Autor Tópico: World Press Photo - São Paulo - de 16/5 a 15/6  (Lida 1033 vezes)

Kika Salem

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Online: 16 de Maio de 2008, 17:34:08
Seleção mostra tolerância à manipulação de imagens

Algumas das 185 fotografias premiadas lembram ilustrações; 80 mil fotos concorreram

Presidente do júri critica fotojornalistas que "dizem o que já sabíamos" e afirma que a prioridade são grandes fotos, e não grandes temas[/b]

EDER CHIODETTO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

De um lado, a guerra, a disputa de poder e a intolerância que levam os homens a se aniquilarem mutuamente. Do outro, a possibilidade de o mesmo homem se reinventar e criar espaços de convivência em meio à adversidade.*** Essa é a síntese da mostra fotográfica do World Press Photo, o mais importante concurso de fotojornalismo do mundo, a partir de hoje no Sesc Pompéia, em São Paulo.
A mostra anual traz à tona uma seleção das fotografias que circularam na mídia em 2007.
Para se ter uma idéia da dimensão, as 185 fotografias de 59 profissionais desta 51ª edição foram selecionadas dentre 80.536 imagens de 5.019 fotógrafos de 125 países (imagens desta e de outras edições em www.worldpressphoto.nl).
Entre os grandes temas que ganharam as páginas dos jornais no ano passado, têm destaque na mostra o assassinato de Benazhir Bhutto, candidata à presidência do Paquistão, as trincheiras do infindável combate entre EUA e militantes islâmicos no Afeganistão e os conflitos étnicos na África.
O fotógrafo britânico e presidente da agência VII, Gary Knight, presidente do júri, diz, porém, que a prioridade foram as grandes fotos, e não os grandes temas: "Sentimo-nos qualificados a avaliar a fotografia, não o mundo, nem a decidir se a doença é um tema mais importante que a migração, a pobreza ou a falta de moradia".
Knight faz ainda, no texto de abertura da mostra, uma crítica à postura de alguns fotógrafos: "Fico imaginando porque [...] perdem tempo e energia em nos dizer aquilo que já sabemos, em um estilo emprestado de outro fotógrafo. Fica-se com a impressão de que muitas fotografias foram propostas por assemelharem-se a outras premiadas anteriormente. O único objetivo parecia ser angariar prêmios, um exercício jornalístico sem sentido".

Tratamento de imagem
A aceitação cada vez maior de fotografias visivelmente manipuladas (ao menos no contraste e nas cores) por programas de tratamento de imagem mostra que essa questão, nevrálgica para o estatuto do fotojornalismo que se pretende documento da realidade, passa a ser mais tolerada. Para Maaike Smulders, gerente de projetos do WPP, que acompanhou a montagem da mostra em SP, a discussão, ainda difícil, "toca diretamente na questão ética da representação. A cada ano, o júri discute muito quais os limites aceitáveis. Não há consenso".
Um exemplo da tolerância deste ano é a ótima série dos maratonistas após cruzarem a linha de chegada, do dinamarquês Erik Refner, e as fotos do parque El Castillo, do italiano Massimo Siragusa. Nos dois casos, o tratamento faz com que as imagens pareçam mais ilustrações do que fotografias - técnica claramente emprestada da fotografia publicitária.
O uso de metáforas foi outra vertente que agradou ao júri. É o caso da foto que ganhou o grande prêmio, que mostra um soldado americano visivelmente exausto numa trincheira no Afeganistão, de autoria do britânico Tim Hetherington (www.timhetherington.com). Segundo Knight, "a imagem vencedora representa a exaustão de um homem e de uma nação".

Fonte: FSP - Ilustrada - 15/05/2008 (Os grifos não estão no original)

*** Observem a diferença de abordagem dessa mostra para aquela polêmica em torno de uma exposição de fotos de Paris durante a II Guerra, postada pela Juliana na primeira sala.
« Última modificação: 16 de Maio de 2008, 17:38:04 por Kika Salem »


Chello

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Resposta #1 Online: 16 de Maio de 2008, 20:11:39
A mostra da WPP é demais mesmo.. ótimo lugar para treinar o olhar e apreender à ver além do óbvio no nosso cotidiano.

Obrigado pelo post!

Chello
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