Autor Tópico: Francesca Woodman  (Lida 4741 vezes)

Clayton Batista

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Online: 27 de Setembro de 2009, 17:17:12
Há umas duas semanas fiquei sabendo que existiu uma tal Francesca Woodman. Vi uma porrada de fotografias suas, e fiquei pasmado. Simplesmente genial! Desde então, todas as vezes que ligo o computador vou na pasta da Francesca e vejo suas fotos. É um vício! Suas fotos me enfeitiçaram.
Bom, que gostaria de debater aqui, é por que essa fotógrafa com obras tão marcantes, nunca é citada em livros, e nada que se refira a grandes nomes da fotografia.
Ou pode ser que realmente ela não foi tão boa assim?!
O gosto pela fotografia eu sei que vai mudando com o tempo, e talvez pode que dentro de algum tempo eu ache tudo isso um lixo.

Deixo aqui um link com algumas fotos suas.

http://picasaweb.google.es/batista.clayton/FrancescaWoodman?feat=directlink


Clayton Batista

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Resposta #1 Online: 27 de Setembro de 2009, 17:18:23
Ahhhh, esqueci de escrever. O que mais me impressiona é que a maioria de suas fotos são auto-retratos.


nonlineart

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Resposta #2 Online: 27 de Setembro de 2009, 19:03:09
Na verdade ela é super conhecida, Clayton. E pra quem viveu só 22 anos, a obra dela é muito consistente. (Y)


Malicky

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Resposta #3 Online: 28 de Setembro de 2009, 05:17:27
Suicidou-se aos 22 anos de idade...xupeta ela  da cabeca
mas legal as fotos :ok:


Clayton Batista

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Resposta #4 Online: 28 de Setembro de 2009, 06:00:08
Foi mal pela mancada. Não sabia que ela era super conhecida   :aua:
De qualquer forma, fica aí o link para os que não conhecem.


Kika Salem

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Resposta #5 Online: 28 de Setembro de 2009, 12:57:55
Se ela morreu em 1981, não entendi porque as fotos estão no Picasa.

Se não me engano, esse é o estilo de foto que o Rafael aprecia. Se ele puder falar alguma coisa sobre elas, ia gostar de ouvir.

Pra mim, as fotos transmitem um certo tormento ou desconforto (não meu, dela).

As composições são muito cuidadosas e os cenários bem escolhidos.

Linhas por toda parte.

Nada parece natural, espontâneo. Tudo parece uma cena, uma montagem.

Na maioria delas, pessoas ou parte delas aparecem nas fotos, mas parecem que elas nunca estiveram ali. Parece uma colagem de corpos, de rostos, de pessoas, de sensações.

Eu diria que são surreais, embora hoje tudo que não é o retrato fiel da realidade é considerado surreal, mas não sei se elas se inscrevem num determinado movimento (uma remanescência talvez?), se sofreu influência dele ou é uma sensação que não se inscreve em tempo e lugar, ou melhor, expandi-se para outras esferas.

Criativas é o mínimo que eu posso dizer.

Uma presença constante do corpo que eu não sei o que significa, mas deve ter algum significado (subjetivo ou não).

As texturas são surpreendentes, mas são texturas asquerosas, não agradáveis, na maioria delas, mas também não menos atraentes.

Essa eu achei muito legal, deve ser por conta do movimento, mas não parei para pensar nisso.


Não é um estilo que adoro, que tomo como preferido, mas reconheço a qualidade, ainda que sem uma base precisa.

Valeu pelo tópico!!!








rafaelfrota

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Resposta #6 Online: 28 de Setembro de 2009, 15:30:04
Eu não sei se o Rafael que a Kika se referiu sou eu, mas confesso que a Francesca Wodman é uma das maiores influencias que tive nos meus trabalhos de arte.
Realmente ela se suicidou aos 23 anos em 1981 (as fotos do Picasa, se não me engano, são do album pessoal do Clayton). Ela se tacou da janela de seu apartamento. Pouco antes do suicidio ela lançou um livro chamado "Some Disordered Interior Geometries”, que foi quase como um pedido de socorro e prenunciava que algo poderia vir a acontecer.
Eu não tenho muita certeza sobre os motivos de seu suicídio, mas fala-se muito sobre as inquietações sobre sua arte e sobre um relacionamento rompido.
O fato é que ela fotografava desde os 13 anos e todas as fotos ou eram auto-retatos ou retratos de amigas próximas. Ela buscava bastante a ideia do "corpo em movimento estático", por isso usava muito as longas exposições.
Segundo a própria Woodman, "Eu mostro o que você não consegue ver:a força íntima do corpo". O trabalho dela dialogava bastante com o surrealismo, mas de uma forma mais depressiva, característica da própria fotógrafa. Também alguns traços de art nouveau.
Creio que ela não teve muita expressividade enquanto viva, o que é pena, porque os trabalhos dela hoje são influências para muitops artistas que bebem da mesma fonte.
è uma especie de expurgação das aflições interiores, onde nada teria como sair bonito e feliz. Realmente tinham que ser trabalhos "sujos", "grotescos" e "inquietos"

Tem um vídeo que gosto bastante, que tem apenas alguns segundos com ela (e outros 2 artistas que amo). Dá pra perceber que realmente ela era meio chupeta da cabeça
http://www.youtube.com/watch?v=9JhNIfeAJeg

"as coisas estavam ruins, houve terapia, as coisas tinham melhorado e a guarda foi abaixada" (Frase da sua carta de suicidio)


Kika Salem

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Resposta #7 Online: 28 de Setembro de 2009, 16:55:33
Eu não sei se o Rafael que a Kika se referiu sou eu, mas confesso que a Francesca Wodman é uma das maiores influencias que tive nos meus trabalhos de arte.

É você mesmo, aliás, no fórum, não conheço outro Rafael com as mesmas preferências.

Obrigada mais uma vez por trazer elementos desse universo. Como disse, não é a minha preferência, isso também não faz a menor diferença, mas são trabalhos que merecem a devida atenção.

Tenho pensando nisso nos últimos tempos.

Até que ponto o universo pessoal do fotógrafo permeia o registro fotográfico?

Até que ponto uma foto expressa a personalidade do fotógrafo?

Se a foto deve se encerrar em si mesma, até que ponto uma análise psicológica - que entremeia vida do fotógrafo com registros fotográficos - é válida?

Qual é o ponto que separa (e se separa) o fotógrafo da obra?

Apresentar um conjunto de fotos é o mesmo que ficar nu em público?

Nessa lógica, uma pessoa "atormentada" ou "chupeta da cabeça" poderia apresentar um trabalho alegre, limpo e sadio? Hahaha Esses últimos adjetivos empreguei de propósito, pra fazer graça com discurso higienista do século XIX.

Ou então o contrário: Como explicar uma aparente contradição entre obra e autor. Por exemplo, como uma personalidade "rabugenta", segundo terceiros, pode ter um trabalho bem humorado?
Fiz essa pergunta noutro tópico (http://forum.mundofotografico.com.br/index.php?topic=35818.msg334932#msg334932), mas lá não encontrou ressonância. Não sei se porque falei besteira e os colegas fazem como eu quando escutam uma, simplesmente ignoram; é uma questão complicada de dissertar e, claro, dá uma certa preguiça, sei bem o que é isso; ou, então, não é exatamente uma questão interessante ou de interesse de muita gente. Elliott Erwitt parece-me um exemplo.

Enfim, mais e mais perguntas.
« Última modificação: 28 de Setembro de 2009, 16:57:30 por Kika Salem »


Formel

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Resposta #8 Online: 28 de Setembro de 2009, 18:08:50
Coincidência, tem menos de uma semana eu fiz um post sobre a Francesca em meu blog.

http://alhuresfilosofico.blogspot.com/2009/09/francesca-woodman.html

Aqui tem um pouco do trabalho dela:

http://www.berk-edu.com/RESEARCH/francescaWoodman/index.html#1

[ ]s

Formel


rafaelfrota

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Resposta #9 Online: 28 de Setembro de 2009, 18:42:36
Kika, questões que você também já me tomaram muitas madrugadas de conversas.
Eu creio (e isso até certo ponto é uma opinião pessoal) que não existe trabalho de arte que não carregue algum dado psicológico de quem produz, mesmo que ao contrário.

Na faculdade, conversávamos sobre a idéia de projeção x compensação. Ou seja, o artista tem 2 possibilidades mais obvias de se incorporar à produção: ou o tabalho se torna extensão de sua vida ou é completamente inverso.

É como pegar a idéia de Van Gogh, que era um cara bem atormentado e isso se torna claro nos seus trabalhos e usa essa esfera de morbidez como mote para seu trabalho, em contrapartida a Salvador Dali, que também era um "porraloca" mas usava a sua loucura de forma "divertida".

Isso me faz lembrar uma história que eu gosto muito do encontro do Roger Waters, do Pink Floyd, Com Stanley Kubrick. Waters era um cara problemático, alterado pelas drogas com uma produção psicodélica e sisuda. Quando ele encontrou Kubrick, achou que daria de cara com um semelhante, devido a sua obra sempre "pesada", mas encontrou um tiozinho tranquilo, caseiro, casado, com filhinhas gordinhas e sadias. Em algumas horas de papo ele saiu de lá dizendo que Stanley era o cara mais maluco que ele já tinha conhecido.

Steve Martin é um cara extremamente chato e antipático e é mundialmente famoso pelas comédias...assim como Jerry Lewis.

Falávamos na tal da compensação: muita gente coloca na arte tudo aquilo que elas não são, como forma de chegar a um equilíbrio inconsciente. Outros já escolhem o "Caminho dos excessos", como diria William Blake.

Seia muito interessante se houvesse um psicólogo no fórum para dar alguma opinião a respeito, porque isso é apenas uma sugestão, um pitaco. 


Kika Salem

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Resposta #10 Online: 28 de Setembro de 2009, 18:54:56

Seia muito interessante se houvesse um psicólogo no fórum para dar alguma opinião a respeito, porque isso é apenas uma sugestão, um pitaco.  

Rafael:

Tem um psicólogo no fórum sim. É o Rodrigo. Também gostaria de saber a opinião dele e de outros mais, mas tem que esperar eles passearem por aqui.

O "certinho" ser o mais estranho é ótimo. Tudo é uma questão de ponto de vista.

Obrigada por dividir tais preocupações, pena que não tem o tal "chopp em garrafa" mencionado num outro tópico e do qual eu e o Formel achamos uma boa idéia.

Citar
Sempre que vejo uma das fotos dela parece que algo vai surgir de um dos cantos escuros.
Formel:
Sabe que também tive essa impressão, como se estivesse sempre preparada para o susto.
« Última modificação: 28 de Setembro de 2009, 22:19:15 por Kika Salem »


Clayton Batista

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Resposta #11 Online: 29 de Setembro de 2009, 13:33:20
É verdade Kika, pelo menos muito criativa ela é!
Lá vai o "achismo": acho eu a fotografia está sim relacionada com a personalidade de um, mas mais que tudo, está diretamente relacionada com o momento da vida. Os sentimentos, as vezes escondidos até para nós mesmos, saem para uma fotografia. É incrivel a diferença de "nivel" de seções fotograficas de um dia inspirado para um dia normal da mesma pessoa.
Bom, esperamos que chegue o Rodrigo e nos dê uma opinião sobre isso.

Rafael, dê-me algumas sugestões de fotografos para mim.

Abraços a todos, e obrigado pelas respostas.


rafaelfrota

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Resposta #12 Online: 29 de Setembro de 2009, 14:28:35
Clayton, eu vou ser extremamente parcial nisso, mas vou deixar alguns fotógrafos que de alguma forma têm uma linguagem mais decadente...

Joel-Peter Witkin (completamente chupeta)
http://www.zonezero.com/exposiciones/fotografos/witkin2/

Irina Ionesco (de todos é a linguagem menos decadente, mas é fonte de inspiração pra muitos que possuem esse tipo de linguagem)
http://www.artpages.org.ua/index.php?option=com_datsogallery&Itemid=104&func=viewcategory&catid=52

Jan Saudek ( fotografias coloridas manualmente)
http://www.saudek.com/index.php

John Santerineross (este se declara altamente influenciado pela Francesca e por Irina)
http://www.santerineross.com/

Robert Gregory Griffeth (Um fotógrafo mais plástico, que faz intervenções no negativo)
http://www.robertgregorygriffeth.com/


Se quiser, dá uma olhada no meu blog www.rafaelfrota.blogspot.com, pois eu coloco muita coisa desse estilo por lá, inclusive de uma galerinha muito boa que ainda tem uma carreita incipiente, mas já são grandes na linguagem

Abraços e divirta-se



Clayton Batista

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Resposta #13 Online: 29 de Setembro de 2009, 15:29:25
Valeu Rafael.

Gostei mais dos trabalhos do Jan Saudek.
As super produções de cenário não gostei muito. A Francesca é fodástica por que monta tudo de forma simples, e dá uma PODER na foto que é incrivel.


Ricardo Lou

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Resposta #14 Online: 03 de Outubro de 2009, 19:17:40
Interessante as fotos da moça! São até bonitas mas transmitem uma inquietude, uma tentativa de grita para o mundo algo que ela sentia, mas não consegui trabalhar dentro de si; talvez sexo seria o causador deste sofrimento.

Interessante esta foto
Que a arte (me) aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Oswaldo Montenegro (adaptação nossa)