Quem tiver a curiosidade de ver algumas imagens ue eu fiz, por favor acesse:

http://www.usefilm.com/photographer.asp?ID=55356

Abraço a todos,

José Azevedo

PS - Tem um DVD sobre o trabalho de Henri Cartier-Bresson ( HENRI CARTIER-BRESSON: THE IMPASSIONATE EYE) que é interessante para se conhecer ele e sua obra. São flashes de amigos e fotógrafos comentando suas imagens em meio a uma entrevista. Não é bem um documentário, mas material para se ver naqueles dias em que você está buscando inspiração. Comprei na Laserland ( www.laserland.com.br ) e custa 89 reais.
Também comprei um do William Eggleston lá, que custa 79 reais. É um documentário acompanhando ele em suas andanças em busca de imagens, em uma exposição e em uma palestra. É como se você estivesse ao seu lado, calado enquanto ele conversa com outras pessoas. Não é nada técnico, é inspiracional. Food for thoughts.

ATENÇÃO - esses dois DVDs são meio experimentais, o de William Eggleston mais ainda. Quem procura "os segredos de HCB" ou "Dicas e truques para fotografias fantásticas por William Eggleston" vai ficar decepcionado... não venham me pedir indenização depois :-)
Texto magnífico meu caro amigo!!!!
Realmente, fotografia é humanas e não uma ciência exata. E olha que os grandes fotógrafos verdadeiramente não se importavam tanto com a técnica, mas com o resultado final. Eu vi esses filmes. principalmente o THE IMPASSIONATE EYE. Dava prá ver como Bresson fotografava com sua complicada Leica.

Muito bom
 
Rafael Moraes
Equipamento? Apenas o olhar


Kika Salem

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Resposta #9 Online: 09 de Maio de 2008, 13:37:58
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Jornalista - Mas é verdade que a fotografia não o interessa?

C. Bresson - Ela em si, o seu processo, não me interessa. O que me importa é a vida e o meio imediato de transcrevê-la. A máquina fotográfica é um caderno de croqui, é o desenho imediato, com a sensibilidade, a surpresa, o subconsciente, o gosto pela forma.


Jornalista - O que incomoda na fotografia é uma certa facilidade técnica.

C. Bresson - A técnica, em si, não existe. Mas é verdade que a fotografia é fácil demais e é preciso que adaptemos a técnica àquilo que queremos. Fotografia não se aprende. Por isso, digo que sou contra as escolas de fotografia, acho mesmo desonesto. Hoje com o filme 400 ASA, os problemas de luz não existem mais, só conta a experiência. É preciso adivinhar e depois, se não estamos seguros, basta verificar. O aprendizado, o contato excessivo com a máquina é a preguiça do olho, ele fica atrofiado. Não precisamos nem de célula fotoelétrica, o olhar é suficiente para saber quando a luz muda...Espero nunca ver o dia em que as lojas de equipamentos fotográficos vendam esquemas geométricos para colocarmos nos visores de nossas câmaras; ou a "Regra dos Terços" colada nos nossos óculos.


Achei legal porque isso nos estimula a esquecer um pouco a intensiva busca pelo equipamento perfeito , ex. essa guerra de nikon x canon.
E mostra oq vale mesmo , eh o momento , a sensibilidade , a composicao etc :]
"regra dos tercos colada nos nossos oculos" realmente nao existe , mas no visor da camera ja tem : [ ...
Uma das coisas que eu já aprendi é que fotografia não faz parte de "exatas". Se fosse o caso o número de fotos sensacionais que veríamos seria muito maior

Fotografia é "humanas". Quem fotografa é você, não a máquina.

Por isso acho divertido quando vejo aquelas discussões a minha cámera faz isso, a minha faz aquilo, a minha é melhor que a sua, minhas lentes são top, gente que gasta o que não tem numa lente L, por exempplo, pra fotografar o cachorro no quintal e revelar 10x15 num laboratório de 1 hora...

Na verdade é mais triste do que divertido. É um problema conceitual. Infelizmente a maioria das pessoas não usa fotografia como uma forma de expressão ou para registrar a sua visão do mundo. O que se vê é gente seduzida pelo fascinante mundo dos equipamentos fotográficos - que realmente são muito sedutores por si só - e muitas fotos dejà vu, réplicas de boas fotos que você já cansou de ver por aí.

Há também os técnicos de plantão, profundos conhecedores da toda e qualquer referência técnica sobre os mais obscuros meandros do processo fotográfico cujas imagens são... técnicas. Tem um forum americano que frequento sempre que tenho uma dúvida técnica que é bem assim, os caras manjam TUDO, mas as fotos são lamentáveis.

Isso acontece com todos nós numa determinada fase do nosso envolvimento com fotografia. Acho até importante, faz parte do processo de aprendizado e do conhecimento. Mas o mais importante é não ficar nisso, não se perder no deslumbre do equipamento ou na mistificação da técnica.

Fotografia depende do seu olhar, da sua visão. Depende da sua CULTURA fotográfica, da EDUCAÇÃO do seu olhar e de uma boa dose de INCONFORMISMO.

Cultura e educação do seu olhar não significam que você tenha que saber quando ela foi inventada, por quem, quais os grandes fabricantes de filmes, câmera e equipamentos, em que países estão, quem foram os grandes fotógrafos até hoje e aí por diante. Não, isso não é vestibular!

Por cultura e educação do seu olhar eu digo que é legal você saber porque Henri Cartier-Bresson se tornou Henri Cartier-Bresson. Olhe suas fotos, se quiser até leia um pouco sobre sua história, mas estude suas fotos. O que há de tão especial no jeito desse homem ver a vida ao seu redor para torná-lo uma referência mundial? Você é que vai ter que responder.

E vendo suas fotos, assim como a de inúmeros outros fotógrafos consagrados, você verá que muitas são tremidas, estão fora de foco, o filme foi revelado errado. Como que fotos tecnicamente ruins se tornaram referência a ponto de serem vendidas por milhares de dólares?? O que está sendo comprado é a imagem, o conceito, a idéia, o momento ilustrado, não uma gelatina de prata colada num papel.

Uma foto tecnicamente ruim que tenha conteúdo vale muito mais do que uma foto "perfeita" que não diz nada.

Quanto mais as pessoas entenderem isso, mais elas vão se libertar do supostamente seguro concretismo da técnica para cair na insegurança e na subjetividade da inspiração. E isso apavora muita gente. Você vai estar se expondo, expondo suas idéias a julgamento e a maioria não está preparada para isso. Acaba achando que uma crítica a uma idéia é uma rejeição pessoal. Por isso se seguram na técnica. "Essa foto está meio sem graça... " "Mas está no foco, a exposição está perfeita!" "Ah, que bom, ótimo!" Quantas vezes você já não viu diálogos assim?

O inconformismo é necessário para que você tente fazer as coisas diferentes. Chegue mais perto. Abaixe-se. Suba numa cadeira. O "será que assim..." deve ser mais praticado se você quer que suas fotos se diferenciem na paisagem. Não tenha medo de errar mas aprenda com seus erros. Aos poucos esse inconformismo vai ajudar você a desenvolver um estilo. É um processo lento mas sólido.

Tecnicamente, o seu equipamento, hoje, dá de 10 na Leica que Henri Cartier-Bresson usava. Mas o olhar dele bate o de qualquer um nesse ou em outros foruns que participo. Técnica é necessária, mas não é tudo. Não é nem 1/4.

Ansel Adams nunca teve receio de dividir seus segredos com ninguém. Muito pelo contrário. Escreveu livros contando como fez cada uma das fotos, antes de morrer doou boa parte de seus negativos originais a faculdade espalhadas pelos Estados Unidos para que estudantes de fotografia pudessem aprender ampliação a partir de um original real de um mestre. Suas fotos, embora tecnicamente perfeitas, não o tornaram conhecido por causa disso. Ele soube usar a técnica para reforçar o que queria mostrar a respeito do assunto fotografado, fossem nuvens invadindo o vale em Yosemite ou o a abstração da maré na areia das praias em Big Sur.

Sou autodidata, aprendi o que sei lendo e vendo. Teve uma época na minha vida em que cansei de ver fotografias, sentia a necessidade de ler sobre imagens, viajar em teorias. Pode parecer maluco, mas é interessante. Na época, achei uma revista - Camera & Darkroom - que, apesar de americana (americano é muito técnico e "equipamentista"), era muito boa, tinha umas discussões aprofundadas, mas sempre de forma CLARA, sobre conceitos e todo o lado subjetivo da fotografia. Foi muito bom enquanto durou... A revista acabou... Maldita economia que não permite às boas coisas sobreviver.

Os franceses são muito bons nisso, nas discussões filosóficas, em exercitar o pensamento. Tanto é que a França sempre produziu ótimos fotógrafos - nenhum deles muito técnico, curiosamente, mas todos muito expressivos. infelizmente meu francês é só o básico do básico, mas um dia eu chego lá, com um dicionário do lado a coisa vai.

Bom, já gastei muitas letrinhas, espero que alguém tenha saco de ler isso e, mais importante, considere praticar um pouquinho esse inconformismo e educação do olhar. Repensem sua relação com a fotografia. Sejam os maiores críticos das suas fotografias. Eu mesmo preciso voltar a praticar isso. Minhas últimas imagens estão muito "registro de família" apenas. Quem tiver a curiosidade de ver algumas imagens ue eu fiz, por favor acesse:

http://www.usefilm.com/photographer.asp?ID=55356

Abraço a todos,

José Azevedo

PS - Tem um DVD sobre o trabalho de Henri Cartier-Bresson ( HENRI CARTIER-BRESSON: THE IMPASSIONATE EYE) que é interessante para se conhecer ele e sua obra. São flashes de amigos e fotógrafos comentando suas imagens em meio a uma entrevista. Não é bem um documentário, mas material para se ver naqueles dias em que você está buscando inspiração. Comprei na Laserland ( www.laserland.com.br ) e custa 89 reais.
Também comprei um do William Eggleston lá, que custa 79 reais. É um documentário acompanhando ele em suas andanças em busca de imagens, em uma exposição e em uma palestra. É como se você estivesse ao seu lado, calado enquanto ele conversa com outras pessoas. Não é nada técnico, é inspiracional. Food for thoughts.

ATENÇÃO - esses dois DVDs são meio experimentais, o de William Eggleston mais ainda. Quem procura "os segredos de HCB" ou "Dicas e truques para fotografias fantásticas por William Eggleston" vai ficar decepcionado... não venham me pedir indenização depois :-)

Estava pesquisando sobre seguro de equipamentos e encontrei essa postagem.
Mais uma prova de que a ferramenta pesquisa não é obsoleta, ao contrário.

P.S.: Eu adoro ressuscitar tópicos. Tem um de fotografia de espetáculos que é ótimo também. :ok:
« Última modificação: 09 de Maio de 2008, 13:44:38 por Kika Salem »


Paulo Machado

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Resposta #10 Online: 09 de Maio de 2008, 14:19:50
Frases de HCB.
http://www.photoquotes.com/ShowQuotes.aspx?id=98&name=Cartier-Bresson,Henri
Impagável: "Sharpness is a bourgeois concept"
Nitidez é um conceito burguês.
« Última modificação: 09 de Maio de 2008, 14:23:05 por Paulo Machado »
When words become unclear, I shall focus with photographs. When images become inadequate, I shall be content with silent.  - Ansel Adams


Paulo Machado

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Resposta #11 Online: 09 de Maio de 2008, 14:26:41
Outra.
"I’m always amused by the idea that certain people have about technique, which translate into an immoderate taste for the sharpness of the image.It is a passion for detail, for perfection, or do they hope to get closer to reality with this trompe I’oeil?"

Tive que procurar na Wikipedia para saber o que quer dizer trompe I’oeil.
« Última modificação: 09 de Maio de 2008, 14:28:58 por Paulo Machado »
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Carlos Magalhaes

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Resposta #12 Online: 09 de Maio de 2008, 14:32:07
Frases de HCB.
http://www.photoquotes.com/ShowQuotes.aspx?id=98&name=Cartier-Bresson,Henri
Impagável: "Sharpness is a bourgeois concept"
Nitidez é um conceito burguês.

Ótimo!!!!!!

Essa é muito boa também:

Only a fraction of the camera's possibilities interests me - the marvellous mixture of emotion and geometry, together in a single instant. - Henri Cartier-Bresson - Aperture 129, Fall 1992

O problema é colocar isso em prática como ele fazia!
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Francisco

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Resposta #13 Online: 09 de Maio de 2008, 16:10:02
Olha, acho que as declarações do Bresson sobre técnica devem ser vistas com cautela. Hoje em dia (e mesmo na época em que o Bresson clicava a todo o vapor), a fotografia já era uma área ampla, que envolvia moda, publicidade, documentários, ilustrações para livros didáticos, etc. Há uma gama de aplicações que fica muito limitada se for fotografada sem técnica.

Imaginem uma flor fotografada para um livro de biologia sem uma lente macro, tremida e com dof extremamente reduzido. Dá para ver que essas frases de impacto do Bresson não se enquadram muito bem aí, né?

Eu já havia lido em algum lugar que o Bresson não se dedicava ao processamento do filme. O negócio dele era o clicar, a pintura instantânea (até porque ele era essencialmente um pintor e no fim da vida parou de clicar para ficar pintando). Como a captura da luz com um clique era materializada no papel não interessava muito. Ansel Adams, outro gênio da fotografia, seguia uma corrente bem diferente. O negócio dele era a exposição perfeita, a nitidez, as texturas. Era uma fotografia mais científica, isso é fato, ele experimentou uma infinidade de processos químicos e formas de regular o contraste, nitidez e durabilidade do negativo.

Essa discussão sobre "técnica versus olhar" é velha e desgastante. As frases acima, do Bresson, só têm peso porque o cara era um gênio, um pioneiro, um formador de uma estética que é inspiradora até hoje. Mas não acho que isso lhe dá o direito de jogar Ansel Adams no lixo e toda uma gama de aplicações em fotografia que são essencialmente técnicas. Eu não vejo essas frases como algo a ser seguido. O próprio Bresson era um cara técnico, tinha formação em artes plásticas, o que lhe ajudou a ter esse olhar aguçado.

Sei lá, cada um fotografe como quiser e pronto, seja com uma Mark III e objetivas L ou com uma Lomo. Sem dramas, há espaço para todos.
Francisco Amorim
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Carlos Magalhaes

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Resposta #14 Online: 09 de Maio de 2008, 16:23:32
Concordo com você, Francisco. As frases do Bresson dão a impressão de que ele gostava de ser polêmico. Inclusive tem uma frase lá em que ele diz mais ou menos assim: "o mundo está se acabando e o Ansel Adams fotografando pedras". Uai, por que não fotografar pedras...

Mas na frase que citei, quando ele diz que a fotografia deve juntar emoção e geometria, já dá para perceber que ele sabia muito bem da importância da técnica. Alguém pode até dizer que qualquer um pode ter um dom para captar a emoção sem ter estudado para isso. Mas fazer uma composição com consciência das relações geométricas implicadas dificilmente seria algo inato para qualquer um. É algo que requer muito estudo e domínio técnico.
Carlos Magalhaes
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