Autor Tópico: [OPINIÃO] Como se começa a trabalhar com fotografia?  (Lida 14955 vezes)

Kika Salem

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Online: 23 de Fevereiro de 2009, 22:26:14
O tópico do Erre Eme, na sala "Trabalho e Oportunidades" despertou a minha curiosidade para uma questão específica. Em "Mão de obra grátis X Conhecimento fotográfico", ele se propõe a trabalhar em um estúdio em São Paulo, sem nenhuma remuneração e, inclusive, custear os gastos com transporte e alimentação. Em troca, contentaria-se com a experiência adquirida, o conhecimento acumulado, a vivência em um estúdio, enfim, o trabalho prático.

Mesmo assim, não obteve nenhum sucesso na sua oferta, ou seja, não despertou o interesse nem de nós leitores e, sobretudo, de possíveis empregadores (empregador não é bem o termo já a oferta não visa salário, apenas experiência).

Ao acompanhar o seu tópico, eu, de certa forma, compartilhei da sua frustração ao não receber nenhuma proposta e pus-me a pensar o que é preciso para começar a trabalhar nessa área, qual é o pulo do gato, qual é o segredo para iniciar uma carreira sem o auxílio de um "conhecido", uma indicação, um padrinho, enfim, qual é o caminho das pedras?

Por isso, criei esse tópico com duas intenções específicas:

Primeiro para conhecer a história dos profissionais da fotografia: como começaram, que ajuda receberam, quais erros cometeram, quais chances desperdiçaram, do que se arrepende e do que não se arrepende de ter feito, qual o tempo de trabalho, enfim, os altos e baixos da profissão, sobretudo no começo dela.

Segundo para que esses relatos pessoais possam, de alguma forma, não só incentivar os iniciantes na área como também indicar caminhos possíveis para eles não morrerem na praia nem desanimarem com as pedras no caminho.

Bem, por enquanto é isso aí. Agradeço a resposta daqueles que destinaram um pouquinho do seu tempo para dizer como começaram na profissão.
« Última modificação: 24 de Fevereiro de 2009, 11:42:45 por Kika Salem »


Chello

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Resposta #1 Online: 23 de Fevereiro de 2009, 22:58:52
Olá Srta Kika!

Bem, a Fotografia como a grande maioria das profissões encontra na chamada "falta de experiência" um de seus maiores obstáculos para quem a escolheu como profissão a seguir.

Minha história com fotografia data desde os meus 10/11 anos quando já me animava tirando fotos das minhas festas de aniversário, dos meus pais e do meu irmão. Com a olimpus da família eu fazia a festa, ou melhor, fotografava ela! rs

No final de 97, comecei a tomar gosto de verdade pela arte. Passei a ler sobre os grandes gênios, e ao ver que um brasileiro chamado Sebastião Salgado fazia história pelo mundo passando por uma agência do porte da Magnum e fundando sua própria agência de imagens posteriormente senti que essa era uma profissão muito interessante para mim.

Como sempre fui autodidata, li muito, pesquisei e comprei minha primeira Reflex de Filme em meados de 98. Queria então me dedicar à profissão de verdade, mas no mesmo ano passei em um concurso público de bancário e a família ficou orgulhosa do menino aqui! Fui trabalhar meio à contra-gosto, mas não deixei a paixão pela fotografia morrer.

Foi então que surgiu a primeira chance, o primeiro trabalho! No prédio onde eu morava surgiu a oportunidade de fotografar um aniversário. Me armei de todo conhecimento adquirido, do meu equipamento e fui à luta. Quando adentrei ao salão de festas, um branco geral tomou conta do meu cérebro e já não sabia onde o diafragma entrava nas fotos, mas queria uma abertura - por menor que fosse - para me esconder ou simplesmente muita velocidade para sair correndo dali!!!

Brincadeiras à parte, medo tive mas quando comecei a dar os primeiros cliques senti que aquilo era o que eu queria para a minha vida. As fotos ficaram "lindas", algumas subexpostas outras estouradas pelo flash. Mas, o bokeh impressionante de algumas, os closes de outras e o DOF curto de algumas impressionaram e ai me deram pela primeira vez a alcunha de fotógrafo!

Bom, vi então que precisaria me dedicar de verdade aos estudos e praticar muito! A partir dessa festa outras surgiram no prédio e dali para outros prédios e após 3 anos estava eu trabalhando num estúdio de um americano que conheci numa dessas festas.

Abandonei o banco é claro! rsrs

De lá para cá já montei e desmontei um estúdio, já fiz freela para Deus e o mundo e permaneço ai. Trabalhando e perdidamente apaixonado pela fotografia!

Me envolvi com foto esportiva há cerca de 7 anos atrás e conheci mais um monte de técnicas, ganhei novas experiências, montei meu próprio banco de imagens e fiz novos amigos!

Resumindo: Acho que o caminho das pedras é gostar de verdade da profissão! Querer segui-la como mostrou o Erre. Arriscar! Não perder a chance que aparecer de mostrar o seu trabalho. Pratique, fotografe bastante, treine seu olhar.
No começo é necessário visar o ganho de experiência em detrimento ao financeiro. Assim, seu portfólio aos poucos irá se formando e mais portas irão se abrir!
Faça contatos, venda seu peixe!

Agora, é necessário pé no chão! Diferentemente do que muitos pensam a profissão não tem todo o glamour que dizem. Muito pelo contrário, nessa profissão - assim como em qualquer outra - é preciso ralar, ralar e ralar para mostrar seu trabalho e poder conquistar seu espaço. Só chuva cai do céu de graça!

Com o tempo, o reconhecimento vem e as indicações se tornam naturais!

Bos sorte à todos, inclusive àqueles que como eu já estão na estrada há um tempinho!

Abs
« Última modificação: 23 de Fevereiro de 2009, 23:08:06 por Chello »
Chello
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LeandroFabricio

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Resposta #2 Online: 24 de Fevereiro de 2009, 00:27:15
Kika,

Realmente é MUITO difícil de encontrar "o caminho" certo a seguir.

Quem já está estabilizado na área dificilmente ajuda, pois sabe que é difícil e tem medo de concorrência.
As vezes nem com dúvidas, como no meu post: Como organizar um ensaio fotográfico? Antes, durante e depois. Veja que só teve 1 resposta. Já em outro forum rendeu um pouco mais, mas nada querealmente resolvesse.

Acho que o caminho, como o Chello falou, é ter cara de pau para mostrar o que sabe fazer e também ter dedicação e paciência buscando formar um portfólio que chame a atenção de quem quer atingir como público alvo.

E por falar em público alvo, acho que isso é a primeira coisa que tem que se definir. De nada adianta agradar a família, amigos ou até mesmos os fotógrafos e pseudo-fotógrafos da internet.
Muitas vezes se você postar aqui no forum uma foto que o cliente adorou, achou ótima. Aqui no forum vão falar que está tudo errado, que devia ter feito isso ou aquilo diferente. Mas afinal? Qual a opinião mais importante? A do clinte que pagou pela foto e gostou? Ou a do colega de profissão que não gostou?

Preste atenção, do pessoal que tem mais experiência aqui. Quantos postam fotos para comentário?

Faz tempo que estou tentando entrar na área de fotografia de moda, mas é extremamente difícil conseguir. O que dá pra fazer é book pra amigas, vizinhas, álbum do filhinho não sei de quem. E também eventos, como há muito serviço nessa área é dificil alguém que não consiga pelo menos uns aniversários pra fazer.

A situação fica ainda pior se você precisa do serviço de terceiros para fazer suas fotos. Como no meu caso que praticamente em todos ensaios preciso de maquiadora e produtora de moda. Para conseguir bons contatos, bons profissionais que tenha agenda disponível e que também tenha um preço razoável para que quem está começando consiga formar um bom portfólio é bem complicado.

Espero que esse tópico renda bastante.

Até mais,
Leandro
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Ana Adams

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Resposta #3 Online: 24 de Fevereiro de 2009, 21:04:03
Leandro,
estou vendo que vc teve e está tendo algumas dificuldades, mas preciso discordar de você, e me explico.
Acho que o primeiro passo para quem quer seguir a profissão de fotógrafo não é achar seu público alvo, mas sim que tipo de fotos gosta de fazer. Seu público alvo é a consequencia disso. Só fazendo o que você mais gosta que vc vai poder ser bom naquilo, e isso não vale só para fotografia.

Uma vez que vc tenha isso em mente, precisa ir buscar exatamente este nicho : se vc gosta de social e eventos, o caminho do Chello é um ótimo exemplo. Festas de criança, batizados, casamentos, uma coisa puxa a outra.

Se seu barato é esportes, pode começar em times mirins, escolas, parques que tenham equipes formadas. Pode fazer contato com as pessoas e de vez em quando dar uma foto em papel para um diretor ou treinador...etc., seu contato, um belo cartão de visitas com uma boa foto que vc fez, website, etc

E ainda, discordo do que vc disse, que os profissionais não querem dividir experiências para não ter concorrência. Basta ver na internet a quantidade de gente oferecendo blogs lotados de tutoriais, dicas, esquemas de luz, tudo ali, tudo de graça. O que o profissional não quer é alguém que copie seu estilo, e se meta em seu nicho sem estar preparado para esta concorrência. Ninguém quer isso, nem você.

E sobre conseguir serviços de terceiros como cabelereiro e maquiador, sempre há muitos no mesmo pé, que está começando, e também gostaria de fazer trabalhos para começar um portfolio consistente com outros profissionais. Este tipo de trabalho colaborativo é muito comum, vc talvez precise olhar em outros lugares, tipo faculdade de moda, escolas de estética, etc.

Não estou dizendo que não seja difícil, é realmente muito difícil, mas há caminhos mais eficazes do que os que vc citou.

()s e boa sorte !!!

GuiGui  :)


LeandroFabricio

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Resposta #4 Online: 24 de Fevereiro de 2009, 21:31:29
Acho que o primeiro passo para quem quer seguir a profissão de fotógrafo não é achar seu público alvo, mas sim que tipo de fotos gosta de fazer. Seu público alvo é a consequencia disso. Só fazendo o que você mais gosta que vc vai poder ser bom naquilo, e isso não vale só para fotografia.

 Certo Guigui, eu nem citei definir o tipo de foto antes de escolher o público alvo justamente por também achar que um é consequencia do outro.

Citar
E ainda, discordo do que vc disse, que os profissionais não querem dividir experiências para não ter concorrência. Basta ver na internet a quantidade de gente oferecendo blogs lotados de tutoriais, dicas, esquemas de luz, tudo ali, tudo de graça. O que o profissional não quer é alguém que copie seu estilo, e se meta em seu nicho sem estar preparado para esta concorrência. Ninguém quer isso, nem você.

 Concordo em parte. Eu mesmo não gosto de passar algum conhecimento pra qualquer um que apenas quer se aproveitar do conhecimento alheio pegando explicações prontas de coisas que demorei bastante estudando para fazer dar certo.
 Por outro lado, quando aparece uma dúvida no meio de um aprendizado já iniciado pela pessoa fica mais fácil conseguir ajuda. Vejo que dúvidas bem específicas são mais bem vistas por parte de quem ajuda, acredito que por passar a imagem que é apenas um ponto de dificuldade da pessoa e não de querer aprender tudo as custas dos outros.
 Mas falei de modo geral. Porque o "pulo do gato" mesmo ninguém ensina. Muitos tem medo até mesmo de chamar um assistente, como é o caso do post que originou este.
 
Citar
E sobre conseguir serviços de terceiros como cabelereiro e maquiador, sempre há muitos no mesmo pé, que está começando, e também gostaria de fazer trabalhos para começar um portfolio consistente com outros profissionais. Este tipo de trabalho colaborativo é muito comum, vc talvez precise olhar em outros lugares, tipo faculdade de moda, escolas de estética, etc.

 Não procurei tanto assim para poder falar de todos. Mas até hoje não encontrei ninguém com uma qualidade aceitável para fazer isso. Encontrei sim, alguns que cobravam mais barato que o normal, mas mesmo assim não compensou pela qualidade que ofereceu.
 Mas sei lá, vai um pouco da sorte também. Um dia ainda formo uma parceria com bons profissionais e todos irão lucrar com isso...
 
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Chello

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Resposta #5 Online: 24 de Fevereiro de 2009, 21:32:08
A Guigui colocou bem: É preciso primeiro definir o que gosta de fazer para poder fazer bem e assim cativar seu público alvo.
Eu comecei fazendo festinhas de aniversário e eventos sociais, mas depois descobri na fotografia publicitária e mais tarde na esportiva o verdadeiro prazer em fotografar. E, como eu disse, a partir daí as indicações surgem naturalmente!
Hoje coloco antes de mais nada a satisfação naquele tipo de trabalho que me foi proposto para depois pensar na grana. Digo isso por experiência própria, pois fazer aquilo que não se gosta pode na grande maioria das vezes dar um prejuízo bem alto para você!
Abs
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Ana Adams

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Resposta #6 Online: 24 de Fevereiro de 2009, 21:58:48
É mesmo, Leandro, bem lembrado : o post que originou esta discussão .
A meu ver, uma pessoa, por menos que ela saiba, nã deveria oferecer seus serviços de graça. Isso a desvaloriza muito aos olhos do empregador, e o deixa numa situação difícil. Como o empregador, ele pode se sentir limitado em pedir que o empregado seja pontual, confiável, bem apresentado, etc, se ele não vai pagar nada. POr mais que o pagto seja feito em aprendizado, uma coisa não deveria andar junto com a outra. O assistente tem muitas coisas prá fazer que não precisa a menor prática, do tipo carregar coisas, mover tripés, limpar o chão, atender o telefone, o que seja. A parte que ele vai aprender depende unicamente do tipo de atenção que ele vai prestar ao fotógrafo. Todos os fotografos ensinam a seus assistentes, de uma maneira ou de outra, senão não há como a parceria funcionar.  E isso não é moeda de troca, é apenas a consequencia da natureza do trabalho.
De vez em quando trabalho com assistentes,( e `as vezes trabalho de assistente tb)  e o que difere o menos experiente do mais experiente é o valor que ele pode cobrar, mas nunca é zero.
 :)
« Última modificação: 24 de Fevereiro de 2009, 22:02:01 por guigui »


LeandroFabricio

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Resposta #7 Online: 24 de Fevereiro de 2009, 22:16:54
Então Guigui,

 As ves não se tem muita escolha, muito provavélmente antes de ele postar aquele tópico, ele deve ter procurado entrar em contato com estúdios e outros fotógrafos pra ver se conseguia algo como assistente. Eu mesmo, a tempos atrás mandei e-mail para alguns, com curriculo, algumas fotos de portfólio, apresentação falando do meu interesse e tudo mais. Devo ter mandado uns 20. Adivinha quantas respostas eu tive? Bom já sabe né... nenhum.

 Pelo menos aqui no Brasil tudo funciona muito na base do QI. Se você não tem conhecidos no meio é bem complicado de entrar. Mesmo começando por um caminho que seria o natural: Se assistente de alguém.
São Paulo - SP


Kika Salem

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Resposta #8 Online: 24 de Fevereiro de 2009, 23:51:12
O tópico está rendendo...

Não tinha pensado no efeito negativo da oferta de trabalho sem remuneração, mas tem lógica, afinal a confiança em si mesmo, de alguma forma, atrai a atenção dos outros.

Mas, imagino que não foi exatamente por isso que nosso colega não obteve sucesso na sua oferta. Tenho pra mim que as relações virtuais, por mais próximas que pareçam ser, costumam promover interações superficiais, logo impedem que se construam impressões mais sólidas sobre as pessoas de modo geral, assim não favorecem a constituição de laços de confiança e, por precauções legítimas, não se estabelecem relações profissionais mais estreitas como a de contratar alguém para trabalhar no seu estúdio, ter acesso aos equipamentos, dar a chave do estabelecimento, atender telefone, responder pela empresa etc.

Também acho que, do ponto de vista jurídico, o empregador pode ter sérias complicações caso aceite a oferta de trabalho sem remuneração, afinal a responsabilidade é do empregador que contrata, não do assistente que faz a oferta. Nesse quesito, peço auxílio jurídico do Ricardo Lou que tem formação em Direito.

Uma alternativa talvez seja entrar em contato com esses cursos que visam o ingresso no mercado de trabalho porque, o que costumo ver, é que quando um profissional precisa de assistente, ele entra em contato com a escola que, por sua vez, indica alunos capacitados para o trabalho.

Mas no Brasil a questão da indicação é muito forte em qualquer campo de trabalho o que dificulta construir uma carreira sólida por méritos próprios, sem a indicação de ninguém, ao menos no início. Mas é claro que não é impossível, embora o sujeito ter que ralar bem mais.
« Última modificação: 24 de Fevereiro de 2009, 23:55:47 por Kika Salem »


Ana Adams

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Resposta #9 Online: 25 de Fevereiro de 2009, 01:00:43
Então Guigui,

 As ves não se tem muita escolha, muito provavélmente antes de ele postar aquele tópico, ele deve ter procurado entrar em contato com estúdios e outros fotógrafos pra ver se conseguia algo como assistente. Eu mesmo, a tempos atrás mandei e-mail para alguns, com curriculo, algumas fotos de portfólio, apresentação falando do meu interesse e tudo mais. Devo ter mandado uns 20. Adivinha quantas respostas eu tive? Bom já sabe né... nenhum.

 Pelo menos aqui no Brasil tudo funciona muito na base do QI. Se você não tem conhecidos no meio é bem complicado de entrar. Mesmo começando por um caminho que seria o natural: Se assistente de alguém.

É, realmente como disse a Kika aqui acima, não há nada melhor que o contato pessoal, um telefonema, um visita para mostrar o portfolio pessoalmente.
Eu tenho minha campanha de marketing. Basicamente, e muito por cima, mando cartões postais com fotos minhas para mais de 900 clientes potenciais na minha área geográfica de atuação, duas vezes por ano. Quatro vezes por ano mando emails para uma base de 3000 clientes potenciais no país todo. Não ache 20 pessoas sem retorno pouco : já tive todos estes ( quase 4 mil) passarem batido sem receber nada de concreto.
A sua imagem deve ser construída aos poucos. Não espere que te chamem só por um email ou um cartão que vc mandou uma vez apenas. Vc precisa estar presente, telefonar, aparecer, mandar o portfolio pelo correio ou ir pessoalmente.
Estou citando meu caso, que é de fotografia publicitária ( mas as campanhas incluem o mercado editorial também.
A competição é feroz, e só vão prestar atenção em você se combinar um bom trabalho, com constância, persistência, e profissionalismo.
Apareça no Flicr, aqui, esteja presente em eventos , palestras, escolas, associações, tudo o que estiver ao alcance das suas mãos.

Aqui nos EUA o QI ( quem indica)  tb é forte, acho que o mesmo que aí. A diferença é que aqui o mercado fotográfico está um pouco mais espalhado pelo país, e não tão concentrado em apenas uma área .O mercado é maior, ok, mas a concorrência também........
Vc tem razão, começar como assistente abre várias portas, mas não elimina o trabalho de mkt pessoal , que por sinal tem que existir sempre, mesmo se vc tiver os melhores 200 clientes do BR se batendo prá conseguir seu trabalho.  ;)
_______

Há 2 semanas liguei para 11 diretores criativos e/ou diretores de arte de agências de publicidade que me interessam.
Recebi 10 secretárias eletrônicas e 1 que me recebeu, levei meu portfolio,  e tem muitas chances de me trazer trabalho.....:-)
« Última modificação: 25 de Fevereiro de 2009, 01:07:43 por guigui »


Ricardo Lou

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Resposta #10 Online: 25 de Fevereiro de 2009, 01:14:59
Olá Kika

Tenho um amigo que diz a seguinte frase, "a maior riqueza que você pode ter, não é o dinheiro, mas sim, seu capital social".

O capital social que ele se refere é o quanto de pessoas que você conhece que pode fazer algo para ti, por exemplo, te escutar nas horas difíceis, comprar o que você vende e pelo preço que você quer, te convidar para uma festa, viagem etc.

Ingressar em qualquer área não é tarefa fácil, tenha ou não crise econômica, isto todos nós sabemos.

Ingressando na essencia deste teu post, tentando explicar as razões do colega não ter conseguido o emprego, uma dela e, creio ser a mais importante, é o prejuízo jurídico que uma aceitação deste porte pode trazer ao "empregador", senão vejamos:

A Lei trabalhista pune severamente o trabalho sem remuneração, configurando neste caso caso como ilícito trabalista, civil e penal, isto se traduz da seguinte forma: trabalho escravo; danos morais e crime, respectivamente.

Por outro lado, como todos sabem, esta mesma Lei reconhece a função de estagiário, ou no popular, escraviário, pois só que já foi estagiário um dia, sabe que esta condição é análoga ao de escravo.

Hoje em dia, até mesmo esta figura "profissional" acabou sendo, por um lado, prejudicada, pois entrou em vigor a LEI Nº 11.788, DE  25 DE SETEMBRO DE 2008, Dispõe sobre o estágio de estudantes; altera a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, prejudicou, porque muitos empregadores ganharam mais deveres e os estagários ganharam Direitos e, em nosso País, deveres empregatícios reflete sempre em prejuízo aos trabalhadores, pois acabam cedendo às pressões da parte mais forte, inclusive sendo desvalorizados monetariamente.

Creio que se o anúncio fosse de uma disponibilidade para estágio, ele acabaria tendo alguma proposta, digo creio por força desta nova Lei.

Uma solução que poderia contribuir para o colega, seria da de frequentar lugares onde se reunem pessoas do ramo, por exemplo almoçar no restaurante onde empregados de uma agência de publicidade frequentam, ir à exposições em galerias, trocar idéias, conhecer pessoas que atuam no ramo, enfim ralar.

E ter uma bom conhecimento sobre o básico da fotografia.

« Última modificação: 25 de Fevereiro de 2009, 01:21:33 por Ricardo Lou »
Que a arte (me) aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Oswaldo Montenegro (adaptação nossa)


LeandroFabricio

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Resposta #11 Online: 25 de Fevereiro de 2009, 01:58:22
É, realmente como disse a Kika aqui acima, não há nada melhor que o contato pessoal, um telefonema, um visita para mostrar o portfolio pessoalmente.
Eu tenho minha campanha de marketing. Basicamente, e muito por cima, mando cartões postais com fotos minhas para mais de 900 clientes potenciais na minha área geográfica de atuação, duas vezes por ano. Quatro vezes por ano mando emails para uma base de 3000 clientes potenciais no país todo. Não ache 20 pessoas sem retorno pouco : já tive todos estes ( quase 4 mil) passarem batido sem receber nada de concreto.

 Se eu conseguisse listar 900 clientes potênciais para oferecer meu trabalho já ajudaria bastante.
 Vendo por porcentagem, não ter nenhum retorno em 20 e-mail é normal, concordo. Mas só pra conseguir 20 estúdios que seria interessante trabalhar e que você sabe que a pessoa precisa de assistente para seus trabalhos já é dificil.

Citar
Há 2 semanas liguei para 11 diretores criativos e/ou diretores de arte de agências de publicidade que me interessam.
Recebi 10 secretárias eletrônicas e 1 que me recebeu, levei meu portfolio,  e tem muitas chances de me trazer trabalho.....:-)

 Nessa porcentagem eu deveria ter recebido 18 e-mail´s automáticos e 2 respostas pedindo para eu comparecer no estúdio para conversar...rsrs
São Paulo - SP


Sandro Amaral

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Resposta #12 Online: 25 de Fevereiro de 2009, 04:50:52
Interessante o tópico Kika, mas traduzindo tudo que foi falado em miúdos, isto chama-se Construção de Carreira.

Me intero muito sobre este assunto, livros, artigos, revistas, palestras, etc, e o que foi aqui colocado sobre a carreira de fotógrafo não é diferente de nenhuma outra carreira que se queira abraçar, eu ousaria dizer que é até mais fácil pois com vontade e comprometimento a curva de aprendizado é rápida.

Disse Vinícius de Moraes: "Para viver um grande amor,preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso...", este pequeno verso resume o que é necessário em qualquer profissão.

Se você for bom fotógrafo, for bom arquiteto, for bom engenheiro, for bom seja lá o que for, isso vai (acredite em mim) aflorar mais cedo ou mais tarde para a sociedade e para o mercado de trabalho pois ele está ávido por bons profissionais, e quando digo profissional falo no mais amplo sentido da palavra, você tem que ser profissional, em qualquer área, ética e compromisso fazem parte disto.

Temos espalhados por aí muitos exemplos, aqui em Curitiba existe um vendedor de pipoca que é um case de estudos interessante. Seu carro é extremamente limpo, tem um avental utilizado a cada dia da semana entre outras ferramentas de fidelização de clientes, quem quiser saber mais entre no: http://www.pipocadovaldir.com.br/projetos.php.

Outro é o Camelô David modelo de conquista de clientes e com palestras custando um bom dinheiro...

O segredo, "o pulo do gato" é começar, não importa como nem aonde, comece, dê o primeiro passo mas não desista nele, dê o segundo.

Não devemos esquecer do "QI", é interessante mas não fundamental. Se vc não der o primeiro passo ninguém te indicará, afinal ninguém te conhece, mas mostrando seu trabalho para um número cada vez maior de pessoas o QI vem naturalmente, afinal alguém que você fotografou conhece outro alguém que conhece outro alguém que é primo daquele outro que te indica, isso acontece todo dia para quem tenta.

Tente uma, duas, dez, quantas vezes necessárias, informe-se e informe ao seu público que você existe, ao seu empregador que você existe.Forme uma rede de relacionamentos, o famoso network. No início é difícil, não só no ramo fotográfico, mas é necessário insistir.

Sei que meu post está parecendo livro de auto ajuda ( :hysterical: :hysterical: :hysterical:) mas o caminho é este. Tentativa e erro até a tentativa e acerto. As portas estão aí, nos falta apenas escolher a chave certa, e se você não sabe qual é, tente todas as que tem, se ainda não funcionar pergunte, alguém certamente já abriu a mesma porta algum dia.

Poderia falar mais 500 linhas sobre isso, mas ia ficar chato demais... :D :D :D :D

Grande abraço.


SANDRO AMARAL - Curitiba-PR

Srs. Não responderei perguntas enviadas por MP. Socialize sua dúvida abrindo um tópico. Ajuda você, outras pessoas e o fórum. Obrigado.



Guigo_Mr

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Resposta #13 Online: 25 de Fevereiro de 2009, 08:03:54
Olá pessoal, muito longe de me comparar aos "top" do MF, espero contribuir para o tópico contando minha história com a foto. Pra ser objetivo vou dividir em parte 1 - o antes, e parte 2 - contruindo a carreira.

Parte 1 - O antes :

1. Meu pai foi alto executivo da Agfa do Brasil em meados de 80 e meu brinquedo preferido eram as Agfa Instamatic Pocket.
2. Porteriormente o mesmo pai  (:hysterical:) trabalhou na Prológica e Microdigital e minha paixão passou as ser os micros.
3. Acabei me formando em análise de sistemas e pós em gestão de processos e administração hospitalar; trabalhei 12 anos em processos de migração e digitalização de imagens médicas (raio-x, ultra-som, tomografia e ressonância magnética). Nesse ponto o mais importante era conhecer e saber comparar o histograma das imagens em filme e das imagens digitais e trabalhar na cultura dos médicos para aceitação do processo digital em seu diagnóstico.
4. Me casei com uma mineira e mudei a vida e a carreira.
5. Hoje administramos 2 empresas : uma farmácia de manipulação, e a Tudo - Tecnologia & Integração que recentemente passamos para : Tudo - Tecnologia & Imagem.

Parte 2 - Contruindo a carreira :

1. Aproveitando minha formação eu desenvolvia projetos específicos de desenvolvimento de sistemas e também para web; desenvolvia projetos de identidade visual para empresas e também consultoria em TI.
2. Tive que descer do salto e abandonar o peso morto que correspondia ao avançado demais e voltar ao básico para me contextualizar ao local onde vivo, sem deixar o conhecimento ficar obsoleto.
3. Montei um site para a cidade, como uma maneira de monstrar um pouquinho de trabalho e chamar a atenção.
4. Cresceu demais, por ser o único veículo de comunicação da cidade fora 1 rádio.
5. Com isso vi a possibilidade de resgatar a fotografia que havia ficado restrita somente às festas de familia e amigos e às viagens.
6. 2 anos de dedicação e construção muuuuuuito gradativa. Hoje já fiz alguns sociais, estou investindo sobretudo em tempo, estudo e dedicação para com a fotografia, comprei equipamento pra ficar mais sério o negócio e reduzi o foco da Tudo só para as coisas que mais dão prazer : desenvolvimento pra web e fotos; além do site da cidade.
7. O site da cidade hoje me dá renda proveniente da venda de publicidade; muuuito trabalho, e alguns clientes. Mas semana que vem tenho fotos de book infantil de 2 crianças, um casamento dia 21 de março e várias coisas em andamento.

Tive que trocar, deixar algumas coisas, reciclar meu tempo, meu foco...

Fiz 2 casamentos. Perfeitos ? De modo nenhum... tenho muito a percorrer mas distribui na região, num raio estabelecido de 50 kms, 6 mil cartões, levando pessoalmente um pequeno portifólio e me apresentando pessoalmente em todos os buffets, escolinhas infantis, lojas de aluguel, de decoração, igrejas, floriculturas, faculdades e etc. Todo mundo que pode precisar de um fotógrafo viu a minha cara. Estou seguro de que alguns trabalhos tiro de letra para outros vou ter que suar pra dar conta... mas coloquei a faca nos dentes e parti pra cima.

Está dando resultado muuuuuito positivo. Mas o mais importante eu sei, é que :

1. Preciso ter os pés no chão.
2. Melhor dizer não se não poderei satisfazer o meu cliente.
3. Tenho muito a que percorrer, aprender e observar.

Ainda chego lá... mas onde é esse lá ??? Essa pergunta temos que fazer. Mesmo que esse subjetivo lugar mude todos os dias.

O "lá" pra mim hoje é : equilibrar a equação entre o prazer, o investimento e o retorno financeiro; sem prejudicar o que já vem funcionando já que o "bom" trabalho é a industrialização do hobby.


Marcelo Favero

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Resposta #14 Online: 25 de Fevereiro de 2009, 09:57:17
O trabalho não remunerado

Vou me limitar a contar rapidamente minha experiência por ter um pouco a ver com o "trabalhar de graça".

Nunca tive o objetivo de ser fotógrafo social (adoro jornalismo, fotografia autoral, fine art). Mas foi minha porta de entrada. Me ofereci para trabalhar de graça, não para os clientes, mas para empresas de reportagem social. Também me ofereci em estúdios e fui bem recebido (indo lá pessoalmente, claro), mas não podia conciliar os estúdios (que trabalham em horário comercial) com meu emprego como publicitário. Então comecei a ir de terceiro fotógrafo em casamentos.

Por que considero mais correto trabalhar de graça?

Deixando isto claro para o empregador/cliente, acho q é a maneira mais correta de se ganhar experiência. Quando se cobra, mesmo que pouco, você vai ter a mesma responsabilidade de quem cobra muito e de você será esperada a mesma expertise que de um profissional experiente. Você não poderá, jamais, usar o argumento de que cobrou barato e por isso pode errar. Ou isso, ou você vai ganhar a fama de um profissional barato e ruim.

Fora isso, você vai estar prejudicando o mercado. Vai estar tirando o trabalho de outros profissionais que já investiram tempo e dinheiro por estar cobrando muito abaixo da média. Você vai ser recomendado por cobrar barato!!!!!

Então procure oportunidade para trabalhar para alguém possa te ajudar a abrir portas: uma empresa, uma loja, uma agência de propaganda (portifolio de baixo do braço e cara de pau). Se teu trabalho for bom, vai começar a ser chamado! Fotografei para empresas de reportagem e no terceiro evento já estavam me pagando. Precisei de um famoso e tradicional salão de festas da região para fotografar uma modelo e ofereci em troca fotos do salão. E em pouco tempo eles estavam me indicando para os casais que alugavam o espaço. Pronto, eu estava no mercado com o público AA.

Recomendação Cobrar barato te coloca no mercado de quem paga barato. Às vezes um serviço grátis, como uma cortesia para quem tem um poder aquisitivo maior, te abre portas muito melhores (esse foi meu pulo-do-gato) do que cobrar barato de quem vai apenas valorizar o teu preço.
Marcelo dos Santos

Associado Fototech