Autor Tópico: Robert Capa sob dúvida  (Lida 4699 vezes)

Marcelo Favero

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Online: 29 de Julho de 2009, 10:10:01
ROBERT CAPA
Pesquisadores espanhóis questionam veracidade de foto
em 28/7/2009

Uma das imagens mais famosas da Guerra Civil Espanhola, e talvez a foto mais marcante do fotojornalista Robert Capa, está na berlinda. A fotografia, que mostra o momento em que um homem é mortalmente ferido, pode ter sido encenada, dizem pesquisadores espanhóis.



A imagem foi publicada pela primeira vez pela revista francesa Vu em 1936, e depois pela revista americana Life, tratada como o flagrante da morte de um miliciano das forças republicanas. O local foi identificado como Cerro Muriano, em Córdoba, onde soldados que apoiavam o general Francisco Franco enfrentaram soldados leais à República.

Agora, pesquisadores espanhóis alegam que não só a foto não foi tirada no local indicado por Capa, como o miliciano retratado, muito provavelmente, não foi mortalmente ferido. Foram estudadas a fotografia e novas imagens divulgadas por conta de uma exposição batizada de "Isto é Guerra", agora em Barcelona. Os espanhóis alegam que a imagem foi tirada a 55 quilômetros de distância de onde aconteceram os combates naquele dia – 5 de setembro de 1936. "Ficou rapidamente óbvio para nós que, entre as novas fotografias – 34 atribuídas a Capa e seis a sua companheira, Gerda Taro – há quatro que revelam o exato lugar onde Capa fez as imagens", afirma o cineasta Raul Riebenbauer. O historiador Francisco Moreno mapeou as informações geográficas contidas nas fotos – como o formato das montanhas, a posição de estradas e a localização de duas fazendas – e descobriu que se tratava de uma área ao leste da cidade de Espejo.

Parcial

Segundo o diretor Buzz Hartshorn, o Centro Internacional de Fotografia, fundado pelo irmão de Capa, passou 25 anos tentando atestar a veracidade da imagem. "Capa era parcial. Ele acreditava na causa anti-fascista e via a Espanha como um dos últimos lugares onde ainda se podia tomar uma posição", afirma Hartshorn. Nos estudos sobre a fotografia, diversos aspectos foram postos em dúvida – entre eles, o de que não há sinais de ferimento de bala no homem supostamente atingido.

Até Richard Whelan, biógrafo do fotojornalista, admite ter dúvidas sobre a imagem. "Eu lutei com o dilema de como lidar com uma fotografia que se acredita ser genuína mas da qual não se pode ter certeza absoluta de que é um documento verdadeiro", escreveu ele em seu livro sobre Capa.

O fotojornalista húngaro que cobriu, além da Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra mundial, entre outros conflitos, foi um dos fundadores da agência Magnum. Ele afirmava que, "se suas fotografias não estão boas, é você que não está perto o suficiente". Capa morreu ao pisar em uma mina terrestre quando fotografava no Vietnã, em maio de 1954, aos 40 anos. Com informações de Harold Heckle [Associated Press, 23/7/09].

Retirado de Observatório da Imprensa
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=548MON002

 :shock:Vixe!
Marcelo dos Santos

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Kika Salem

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Resposta #1 Online: 29 de Julho de 2009, 10:50:54
Eu já tinha lido sobre isso. Parece até que algumas fotos que se atribuíam a ele, eram da Gerda.

Esse caso é bastante representativo porque a foto, além das especificidades da fotografia, foi tomada como um documento verídico, registro de um conflito. É por isso que não se costuma, em trabalhos de análise iconográfica, mesmo sendo uma fotografia, abordar uma imagem como registro fiel da realidade e se opta, na maioria das vezes, por trabalhar com o conceito de representação. A partir dele, a veracidade da imagem importa menos porque trata de uma abordagem, não da realidade, mas da representação que o fotógrafo faz dela. No caso dessa foto, vale, muito mais, pensar a posição política do Capa e de como ela, de certa forma, norteou a construção da imagem.

Agora, esse trabalho de investigação, a menos que se tenha provas irrefutáveis como os negativos das fotos anteriores e posteriores a essa e com identificação plena da região, por exemplo, é mais uma hipótese. Acho difícil comprovarem com alto grau de certeza que a foto foi encenada, que o sujeito não levou um tiro (não é biópsia), que as montanhas são dessa região não daquela. Até porque, mais que uma mentira, do local determinado da foto, por exemplo, pode ser até o engano, ainda mais pra alguém que trabalha em trânsito constante, em regiões de conflitos, locais inabitáveis etc.

É engraçado como atualmente o Capa tem passado por um processo de desconstrução do mito. Primeiro pesquisam see a foto mais emblemática dele não foi um "instante decisivo", mas uma montagem grosseira, depois que outras fotos, não menos importantes, não eram dele, mas da Gerda, enfim, essa relação com mito, que aos poucos se esvai, é que eu acho interessante.

Aliás, alguém tem alguma hipótese sobre o que acontece com as mulheres que tiveram trabalhos relevantes, mas que a relação com tais mitos fizeram-nas meio que sucumbirem, não sei se essa é bem a palavra certa.

Exemplos:
Picasso-Dora Maar
Diego Rivera-Frida Kahlo
Sartre-Simone de Beauvoir
Rodin-Camille Claudel
Capa-Gerda

Não sei a Gerda, mas todas as outras eram mulheres muito complexas, por um lado desprendidas de muitos valores, por outro até submissas às intempéries dos parceiros.
Deve ter outros, não lembro agora.

Hahaha Fugi de novo, nada a ver tratar desse assunto aqui. Desculpa Marcelo.
« Última modificação: 29 de Julho de 2009, 10:57:10 por Kika Salem »


Marcelo Favero

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Resposta #2 Online: 29 de Julho de 2009, 11:20:39
Hahaha Fugi de novo, nada a ver tratar desse assunto aqui. Desculpa Marcelo.

Qual é Kika  :ok:? Te ler é uma aula sempre bem vinda. Pena não ter elementos para alimentar essa questão da "obscuridade" voluntária ou não das companheiras, bem como sobre a desconstrução de mitos. Mas acho interessante como as vezes apoiamos a valorização de uma imagem em sua oportunidade, e nem sempre é isso o que está em questão, como você mesma citou, mas a sua representação.

bjos
Marcelo dos Santos

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LuizNdo

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Resposta #3 Online: 29 de Julho de 2009, 11:23:48
Citar
"Ficou rapidamente óbvio para nós que, entre as novas fotografias – 34 atribuídas a Capa e seis a sua companheira, Gerda Taro – há quatro que revelam o exato lugar onde Capa fez as imagens", afirma o cineasta Raul Riebenbauer.

Eu sempre tive "um pé atrás" com essa foto.
Sempre imaginei como Capa foi cagão de, na hora que focou e se preparou pra clicar o miliciano, o mesmo toma um tiro.
Essa não era uma época Point-Shot pro fotógrafo virar e pegar tal momento tão rápido. E, durante a 2a Guerra, a fotografia foi um pesado instrumento de propaganda. Então, nada me surpreenderia se Capa tivesse usado desse mesmo artifício para chocar e trazer seu ponto de vista à tona.
« Última modificação: 29 de Julho de 2009, 11:26:42 por LuizNdo »
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Mestaky

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Resposta #4 Online: 29 de Julho de 2009, 12:09:19
Sei lá, acho que "desconstruir" o mito hoje, sentado em uma poltrona confortável em um escritório e destruir a influencia de quem se dispôe a trazer para o mundo um breve sentimento do que é, e do que realmente ocorre em uma guerra é no mínimo covardia. O cara rifou a própria vida em prol disso, tanto que morreu pisando em uma mina.

Bem, há de tudo nesse mundo, até quem não acredite que o homem foi à lua, que Obama seria um presidente Mundial e não um presidente Americano como tantos outros formados por Harvard pelo simples fato de ser negro.

Mas isso são outros 500...

Bem, eu não creio nem que sim, nem que não. O mais importante é o que a fotografia importou na formação da opinião humana sobre o fato e a atual repúdia das nações à luta armada e isso, ainda que desconstruam o mito não haverá quem reverta, pois imagens como essa mostraram ao mundo que Guerra não é um joguinho de tabuleiro.

Enfim... Vamos em frente, depois da revelação de que "O beijo" de Doisneau foi montado, acho que a turma anda meio histérica com as "pegadinhas" dessa época.

Luiz, quanto à técnica, é bem fácil de fazer uma foto como essa: Observe que é um dia de sol, não há núvens no céu e que a lente provavelmente era uma 35mm, então teríamos condições que que permitiriam a pré-fotometria e a pré-focagem, pois a luz seria constante (não mudaria de intensidade durante uma boa parte do dia) e intensa (Veja pela sombra como trata-se de luz direta) o que permitiria o uso de pequena abertura e ainda uma boa velocidade. Se considerarmos o sunny 16, eu arriscaria dizer que a foto foi feita com algo entre 125/16 ~ 500/8 o que garantiria a focagem em um plano bem extenso e congelaria a cena.

Quanto a não haver evidências de que o Miliciano foi atingido naquele momento, deixo uma foto para reflexão, já que é sabida sua representação do exato momento de um assassinato:


« Última modificação: 30 de Julho de 2009, 10:15:20 por LuizNdo »
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LuizNdo

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Resposta #5 Online: 29 de Julho de 2009, 17:05:20
Eu não coloco em xeque a importância do trabalho do Capa. De forma alguma.
Esse lance de "desconstruir o mito" serve, na verdade, para analisarmos o que o tornou "o mito" de fato.

Dificilmente uma das "grandes fotografias de antigamente" era tão expontânea e repentina. Até mesmo Bresson com seu "momento decisivo" aguardava o momento certo e já tinha em mente o que iria fazer.

O que temos aqui é algo entre o que o Capa teria realmente presenciado e o que ele queria passar ao mundo.
Se pensarmos que ele simplesmente presenciou, dizemos: "Uau, que sortudo de clicar o momento certo!"
Se pensarmos que foi intencional e posado, diremos: "Uau, como ele foi inteligente!"

Das duas formas Capa conseguiu alterar o rumo dos fatos através de sua fotografia. E isso ninguém pode questionar sobre ele.
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Resposta #6 Online: 29 de Julho de 2009, 18:48:23
Marcelo Estaky:

Não sei porque motivo sua foto não aparece no meu computador. Será só no meu?

Sobre a questão do mito, estou aqui me perguntando se, ao falar em desconstrução dele, dei a entender que eu não considero válida a obra do fotógrafo. Se deu a entender, desfaço, de antemão, uma possível confusão. Quando falei em (des)construção parti do mesmo argumento do Eric J. Hobsbawm quando trata da "invenção das tradições", aquele que escreveu um livro bastante conhecido chamado "Era dos extremos" que analisa todas as mudanças ocorridas num único século, o XX.

Permita-me ter uma discordância saudável de uma questão levantada por você sobre a morte do Capa e sobre trabalho dos críticos ou qualquer outro título que se dê.

Não qualifico a fotografia de Robert Capa pelas circunstâncias da sua morte, mas pelo conjunto da sua obra, pois se assim o fosse milhares de soldados e até alguns fotógrafos encontrariam-se na mesma condição. Também não desqualifico o trabalho de quem o faz sentado, como estamos todos nós nesse momento. Haja vista que o pensamento escrito foi e ainda é capaz de mudar visões de mundo, isso pra mim é bem importante, a exemplos de intelectuais engajados, intelectual na acepção de Sartre no ensaio "O que é a literatura?" e não pessoas que se preparam anos para ser burocrata da universidade quando conseguem passar num concurso público, mas que nunca vão interferir nem sequer se preocupar com a realidade de ninguém. Refiro-me a exemplos como Edward Said, Milton Santos, Florestan Fernandes, Antonio Gramsci, Edward P. Thompson, o próprio Sartre, entre outros.

Bem, minha intenção não é entrar numa polêmica contigo, mas é que são pontos que eu discordo por pensar diferente, simplesmente.

Agora permita-me agradecer as suas considerações técnicas que me fizeram olhar a foto de modo diferente, com um olhar mais objetivo.

Fiquei com uma dúvida pela ausência da imagem: você acredita que o miliciano levou ou não o tiro?

A Gerda também morreu em circunstâncias semelhantes a do parceiro.
« Última modificação: 29 de Julho de 2009, 18:55:56 por Kika Salem »


alfarrob

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Resposta #7 Online: 30 de Julho de 2009, 07:41:51
Marcelo Estaky:

Não sei porque motivo sua foto não aparece no meu computador. Será só no meu?

...

No meu também não aparece.

Voltando à foto, tenho ideia de ter lido em algum lugar recentemente, que já tinham a certeza que a foto era encenada por terem encontrado os originais em que aparece a tentativa repetida algumas vezes de fazer a foto, não sei até que ponto isso é verdade ou não, nem me lembro onde li.

Mas para mim isso não altera o carácter daquela guerra nem a importância do trabalho do fotógrafo :)
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cassius

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Resposta #9 Online: 30 de Julho de 2009, 10:05:48
Pelo púbico em geral, Capa era conhecido por esta foto.

Mas, pra quem conhecia ele e seu trabalho, sabia que era famoso por ficar perto demais do conflito. Ele literalmente corria ao lado dos soldados, tendo dito certa vez, "If your photographs aren't good enough, you're not close enough." (Se as suas fotografias não são suficientemente boas, é porque você não está sufucientemente perto). Frequentemente ele era criticado por arriscar a própria vida.

Diante disso, pra um cara que ficava no meio dos soldados o tempo todo, inclusive na hora do combate, é muito provável que pelo menos uma vez na vida ele ia conseguir uma foto de alguém morrendo.

Portanto, na minha humilde opinião, acredito que não foi encenada.


LuizNdo

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Resposta #10 Online: 30 de Julho de 2009, 10:16:36
Mestaky, tomei a liberdade de alterar o endereço da imagem que vc postou.
Salvo o engano, acho que era essa mesma que você se referia.
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Resposta #11 Online: 30 de Julho de 2009, 11:15:16
Eu não coloco em xeque a importância do trabalho do Capa. De forma alguma.
Esse lance de "desconstruir o mito" serve, na verdade, para analisarmos o que o tornou "o mito" de fato.

Dificilmente uma das "grandes fotografias de antigamente" era tão expontânea e repentina. Até mesmo Bresson com seu "momento decisivo" aguardava o momento certo e já tinha em mente o que iria fazer.

O que temos aqui é algo entre o que o Capa teria realmente presenciado e o que ele queria passar ao mundo.
Se pensarmos que ele simplesmente presenciou, dizemos: "Uau, que sortudo de clicar o momento certo!"
Se pensarmos que foi intencional e posado, diremos: "Uau, como ele foi inteligente!"

Das duas formas Capa conseguiu alterar o rumo dos fatos através de sua fotografia. E isso ninguém pode questionar sobre ele.


Eu sei, Luiz, eu entendí! Não falava de Você nem da Kika, já que nós estamos discutindo um movimento externo, que não foi iniciado por nós.

Acho que o que o tornou o mito foram suas experiências, vivendo no Front, correndo com os soldados como ele o fez, não tenho dúvidas de que se a foto não é fruto do momento, mas de uma encenação, é uma imagem que reflete sem sombra de dúvidas cenas que ele vivenciou repetidas vezes em sua carreira.

Aí eu pergunto: O que mudaria no espaço filosófico o fato da imagem ser uma encenação do momento da morte de uma pessoa? No meu entender, absolutamente nada, ela vai continuar chocando por gerações, séculos a fio.

Então, onde quero chegar é que esse negócio de desconstruir o mito e com ele a força da mensagem inserta na cena para chancelar seu valor pelo "momento", aos meus olhos é fruto de preciosismo "de fotógrafo" e aí sim, falo dos que começaram o movimento de desconstruão do mito sentados confortavelmente em suas poltronas pois a imagem real ou encenada é muito maior pelo que ela representou e representa para o mundo que um mero aspecto, me perdoem a minimalização, técnico.


Abs.,
Marcelo.
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Resposta #12 Online: 30 de Julho de 2009, 11:34:01
Eu sei, Luiz, eu entendí! Não falava de Você nem da Kika, já que nós estamos discutindo um movimento externo, que não foi iniciado por nós.

Ôpa, nem por mim!!! Só postei a notícia!  :assobi:
Marcelo dos Santos

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Mestaky

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Resposta #13 Online: 30 de Julho de 2009, 11:47:00
Marcelo Estaky:

Não sei porque motivo sua foto não aparece no meu computador. Será só no meu?

Sobre a questão do mito, estou aqui me perguntando se, ao falar em desconstrução dele, dei a entender que eu não considero válida a obra do fotógrafo. Se deu a entender, desfaço, de antemão, uma possível confusão. Quando falei em (des)construção parti do mesmo argumento do Eric J. Hobsbawm quando trata da "invenção das tradições", aquele que escreveu um livro bastante conhecido chamado "Era dos extremos" que analisa todas as mudanças ocorridas num único século, o XX.

Permita-me ter uma discordância saudável de uma questão levantada por você sobre a morte do Capa e sobre trabalho dos críticos ou qualquer outro título que se dê.

Não qualifico a fotografia de Robert Capa pelas circunstâncias da sua morte, mas pelo conjunto da sua obra, pois se assim o fosse milhares de soldados e até alguns fotógrafos encontrariam-se na mesma condição. Também não desqualifico o trabalho de quem o faz sentado, como estamos todos nós nesse momento. Haja vista que o pensamento escrito foi e ainda é capaz de mudar visões de mundo, isso pra mim é bem importante, a exemplos de intelectuais engajados, intelectual na acepção de Sartre no ensaio "O que é a literatura?" e não pessoas que se preparam anos para ser burocrata da universidade quando conseguem passar num concurso público, mas que nunca vão interferir nem sequer se preocupar com a realidade de ninguém. Refiro-me a exemplos como Edward Said, Milton Santos, Florestan Fernandes, Antonio Gramsci, Edward P. Thompson, o próprio Sartre, entre outros.

Bem, minha intenção não é entrar numa polêmica contigo, mas é que são pontos que eu discordo por pensar diferente, simplesmente.

Agora permita-me agradecer as suas considerações técnicas que me fizeram olhar a foto de modo diferente, com um olhar mais objetivo.

Fiquei com uma dúvida pela ausência da imagem: você acredita que o miliciano levou ou não o tiro?

A Gerda também morreu em circunstâncias semelhantes a do parceiro.

Boa tarde Kika!

Não se preocupe comigo, a essência do fórum é a discussão, se fossemos todos uníssonos não haveria o porque de sua existência. Tenha certeza de que nunca vamos nos desentender por discordarmos.

Concordo com absolutamente tudo o que você disse, tanto que estou também partindo da relevância filosófica da imagem e o impacto que o fato ou o pensamento fotografado, vamos dizer assim, teve e tem sobre o mundo.

Kika, não quero dar mais importância às cisrcunstâncias da morte do Fotógrafo que ao conjunto de sua obra, mas também não podemos deixar de considerar que tal circunstância é fruto da diferença que há entre ele e quem "desmistifica" sua obra nos dias de hoje.

Sobre a foto, sinceramente não sei se tecnicamente é o momento exato do impacto do projétil contra o corpo, nem se é encenado ou não, mas tenho certeza que retrata o que o fotógrafo vivenciou centenas, talvez milhares de vezes durante a sua carreira e para mim isso é muito maior.

Abração,
Marcelo.

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Mestaky

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Resposta #14 Online: 30 de Julho de 2009, 11:47:43
Mestaky, tomei a liberdade de alterar o endereço da imagem que vc postou.
Salvo o engano, acho que era essa mesma que você se referia.

Obrigado, Luiz!
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