Autor Tópico: Fotografia amadora...  (Lida 8793 vezes)

Marcos Kaddoum

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Online: 13 de Julho de 2005, 02:39:47
O mal do fotógrafo inexperiente é que qualquer foto um pouco mais colorida ou um pouco diferente é mais do que suficiente pra surpreender, independente de exposição, enquandramento ou nitidez. O legal é que a maioria das pessoas se surpreende e se emociona com isso. O objetivo da fotografia amadora é registrar o que vemos ou registrar um momento. E nessas horas a composição, exposição ou nitidez e outras caracteríticas são dispensáveis aos olhos do leigo. Vale mais a emoção, o flagra, o momento. Já na fotografia profissional ou mais experiente os detalhes (serão detalhes?) valem tanto quanto o todo, e portanto são fundamentais.

Só sei que o simples ato de congelar e guardar uma imagem é magnífico, e que todos que começam passam por essa fase. Espero estar no caminho certo.

É esse sentimento que eu tenho, e a vontade é de me tornar uma pessoa mais atenta aos detalhes e mais minuciosa. Com certeza essa fonte está me ajudando nisso.

Abraços,
Marcos Kaddoum
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Ivan de Almeida

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Resposta #1 Online: 13 de Julho de 2005, 08:42:12
Marcos:

É interessante este assunto que você abordou. A Fotografia Amadora.

Veja. Uma das coisas que acho mais engraçadas é ouvir de pessoas "sou apenas um amador", ou "fulano que é profissional", como se na fotografia houvesse uma escada onde se subisse o degrau de amador e depois o de profissional.

Contudo não é assim. Os degraus subidos são outros, o de iniciante, o de avançado, o de perito. Mesmo dentro desses há tantas assimetrias e ajustes que não se pode dizer ser a mesma coisa. Em um lugar onde posto há um colega que em termos técnicos é pouco mais que um inciante, mas em termos de composição, enquadramento, concepção, é um perito.  As fotos dele são sempre interessantes, embora ao olhá-las me surjam dúvidas se elas resistiriam ao teste do papel. Já outros são avançados na técnica, mas absolutamente incipientes nos aspectos estético-poéticos da fotografia (isso, aliás, é bem comum).

Alguns se profissionalizam ainda iniciantes, pois o mercado aceita de tudo. Outros, a maioria, é profissional e fotógrafo avançado. Os peritos são poucos, tanto entre os amadores quanto entre os profissionais, e geralmente os pritos profissionais enfatizam mais os aspectos técnicos, principalmente técnicos de fotografia sob iluminação controlada ou semi-controlada, e os peritos amdores enfatizam o aspecto estético-poético, mas nesse nível tanto uns quanto os outros dominam mais que suficientemente o outro aspecto complementar.

Olhando para mim mesmo, que sou definitivamente amador, vejo alguém juito interessando em avançar em fotografia, muito orientado para os aspectos estético-poéticos, atento aos aspectos técncicos cada vez que minhas intenções estético-poéticas esbarram na técnica, mas sem nenhuma vontade de profissionalização. A essa altura da vida, tenho profissão definida que me sustenta decentemente, e não tenho nenhuma vontade de aturar os aborrecimentos de outra profissão. Não se trata de saber, trata-se de querer. Evidentemente não tenho também necessidades fotográficas ligadas a entregar trabalhos em prazos determinados, com temas determinados, e isso ao mesmo tempo em que diminui a pressão para certo tipo de aperfeiçoamento também liberta outro tipo, aquele mais voltado á busca das inclinações íntimas. Se um dia eu me tornar um bom fotógrafo, tornar-me-ei um bom fotógrafo amador, e não um profissional.



 


Marcos Kaddoum

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Resposta #2 Online: 13 de Julho de 2005, 22:08:54
Ivan,

A experiência e aprendizado não é o que determina o profissional ou o amador. Da mesma forma que não é a análise com esses olhos que determinam uma boa foto. Não é só a técnica e os padrões. Dizem que vinho é semelhante. As vezes você não sabe distinguir nada, mas sabe qual você gosta e qual você não gosta. É interessante que cada um tem seu limite. Eu não tenho prática pra análises mais aprofundadas de cor e textura. Muitas vezes não noto diferenças que para muitos são gritantes. Como isso vai interferir no meu desenvolvimento eu não sei. Sei que continuo com a mesma percepção do bom e do ruim. E, algumas vezes, a ignorância é aliada, que impede que aquela foto que a gente acha tão bonita fique feia por coisas que podem ser detalhes não importantes. As vezes...

Abraços,

 
Marcos Kaddoum
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charlesdias

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Resposta #3 Online: 14 de Julho de 2005, 00:28:29
Temos um problema muito grande no Brasil no tocante a fotografia, que foge ao amador ou profissional, mas que poucas, muito poucas pessoas se dão conta.
 Invelizmente mais desinformado que os fotógrafos, são as pessoas que não fotografam, mas que vêm as fotos produzidas por fotógrafos amadores ou profissionais.
 Quantas pessoas que não fotografam que vc conhece, que gostam e entendem de fotografia um mínimo que seja ??? Eu conheço meia dúzia !!!
 A maioria das pessoas analisam uma foto com um mínimo de tempo e de cuidado. Em um país como o nosso onde a televisão é que acaba sendo o principal meio de difusão cultural, boas fotos acabam sendo aquelas que se parecem com cenas vistas em novelas e filmes.
 Discutimos muito sobre nós mesmos, mas não discutimos a importância que TODOS os fotógrafos têm de educar as pessoas ao seu redor para que saiam apreciar uma boa foto !!!  Isso tem de passar a fazer parte da nossa realidade.

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Danilo

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Resposta #4 Online: 14 de Julho de 2005, 01:29:06
Não acho que fotógrafo profissional é sinônimo de qualidade, muito pelo contrário, eu encontro muito trabalho ruim no meio profissional e me surpreendo constatemente com  amadores. Como o Ivan disse, acho que existe muito mais amor, poesia e dedicação nos fotógrafos amadores. Logicamente por não terem obrigações com a fotografia e fazerem por 'diversão'.

A única diferença é que um vive disse e o outro não. :)

abraços


Georges

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Resposta #5 Online: 14 de Julho de 2005, 02:49:18
Assino embaixo tudo o que o Ivan e os demais disseram. Ainda hoje um colega olhou pra minha câmera (apenas uma FZ15) e soltou a frase que mais tenho ouvido desde que comprei uma câmera um pouquinho mais "avantajada" e na cor preta: "bah, tua câmera é profissional!". Não há uma única vez em que não ouço esta frase quando estou com alguém que não fotografa. A segunda frase é também inevitável: "quantos megapixels tem?". Quando digo que tem somente 4, a pessoa me olha espantada: "mas como? a minha P93 tem 5 megapixels de qualidade!". Sim, ele disse qualidade! Explicar? Esquece... Pior é outra coisa que ouço às vezes: "o fulano comprou uma câmera semi-profissional, uma Sony W5". De onde diabos tiram essa história de "semi" e "pro" nestes casos? Por quê há essa idéia de que qualquer equipamento com controles manuais e tamanho mais avantajado seja "profissional"? Mas muito pior é o uso da palavra "amador". Amadores são justamente a maioria neste fórum: é o sujeito que tem a fotografia por hobby, tem algum conhecimento sobre o assunto, mas não ganha dinheiro com isso. É muito diferente do "leigo", este sim só sabe apontar-e-clicar, com o único intuito de fazer fotos de registro. "Amador" e "profissional" são dois termos exaustivamente usados de forma incorreta, e o melhor de tudo pra evitar qualquer confusão, é simplesmente não usá-los a torto e direito. Ninguém se torna "iluminado" na fotografia da noite para o dia, recebendo o título de "profissional" mesmo sendo apenas um hobbysta. É melhor deixar este termo para quem realmente tem a fotografia como profissão, e mesmo neste campo há tanto fotógrafos muito bons, como fotógrafos muito ruins, de forma que o termo realmente só designa o fator "trabalho". E concordo com a afirmação do Charles: é importante que o fotógrafo busque conscientizar as pessoas à sua volta para o que tenham uma percepção mais crítica do que é a fotografia de fato, mas isso deve ser feito com paciência, pois não é fácil tirar a fotografia da banalidade do ato de "fotografar" (registrar), ainda mais com a profusão de digitais atualmente.
Georges Lemos
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Ivan de Almeida

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Resposta #6 Online: 14 de Julho de 2005, 09:29:43
Pois é, George.

Mas agora, aproveitando o gancho, gostaria de propor uma pergunta, que é a pergunta a me inquietar hoje em dia:

Pois bem, na medida em que vamos ganhando perícia na fotografia, em que vamos desenvolvendo uma linguagem, etc, e que definitivamente não queremos fazer isso profissão: O QUE FAZER COM ISSO?

Explico. Minha natureza me faz interessar-me por um sem número de coisas, mas a partir de certo ponto o interesse precisa canalizar-se para uma interação útil com o mundo. Util não siginfica comercial, me de um praticismo imediato, mas uma interação onde a produção insemine o mundo de alguma maneira.

Sinto-me atualmente muito perto disso. Sinto ser obrigado, sob pena de futuramente poder me desinteressar no grau em que hoje me interesso, obrigado a encontrar vertedouro para essa produção, encontrar "lugar no mundo" para essa produção.

É um tema que gostaria de debater com vocês. O que pensam disso?

Abraços,
Ivan
« Última modificação: 14 de Julho de 2005, 09:33:17 por Ivan de Almeida »


Marcos Kaddoum

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Resposta #7 Online: 14 de Julho de 2005, 11:27:34
Charles e Georges,

Eu concordo somente em parte com o que vocês disseram. É óbvio que quando um leigo vê uma foto que não é nada demais, uma foto que até ele mesmo tirou, e acha ela perfeita, é porque ele não está olhando com olhos para a fotografia, mas sim para o cenário, o momento, as pessoas. Ele é leigo, oras!
Não acho que seja importante conscientizarmos essas pessoas dos parâmetros e técnicas para uma boa foto. Talvez ensiná-los a fotografar e colocá-los no caminho que estamos, mas não tirar deles o prazer de clicar e se apaixonar pelo que está além do ilustrado. Acho que seria muita frustração, depois de uma viagem que o cara fez, revelar as fotos e ver que nenhuma dela está "fotograficamente correta". Simplesmente porque o leigo não é amador! Ele não tem isso como hobby e não pratica isso nos seus fds, como nós fazemos. Ele não tem que saber discernir e identificar o que está certo ou errado. Já ví um milhão de fotos tiradas por outras pessoas de um pôr do sol, completamente estourado, em que a pessoa é apaixonada pela foto. Acho que essa distinção cabe ao amador. Bem ou mal, nós estudamos (informação é estudo, não é?) pra isso. E ainda assim, muitos de nós, como eu próprio, vai parar naquele ponto de saber a diferença do bom e do ruim. Como o vinho. Eu fico imaginando como seria em um restaurante se os vinhos não tivessem preço, já que pra grande maioria das pessoas que não entendem de vinho, preço é o parâmetro entre o bom e ruim.

Ivan, eu concordo com você que é preciso um objetivo além, quando o objetivo não é o profissional. Mas daí você tem diversas opções, só basta achar uma. Faz um livro da sua família, do Rio de Janeiro, do seu bairro. Compra um 4x4 e já que você gosta tanto de campo, viaje pelo Brasil pra fotografar o campo. Eu acho que tem tanta opção pra variar e aplicar todo conhecimento que existe nessa área.
Com certeza essa dúvida realmente existe, e alguma hora pode inclusive tornar a fotografia monótona. A solução é variar, associe a fotografia com outra coisa que você curte. Mudar a rotina sempre ajuda pra evitar a monotonia. E como você não está profissionalmente ligado a nada...
Eu comecei na fotografia por conta das viagens. E agora, por conta das fotografias nas viagens estou louco pra comprar um 4x4 a diesel pra mim, pois descobri que gosto de fotografar natureza, paisagem, coisas que não façam parte do nosso dia a dia, como o asfalto, os prédios e a pressa das pessoas. Uma coisa leva a outra, e apesar da necessidade dessa canalização, tem que dar pra associar.

Abraços
« Última modificação: 14 de Julho de 2005, 11:32:35 por Marcos Kaddoum »
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Resposta #8 Online: 14 de Julho de 2005, 11:52:10
Citar
Ivan, eu concordo com você que é preciso um objetivo além, quando o objetivo não é o profissional. Mas daí você tem diversas opções, só basta achar uma. Faz um livro da sua família, do Rio de Janeiro, do seu bairro. Compra um 4x4 e já que você gosta tanto de campo, viaje pelo Brasil pra fotografar o campo. Eu acho que tem tanta opção pra variar e aplicar todo conhecimento que existe nessa área.
Com certeza essa dúvida realmente existe, e alguma hora pode inclusive tornar a fotografia monótona. A solução é variar, associe a fotografia com outra coisa que você curte. Mudar a rotina sempre ajuda pra evitar a monotonia. E como você não está profissionalmente ligado a nada...
Eu comecei na fotografia por conta das viagens. E agora, por conta das fotografias nas viagens estou louco pra comprar um 4x4 a diesel pra mim, pois descobri que gosto de fotografar natureza, paisagem, coisas que não façam parte do nosso dia a dia, como o asfalto, os prédios e a pressa das pessoas. Uma coisa leva a outra, e apesar da necessidade dessa canalização, tem que dar pra associar.

Marcos:

Não sou muito do tipo acomodado. Estou sempre inventando coisas. Concordo plenamente com você, que a solução é essa mesma, e as opções são também essas apontadas (inclusive eram mais ou menos as que tinha pensado). Também já cogitara comprar um 4X4 -risos. Mas já isso não é tão fácil. Andei pensando em um Toyota Bandeirante, cujo preço é praticável e possui uma ótima capota na qual se pode subir para fotografar (tive esta idéia certa vez, e depoi li que o Ansel Adans fez isso com o carro dele, criando uma plataforma em cima), mas isso sempre me fica como dúvida, pois a verdade é que a utilização majoritária de um veículo para mim é no asfalto, e detesto manutenção de automóveis, sendo daqueles que pensa que carro bom é carro novo.

Mas o importante desse post é exatamente isso, é mostrar haver um patamar onde o mero experimento já não basta, onde é preciso que isso se mescle com outras experiências, como as viagens no campo, etc. É isso que faz a fotografia deixar de ser amadora no sentido restrito do hobby e tornar-se amadora mas capaz de ser canal de interação com o mundo. Concordamos.

Abraços,
Ivan


talesp

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Resposta #9 Online: 14 de Julho de 2005, 11:58:33
George, com a sua historia da W5 ser semi-profissional e com todo esse povo que chama uma camerazinha mais avantajada de profissional, me lembrou uma coisa interessante. Meu irmão é profissional na àrea de video. Faz curtas por diversão, e trabalha numa produtora de videos, fazendo diversos tipos de videos, de propagandas politicas, passando por programas de TV sobre gados de elite até filmando campeonatos de golf. Antão ele entende bem, apesar de não ser um perito como o Ivan disse, de video. E adivinha o que ele comentou quando eu disse que a minha V3 tinha 7Mp, antes mesmo dele ve-la. "Caramba! Sua camera é profissional!!!".

É mole? :D :lol: :D


Ivan. Se eu entendi bem, o que você quis dizer é que você se encontrou tecnicamente, mas que agora busca um meio de mostrar ao mundo seu estilo, de tocar o coração das pessoas com um tipo de fotografia só seu, mas que está um pouco dificil pois gosta de diversos tipos de fotografias (lembro que gosta de fotos intimistas, do cotidiano da sua familia, e de fotos rurais, estou certo?), e ai reside o problema. Encontrar a SUA foto, aquela em que vocE pode desenvolver sua propria poesia, certo? Também tenho problema parecido :P

Apesar de não ter ainda atingido a sua qualidade tecnica, também gosto de diversas ftografias (natureza, rurais, urbanas, grafismos, arquitetura...). E estou buscando aquela com que me identifico mais, mas por enquento vou experimentanto. Por isso quero experimentar o filme com rangefinders e medio formato. Experimentar o cromo, a revelação cruzada, talvez fazer um curso pra poder revelar as minhas PB (já que é uma das que mais gosto). Um dia eu me encontro...E ai vou poder tocar o mundo do meu jeito...
 
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I think computer viruses should count as life. I think it says something about human nature that the only form of life we have created so far is purely destructive. We've created life in our own image.
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Ivan de Almeida

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Resposta #10 Online: 14 de Julho de 2005, 12:16:40
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van. Se eu entendi bem, o que você quis dizer é que você se encontrou tecnicamente, mas que agora busca um meio de mostrar ao mundo seu estilo, de tocar o coração das pessoas com um tipo de fotografia só seu, mas que está um pouco dificil pois gosta de diversos tipos de fotografias (lembro que gosta de fotos intimistas, do cotidiano da sua familia, e de fotos rurais, estou certo?), e ai reside o problema. Encontrar a SUA foto, aquela em que vocE pode desenvolver sua propria poesia, certo? Também tenho problema parecido

Bem, Talesp, não é dizer que me encontrei tecnicamente, mas por outro lado não vou comenter a falsa modéstia de dizer que não sei bastante razoavelmente usar uma câmera.

Mas, diz o Aristóteles na Ética de Nicomanco serem os hábitos frutos de atos de idêntica natureza. Veja, se você tem desde sempre preocupação poético-estética, desenvolverá uma fotografia poética-estética, mesmo se tiver limites técnicos. Se sua preocupação for somente técnica, ito é "consigo fazer isso", desenvolverá somente a técnica, e não haverá um instante mágico quando a poética-estética se apresentarão completas, como um Espírito Santo baixando.

Assim como se desenvolve a técnica, também se deve desenvolver a estética e a poética tentando praticá-las, assim como nos recomenda o Aristóteles. Por isso há que há uma plêiade de fotógrafos amplamente capazes tecnicamente mas que nada têm a dizer, pois não se desenvolveram nesse campo. O desenvolvimento estético-poético é mais difícil que o técnico. Fotógrafos como o Bresson são tecnicamente limitados, não fotografaram em estúdio, pouco sabiam de luz controlada, faziam quase tudo em hiperfocal, mas são finamente treinados em exposição, em composição, em poética. Lembre-se sempre que o Bresson estudou pintura antes de virar fotógrafo, e trouxe para a fotografia essa formação.

Não é bem que queira mostra ao mundo um tipo de fotografia só meu. Não tenho essa pretensão, mas sem dúvida gostaria de encotrar um lugar para minha fotografia no mundo, que fosse mais do que ficar nos diretórios, nas gavetas ou nos sites como o Olhares, etc. Acho que encontrar esse lugar é essncial para progredir. Evidentemente, não se trata de encontrar lugar para todo tipo de fotografia que faço, familiares por exemplo, mas apenas para um ou dois tipos, ou até desenvolvê-los.

Abraços,
ivan
« Última modificação: 14 de Julho de 2005, 12:19:49 por Ivan de Almeida »


omutante

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Resposta #11 Online: 14 de Julho de 2005, 13:17:44
entendo perfeitamente a "angústia". tenho alguns "projetos fotográficos" com amigos, dois deles até pensam em levar a fotografia um passo a frente e em se tornarem profissionais. eu não, sou engenheiro. a fotografia me encanta, em diverte e me relaxa. comecei com digital, após anos adiando a compra de uma reflex 35mm por nunca ter tido muita paciência de levar pra revelar os rolos e mais rolos de filme que resultavam das minhas viagens com compactas. hoje, tento dar meus primeiros passos no médio formato, tento ampliar meus horizontes e aprender mais sobre os pequenos elementos que levam a uma grande foto.

sobre a discussão acerca do amadorismo e do profissionalismo, eu também acho que a maioria das pessoas não quer nem precisa ser "educada" em fotografia. a maioria das pessoas só quer registrar bons momentos, guardar lembranças, não importando o quão refinada é a técnica ou o quão boa é a qualidade da imagem final. (e aproveito aqui pra afilnetar mais uma vez o pessoal que gasta horas e horas em discussões ferrenhas sobre a qualidade de imagem desta ou daquela compacta digital: câmeras compactas têm que ser práticas e oferecer uma qualidade de imagem não mais que razoável!).

eu não me contento com isso. sou muito crítico. na verdade, acho a maioria das fotos que vejo (sejam de amadores ou de profissionais) uma grande porcaria. até mesmo fotos minhas que eu adorei um dia, eu volto no meu fotolog, olho e digo: "que bosta!". mas pelo menos consigo enxergar evolução ao longo dos anos. e isso, por enquanto, me satisfaz. evoluir. mas sei que amanhã ou depois também vou me sentir estagnado e provavelmente ecoarei as perguntas do ivan.


Marcos Kaddoum

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Resposta #12 Online: 21 de Agosto de 2005, 12:24:34
Desenterrei esse aqui pra tocar lembrar uma coisa:

Amador/amadora não é perjorativo.

 
Marcos Kaddoum
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Ivan de Almeida

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Resposta #13 Online: 21 de Agosto de 2005, 12:30:01
Pelo contrário, é elogio, é quem ama -risos.

Abraços, Marcos.


Matheus

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Resposta #14 Online: 21 de Agosto de 2005, 12:46:51
Eu acho q agente preocupa demais com o que as pessoas falam e como esta sendo a imagem da nossa pessoa para eles.

Lá encima vc disse, Marcos, q muitos não tem perícia para degustar um vinho, mas sabem aqueles que lhe agradam e aqueles que não gostam.

É perfeitamente aceitável, e perfeitamente aceitável também, o Charles disse, sugerio, que melhor seríamos ensinar aos "leigos" como analisar uma fotografia, etc.

Mas eles também sabem o que é bonito e o que é feio aos seus olhos, e só uma analogia na questão dos vinhos, será preciso q nos mortais precizemos aprender à degustar um vinho para saber se é bom ou ruim? acho q não.

E será mesmo preciso definir uma escala entre amador e profissional, "pro" "semipro" e afins?

Acho que cada um sabe onde se enguadra e isso com certeza lhe faz bem, é o que importa, ou será que vivemos pensando em melhorar a visão dos outras pessoas perante a nós ou vivemos pensando em nós encontrar ?

é só um comentario para saber mais opiniões à respeito e estimular o compartilhamento de pontos de vista do pessoal do fórum ...

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