Autor Tópico: Exposição Fotógrafica SimplesCidade  (Lida 1450 vezes)

Elderth

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Online: 04 de Junho de 2008, 21:27:07





Galera,

amanhã. dia 05 de junho de 2008, será aberta a Exposição Fotográfica "Simplescidade" na Galeria de Arte do SESC-MG (Galeart), e ficará exposto até dia 27 de junho.

Depois de encerrada a Exposição SimplesCidade no SESC MG, a exposição ocorrerá em cada uma das 12 cidades do Circuito Turístico Montanhas e Fé, sendo elas:

01 - Raul Soares; 02 - Piedade de Ponte Nova; 03 - Jequeri 04 - Rio Casca; 05 - Santo Antônio do Grama; 06 - São José do Goiabal; 07 - São Pedro dos Ferros;  08 - Sem-Peixe; 09 – Urucânia; 10 - São Gonçalo do Rio Abaixo; 11 - Córrego Novo; 12 - Pingo D’água.


Apresentação


As imagens que apresento neste ensaio correspondem à exposição fotográfica a que chamo Simplescidade. Nela reúno alguns de meus olhares sobre a região onde moro, no leste de Minas Gerais, no vale do Rio Doce. Foi onde adquiri a visão da fotografia enquanto uma das formas de se poetizar a vida.

Os enquadramentos são meus, à minha maneira de recortar o espaço iluminado. Procuro ver a terra, seus habitantes, a forma pulsante de um território vivo que me instiga o tempo todo.

A consciência da imagem veio juntamente com o despertar da consciência ambiental. No momento em que descobri que o meio ambiente se inicia a partir de mim, e que Eu, necessariamente Sou o meio, foi quando consegui me posicionar de maneira clara entre o olhar subjetivo e a lente objetiva. Antes disso, tudo era bastante intuição.

Empreendi uma leitura da realidade da zona rural dos municípios de Raul Soares e Córrego Novo, meio este em constante modificação, hoje em dia bombardeado por informações de todo tipo, e sendo, cada vez mais, visado como um espaço de reserva de recursos. Patrimônio biológico, riqueza hídrica, mas, sobretudo, o vigor de sua gente.

A história da ocupação do vale do Rio Matipó, do vale do Rio Doce, demonstra essa vitalidade, que fez com que sucessivas gerações conseguissem realizar a necessidade básica humana: a sobrevivência. Não obstante, essa realização básica criou uma civilização única e dotada de imensa beleza cultural e paisagística, muito embora as agressões à paisagem sejam o fator para o qual se atenta mais, ao se referirem às cidades da Mata, tidas como “monótonas” e desprovidas do brilho áureo das cidades barrocas.

Tento quebrar essa nuvem de preconceitos, mostrando que nesta região existe uma síntese de Minas e do Brasil. Aqui são apresentadas cenas, personagens, que para mim constituem saborosa fonte, infinitas possibilidades de encontrar aquilo que é único, local e particular, mas que projeta ao mesmo tempo para o universal humano, à história, à cultura, à leitura das paisagens, enfim, tudo aquilo que preciso e devo seguir registrando.


Release
Daniel Felix Junquer
PROFESSOR E PESQUISADOR


Em 2003 quando, realizando minhas primeiras incursões em busca de interpretar a Identidade Cultural do povo da Mata Mineira, dos Sertões de Leste, conheci o jovem fotógrafo Elderth Theza. Encontro abençoado.
Desde então, sua lente é o canal por onde flui melhor essa minha busca. Nos recortes que Elderth Theza consegue fazer desse espaço iluminado, o tempo congela por um instante. E ali eu sinto toda uma era.
É a própria trajetória de vida desse fotógrafo que o coloca em condições de fazer o que tem feito com sua câmera. Descendente de imigrantes italianos, ele encarna em si mesmo a gente que quer retratar. É patrimônio genético de mais uma página da história da ocupação do vale do Rio Matipó, na bacia do Rio Doce. Sendo ainda mais específico, sua terra natal é o encontro do Matipó com seu afluente, o Rio Santana. Elderth Theza tem 29 anos, é nascido e criado nesse “entre rios” que constitui Raul Soares, cidade localizada a 230 km de Belo Horizonte, cujo acesso é feito pela BR-381, no sentido Vitória, próximo à cidade de Rio Casca.
Acostumou-se, desde criança, com a forma curva dos mares de morros do leste mineiro, talvez daí sua admiração expressa pela obra do arquiteto Oscar Niemeyer, também um apologista da linha curva. Ali, naquela região, a curva determina tudo. As fileiras do café acompanham a curva de nível, o gado pisa os morros e imprime nele as trilhas curvas e solenes de sua pisada. As cidades se escondem entre as ondulações do relevo. As narrativas do povo são romances e parlendas, histórias também repletas de curvas. Facilmente a gente se perde ou se encanta, num escutar sem fim, acompanhado pelo aroma do café de rapadura.
Conversando com ele sobre suas fotografias, passei a acreditar que talvez Elderth Theza tenha desenvolvido o olhar antes de desenvolver a técnica, pois com ele aprendi que é possível fotografar sem máquina, só com o equipamento do coração.
A meu ver, seu trabalho consegue, ainda, descortinar o véu de pré-conceitos existente em relação ao que chamo “civilização da Mata”. Sobre a região, o historiador Paulo Mercadante a define como sendo uma síntese do Barroco Setecentista com a decadência baronal, dos barões do Café. Ali, após experimentarem os altos e baixos da vida, cada um chegou carregando seu punhado de história, seu quinhão de honra. Bagagem necessária para enfrentar um novo ciclo do tempo.
Estamos falando, então, de uma sociedade indefinida entre dois processos históricos distintos? Eu diria que em definição: por isso, a história de SimplesCidade é a do agora. É um retrato eco lógico. Não encontraremos aqui nenhum retrato de relíquias perdidas no tempo.
O fotógrafo Elderth Theza é testemunha ocular desse processo único. Na evolução de seu trabalho, encontramos outras minas de ouro, outros brilhos, que consistem na riqueza humana ali existente.

Elderth Theza - Raul Soares - Minas Gerais -
elderth@gmail.com


rafanubi

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Resposta #1 Online: 04 de Junho de 2008, 23:05:17
Cara... Teu avatar tá GIGANTE! hehe Dá um jeito nele...

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