Autor Tópico: [DIGITAL] A cor na fotografia  (Lida 1762 vezes)

Kika Salem

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Online: 12 de Novembro de 2008, 20:14:45
Agora que estou começando a explorar os programas de edição e a fotografar em raw, com todas as dificuldades possíveis, fico sempre em dúvida quanto ao balanço de branco e temperatura das cores.

Faço isso intuitivamente, vendo qual tonalidade se adequa mais a uma foto e que tem mais a ver com atmosfera daquele momento, o que, de modo algum, é tarefa fácil.

Então fiquei pensando se todos vocês partem desse mesmo princípio (intuição) ou adotam algum critério em especial.

Pergunto isso porque, numa entrevista postada aqui de Vittorio Storaro, ele mencionada o cuidado que tem com as luzes das cores e como cada uma é capaz de provocar uma determinada emoção. Em suma, para ele, as cores/luzes não são empregadas aleatoriamente, mas possuem um significado próprio dentro de um filme, de um quadro ou de uma fotografia.

Segue trecho abaixo:
"Fazendo um paralelo entre vida e luz, digamos que a vida é feita de muitos momentos, de muitas e variadas emoções, várias etapas. Se quisesse representar a vida com a luz, poderia usar a luz branca. Mas, se quisesse representar um momento particular da vida, poderia usar, para o nascimento, a cor vermelha, que é a primeira cor do espectro cromático; a infância poderia ter uma cor laranja, a segunda cor do espectro, remetendo ao calor familiar, aos abraços maternos; o amarelo é a consciência, representa bem os nossos 12 anos, os anos da puberdade, da percepção de nossa sexualidade; o verde é indicado para os nossos 20 anos, os anos do conhecimento, do aprendizado por meio dos estudos.
Para a maturidade, dos 30 aos 50, há o azul, quando se desenvolvem nossas potencialidades, a agudeza do espírito e da inteligência e, se quisermos, o sentido da liberdade. Quanto mais usamos a inteligência, mais estamos livres para fazer o que queremos. O índigo pode representar bem a vida entre os 50 e os 70 anos, pelo menos para mim. É o período da classe dirigente, do poder.
Tenho 67 anos e aos poucos estou me deslocando para a última cor, que é o violeta, a cor da última etapa de nossa vida terrena, o momento em que transferimos nossos conhecimentos para os outros..."

Texto postado em: http://www.mundofotografico.com.br/forum/index.php?topic=23618.0

Enfim, gostaria de saber o que vocês pensam sobre o assunto e, sobretudo, qual(is) o(s) critério(s) que adotam?

 :ok:
« Última modificação: 12 de Novembro de 2008, 20:15:10 por Kika Salem »


Anderson Fonseca

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Resposta #1 Online: 12 de Novembro de 2008, 21:15:53
olá Kika, apesar de ler o texto e achar bem legal, não consegui viajar tão lonje quanto ele.hehehe

Eu tenho um cuidado especial com a luz quando a situação pede isso. faço balanço de branco quando sinto que é preciso, quando tenho que entregar alguma foto com as cores perfeitas.

Nos demias trabalho em auto, e não tenho problemas com o WB da nikon, e quando o negócio fica muito fora, uso aquele ajuste personalizado do ACR que é muito bom, ou tento chegar pelos controles deslizantes mesmo, baseado no que ví e no estaria dentro de um bom senso. :ok: :ok: :ok:


arlas

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Resposta #2 Online: 12 de Novembro de 2008, 22:00:12
Olá Kika.
Sei que existem técnicas de controle do BB.
Eu fotografo em raw (nikon), com o BB em automático e se achar que devo corrigir vou na mão e olho grandes.
Minha fotografia é sem nenhum compromisso com clientes, por isso não invisto tanto neste aspecto do BB.
Acho que não me saio mal na maioria das vezes entretanto é sempre bom saber o que se está fazendo. Uso para revelar o raw o lightroom 2 (muito bom!).
 8-)
« Última modificação: 12 de Novembro de 2008, 22:01:33 por arlas »
decinqüenta


Ana Adams

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Resposta #3 Online: 12 de Novembro de 2008, 22:41:22
Ao contrário do Arlas , em geral minha fotografia ( comida) é para clientes e a cor é crítica. Mas, por outro lado, como fotografo em estúdio e com flash, para mim é fácil controlar . Controlo a temperatura em números precisos em Kelvin e não tem como errar.

()s

GuiGui  :)
« Última modificação: 12 de Novembro de 2008, 22:42:26 por guigui »


Ivan de Almeida

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Resposta #4 Online: 12 de Novembro de 2008, 22:47:25
Raramente mantenho as cores da cãmera. Não somente o WB, mas vou a modificações mais profundas relativas ao balanço dos canais primários, à saturação das cores individuais, etc. Geralmente aplico um set pronto (de minha autoria) que contém uma alteração dos canais primários, contraste, etc. A partir disso vou atrás do branco, que posso obter com o conta-gotas do conversor clicando em uma área que sirva de referência (bcamiseta, folha de papel, coisas cinzas e neutras e em último caso, coisas pretas) Aí vou a um ajuste fino nos sliders, omovendo para lá e para cá até acertar como desejo, depois vou para saturação e vejo se precisa de algo. O engraçado é que tudo isso feito a foto não fica hiper-colorida, mas neutra, como essas duas abaixo. Todo isso na realidade é para chegar a cores que considero naturais, pois não acho naturais as cores default das digitais mesmo em RAW.

Nos casos abaixo, apliquei meu set "proImage5" (isto é o 5 set construído para parecer o ProImage, os quatro anteriores etapas de aperfeiçoamento) Na segunda foto tive especial atenção com a barra vermelha da calça de pijama, pois a queria intensa mas não borrada.





wdantas

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Resposta #5 Online: 13 de Novembro de 2008, 01:10:37
Kika, vc bem sabe que a comida não pode ser só boa, tem que parecer mais que boa, tem que dar água na boca de quem vê. E pra isso a cor é fundamental mesmo que em alguns casos se "esquente" um pouco a temperatura.

Como este tipo de foto é em ambiente controlado - estúdio, tudo fica mais fácil. Então, minha sugestão é usar um colorcheck ou um cartão cinza pra garantir o branco na "revelação" RAW. Uma vez feito isso, vc garante que o branco tá realmente certo e depois é só dar uma alterada, se for o caso.

No meu caso, como gosto de fazer foto documental ou foto de rua, é mais complicado levar um cartão, por isso o meu vive mais guardado que em uso. O que faço é ao chegar em casa descarregar as fotos e com base na memória, ajustar o branco quando é preciso.

abs



Pictus

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Resposta #6 Online: 13 de Novembro de 2008, 05:36:40
Não sigo regras, é o que dá na telha  :D
De inicio gosto da imagem neutralizada, a partir deste ponto decido o que vai ser...
Geralmente prefiro os brancos brancos ou levemente quentes e os tons de pele mais
quentes tb.

Wdantas;
Tem Whibal até versão chaveiro http://www.rawworkflow.com/whibal/


wdantas

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Resposta #7 Online: 13 de Novembro de 2008, 09:06:13
Wdantas;
Tem Whibal até versão chaveiro http://www.rawworkflow.com/whibal/

Legal, Pictus. Não conhecia, mais uma coisinha na lista de compras. rsrsrs


Fransergio Paiva

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Resposta #8 Online: 13 de Novembro de 2008, 13:59:25
Bem.. então lá vai minha opinião...

Acredito que o WB deva ser feito no momento da foto (sempre que possível).  Fazer em JPG "obriga" a acerta-lo de uma vez, pois sabemos que as manipulações neste formato sempre é mais "sofrida".

Quem usa Nikon e fotografa em RAW (NEF) também pode ficar atento com o WB no momento do click, pois ser usar o NX para converter, o aplicativo identifica as configurações da máquina e a apresenta quando o NEF é aberto.

Já para usar outros aplicativos de tratamento já é mais "complicado".  O legal mesmo é fazer uma foto com o cartão cinza dentro da mesma luz que o assunto está.  Enquanto a iluminação estiver constante, você poderá usar esta imagem (a do cartão) como padão e aplicar as configurações para as demais.

 :ok:
Fransergio Paiva
Analista de Sistemas
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Kika Salem

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Resposta #9 Online: 16 de Novembro de 2008, 20:27:52
Obrigada pelas respostas de todos nesse tópico, é sempre bom saber qual o método empregado por cada um.

Deu para entender bem como cada um lida com o balanço de branco e tirar algumas lições disso.

De modo geral, percebi que todos (ou quase todos) buscam o branco mais perto da realidade e poucos se concentram nessa questão da psicologia das cores. Imagino que a aplicabilidade da luz das cores para despertar uma determinada emoção nas pessoas tenha mais trânsito no cinema do que na fotografia.

Os filmes com fotografias do Vittorio Storaro, a exemplo de "Tango", não são enjoativos de ver nem de acompanhar; enquanto que uma variação muito acentuada de cores nas fotografias, a exemplo do trabalho de Rarindra Prakarsa, cujas fotos, na minha opinião, são incríveis, mas o tratamento é exagerado pro meu gosto.

Vamos às questões específicas:

Uso para revelar o raw o lightroom 2 (muito bom!).
Eu comecei usando esse programa também, pelos comentários do Ivan e outros colegas. Só acho que estou fazendo alguma coisa errada na hora de exportar. Mas vou pesquisar sobre o assunto.

Controlo a temperatura em números precisos em Kelvin e não tem como errar.
Minha câmera não tem esse recurso, mas parece, pelos comentários que tenho lido, que, de fato, é o sistema mais preciso.

Raramente mantenho as cores da cãmera. Não somente o WB, mas vou a modificações mais profundas relativas ao balanço dos canais primários, à saturação das cores individuais, etc. Geralmente aplico um set pronto (de minha autoria) que contém uma alteração dos canais primários, contraste, etc. A partir disso vou atrás do branco, que posso obter com o conta-gotas do conversor clicando em uma área que sirva de referência (bcamiseta, folha de papel, coisas cinzas e neutras e em último caso, coisas pretas) Aí vou a um ajuste fino nos sliders, omovendo para lá e para cá até acertar como desejo, depois vou para saturação e vejo se precisa de algo. O engraçado é que tudo isso feito a foto não fica hiper-colorida, mas neutra, como essas duas abaixo. Todo isso na realidade é para chegar a cores que considero naturais, pois não acho naturais as cores default das digitais mesmo em RAW.

Nos casos abaixo, apliquei meu set "proImage5" (isto é o 5 set construído para parecer o ProImage, os quatro anteriores etapas de aperfeiçoamento) Na segunda foto tive especial atenção com a barra vermelha da calça de pijama, pois a queria intensa mas não borrada.

Sem comentários sobre as fotos, além da atmosfera que elas transmitem, as cores são sempre muito precisas e muito bem pensadas. Algumas coisas eu já entendo, também pudera, lerdeza tem limite, outras como o vocabulário da edição/tratamento, é novidade pra mim.

No meu caso, como gosto de fazer foto documental ou foto de rua, é mais complicado levar um cartão, por isso o meu vive mais guardado que em uso. O que faço é ao chegar em casa descarregar as fotos e com base na memória, ajustar o branco quando é preciso.
Eu estava sendo muito rígida com o uso do cartão cinza e levava ele para cima e para baixo, mas estava perdendo muitas oportunidades até sacar ele na rua e esperar que a cena congelasse para eu fazer a fotometria, então estou ficando mais maleável e só usando-o em situações possíveis.
« Última modificação: 16 de Novembro de 2008, 20:31:58 por Kika Salem »


Ivan de Almeida

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Resposta #10 Online: 16 de Novembro de 2008, 21:31:42
Citar
De modo geral, percebi que todos (ou quase todos) buscam o branco mais perto da realidade e poucos se concentram nessa questão da psicologia das cores. Imagino que a aplicabilidade da luz das cores para despertar uma determinada emoção nas pessoas tenha mais trânsito no cinema do que na fotografia.

Kika;

O fato da abordagem ser técnica não significa que a intenção seja técnica. Minhas intervenções de cores sempre visam produzir uma atmosfera, não algo tecnicamente correto. Mesmo no aparente naturalismo dessas fotos há uma atmosfera determinada que foi buscada.

Eu prefiro substituir a expressão psicologia das cores por "memória das cores". É uma memória, uma memória de como foram sentidas, de como se gosta que elas soem. Não busco exatamente a realidade mas uma cor-narrativa, e o naturalismo de que falo não é um verdadeiro naturalismo-verdade (pois isso é coisa impalpável), mas um naturalismo que é convencional, que é da memória e que é psicológico, também.


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Resposta #11 Online: 16 de Novembro de 2008, 22:17:51
gostei Ivan.
"cor narrativa"
eu tenho uns momentos em que aquele ditado de uma foto valer por mil palavras não é verdadeiro, eu preciso de mil fotos para torna-las palavras.
eu normalmente fotografo cenas, e estas cenas eu quero transformar em história visual.
aí começa a dança das cores (coisa que só descobri em fotografia com a digital, antes era só p&b),em busca da atmosfera vivida.
e por aí a fora...
« Última modificação: 16 de Novembro de 2008, 22:44:55 por arlas »
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Resposta #12 Online: 16 de Novembro de 2008, 22:30:23
[quote\ author=Kika Salem
Eu comecei usando esse programa também, pelos comentários do Ivan e outros colegas. Só acho que estou fazendo alguma coisa errada na hora de exportar. Mas vou pesquisar sobre o assunto.
/quote]

Kika, nestes endereços tu achas bastante coisa sobre o assunto.
http://www.lightroomkillertips.com/archives/videos/
http://www.jkost.com/lightroom.html
http://www.photoshopcafe.com/lightroom/

bom proveito.
 :)

ps: citar é complicado.
« Última modificação: 16 de Novembro de 2008, 22:34:27 por arlas »
decinqüenta


Kika Salem

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Resposta #13 Online: 18 de Novembro de 2008, 11:47:58
Kika;

O fato da abordagem ser técnica não significa que a intenção seja técnica. Minhas intervenções de cores sempre visam produzir uma atmosfera, não algo tecnicamente correto. Mesmo no aparente naturalismo dessas fotos há uma atmosfera determinada que foi buscada.

Eu prefiro substituir a expressão psicologia das cores por "memória das cores". É uma memória, uma memória de como foram sentidas, de como se gosta que elas soem. Não busco exatamente a realidade mas uma cor-narrativa, e o naturalismo de que falo não é um verdadeiro naturalismo-verdade (pois isso é coisa impalpável), mas um naturalismo que é convencional, que é da memória e que é psicológico, também.
Ivan:
Também achei muito apropriada a associação das palavras "cor-narrativa" e da re-significação da expressão "memória das cores". Além de mostrar que uma aplicação técnica não está diretamente associada a uma abordagem técnica, são pequenas mudanças que não só alteram como expandem de maneira perspicaz os significados.

Kika, nestes endereços tu achas bastante coisa sobre o assunto.
http://www.lightroomkillertips.com/archives/videos/
http://www.jkost.com/lightroom.html
http://www.photoshopcafe.com/lightroom/
Arlas:
Obrigadão pelos links.


ps: citar é complicado.
Eu também acho, sobretudo se for mais de uma pessoa. Para citar uma pessoa eu só clico em citar e respondo abaixo do [/quote], para citar mais pessoas, eu abro uma aba de resposta e noutra aba aberta eu clico em citar, copio a parte interessada com os códigos, vou na página da resposta e colo. Se precisar citar mais alguém volto no tópico com a seta voltar e cito de novo, copio (sem clicar em enviar) e colo na página da resposta. Foi a maneira mais fácil que encontrei.  :ok:
« Última modificação: 18 de Novembro de 2008, 11:50:36 por Kika Salem »