Autor Tópico: De novo: Fotojornalismo, ética e resultados  (Lida 889 vezes)

Marcelo Favero

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    • Marcelo dos Santos
Online: 07 de Novembro de 2008, 18:33:24
Amigos,
Tenho uma árdua tarefa:
Em uma discussão recente com alguns acadêmicos das ciências sociais (amigos sociólogos e antropólogos), fui muito questionado sobre os trabalhos de fotojornalistas que mostram a miséria humana ou tragédias sociais. Trabalho de quem vai à guerra ou a qualquer bolsão de miséria. Diante do argumento deles de que se trataria de exploração da imagem destas pessoas, argumentei de que este seria um eficiente veículo de denúncia e uma ponte entre as diversas realidades.
Mas eu gostaria de mostrar resultados, pois acredito que imagens podem se reverter em conscientizações. Por exemplo, lí uma vez que imagens exibidas na década de 80 do continente africano da, então Etiópia (Congo), Sudão e outras (como a famosa do abutre e a criança do Kevin Carter), ajudaram a arrecadar milhões de dólares de donativos para campanhas contra a fome na região.

Pergunta:
Alguém tem alguma matéria ou artigo a respeito. Sobre este retorno que as imagens ajudaram a proporcionar ou sobre a conscientização que provocara???

Obrigado e abraço a todos
Marcelo dos Santos

Associado Fototech


Anderson Fonseca

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Resposta #1 Online: 07 de Novembro de 2008, 19:11:41
olha cara, ter esse material que vc pediu eu nãi tenho.

mas devio concordar com o pessoal que discutiu o assunto com vc. admiro muito o trabalho de quem faz esse tipo de foto, alguns com tanta maestria que conseguem se sobressair ao horror que é este tipo de coisa.

mas uma boa verdade, é que esse tipo de foto se tornou clichê. a grande maioria das pessoas que procuram esse tipo de foto, procuram na verdade um semelhança estética com alguma imagem já feita por algum fotógrafo consagrado, ou até mesmo porque essa miséria excessiva só é presente a nós em fotos, então o fazem pela pura curiosidade ao fazer o registro.

se pelo menos 10% das pessoas que fazem fotos da miséria dos outros estivessem mesmo preocupados em denunciar ou mudar essa realidade, pode ter certeza que sria cada vez mais raro ver imagens assim para se fotografar.

 :ok: :ok:


rogerio_prazeres

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Resposta #2 Online: 12 de Novembro de 2008, 16:46:05
Me desculpem mas eu acho que esse tipo de foto só serve pra vender notícia.

O que não falta é cena pra vermos todos os dias e em vários lugares. Se isso fosse mudar o mundo ele já teria mudado a muito tempo.
Agora dirigindo um fusquinha das DLSR... Canon D30  :wub:

rogerio_prazeres@yahoo.com.br


Kika Salem

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Resposta #3 Online: 12 de Novembro de 2008, 19:52:33
Eu lembro de ter postado neste tópico assim como de ter lido vários outros colegas tratarem do assunto (Guigui, Alex, entre outros).

Bem, deixa eu ver se lembro do que escrevi e repito aqui.

Em primeiro lugar, acho a discussão válida sob várias perspectivas: histórico-sociológica, estética, técnica etc.

Como disse anteriormente, se não me engano, essa divergência de opiniões mencionada pelo Marcelo acerca de um tipo de fotografia é uma derivação de um debate travado sobretudo nos anos 1990 sobre a obra de Sebastião Salgado que, de um lado, era elogiada pelo crítica social, qualidade estética, composição primorosa e, de outro, era criticada pela estetização da miséria, ineficácia social, entre outros argumentos, de ambos os lados.

Dia desses, depois de assistir a uma entrevista do fotógrafo transmitida pela TV Senac fiquei curiosa e com vontade de pesquisar mais essa apreensão da obra, sob ambos pontos de vista, para entender o ponto de partida dessa crítica nos anos 1990 e porque a mesma sofreu um declínio nos últimos anos. Até perguntei a um fotógrafo com quem faço curso quem eram os principais críticos e ele acho anti-ético mencionar nomes. Mas, como disse, se o debate é público não existe nada que desabone sua divulgação assim como a sua repercussão e as pessoas nele envolvidas. Mas, enfim, já foi muito pesquisado as dificuldades da sociedade brasileira, desde tempos mais remotos, de sua constituição no período colonial, de separar o público do privado.

Enfim, assim que mapear esse debate volto aqui para discuti-lo com vocês.

Enfim, acho que era isso que tinha escrito em outro momento.


Marcelo Favero

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Resposta #4 Online: 13 de Novembro de 2008, 12:00:28
Pois este assunto me incomodou bastante porque gosto deste tipo de fotografia (documental).
Tanto, que escrevi um longo texto e postei num Blog meu, que na verdade nem é definitivo, pois estará vinculado a uma nova versão do meu site que pretendo por no ar no mês que vem. O texto é longo, por isso não postei aqui, mas se preferirem eu o faço.

http://santosfot.blogspot.com/2008/11/fotojornalismo-oportunismo-um-mau.html

Ah, não reparem no Blog, ainda não é definitivo.

Abraços
Marcelo dos Santos

Associado Fototech


Noel Thomas

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Resposta #5 Online: 13 de Novembro de 2008, 15:26:54
Esse tipo de fotografia costuma provocar a consciência de quem as vê e isso, para alguns, é um incômodo. O mundo não é feito somente de pessoas satisfeitas com o existir, há muitas que sofrem com o mal uso, que parte dos seres humanos faz, do que nos distingue dos animais, a racionalidade.
Esse tipo de registro evidencia a vida. Mostrar uma pessoa na situação deplorável em que vive é mostrar que a vida não é só compras em NY. Temos que almejar algo mais consistente do que seguir a rotina da sociedade do capital.
Não pode jogar nas costas do fotógrafo a responsabilidade de mudar, sozinho, um mundo com tantos interesses. Os que critícam, na maioria da vezes, são os que menos atuam.


Como dizia o poeta "Sonho que se sonha só é só uma sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade".



Abs.

Noel Thomas