Autor Tópico: Será o fim da Street Photography?  (Lida 2553 vezes)

Ivan de Almeida

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Online: 21 de Outubro de 2009, 11:09:14


wirian

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Resposta #1 Online: 21 de Outubro de 2009, 11:35:10
Assunto interessante, e que realmente leva a pensar...
Bom artigo!
« Última modificação: 21 de Outubro de 2009, 11:36:43 por wirian »
Cabe a mim a construção daquilo que me é peculiar


Francisco

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Resposta #2 Online: 21 de Outubro de 2009, 16:31:53
Legal o artigo. O Ivan menciona algumas vezes a palavra "midiatização", e como eu não sabia exatamente o seu significado, fui procurar no Google e encontrei essa entrevista com o Muniz Sodré de Araújo, da UFRJ:

http://www.e-educador.com/index.php/mundo-high-tech-mainmenu-99/5504-muniz

E também, uma pista de como seria uma segunda ordem de midiatização:

http://coberturasimplesmasesforcada.blogspot.com/2007/05/uma-segunda-ordem-na-midiatizao.html

Por fim, um artigo de uma revista especializada tentando definir o termo:

http://www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/viewFile/196/197

Pelo que eu entendi, acredito que nunca vivemos uma sociedade não-midiatizada, uma vez que toda interação entre sistemas socias, comunicativos e epistemológicos sempre ocorreu, embora de forma mais lenta ou sutil. Entendo, então, que no seu artigo você esteja se referindo à intensificação e aceleração dessas relações, provocando mudanças a todo momento nos sistemas envolvidos.

No que concerne à fotografia de rua, creio que a intensificação dessas relações, graças à rápida disseminação da informação, torna-nos mais ressabiados quando um fotógrafo nos aponta a câmera. Sempre soubemos que o fotógrafo poderia imprimir o seu olhar à cena, mas a novidade é que o seu olhar pode disseminar-se rapidamente e, como disse o Ivan em seu ensaio, (...)ocupar o lugar de símbolo, exemplo ou paradigma de algo(...).

Assim, a nova fotografia de rua talvez devesse partir de uma cumplicidade entre as pessoas envolvidas. Nós, fotógrafos, por outro lado ficamos com medo da perda da espontaneidade. A "fotopornografia de rua", ou seja, aquela que mostrava os costumes tais como eles apareciam imbuídos da crítica subjetiva do clicador, parece não ter mais espaço ou, pelo menos, não ocupará o espaço midiático impunemente. O caminho da cumplicidade entre clicador e clicados parece, então, um caminho sem volta. O fotógrafo jamais poderá despir sem ser despido e, para mim, as novas possibilidades são igualmente interessantes àquelas exploradas no início do século XX.
Francisco Amorim
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Formel

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Resposta #3 Online: 21 de Outubro de 2009, 20:19:19
Na europa, não sei bem em qual país, eles dividem a fotografia em artística e comercial. No primeiro caso vc pode retratar pessoas sem a preocupação de um processo, no segundo é parecido com o que temos por aqui, ou seja tem que ter o direito de imagem da pessoa retratada. Agora como isso funciona eu já não sei, não sei quais critérios são levados em conta, etc.

Depois se eu tiver tempo e paciência vou dar uma pesquisada para saber mais detalhes sobre o assunto, pois já tem muito tempo que li sobre isso.

Uma coisa com a qual eu concordo totalmente é tentar se colocar no lugar da pessoa retratada, eu mesmo detesto ser fotografado.

[ ]s

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nonlineart

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Resposta #4 Online: 21 de Outubro de 2009, 21:27:17
Eu vou continuar fotografando gente na rua. Não vejo diferença de privacidade entre a rua (a rua, gente, a rua!!!) e a pessoa estar dentro do quadradinho da fotografia. Se quiserem processar, processem. Processem as câmeras de segurança da polícia que grava tudo o que elas fazem enquanto eu fotografo elas. :-P


Ricardo Lou

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Resposta #5 Online: 22 de Outubro de 2009, 01:44:58
Este é um tema deveras contraditório e muito mau explicado.

Ser retradato em locais públicos não consiste em uso indevido da imagem do retrato, em casos de registro sócio-cultural-informativo. Aliás é de se frisar bem que, aquele que está em local público já declinou-se do direito a privatividade, em bom português ou privacidade, esta derivado do inglês.

O que não se pode divulgar são atos que humilhe ou coloque a pessoa do retrado em situação vexatória, execentua-se tais condições, não se falar em uso indevido, pois nos casos citados, cuida-se de direitos à intimidade e direito à honra, estes são distintos do direito à imagem e em alguns casos de uso indevido da imagem podem também serem desrespeitados.

O que caracteriza o uso indevido da imagem, neste caso, tratamos especificamente do uso de imagens de pessoas, esta agressão tem relação única e expecífica no Direito Patrimonial

Portanto, tem, o fotógrafo,  que se preocupar com a destinação em se dará nossas fotos, pois se estas fotos deixarem de ter a condição de obra sócio-cultural-informativa, ou seja, passar a ser utilizada em publicidades com fins lucrativos, estará sujeito a um procedimento judicial de repareação de adnos morais e materiais, pois todos temos assegurados o direito à nossa imagem, assim podemos decidir o que com ela iremos fazer, ou seja, neste caso a imagem integra os direitos patrimoniais, apenas e tão somente se, mesmo que a imagem fora feita em lugar público, mas utilizou-se dela para atos lucrativos é que deve ser indenizada a pessoa retratada.

Nossos Tribunais tem concedido indenização nos casos de não-autorização da exposição da imagem, dada a freqüência com que se tem usado a imagem alheia indevidamente em publicidade, face estes atos terem gerado lucro fácil.

Assim Antônio Chaves diz a respeito deste tema: "não se pode impedir que outrem conheça a nossa imagem, e sim que a use contra a nossa vontade, nos casos expressamente previstos em lei" (g.n.) in Direito à própria imagem. Revista da faculdade de direito da USP. p.67.

Como disse este é um tema muito controverso, pois iemos encontrar vários julgados em nossos Tribunais que não pacificam o entendimento da discussão.
Que a arte (me) aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Oswaldo Montenegro (adaptação nossa)


Leo Terra

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Resposta #6 Online: 22 de Outubro de 2009, 02:36:53
Ivan adiciona-se a isso o problema da violência urbana, onde nós tememos por nossa segurança a cada vez que estamos com nossos equipamentos em locais públicos, pronto. Temos de fato uma grave ameaça a este tipo de fotografia.

Ricardo  :clap: :clap:
Esta área do direito é sempre muito complicada por aqui e suas contribuições nesta área têm sido muito úteis.
Até gostaria de sugerir que, se possível, fizesse alguns artigos sobre estas questões de direito de uso de imagem e outras coisas do tipo para nossa comunidade. Terei prazer em migrá-los para as salas de artigos. Se o fizer me mande PVT com o link.
Abraços e mais uma vez muito obrigado com contribuir com este tipo de esclarecimento legal.  :clap:
« Última modificação: 22 de Outubro de 2009, 02:40:47 por Leo Terra »
Leo Terra

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ATENÇÃO: NÃO RESPONDO DÚVIDAS EM PRIVATIVO. USEM O ESPAÇO PÚBLICO PARA TAL.
PARA DÚVIDAS SOBRE O FÓRUM LEIA O FAQ.


Ivan de Almeida

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Resposta #7 Online: 22 de Outubro de 2009, 10:43:54
Este é um tema deveras contraditório e muito mau explicado.

Ser retradato em locais públicos não consiste em uso indevido da imagem do retrato, em casos de registro sócio-cultural-informativo. Aliás é de se frisar bem que, aquele que está em local público já declinou-se do direito a privatividade, em bom português ou privacidade, esta derivado do inglês.

O que não se pode divulgar são atos que humilhe ou coloque a pessoa do retrado em situação vexatória, execentua-se tais condições, não se falar em uso indevido, pois nos casos citados, cuida-se de direitos à intimidade e direito à honra, estes são distintos do direito à imagem e em alguns casos de uso indevido da imagem podem também serem desrespeitados.

O que caracteriza o uso indevido da imagem, neste caso, tratamos especificamente do uso de imagens de pessoas, esta agressão tem relação única e expecífica no Direito Patrimonial

Portanto, tem, o fotógrafo,  que se preocupar com a destinação em se dará nossas fotos, pois se estas fotos deixarem de ter a condição de obra sócio-cultural-informativa, ou seja, passar a ser utilizada em publicidades com fins lucrativos, estará sujeito a um procedimento judicial de repareação de adnos morais e materiais, pois todos temos assegurados o direito à nossa imagem, assim podemos decidir o que com ela iremos fazer, ou seja, neste caso a imagem integra os direitos patrimoniais, apenas e tão somente se, mesmo que a imagem fora feita em lugar público, mas utilizou-se dela para atos lucrativos é que deve ser indenizada a pessoa retratada.

Nossos Tribunais tem concedido indenização nos casos de não-autorização da exposição da imagem, dada a freqüência com que se tem usado a imagem alheia indevidamente em publicidade, face estes atos terem gerado lucro fácil.

Assim Antônio Chaves diz a respeito deste tema: "não se pode impedir que outrem conheça a nossa imagem, e sim que a use contra a nossa vontade, nos casos expressamente previstos em lei" (g.n.) in Direito à própria imagem. Revista da faculdade de direito da USP. p.67.

Como disse este é um tema muito controverso, pois iemos encontrar vários julgados em nossos Tribunais que não pacificam o entendimento da discussão.


Ricardo;

Meu artigo, você deve ter percebido, está mais voltado para compreender o zêlo com a imagem, que comaça a caracterizar o comportamento de pessoas comuns, do que exatamente investigar os aspectos legais. Penso ser preciso compreender "que mundo é esse" no qual a pessoa comum é elevada à celebridade e à publicidade através da onipresente vigilância pelos dispositivos captadores de imagem, dentro dos quais nos incuimos.

Sua resposta, contudo, é extremamente enriquecedora, e eu lhe pediria, se você quiser e puder, que a postasse lá no Fotografia em Palavras nos comentários, pois seria um acréscimo bárbaro ao assunto. Ou, se não quiser postar você mesmo, lhe pergunto se me autoriza a transplantá-la para lá, evidentemente atribuindo a você sua autoria.

Se nenhuma das duas opções acima for da sua conveniência, não tem problema nenhum, é só porque achei que valeria a pena.

Obrigado
Ivan


Ricardo Lou

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Resposta #8 Online: 22 de Outubro de 2009, 22:58:54
Ricardo;

Meu artigo, você deve ter percebido, está mais voltado para compreender o zêlo com a imagem, que comaça a caracterizar o comportamento de pessoas comuns, do que exatamente investigar os aspectos legais. Penso ser preciso compreender "que mundo é esse" no qual a pessoa comum é elevada à celebridade e à publicidade através da onipresente vigilância pelos dispositivos captadores de imagem, dentro dos quais nos incuimos.

Sua resposta, contudo, é extremamente enriquecedora, e eu lhe pediria, se você quiser e puder, que a postasse lá no Fotografia em Palavras nos comentários, pois seria um acréscimo bárbaro ao assunto. Ou, se não quiser postar você mesmo, lhe pergunto se me autoriza a transplantá-la para lá, evidentemente atribuindo a você sua autoria.

Se nenhuma das duas opções acima for da sua conveniência, não tem problema nenhum, é só porque achei que valeria a pena.

Obrigado
Ivan

Sim Ivan, eu entendi este lado que você passa, mas como para os profissionais da arquitetura, que não conseguem ver um linha curva como eu a vejo, ou seja, como apenas uma linha; pois sou de uma área completamente diversa e não exata, então, preferi enveredar por uma resposta mais jurídica, afinal, quando fala sobre o lavrador e sua preocupação com imagem, você havia adentrado a seara jurídica, mesmo que depretenciosamente e não está errado, mas é justamente com isto que aquele humilde camponês estava tentando preservar -o seu direito- o direito à sua imagem.

Devo aqui repetir uma das lições dos bons tempos de faculdade que nunca mais esqueci, logo no primeiro ano uma professora nos disse “Quando vocês terminarem o curso, nunca mais irão ler o jornal sem se lembrar de todas estas aulas”, então, foi o que fiz e faço já há 12 anos de formado e há vinte de funcionário de um Tribunal.

Quanto a posta minha resposta lá no Blog, claro que está autorizado. Pode inserir lá. Será uma honra!

E parabéns pelo blog, não o conhecia.
« Última modificação: 22 de Outubro de 2009, 23:30:13 por Ricardo Lou »
Que a arte (me) aponte uma resposta
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Ivan de Almeida

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Resposta #9 Online: 23 de Outubro de 2009, 00:34:10
Obrigado, Ricardo. Vou colocar como comentário. Depois se quiser vá lá ver como ficou, e se quiser alguma modificação me fale que eu edito.


hugo_arruda003

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Resposta #10 Online: 23 de Outubro de 2009, 10:04:38
Ivan, ótimo artigo.

Um outro dia, quando eu vi uma foto de um membro do mf na galeria (era de um sujeito com uma bengala no banco de uma praça) eu fiquei pensando. A foto mostrava CLARAMENTE o rosto da pessoa, mas o que fazer nesses casos? Eu já acho bem difícil alguém, como um catador de tomates ou alguem que só estiver passando na rua, assinar um contrato para um desconhecido. Não importa o quanto voce explique. Eu fico muito confuso nesses casos. É mais uma "polemica" da fotografia. Eu tentei "recorrer" aos grandes fotografos de antigamente vendo como eles fotografavam, mas estamos em uma outra época (como você mesmo disse). Eu nao sei o qua fazer.

ps: foi um ótimo esclarecimento ricardo, concordo plenamente co léo a respeito de nos explicar mais. :ok:


Ricardo Lou

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Resposta #11 Online: 23 de Outubro de 2009, 14:36:48
...

Ricardo  :clap: :clap:
Esta área do direito é sempre muito complicada por aqui e suas contribuições nesta área têm sido muito úteis.
Até gostaria de sugerir que, se possível, fizesse alguns artigos sobre estas questões de direito de uso de imagem e outras coisas do tipo para nossa comunidade. Terei prazer em migrá-los para as salas de artigos. Se o fizer me mande PVT com o link.
Abraços e mais uma vez muito obrigado com contribuir com este tipo de esclarecimento legal.  :clap:

Obrigado Léo pela consideração.

Aceito o "desafio" farei alguns artigos sobre a matéria e te envio.

« Última modificação: 23 de Outubro de 2009, 14:39:09 por Ricardo Lou »
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Kika Salem

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Resposta #12 Online: 23 de Outubro de 2009, 15:35:02
O Ivan sempre levantando questões interessantíssimas e estimulando os colegas a fazerem o mesmo.

Estou acompanhando as discussões aqui e no blog.

Interessante, Ivan, você ter mencionado que as coisas mudam, o mundo muda, não pra melhor, nem pra pior. É natural nossa tendência de acreditar num "empobrecimento", tendemos a recriar um passado sempre mais glamouroso do que o presente, afinal o passado já passou, o presente está acontecendo.

É possível que nessa nova configuração não teremos mais um Cartier-Bresson nem tantos outros do mesmo segmento, mas teremos outros tão bons quanto, com novas propostas, novos parâmetros. Além disso, para tornar-se um "grande fotógrafo", em alusão a um tópico passado, é preciso certa originalidade, ninguém se tornará grande reproduzindo modelos do passado, embora possa fazer belos registros na linha de grandes fotógrafos. Originalidade, não no sentido de apresentar algo inovador, nunca antes visto, que partiu de ponto nenhum, mas saber recriar a tradição da fotografia a partir do contexto em que vive, das mudanças da nossa sociedade, saber retratá-las de forma pessoal.

Nosso contexto coloca um problema para a street photography bem colocado no artigo, mas esse problema, ao meu ver, é apenas uma pedra no caminho, não uma muralha inteira.

Eu gosto de fotografar na rua, mas não sou tão desprendida a ponto de colocar a câmera na cara do sujeito sem pensar no quão agressivo pode ser esse ato. Colocar-se no lugar no outro deveria ser princípio para toda interação humana, não só no que se refere à fotografia, só assim entenderíamos porque uma pessoa ou um grupo deseja preservar sua privacidade ou identidade enquanto outro faz o contrário.

Com fotografia de rua, tive uma experiência exatamente oposta ao do colega do blog Filipe. Mesmo não sabendo manusear direito as funções da câmera, fotografei muito em Paris, de tudo um pouco. Monumento, pessoas etc. Em nenhum momento sequer alguém sentiu-se incomodado ou veio perguntar-me qual o propósito da fotografia. Mas, é claro, nunca usei a câmera como alguém que usa uma arma. Numa seleção dessas fotos que postei há muito tempo aqui no fórum, notei também que a maioria das pessoas não são identificáveis, quase todas estão de costas, talvez por isso não tenha sido confrontada em momento algum. http://forum.mundofotografico.com.br/index.php?topic=25889.msg245689#msg245689

Além disso, acredito que isso se deva, de um lado, pela tradição francesa da street photography, não que a população em geral tenha consciência disso, e, de outro, pela relação com "o estrangeiro" que, embora seja um dos maiores medos dos franceses, um medo milenar, contra uma multidão de japoneses, europeus em geral, americanos em menor escala, latinos, árabes, indianos etc., todos com uma câmera na mão, não há como lutar.

Em contrapartida, nesse ano que passei fora, fiz várias viagens, por vários países, e no que eu tive mais problemas para fotografar, a ponto de desistir, foi em Marrakech. (Assinalo que esse é um relato pessoal, a Célia esteve lá e passou por outra experiência). Era empunhar a câmera e sempre vinha um ou para pedir dinheiro pela foto (ainda que não fosse dele nem de pessoa alguma), ou para me colocar uma cobra no pescoço, ou para vender alguma coisa, ou para se oferecer para ser meu guia. Comecei a ficar tão irritada com o assédio e com a falta de concentração que eu precisava para fotografar que desisti e resolvi interagir com o pessoal, conversar mais, curtir o lugar a registrar fotos. Acredito que se tivesse feito isso no primeiro, segundo dia e, só depois, partido para as fotografias, a relação com o povo seria outra, pois como me disse o dono do lugar onde me hospedei, nos primeiros dias eles te vêem e registram sua presença, incomodam mesmo disse ele, daí em diante, as relações vão ficando mais próximas e menos intrusivas. Na verdade mesmo, o intruso era eu. É sempre bom ter ciência disso antes de reclamar do população local que não colabora. kkk Depois do espanto inicial, chegamos até a falar de copa do mundo, Ronaldinho, copa América, foi nessa época que fui pra lá, tudo de um jeito muito doido, como n'Um Filme Falado, pois nem eu nem eles sabiam com muita desenvoltura língua nenhuma.

Bem, é isso. Vou ficando por aqui e anseio ler a contribuição do Ricardo também.

Abraços a todos.


Kika Salem

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Resposta #13 Online: 23 de Outubro de 2009, 16:36:42
Outra coisa, esqueci.

Esse negócio que sugerem pra gente, andar com contrato debaixo do braço, sinceramente, acho a dica mais inviável já dada. Primeiro porque se já espanta fotografar, imagine pedir pra alguém assinar um papel. Serão horas de explicação em vão, isso, é claro, se o sujeito quiser te escutar. Segundo que a gente já carrega bastante coisa, imagine folhas e folhas de autorização. Terceiro que, de um montante enorme de fotos, quantas são realmente válidas? No meu caso poucas. Ia fazer as pessoas assinarem coisas em vão, fora a expectativa criada nelas.


Ricardo Lou

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Resposta #14 Online: 23 de Outubro de 2009, 23:31:46
...
Além disso, acredito que isso se deva, de um lado, pela tradição francesa da street photography, não que a população em geral tenha consciência disso, e, de outro, pela relação com "o estrangeiro" que, embora seja um dos maiores medos dos franceses, um medo milenar, contra uma multidão de japoneses, europeus em geral, americanos em menor escala, latinos, árabes, indianos etc., todos com uma câmera na mão, não há como lutar.

Em contrapartida, nesse ano que passei fora, fiz várias viagens, por vários países, e no que eu tive mais problemas para fotografar, a ponto de desistir, foi em Marrakech. (Assinalo que esse é um relato pessoal, a Célia esteve lá e passou por outra experiência). Era empunhar a câmera e sempre vinha um ou para pedir dinheiro pela foto (ainda que não fosse dele nem de pessoa alguma), ou para me colocar uma cobra no pescoço, ou para vender alguma coisa, ou para se oferecer para ser meu guia. Comecei a ficar tão irritada com o assédio e com a falta de concentração que eu precisava para fotografar que desisti e resolvi interagir com o pessoal, conversar mais, curtir o lugar a registrar fotos. Acredito que se tivesse feito isso no primeiro, segundo dia e, só depois, partido para as fotografias, a relação com o povo seria outra, pois como me disse o dono do lugar onde me hospedei, nos primeiros dias eles te vêem e registram sua presença, incomodam mesmo disse ele, daí em diante, as relações vão ficando mais próximas e menos intrusivas. Na verdade mesmo, o intruso era eu. É sempre bom ter ciência disso antes de reclamar do população local que não colabora. kkk Depois do espanto inicial, chegamos até a falar de copa do mundo, Ronaldinho, copa América, foi nessa época que fui pra lá, tudo de um jeito muito doido, como n'Um Filme Falado, pois nem eu nem eles sabiam com muita desenvoltura língua nenhuma.

Bem, é isso. Vou ficando por aqui e anseio ler a contribuição do Ricardo também.

Abraços a todos.

Bem Kika, na primeira parte que fiz da reprodução de seu post, creio que não somente as inúmeras nações que lá visitam trouxe esta pela tradição da street photography, mas um processo avançado de cultura que, infelismente em nosso País não existe, face as mazelas dos governantes.

Quanto a minha contribiuição, estou trabalhando neste sentido.
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