Autor Tópico: Qual a explicação pelo desinteresse pelo debate teórico na área da fotografia?  (Lida 5384 vezes)

Kika Salem

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Este tópico é uma pesquisa de opinião, não pretende afrontar ninguém. Por isso, vou explicar como a questão surgiu.

Ao arrumar meus livros, encontrei um que li partes há muitos anos e resolvi retomar a leitura. Chama-se "Reflexões sobre o pensamento fotográfico", de Isaac Antonio Camargo, publicado por uma editora universitária sem público expressivo. Trata-se de um relato das experiências de um professor de fotografia, numa universidade de médio porte, cujo maior desafio era criar estratégias para estimular os alunos a se interessarem pelo debate teórico da arte fotográfica, ao contrário da parte prática que despertava grande interesse.

Segundo o professor, essa tendência era natural, pois os alunos tinham acabado de ingressar num curso de artes e iniciado o primeiro contato com a fotografia. De qualquer forma, ele considerava de extrema relevância oferecer ferramentas aos alunos para que estes pudessem ultrapassar as preocupações iniciais e a euforia do momento e, então, iniciar uma busca mais sólida, mais perene.

Uma das soluções encontradas pelo professor foi oferecer um conjunto de textos que permitissem transitar entre aspectos técnicos e aspectos estéticos, facultando uma discussão dirigida sobre a arte fotográfica em diversas instâncias.

Minha questão, portanto, não é julgar quem nunca parou para pensar nisso, mas tentar entender, com o auxílio de vocês, porque tal debate causa tanto desinteresse quando não resistência e desconforto, na medida em que se costuma contrapor a prática à teoria, quando ambas não são excludentes, mas complementares.

Pois bem, a flexa foi lançada, agora depende de todos para encontrar o alvo.
« Última modificação: 20 de Julho de 2008, 18:05:29 por Kika Salem »


pedro_raythz

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A minha resposta ao título do tópico é bem simples: Preguiça rs
Eu sou muito preguiçoso pra ler, mesmo sendo sobre a fotografia que é um assunto que me interessa.
Já fiz trabalho em que li e reli a história da fotografia diversas vzes, mas se me perguntar algo, não sei responder.
Não consigo guardar as informações, é bem difícil prender minha atenção em uma leitua rs

Na prática é tudo mais bonito :D huAHUahu


Henrique Martins

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A minha resposta ao título do tópico é bem simples: Preguiça rs

Concordo com o Pedro, apesar de agora eu ter começado a ler mais e procurar saber, as vezes ainda dá aquela preguiça... hehe


Braga.SP

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Pois bem, a flexa foi lançada, agora depende de todos para encontrar o alvo.


Que esta seja, então, a flexa do cúpido a atingir nosso coração e nele despertar o necessário interesse por esse assunto de vital importância a quem pretende, no mínimo, evoluir na sua fotografia. Como você bem disse: "na medida em que se costuma contrapor a prática à teoria, quando ambas não são excludentes, mas complementares".

Em qualquer área de atuação, o ser humano carece de fundamentação teórica e realidade prática. Há casos em que a prática vem antes do teórico, nem por isso, podemos estabelecer maior ou menor valor na qualidade do trabalho nesse tipo de situação. Certamente, dissociar uma da outra, é incorrer num erro de raciocínio lógico.

-22.352971,-48.775582


Alex Biologo

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eu penso que em parte o que diminui o interesse na parte teórica é a forma como a grande maioria de nós enxerga a fotografia, é diversão de fim de semana.

E ai fica complicado transformar o hobbie em algo mais pesado, com estudo e aprofundamento.

No geral o estudo acaba vindo junto com a necessidade de melhorar alguma coisa que não está te satisfazendo em sua fotografia ou então em alguma curiosidade pessoal. Logo acaba sendo fragmentado.

Se a pessoa acha que as fotos que faz sãosuficientes para ela, pra que estudar? Se quer melhorar num ou noutro tipo de foto, acaba se prendendo a esse tipo de foto.

Justamente pela falta de compromisso que a atividade gera.
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Andy Bell

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Bom, ai acho que um ponto muito relevante foi colocado: fotografia como mero hobbie ou como profissão...

Como solicitado pelo amigo, vou colocar minha posiçao nessa historia toda, para que possamos fazer um apanhado geral dos relatos, e tentar chegar a uma conclusão.
Tem inicio na minha rápida história pela fotografia. Simplesmente achava lindo abrir uma revista e ver fotos, isso foi o suficiente pra comprar uma camera mecanica. Depois de algumas aulas teoricas, fui para a pratica. Hoje tenho DSRL e tal...
Bom, primeiramente na minha "formação" o apego daqueles que me ensinaram fotografia à parte teórica já não é muito grande. Os alunos não querem teoria, então rpa que os professores vão aprender  e publicar sobre a teoria?
Sinceramente, sei bastante coisa na prática, mas sinto falta muito grande sobre teoria, é algo que eu tenho vontade de aprender mas que, talvez por falta de informação ou por falta de bibliografia e de pessoas que ensinem, fica dificil ler algo... Pra mim, "estética" é um conceito muito amplo, que até pode querer significar algo, mas nao sei definir, não sei fazer uma leitura estética decente. Sequer penso que sei fazer uma boa leitura de fotos comuns, e sei que muita gente aqui também não sabe pois quando tento aplicar estéticas do meu ponto de vista avançadas, as pessoas não percebem (talvez por passar muito rápido pelas fotos).
No meu caso, como muito iniciante (1 ano de fotografia aproximadamente) quando procuro leituras teoricas sobre fotografias, não entendo pois já são muito avançadas. Sinto falta de leitura intermediaria (na verdade, acho dificil achar qualquer leitura teorica) que me de uma base. Sinto falta até mesmo de leitura intermediaria pra parte tecnica... tem artigos aqui no forum que leio e acho ridiculos de facil... outros são de extrema complexidade, mas a ponte entre os dois nao encontro. Na minha concepção, parecem existir os iniciantes e +/- e os profissionais... dificil lra que mange absurdo de fotografia sendo que não trabalha com ela. Talvez a falta de tempo hoje em dia propicie isso. Talvez o grau de importancia da foto no dia a dia das pessoas não valha o esforço... eu mesmo divido meu tempo livre entre polo aquatico, fotografia, futebol, namorada, faculdade e familia... fica dificil achar mto tempo para a fotografia, e mesmo assim acho que tenho uma sede muito maior do que o alimento teorico que me é dado.

Bom, não sei se expremendo tudo isso ai sai alguma coisa... mas espero ter desabafado um pouco hehe

Forte abs
« Última modificação: 20 de Julho de 2008, 23:17:12 por Andy Bell »
"O olho do homem serve de fotografia do invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio" - Machado de Assis (O cara!)
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Chello

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Preguiça, acomodação, etc. Todos estes são fatores que levam à maioria dos seguidores desta arte (veja bem eu disse ARTE), que é a fotografia, à não procurarem se aventurar por todos os conceitos e conhecimentos teóricos que a envolvem.
Eu, particularmente, me considero um eterno aprendiz da prática e da teoria desta arte, a qual escolhi para fazer parte da minha história de vida.
A parte prática e técnica é muito mais fácil de assimilar e muito mais gostosa diga-se de passagem. Nada mais prazeroso do que sair com sua cam num dia bonito, regular abertura, exposição, WB, enquadrar, mandar aquele DOF incrível, tudo do jeitinho que vc aprendeu na parte técnica e clicar.
Mas, ai entra a diferença e a falta de uma bagagem filosófica, teórica e conceitual da coisa. As fotos saem muitas vezes sem "história" e ai a coisa fica seca, tecnicamente perfeita mas sem a menor carga de emoção!
Eu sofro com isso e persigo ferozmente a capacitação para embutir em minhas imagens toda a emoção e sons que estavam presentes no momento em que apertei o botão!

[EDIT]
Eu queria citar essa foto do Ivan que ilustra bem isso tudo:


Se a sensibilidade e a bagagem cultural não se fizessem presentes esse pipoqueiro jamais teria feito parte da composição.

Sábado passado eu dava uma vasculhada na Net justamente acerca da teoria fotográfica, de mais conhecimento quando me deparei com o link a seguir que trás um artigo sobre o "Filosofia da Caixa Preta" de Flusser.
Interessante as colocações e é um livro que vou procurar ler.

http://www.fotoplus.com/fpb/fpb019/b019cbr.htm

Vamos ver quem não terá preguiça de ler esse artigo? rsrsrs

Obrigado pelo tópico Srta Kika, pois é de extrema valia!!!!

Abs
« Última modificação: 21 de Julho de 2008, 11:43:56 por Chello »
Chello
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Fransergio Paiva

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Acredito que isto vá muito da formação de cada um.

Eu, por exemplo, tenho formação na área de exatas e tecnologia.  Para mim é muito mais fácil eu ler fórmulas e conceitos técnicos do que história da arte e filosofia.

Por muitas vezes terminei de ler posts aqui e ao final senti-me um grande idiota.. não conseguia compreender a informação contida neles.  Motivo?? acredito ser a minha formação, ou ainda mais, eu mesmo.  Se escolhi percorrer o caminho tecnológico é por que sou um cara desta área.

Sempre tive gosto por fotografia, mas não conseguia pensar em faze-la a custas do trabalho de meus pais.  Hoje, pincipalmente com a evolução das digitais, pratico meu hobby com o maior gosto.  Tento aprender as técnicas e as razões físicas/matemáticas... mas as questões artísticas/humanas ainda são complicadas para mim.

Sou dos que gostam de fotos nítidas, bem expostas, de assuntos bem definidos.  Tremer uma foto para passar a sensação de movimento não é comigo.  Quando tenho uma foto tremida, é por que errei e pronto. 

"Sofro" com o maior dos problemas dos fotógrafos.. "o que quero mostar??" responder esta pergunta antes de fotografar é uma questão que ainda estou trabalhando.. Como gosto de fotografar pessoas, quero mostar pessoas.. mas o que mais??? como fazer?? ainda estou caminhando por estas pedas que, para mim, são mais complicadas do que para outros.

Somente para exemplificar, e concluir,  o quanto a formação é um fator importante para o "olhar fotográfico" e para a compreensão (e gosto) para as leituras teóricas de fotografia.  Minha esposa, que tem formação na área humanas e artísticas, quando pega minha máquina e coloca no modo automático, faz fotos fantásticas... motívo?? ela tem alma de um artista.

  :ok:
Fransergio Paiva
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Ana Adams

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Sou uma ávida leitora, tenho dezenas de livros sobre fotografia e artes plásticas, na minha mesinha tem uma pilha deles que revezo sem muita ordem. Consulto meus livros constantemente. Na internet, tenho uma invejável coleção de bookmarks de informação técnica, estética e de outras formas relacionados `a fotografia.
Sendo assim, não me encaixo na categoria dos desinteressados pela teoria da arte fotográfica , mas pertenço 100% `a categoria dos desinteressados pelo debate teórico na área da fotografia.
Na minha opinião, que é pessoal e não quer se comparar com a de ninguém, debater a teoria da fotografia é simplesmente desinteressante. Não sou uma teórica, nem em fotografia nem em nada, embora eu adore " consumir"  teoria. Nunca debatê-la.
Sou feliz observando a arte alheia, lendo o que se teoriza sobre ela, e mais ainda tentando usar este conhecimento no desenvolvimento de minha prípria identidade artística.
Meu ramo de trabalho na fotografia é publicitário... se eu não tiver uma boa base teórica e conceitual por trás, não vou conseguir atingir meus objetivos. E corre, que atrás vem 200 outros louquinhos prá pegar o meu lugar ! ;)

()s

GuiGui  :)


Claudio Rombauer

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Meu problema é exatamente o oposto, leio e estudo muito mais que pratico.
Sinto falta de sair pra fotografar, sem compromisso, sem obrigação.
A fotografia profissional em estúdio é muitas vezes massante, cansativa.

Minha meta nos próximos anos é estudar menos e praticar mais.

Acho que o correto é encontrarmos um equilíbrio, uma relação honesta entre a leitura, o estudo e a prática, nem demais, nem de menos.

O que ocorre muito é pessoas se vangloriarem por não terem estudo, não terem formação, e mesmo assim fotografarem direitinho. Eu acho que todos, mesmo esses que levantam a bandeira da falta de estudo, lucrariam muito com uma boa base teórica.



pedro_raythz

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Mas, ai entra a diferença e a falta de uma bagagem filosófica, teórica e conceitual da coisa. As fotos saem muitas vezes sem "história" e ai a coisa fica seca, tecnicamente perfeita mas sem a menor carga de emoção!

Disse tudo, Chello!

Pra mim é muito difícil captar a emoção ou a sensação que estou tendo na hora que estou tirando a foto. Falta repertório artístico e filosófico mesmo...
E talvez pelo fato de não ser, digamos, uma pessoa muito calorosa, isso acaba se agravando pois não tenho minha sensibilidade muito aguçada rs
No caso desse meu post ( http://www.mundofotografico.com.br/forum/index.php?topic=22309.0 ), uma das que mais gostei foi a última foto, que tecnicamente está péssima rs
Mas eu não consegui captar exatamente o momento, então as pessoas que olham preferem bem mais a segunda foto, que está tecnicamente melhor e são as mesmas pessoas.

Mas me diga, Chello. Depois de ser pai, seu olhar fotográfico mudou?!
« Última modificação: 21 de Julho de 2008, 12:33:41 por pedro_raythz »


Kika Salem

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Só pra avisar, eu estou lendo todos os posts e organizando as coisas na minha cabeça com o auxílio de vocês.

Por hora, vim aqui apenas para me corrigir, pois talvez não tenha sido feliz ao usar a expressão "debate teórico" que pode sugerir um estudo de caso somente (Ex.: a fotografia de Sebastião Salgado é tema de um intenso debate, com diferentes pontos de vista), que é apenas uma fração das discussões na área, quando na realidade eu quis falar de um conjunto de reflexões sobre fotografia em geral, pois acredito que aquele que se propõe a discutir/escrever sobre fotografia ou qualquer outro assunto o faz a partir de tudo que leu, de tudo que já viu, enfim, dialoga com referências precendentes. Foi nesse sentido que usei "debate teórico".

Talvez tenha feito a pergunta errada ou restringido demais. Deveria ter perguntado também:
- Você se interessa pela questão reflexiva da fotografia?
- Você tem vontade de ampliar os estudos na área?
- O que te impede de ler um ensaio sobre fotografia?
- Qual a importância do pensamento fotográfico para você?

Acho até que deveria ter elaborado uma enquete.

Enfim, continuo lendo tudo e organizado as idéias com a participação de vocês.
« Última modificação: 21 de Julho de 2008, 12:37:41 por Kika Salem »


Chello

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Mas me diga, Chello. Depois de ser pai, seu olhar fotográfico mudou?!

Olha Pedrão, ainda estou no rebuliço de emoções com a paternidade mas sinto que hoje a minha preocupação está se tornando ainda maior em "enxergar" o que cada cena quer dizer para mim. Com a Bellinha (minha filhota) têm sido assim: tenho sentido e clicado, obviamente tentando manter a qualidade técnica mas dando mais enfâse à captura do significado da cena.

Abs
Chello
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Alex Biologo

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Kika, em cima da sua segunda leva de perguntas (não que isso altere minha resposta anterior), falo agora de uma postura pessoal.

Eu particularmente faço parte de um grupo de pessoas que não vê a fotografia. Pra mim é uma forma de expressão como outra qualquer. E justamente nesse ponto em que me insiro quando penso em estudar ou discutir algo. Vim da literatura e não consigo ver uma linguagem literária, uma linguagem teatral, uma linguagem fotgráfica e por ai vai. Pra mim são apenas formas diferentes de se expressar uma mesma língua artística.

Então acabo vendo a fotografia como algo mais técnico mesmo e a arte como o uso dessa técnica, não sei se me fiz claro.

Prefiro estudar história da arte, sociologia, história geral, ciência, várias outras coisas que trazem aspectos que acabo incorporando na minha maneira de clicar e não a fotografia pura e simples.

Sobre ensaios fotográficos, tai uma coisa que eu adoro ver e tento produzir, tento ter ums sequência racional, tento ter motivo pra fazer as fotos e as escolhas que faço, tento ter coerência, quando consigo confesso que fico feliz, pode até ser uma prisão (relembrando um tópico em que o Ivan citou isso), mas é uma prisão divertida e que liberta (também puxando gancho na fala do Ivan).
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Leo Terra

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Kika interessante ler isso, no meu curso avançado eu fiz uma bela introdução teórica para depois carregar para a aplicação estática do resultado, observo que mesmo asim existe uma preguiça de se aprofundar na parte teórica. Acredito que isso seja um tanto quanto fruto de uma cultura que menospreza o conhecimento em detrimento de uma falsa impressão de que a prática supera o conhecimento.
Esta questão é especialmente grave e afeta todas as áreas, não só a fotografia. O que acaba ocorrendo é que as pessoas se esquecem que a teoria é uma consolidação escrita da prática de outros indivíduos e que seu estudo é na verdade uma forma de poupar o retrabalho e partir do ponto onde outros pararam. Portanto, diferente do que as pessoas imaginam, a teoria não é superada pela prática, sendo na verdade um subsídio essencial para o desenvolvimento de uma prática realmente eficaz e que possa adicionar algo ao que já foi desenvolvido previamente.
Portanto não faz sentido pensar em prática separadamente da teoria e nem em teoria separadamente da prática, pois como diria Marx a Prática sem uma constante crítica teórica se resume a pragma e a teoria sem vínculo com a prática não passa de dogma. Em termos gerais eu diria que ambas precisam coexistir e o esforço teórico deve ser intenso para sustentar a prática (quando digo esforço teórico digo também o de documentar a nossa própria prática). Assim a diferença seria que a teoria é a prática bem documentada e que serve de base de partida para evitar retrabalho racional, que no caso de muitas ciências é um retrabalho de mais de 7000 anos (acho que chega a ser arrogante pensarmos que conseguiremos em uma pequena vida reestruturar a prática documentada de mais de 7000 anos), enquanto a prática é o motor que nos move a frente a partir do que já foi estruturado anteriormente (ai coloco uma frase minha, porque sair novamente do ponto de partida se já nos levaram até a metade do caminho?). Portanto eu só consigo ver essa ocorrência do descaso com teoria como oriunda de duas possibilidades. A primeira seria um desvio cultural estabelecido para gerar dominação, através da falsa idéia de que a prática por si só leva ao desenvolvimento pessoal, o que é apoiado pela preguiça das pessoas e fortalecer este dogma, facilitando a dominação daqueles que realmente detém o conhecimento (inclusive prático). Um segundo ponto seria a própria ignorância, que leva a uma falsa persepção de desenvolvimento, enquanto na verdade o que está ocorrendo é um simples condicionamento do indivíduo, que o mesmo encara como desenvolvimento através da prática, porém não passa do princípio Taylorista básico de condicionamento para aumentar a produtividade no trabalho e não de um aumento da racionalidade do indivíduo, que poderia levar ao desenvolvimento pessoal e à contextações do sistema. Neste caso caberia também uma diferenciação entre prática, ligada ao desenvolvimento pessoal, e simples condicionamento na execução de tarefas. ;)
« Última modificação: 21 de Julho de 2008, 15:03:37 por Leo Terra »
Leo Terra

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