Autor Tópico: INTERSUBJETIVIDADE E POÉTICA  (Lida 2063 vezes)

Ivan de Almeida

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Online: 23 de Setembro de 2008, 13:27:14
Novo artigo no Fotografia em Palavras (depois de tanto tempo...)

http://br.groups.yahoo.com/group/fotografiaempalavras/message/13


Blasius

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Resposta #1 Online: 23 de Setembro de 2008, 16:24:14
Olá Ivan, muito bom artigo!  :clap: :clap: :clap: Concordo com você no que diz respeito a sutileza para se conseguir expor o objetivo da foto, o que ela deseja passar. Agregando poesia a foto. Agora, vamos estender o pensamento para outro tipo de fotografia, além da poética do fogo e do espaço... Qual a sua opinião sobre fotos abstratas, por exemplo? Muitas vezes não existe um senso comum. Sei que foge bastante da intersubjetividade, e ao meu ver, é justamente o oposto, mas fiquei curioso a respeito da sua opinião.  :ponder: :ponder: :ponder:

Abraço, Blasius.
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rogerio_prazeres

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Resposta #2 Online: 23 de Setembro de 2008, 19:01:31
Olá Ivan, muito bom artigo!  :clap: :clap: :clap: Concordo com você no que diz respeito a sutileza para se conseguir expor o objetivo da foto, o que ela deseja passar. Agregando poesia a foto. Agora, vamos estender o pensamento para outro tipo de fotografia, além da poética do fogo e do espaço... Qual a sua opinião sobre fotos abstratas, por exemplo? Muitas vezes não existe um senso comum. Sei que foge bastante da intersubjetividade, e ao meu ver, é justamente o oposto, mas fiquei curioso a respeito da sua opinião.  :ponder: :ponder: :ponder:

Abraço, Blasius.

Bom o texto. Simples, direto e acessível pois não recorre ao linguajar especializado, porém com um conteúdo muito interessante.

Quando ao questionamento do Blasius, acho que a idéia de aplica facilmente em artes abstratas.

Se virmos uma tela, foto ou escultura com curvas e tons quentes já associamos a sensualidade.
Já cores frias e linhas retas trazem uma idéia de modernidade pois isso foi implantado em nossa cultura. São exemplos simples, é claro.

Pelo que entendi, o texto destaca o uso sutil desse conhecimento para transmitir sensações porém de forma a não ficar óbvio numa análise consciente.

Problema é quando a coisa é tão sutil que ninguém além do autor percebe hehe.
Agora dirigindo um fusquinha das DLSR... Canon D30  :wub:

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Blasius

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Resposta #3 Online: 23 de Setembro de 2008, 20:29:18
Olá Ivan, muito bom artigo!  :clap: :clap: :clap: Concordo com você no que diz respeito a sutileza para se conseguir expor o objetivo da foto, o que ela deseja passar. Agregando poesia a foto. Agora, vamos estender o pensamento para outro tipo de fotografia, além da poética do fogo e do espaço... Qual a sua opinião sobre fotos abstratas, por exemplo? Muitas vezes não existe um senso comum. Sei que foge bastante da intersubjetividade, e ao meu ver, é justamente o oposto, mas fiquei curioso a respeito da sua opinião.  :ponder: :ponder: :ponder:

Abraço, Blasius.

Bom o texto. Simples, direto e acessível pois não recorre ao linguajar especializado, porém com um conteúdo muito interessante.

Quando ao questionamento do Blasius, acho que a idéia de aplica facilmente em artes abstratas.

Se virmos uma tela, foto ou escultura com curvas e tons quentes já associamos a sensualidade.
Já cores frias e linhas retas trazem uma idéia de modernidade pois isso foi implantado em nossa cultura. São exemplos simples, é claro.

Pelo que entendi, o texto destaca o uso sutil desse conhecimento para transmitir sensações porém de forma a não ficar óbvio numa análise consciente.

Problema é quando a coisa é tão sutil que ninguém além do autor percebe hehe.

Olá Rogério, bem explanado. Eu realmente não havia feito essa associação, obrigado.

Abraço, Rodrigo Blasius.
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Ivan de Almeida

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Resposta #4 Online: 23 de Setembro de 2008, 20:37:16
Há uma poética possível no abstrato, embora o abstrato conduza a uma poética da razão quando tende ao concretismo, ou dos valores colóricos/formais quando não. Mas a fotografia encontra seu melhor equilíbrio quando conjuga o nível simbólico com o nível formal. É possível fazer fotografia puramente abstrata, mas sob certo ponto de vista a fotografia puramente abstrata transforma a cãmera em pincel, e assim rompe com o fundamento da tradição fotográfica que é o registro do mundo através da cãmera escura e da projeção cônica da luz.


caio770

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Resposta #5 Online: 24 de Setembro de 2008, 03:15:46
excelente artigo!

gosto muito da idéia da experência comum como agente de brotamento e proliferador da poética. mas não posso deixar de pensar nos dois pólos:

se reconhecemos e interpretamos as fotografias (e a arte em geral) pq estabelecemos um elo, um vínculo passado com o assunto, e as entendemos como fotografias devido a uma semelhança partilhada entre todos os membros de uma comunidade, sinto que é, a partir desse exato ponto do reconhecimento, que é a oposta diferença de experiências vividas por cada indivíduo que faz percepções de uma mesma obra serem tão diferentes.

tento, apenas, achar explicação pros diferentes sentimentos gerados por uma mesma fotografia em diferentes pessoas. o garotinho africano vigiado por um urubu, por exemplo - fotografia chocante que arregimenta fãs e odiadores ao redor do mundo.

meu cordial "até breve".


Blasius

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Resposta #6 Online: 26 de Setembro de 2008, 11:32:24
Há uma poética possível no abstrato, embora o abstrato conduza a uma poética da razão quando tende ao concretismo, ou dos valores colóricos/formais quando não. Mas a fotografia encontra seu melhor equilíbrio quando conjuga o nível simbólico com o nível formal. É possível fazer fotografia puramente abstrata, mas sob certo ponto de vista a fotografia puramente abstrata transforma a cãmera em pincel, e assim rompe com o fundamento da tradição fotográfica que é o registro do mundo através da cãmera escura e da projeção cônica da luz.

Legal Ivan! Bem explanado...  :ok:
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Kika Salem

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Resposta #7 Online: 26 de Setembro de 2008, 12:04:02
Em outro momento, Ivan respondeu a um tópico que tem relação com esse novo texto e também com o do arquétipo.
http://www.mundofotografico.com.br/forum/index.php?topic=24397.0

A questão poética torna-se um assunto complicado quando nós tendemos a pensá-la como manifestação subjetiva, logo restrito ao indivíduo, porém, quando pensado como fenômeno "intersubjetivo" altera-se a sua apreensão.

No entanto, permanecem as dificuldades de se transmitir poética numa imagem ou até mesmo de identificar o que é poético numa imagem, ao menos pra mim. A apreciação/produção fica restrita à intuição e ao "gosto/não gosto" que, por sua vez, não é critério válido para se identificar nem produzir uma imagem que transmita poética. Mas estou acompanhando as discussões e as dúvidas são mais claras hoje do que eram antes.

Gostei do exemplo do cheiro das madeleines que remete às memórias da infância. Memórias estas que são comuns a todos àqueles que passaram por ela, pois se as madeleines eram familiares a Proust (e menos a nós), elas, por sua vez, remetem a outras lembranças que nos são familiares.

Enfim, estou acompanhando a discussão.
« Última modificação: 26 de Setembro de 2008, 12:05:14 por Kika Salem »


Ivan de Almeida

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Resposta #8 Online: 26 de Setembro de 2008, 12:44:16
As Madeleines não passam de bolinhos pequenininhos -risos.

Nós podemos não termos tido Madeleines, mas tivemos outros gostos e cheiros que evocam, então podemos compreender o que é algo ser evocado por um cheiro ou gosto.


Kika Salem

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Resposta #9 Online: 30 de Setembro de 2008, 15:55:24
As Madeleines não passam de bolinhos pequenininhos -risos.

Nós podemos não termos tido Madeleines, mas tivemos outros gostos e cheiros que evocam, então podemos compreender o que é algo ser evocado por um cheiro ou gosto.


Sem fugir do tópico, uma fotinha da madeleine só pra ilustrar (não achei outra melhor). Eu comi muito dela industrializada e já era muito boa, feita em casa e saída quentinha do forno deve ficar melhor ainda. Deve ser quase a mesma sensação de passar as férias na casa da vó e, vez por outra, comer aquele bolo de bufá quentinho.
Elas são tão tradicionais na França que tem até verbete numa enciclopédia popular, não muito confiável.
http://fr.wikipedia.org/wiki/Madeleine_(recette)

Evidenciar essas histórias, sensações e lembranças em fotos é um grande desafio.
« Última modificação: 14 de Outubro de 2008, 00:25:14 por Kika Salem »


Ivan de Almeida

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Resposta #10 Online: 30 de Setembro de 2008, 16:34:18
Kika;
Já leu o Proust?
Porque é exatamente para a casa da avô em Combrai que as Madaleines levam a história. E daí começa uma narrativa tão louca que você não imagina.


Kika Salem

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Resposta #11 Online: 30 de Setembro de 2008, 18:51:24
Kika;
Já leu o Proust?
Porque é exatamente para a casa da avô em Combrai que as Madaleines levam a história. E daí começa uma narrativa tão louca que você não imagina.

Olá Ivan!
Ainda não li nem lembrava que a referência às madeleines estava relacionada à casa dos avós, mas quando vi sua lembrança dessa parte do livro não só lembrei do bolo de fubá, que seria minha referência mais próxima, como também fiquei com vontade ler o livro e, claro, comer as madeleines.
Aqui em casa, é curioso, mas eu tenho o volume 2 ao 7 do "Em busca do tempo perdido", sempre penso em começar a ler, mas falta o primeiro. O que é uma vergonha porque acabo de consultar a "Estante Virtual" e encontrei muitos exemplares e bem baratinhos. :(
Bem, agora, com essa lembrança, eu vou ver se faço esse percurso que está na lista de obrigatórias como "Grande Sertão: Veredas".
Abraço.
« Última modificação: 30 de Setembro de 2008, 18:52:18 por Kika Salem »


Ivan de Almeida

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Resposta #12 Online: 30 de Setembro de 2008, 19:21:20
Bom, tenho os sete, já li quatro. Parei no Sodoma e Gomorra porque a relação do personagem com a Albertine é muito chata -risos.

O primeiro livro, No Caminho de Swan, tem três episódios, sendo difernte dos demais por isso (os demais são inteiros). O segundo episódio, Um Amor de Swan é atípico em relação ao restante do livro, a narrativa sai da primeira pessoa e passa para a terceira pessoa. Um Amor de Swan é o trecho que menos gosto da obra, a primeira parte (Combrai) é fantástica e a terceira cujo nome agora não lembro é ótima também.

É um livro profundamente introspectivo, e é feito de tal forma que praticamente o lemos revivendo nossas lembranças sutis, como essa das madaleines e do bolo de fubá. Tem quem adore, tem quem deteste. Os introspectivos gostam.


Kika Salem

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Resposta #13 Online: 01 de Outubro de 2008, 00:50:48
É um livro profundamente introspectivo, e é feito de tal forma que praticamente o lemos revivendo nossas lembranças sutis, como essa das madaleines e do bolo de fubá. Tem quem adore, tem quem deteste. Os introspectivos gostam.

Bem, não me definiria como introspecta, mas quando adiantar a leitura lhe digo e obrigada pelas informações preliminares. :ok: