Autor Tópico: Estudando fotografia: um passo para frente e dois para trás?  (Lida 1763 vezes)

Ricardo Leite

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Online: 21 de Setembro de 2009, 09:57:30
Caros colegas do fórum.

       Certamente vão perceber que este meu relato tem um leve tom de angústia e anseia por comentários que visem diminuir essa desconfortável sensação que tem me atormentado.

       Fotografia para mim é puramente amadora, digamos que seja minha forma de arte preferida.
       Há cerca de um ano, adquiri uma DSLR e  comecei a estudar fotografia; através de livros de referência, fazendo cursos, observando as fotografias dos mestres, sobretudo fotografando sempre que possível.
       No entanto tenho a triste impressão que minhas fotos estão piorando.  :(

       Diante das fotos antigas, cujo registro era baseado apenas na composição intuitiva e nada mais, me sinto gratificado pela sua simplicidade e beleza. “As melhores fotos do papai foram aquelas do início, agora ele perde muito tempo regulando e entortando a câmera...”
        Desde então, venho me sentido preso à teoria, me sentido meio que algemado às regras e convenções.

        Talvez isso, seja um fenômeno temporário, natural do aprendizado e fruto do maior senso crítico que o conhecimento tem me imposto. Talvez com mais prática, eu consiga unir a “ antiga intuição “ ao novo conhecimento e voltar a ver beleza nos meus registros fotográficos.

         Creio que alguém possa comentar.

         Grato.

         Ricardo Leite



Ivan de Almeida

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Resposta #1 Online: 21 de Setembro de 2009, 10:06:34
Ricardo;

É preciso saber a teoria, mas é preciso igualmente ter uma atenção ao fotografar que é não-teórica.

Digamos o caso da fotometria. Outro dia fiz uma seção de 120 fotos. Acertei a fotometria umas dez vezes, no máximo. Depois de ajustada a luz básica do ambiente, eu simplesmente fotografei com o olho no visor e apertando o botão (em modo Manual, é claro).

Não é preciso uma grande operação para cada foto. É preciso estudar a luz antes, regular decentemente a câmera e então fotografar. Quando faço retratos, ajusto a luz e depois vou só no foco (lentes manuais, foco no anel da lente). É rápido.

Talvez a composição seja a parte que exige mais pensamento. Nela vale a pena pensar, mas não precisa ser um longo pensamento, com o treino vamos já colocando as coisas nos seus lugares. Para isso é preciso saber o que fazer. Para saber o que fazer é preciso pensar sobre as fotos que já foram feitas, onde elas poderiam ser melhores em termos compositivos, pensar qual a oportunidade foi perdida.

Divirta-se. É preciso divertimento.
Dê uma olhadinha no artigo que anuncio em um tópico chamado Transe. Ele fala sobre o processo de fotografar.


GutoVilaça

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Resposta #2 Online: 21 de Setembro de 2009, 10:44:21
Ricardo, aprenda a teoria para poder esquecê-la...rs.

Brincadeiras à parte, acho que todo mundo passa por uma fase menos produtiva, sem graça. Acho que faz parte do processo e da vida.

"Talvez isso, seja um fenômeno temporário, natural do aprendizado e fruto do maior senso crítico que o conhecimento tem me imposto. Talvez com mais prática, eu consiga unir a “ antiga intuição “ ao novo conhecimento e voltar a ver beleza nos meus registros fotográficos."

Como o passar do tempo, a coisa fica mais "séria" e ficamos mais críticos. Isso é normal. Porém não podemos ser tão severos com nós mesmos. Deixe isso para os outros que forem criticar suas fotos.  

E se serve como um estímulo, gosto muito das tuas fotos de pássaros.

Abs

« Última modificação: 21 de Setembro de 2009, 10:47:31 por GutoVilaça »
VAMOS ESTUDAR MAIS FOTOGRAFIA ANTES DE CRITICAR UMA FOTO ALHEIA. VAMOS CRITICAR SE O AUTOR PEDIR. SE VAMOS CRITICAR E COMENTAR, VAMOS FAZER COM SABEDORIA, COM EMBASAMENTO E DE MODO QUE SEJA ALGO CONSTRUTIVO. NÃO APELE SE O AUTOR DAS FOTOS REBATER ÀS CRÍTICAS AFINAL ISSO É DIREITO DELE. VAMOS DÁ BONS EXEMPLOS COM NOSSAS FOTOS POIS SÓ FICAR CRITICANDO FOTOS DOS OUTROS NÃO FAZ DA GENTE UM BOM FOTÓGRAFO.  VAMOS FOTOGRAFAR MAIS E CORNETAR MENOS!!!


Ricardo Leite

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Resposta #3 Online: 21 de Setembro de 2009, 10:57:07
Caros, Ivan e Guto.
Obrigado pelos comentários.Acho que é por aí mesmo, ainda não consegui aplicar bem o conhecimento teórico na prática. A autocrítica em demasia às vezes atrapalha.
Continuarei estudando e clicando.

Grato


Paulo Machado

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Resposta #4 Online: 21 de Setembro de 2009, 10:58:12
Ricardo, coloca umas fotos aqui para a gente ver.
When words become unclear, I shall focus with photographs. When images become inadequate, I shall be content with silent.  - Ansel Adams


Marcelo Favero

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Resposta #5 Online: 21 de Setembro de 2009, 11:01:19
"Fenômeno temporário"! Você mesmo respondeu!

Não sei se todos passam por isso, mas eu passei. Exatamente assim.
E penso que o que está acontecendo contigo é apenasmente o fato de estar se ocupando de racionalizar a técnica no momento. Foi assim comigo. Isto porque começou a estudá-la recentemente. Deixou o lado intuitivo e a sensibilidade um pouco de lado. Logo, com a prática, a técnica vai se tornando mais mecânica, vai adquirir uma relação mais "orgânica" com o equipamento e o processo será mais natural. Exagêro à parte, fotometrar, focar e etc, passam a se tornar algo automático pra você, como um dia se tornou automático passar marchas num automóvel. Só os aprendizes pensam na hora de usar o câmbio (isso não significa que o estudo da técnica tenha fim, como um curso de auto escola, claro).
Quando a técnica for algo mais familiar para você, vai voltar a ter espaço para a "poesia". Mas não deve por isso abandonar essa obstinação momentaneamente. Muito pelo contrário. Só não ajuda nada se angustiar por isso.

Abraço
Marcelo dos Santos

Associado Fototech


Ricardo Leite

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Resposta #6 Online: 21 de Setembro de 2009, 11:13:19
Ricardo, coloca umas fotos aqui para a gente ver.

Paulo.
O que eu tentei expressar, é uma sensação subjetiva no conjunto geral. Mas acho que uns exemplos realmente ficariam melhor para ilustrar o tópico. Assim que chegar em casa, pela noite, vou postar umas das primeiras e das recentes.
obrigado


Ricardo Leite

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Resposta #7 Online: 21 de Setembro de 2009, 11:32:23
Quando a técnica for algo mais familiar para você, vai voltar a ter espaço para a "poesia". Mas não deve por isso abandonar essa obstinação momentaneamente. Muito pelo contrário. Só não ajuda nada se angustiar por isso.

Abraço

Obrigado Marcelo.
Desistir nunca foi minha opção, posso errar muito, voltar e refazer conforme relato do Ivan.


Leo Terra

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Resposta #8 Online: 21 de Setembro de 2009, 11:33:32
Ricardo o aprendizado da fotografia tem uma questão interessante, que se origina na existência do modo automático.

Pesquisadores sobre aprendizado apontam que temos 4 níveis de aprendizado:

1 - Incompetência inconsciente.
2 - Incompetência consciente.
3 - Competência consciente.
4 - Competência inconsciente.

No caso da incompetência inconsciente na fotografia você acaba trabalhando com o modo automático, você sabe ligar a câmera, mas demora a se dar conta que quem está fazendo grande parte das decisões é a câmera e que sua própria escolha por este modo é por pura falta de opção. Este automático resolve sua vida, principalmente nas fotos de momento decisivo. Se não houvesse o modo automático esta fase seria como em todas as outras áreas, uma verdadeira catástrofe, mas na fotografia não é, porque o fotógrafo pode simplesmente deixar parte do controle com a máquina. Neste caso ele fotografa parcialmente, pois não se pode dizer que a decisão de uso do modo automático foi racional, foi simplesmente falta de opção.
No segundo estágio você passa para o estágio de incompetência consciente. Este é o estágio mais problemático na fotografia. Você descobre que não tem competência (que vinha meio que mascarado pelo automático), mas a tentativa de buscar o aprendizado acaba por ser trágica, pois você tenta tomar suas próprias decisões e é ai que vocÊ descobre que não sabia nada de fato. Ao tentar assumir o controle total das decisões você passa por diversos problemas, primeiro que você não tem ainda as competências adequadas, assim o volume de perdas aumenta de forma significativa, em relação ao automático. Segundo que tudo o que você tenta fazer acaba sendo muito pensado e lento, o que compromete vários tipos de fotografia.
No teceiro estágio (se você perceverar) você finalmente assume o controle, mas este controle ainda requer que você pense sobre os problemas. Neste estágio muitos começam a inventar soluções para resolver a questão da foto de momento, como fazer ajuste prévio da exposição, usar lentes Zoom para facilitar, acionar os modos automáticos de prioridade e fazer checagens rápidas travando a exposição antes do click e assim por diante. Ou seja, atinge um estágio onde se pode pensar em soluções apropriadas para cada tipo de problema, mas este pensamento ainda é consciente, você ainda racionaliza para poder tomar decisões.
Por fim, com o passar do tempo, atingimos o último estágio, onde estamos tão habituados com toda a dinâmica do que estamos lidando, que acabamos por fazer as operações de forma inconsciente e competente. Ou seja, voltamos a não pensar mais no problema (como na etapa inicial, onde não pensavamos), porém temos toda a carga conceitual agindo de forma automática em nossas mentes e nos dando toda a competência necessária para a atividade. :)
Como você pode perceber a transição da incompetência inconsciente para a competência inconsciente é bastante dramática na fotografia, onde descobrir que nada sabemos nos leva a expor claramente que nada sabemos. Diferente, por exemplo, de quem está começando a dirigir, que no primeiro estágio fica claro que a pessoal não sabe o que está fazendo e do momento em que consegue reconhecer isso em diante só se ve melhoras. Na fotografia não, o momento em que você reconhece isso é exatamente o momento onde as pessoas passarão a ver claramente suas limitações. :)
« Última modificação: 21 de Setembro de 2009, 11:55:32 por Leo Terra »
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PARA DÚVIDAS SOBRE O FÓRUM LEIA O FAQ.


Marcelo Favero

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Resposta #9 Online: 21 de Setembro de 2009, 11:44:46
Obrigado Marcelo.
Desistir nunca foi minha opção, posso errar muito, voltar e refazer conforme relato do Ivan.


Sem dúvida, nem deve ser opção!! Claro!
A obstinação a que me refiro é a obstinação de "fotografar com poesia", buscando o valor estético que lhe satisfaz. Não abandonar o desejo de fotografar com sua alma enquanto aprimora a técnica. Apenas não se angustiar por isso pois é parte do processo.

abraço
Marcelo dos Santos

Associado Fototech


Ricardo Leite

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Resposta #10 Online: 21 de Setembro de 2009, 13:43:14
Obrigado Leo.

Incompetência consciente :ok:
Pelo menos já superei o primeiro estágio :ok:

Obrigado Marcelo.

Entendi sim sua colocação, nunca abandonar a poesia mesmo que bem embasado na técnica. A junção de ambos parece ser a ponte para outros estágios :ok:

Abraço


Leo Terra

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Resposta #11 Online: 21 de Setembro de 2009, 14:24:49
Pelo menos já superei o primeiro estágio :ok:

Na minha opinião (e de vários pesquisadores) é o estágio mais difícil de ser superado...  :ok: ;)
« Última modificação: 21 de Setembro de 2009, 14:25:11 por Leo Terra »
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Ricardo Leite

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Resposta #12 Online: 21 de Setembro de 2009, 21:10:39
Até agora agradeço muito pelos comentários feitos. Estou postando fotos das minhas filhas, para ilustrar um pouco o que relatei na abertura do tópico. Todas feitas com a Canon 40D e lente 28-135 f/3.5-5.6 ou 50mm 1.8mm


Das antigas, feitas logo que comprei a câmera, apenas havia lido o manual :D






Esta foto abaixo acho foi em maio deste ano, após melhorar um pouquinho a teoria e apanhar para entender o RAW :fight: :fight: :ok:




Abaixo as últimas fotos, em agosto passado.





Desde então, somente leitura do livro 8xfotografia, curso da teiadoconhecimento e fotografia mental :assobi:

Abraço e muito obrigado


jeff cann

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Resposta #13 Online: 21 de Setembro de 2009, 22:25:50
Bem ,minha humilde opinião ,tentando acrescentar ao que já foi bem colocado pelos colegas.

- um ano é pouco tempo para grandes progressos em fotografia e no seu caso vc. também estava tomando conhecimento de  um novo equipamento.
- eu já fotografo mais seriamente há uns 20 anos e tem horas vejo fotos antigas e penso como voce: que antes eu era melhor he,he.. ,às vezes o excesso de conhecimento atrapalha e fazer o "feijão com arroz bem temperado" pode ser mais efetivo em certas ocasiões.
- as suas fotos são boas ,tanto as antigas como as novas.Só não gostei da composição da segunda da série mais recente. Na minha visão talvez voce tenha pecado por permitir-se ousar mais, o que é normal.
-never give up !
« Última modificação: 21 de Setembro de 2009, 22:26:39 por jeff cann »


GuiCastro

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Resposta #14 Online: 22 de Setembro de 2009, 05:05:43
Cara, eu sinto a mesma coisa que você e o Leo falou tudo! Eu me identifiquei com isso... na fotografia acredito estar no segundo estágio... Mas por exemplo, no trabalho que eu faço (comecei a 1 ano em EMC/telecomunicações) acredito estar no terceiro estágio..

Leo, onde você leu isso? É perfeitamente o que acontece comigo.