Autor Tópico: [ARTIGO] As digitais têm menor latitude? E daí?  (Lida 11584 vezes)

RFP

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Online: 21 de Dezembro de 2009, 10:55:16
Artigo do Câmara Obscura.

Sempre ouvi dizer que uma das deficiências das câmeras digitais em relação ao filme seria a menor latitude de exposição. Uma vez que eu não sou um expert técnico nem me interessa entender essa questão através da leitura de gráficos e fórmulas matemáticas, vou abordar o problema por uma perspectiva prática e subjetiva.

Estou considerando latitude como a faixa de luminosidade em que há captura de detalhes pela câmera, ou seja, em que se percebem gradações de sombras, sem áreas de estouro ou sombra completos. Em um programa de edição de imagens, pode-se optar por obter informações da foto na passagem do mouse. Áreas em que os canais aparecem como 0, 0 e 0 ou 255, 255 e 255 estão fora da latitude da câmera.

Diz-se, então, que as câmeras digitais tem uma latitude pequena, o que significa que em cenas com uma variação muito grande de luminosidade, diversas áreas aparecerão como sombras ou estouros completos, reduzindo o nível de detalhes observados. No entanto, sempre tive a impressão de que isso não seria uma verdade absoluta, considerando a fotografia em RAW.



Tomemos como exemplo a imagem acima. Fiz essa foto numa situação de contraste bastante alto. Sol de verão quase a pino e diversas áreas de sombra. Com ajustes conservadores na conversão do RAW, temos plena legibilidade tanto na área de sombra quanto na área de luz.  Da área central para a parte ensolarada, havia uma diferença de cerca de 6 pontos de luz, bem administrados pela máquina. Houve perda de detalhes nas àrvores do lado esquerdo, ao fundo e no carro branco a direita. Ambos ficaram fora da faixa em que a câmera conseguia capturar detalhes. Provavelmente a variação de luz de uma dessas áreas para a outra superaria os 10 pontos.

A questão é: como seria se eu tivesse mais latitude? Se fosse o caso, a câmera teria que espremer mais gradações de luz dentro do espectro de 255 variações para cada canal de cor. E de fato temos essa latitude: podemos, na conversão do RAW, ganhar detalhes nas áreas de sombras e altas luzes. Ou seja, a câmera tem capacidade de gerar arquivos com ainda mais flexibilidade do que o apresentado acima. O problema é que uma imagem com maior latitude e mais detalhes sairia com contraste mais baixo, como a versão seguinte:



Percebe-se claramente o ganho de detalhes, especialmente nas áreas mais escuras. No entanto, a foto ficou com um aspecto artificial e desbotado, sem graça. Esse ganho pode ser útil e interessante em algumas aplicações específicas, como fotos de paisagens. Mas no geral, não é interessante. Isso me leva a pensar que as câmeras digitais têm sim uma boa latitude quando usamos RAW — e a máquina em questão é uma velhinha e simplória K100D. Contudo, essa latitude extra geralmente é descartada por uma questão estética, de aspecto natural da cena e do impacto através do contraste. Adicionar contraste, que é uma prática comum, significa, de certa forma, diminuir a latitude. Será que faz sentido, então, reclamar da suposta falta de latitude das digitais, se essa falta não é tão grande assim e se mesmo o que já se tem hoje não costuma ser usado?

Essa é a minha visão extremamente prática. Acho bem provável que possam ser citadas situações em que essa suposta maior latitude seja extremamente útil, bem como sejam mostrados trabalhos em que se pode conjugar maior latitude com uma boa resolução estética. E há também todas as questões técnicas sobre as quais tenho pouco conhecimento para abordar, portanto esse texto fica totalmente aberto (e dependente) para comentários  de quem puder contribuir com essas questões.
« Última modificação: 23 de Dezembro de 2009, 00:44:58 por Pictus »


TiagoDegaspari

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Resposta #1 Online: 21 de Dezembro de 2009, 11:00:29
Não só falou, como mostrou e argumentou maestramente!!! :D


Leo Terra

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Resposta #2 Online: 21 de Dezembro de 2009, 11:24:29
Rodrigo é importante ai diferenciar Latitude de Faixa Dinâmica. A Latitude é aquele espaço onde você ainda permite a recuperação com qualidade aceitável (critério subjetivo), enquanto a Faixa Dinâmica compreende o espaço onde ainda existe informação (basicamente sua definição inicial). Discutir a importância da Faixa dinâmica é diferente de discutir a importância da latitude, principalmente ao considerar que as câmeras possuem uma curva de resposta cujo máximo desempenho será encontrado sobre a exposição que representa o 0EV daquela dada sensibilidade.
No caso você de fato perdeu informações em certos pontos, mas diferentemente de sua afirmação, se a câmera tivesse maior faixa dinâmica provavelmente também estaria associada a uma curva de latitude mais ampla (isso sim é importante, o como o sensor de comporta fora do ponto de exposição ideal). Se este sensor tivesse mais faixa dinâmica e também uma maior LATITUDE de fato, a imagem não apareceria desbotada, pelo contrário, mesmo espremendo as tonalidade ela conseguiria transições agradáveis, como de fato ocorre nas câmeras com grande latitude, como a série S3 Pro e S5 Pro da Fuji, que superam de longe a qualidade das transições e vivacidade de cores de outras câmeras com menor faixa dinâmica.

Inclusive este este é o principal atributo de uma câmera com boa latitude, imagens com tons bonitos e agradáveis fora do ponto de exposição ideal. Esta questão da resposta dos sensores é, inclusive, a minha principal crítica aos sensores Samsung e Kodak. Eles possuem Faixa Dinâmica próxima a dos sensores de melhor qualidade, mas uma curva de resposta muito ruim, com uma queda de qualidade muito acentuada fora do ponto ótimo de exposição. Com isso as câmeras equipadas com estes sensores acabam não tendo uma boa recuperação das luzes fora do ponto de exposição, assim como outras câmeras com sensores similares ou com conversão A/D de 12 bits, que não conseguem salvar a informação adicional sem abrir mão de outras informações.

O efeito colateral da maior latitude consiste em uma menor percepção de contrastes e maior necessidade de profundidade de cor para preservar transições (por isso que o aumento da faixa dinâmica tem sido associado ao aumento do número de bits, que formatos mais pobres, como JPG, já não podem suportar, exigindo maior cuidado no tratamento). Estes constrastes podem ser posteriormente aumentados de acordo com os critérios de conversão, porém é importante notar que uma câmera com maior faixa dinâmica, ou ainda melhor, com maior latitude, corresponde a um aumento da liberdade, uma vez que você pode tanto trabalhar com elevada preservação tonal, como também com maior contraste, já em uma câmera com pequena faixa dinâmica (como nas compactas) você terá um belo contraste, porém não conseguirá a opção de boa preservação e as luzes fora do ponto ótimo de exposição sofrerão fortes degradações.

No aspécto geral quanto mais informação sobre a cena melhor, principalmente se esta informação tiver qualidade. Desta forma não adianta discutir Faixa Dinâmica (como a maioria faz) sem analisar a curva de resposta do sensor (senão corre o risco de entrar na onda do engodo da Samsung e da Kodak) e também não adianta pensar em aumento da faixa dinâmica desassociado do aumento do número de bits, porque só faz sentido aumentar a quantidade de informação que o sensor consegue carregar se ao mesmo tempo você aumentar a informação salva, caso contrário você estará, na verdade, apenas trocando informações intermediárias por informação de extremos (que normalmente são piores do que as informações mais próximas do ponto ótimo de exposição). Tal processo de aumento da faixa dinâmica certamente acabaria por comprometer a LATITUDE, uma vez que não serão preservadas informações mais próximas do ponto de exposição para que sejam conservadas informações mais distantes do mesmo, degradando a imagem como um todo (levando ao problema que você citou acima, onde a degeneração da imagem tornava-a insuficiente para ser recuperada com qualidade aceitável). O problema que você apresentou acima trata-se EXATAMENTE do problema da falta da latitude e não um problema causado por uma grande quantidade dela.

A questão a se considerar é que se recupera com qualidade aceitável apenas aquilo que está dentro da latitude e não tudo o que se encontra dentro da faixa dinâmica. Então o processo não é tão simples. Maior latitude é bem vinda, e MUITO bem vinda, ao passo que preserva melhor os detalhes da imagem e produz imagens com cores mais vivas e reais (porque para o olho humano o real é uma latitude realmente enorme, já que ele monta a imagem somente com exposições ideais, não há filme que consiga nos dar essa informação, tão pouco câmeras digitais), mesmo fora do ponto de exposição (diferente de câmeras com menor latitude). Mas é importante que perceba-se que o simples aumento da Faixa Dinâmica não corresponde a um aumento da Latitude. Quando o usuário se apega no conceito exclusivo de faixa dinâmica ele acaba por ser facilmente enganado pelos fabricantes, uma vez que estes podem simplesmente abrir mão da qualidade próxima ao ponto de exposição, para te dar mais informações de extremos. Este crescimento da Faixa Dinâmica e da latitude tem que ser feito por um processo adequado, onde haja real aumento da quantidade de informação e isso passa pelo desenvolvimento de sensores mais eficientes e precisos, associado ao armazenamento apropriado desta informação e não um simples tradeoff entre informações próximas ao ponto de exposição e informações de extremos.
« Última modificação: 21 de Dezembro de 2009, 11:40:22 por Leo Terra »
Leo Terra

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Resposta #3 Online: 21 de Dezembro de 2009, 11:30:46
Tiago, valeu.

Leo, eu sabia que você viria com as explicações técnicas, o último parágrafo foi quase uma deixa pra você mesmo. Mas será que você consegue mostrar alguns exemplos? Como são as fotos dessas câmeras que você citou, o que você chama de transições agradáveis? Gostaria muito de ver algumas imagens.

Adicionando: concordo muito com o seu ponto de que mais faixa dinâmica significaria maior liberdade, inclusive indo na direção do que escrevi nesse outro artigo: http://forum.mundofotografico.com.br/index.php?topic=29980.0
« Última modificação: 21 de Dezembro de 2009, 11:37:20 por RFP »


Randal.Junior

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Resposta #4 Online: 21 de Dezembro de 2009, 11:56:13
Rodrigo,

Só não consegui ver muitas diferença de latitude nas suas 2 fotos, no meu ver o que houve foi só uma variação de exposição.

Na segunda foto as sombras estão mais definidas, mas as altas luzes tb estão mais estouradas, exemplo o prédio ao fundo e o taxi.

Concordo com o Leo no que ele disse, não vamos pensar em latitude em 8bits (0-255) temos de pensar em 12bits (0-4095) ou 14bits (0-16383). Isso dá muito mais liberdade p/ gradações e curvas de tonalidades.

E a meu ver é muito melhor vc ter a informações e joga-la fora aplicando uma curva que te agrade do que nunca ter a informação.
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Resposta #5 Online: 21 de Dezembro de 2009, 12:05:38
Sinceramente?

Não consegui até hoje ver diferenças nas fotos capturadas em 12 e 14bits na D300, D700!

Na impressão então nem se fale, o LAB pede em sRGB e JPEG (8 bits)... então pergunto: COMO EXTRAIR O MÁXIMO NA CONVERSÃO E IMPRESSÃO?

Enfim, é um assunto bem polêmico mesmo e já chego a pensar que Latitude, Faixa Dinâmica é mais uma arte-manha para o MKT do que resultado na prática!!!


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Resposta #6 Online: 21 de Dezembro de 2009, 12:11:03
Sinceramente?

Não consegui até hoje ver diferenças nas fotos capturadas em 12 e 14bits na D300, D700!

Na impressão então nem se fale, o LAB pede em sRGB e JPEG (8 bits)... então pergunto: COMO EXTRAIR O MÁXIMO NA CONVERSÃO E IMPRESSÃO?

Enfim, é um assunto bem polêmico mesmo e já chego a pensar que Latitude, Faixa Dinâmica é mais uma arte-manha para o MKT do que resultado na prática!!!

Tiago,

P/ o uso convencional não faz nenhuma diferença mesmo, a diferença fica nos extremos, quando vc quer fazer um tratamento muito pesado na foto. Lembre que o TIFF é ainda pior 16bits (geralmente sobra bits não utilizados).

E vc só converte p/ 8bits quando já fez tudo o que tinha de fazer na foto, inclusive as conversões de espaço de cor (Adobe --> sRGB).

Assim pense no JPEG como o bolo cozido.
Enquando ele está Crú (RAW, hehe) vc ainda pode molda-lo, depois que pôs no forno já era.
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Resposta #7 Online: 21 de Dezembro de 2009, 12:19:07
Rodrigo demorei para achar, mas acabei achando uma cena com 6 pontos de diferença, como a que você usou.
No caso em questão utilizei a exposição desta imagem foi feita pela média da cena, porém você pode perceber que em uma conversão direta (não compensada) o detalhamento do chapéu e o detalhamento dos cabelos, nas sombras (que são os extremos da cena principal) não aparecem de forma evidente devido à grande exposição, assim como a textura branca da peça que ela está vestindo.


Foto feita com a S3 Pro.

Utilizei apenas a ferramenta de preenchimento e a ferramenta de recuperação para este trabalho de recuperação. Note que a área recuperada sempre irá ter perdas em relação ao ponto de melhor exposição, mas note também que mesmo a imagem recuperada apresenta uma resposta tonal bastante adequada, melhor do que muitas câmeras conseguiriam em condições de exposição ótima, mesmo com baixa latitude (como compactas). Neste caso você pode perceber bem o efeito colateral que te falei dos contrastes, ele fica bem evidente na pele da modelo. Na cena onde se comprime o espaço tonal os contrastes caem e as transições ficam mais suaves. Este processo só pode ser obtido em câmeras com alta latitude, que também respondem bem em conversões contrastadas, o que não ocorre no sentido inverso. Na minha percepção, a segunda imagem também fica mais natural do que a primeira, que no caso é mais dramática, exatamente pelos contrastes.

Tiago na D300 praticamente não há diferença, simplesmente porque o sensor não responde com as transições. Ou seja, o conversor A/D é capaz de lidar com muito mais informação do que o sensor pode oferecer, neste caso não há diferença mesmo, porque o gargalo de informação é o sensor. Agora na D700 há sim diferença e não é pouca. O sensor é mais preciso e em 14 bits produz transições bem mais suaves. No caso esta percepção é mais evidente exatamente em cenas que exigem recuperação e tratamento, pois precisamos produzir perdas. No caso nossa visão só consegue captar o equivalente a 24 bits de cor, ou 8 bits por canal, porém quando tratamos estamos jogando fora um pouco aqui, outro pouco ali. Se temos sobra de informações temos menos risco de ultrapassar o limite perceptível. Mas tratando em conversão direta uma foto de 12 bits e uma de 14 bits você certamente não notará diferença alguma, pois seus olhos não são capazes de perceber a diferença.
« Última modificação: 21 de Dezembro de 2009, 12:34:43 por Leo Terra »
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Resposta #8 Online: 21 de Dezembro de 2009, 12:34:47
Sinceramente?

Não consegui até hoje ver diferenças nas fotos capturadas em 12 e 14bits na D300, D700!

Na impressão então nem se fale, o LAB pede em sRGB e JPEG (8 bits)... então pergunto: COMO EXTRAIR O MÁXIMO NA CONVERSÃO E IMPRESSÃO?

Enfim, é um assunto bem polêmico mesmo e já chego a pensar que Latitude, Faixa Dinâmica é mais uma arte-manha para o MKT do que resultado na prática!!!

Pois é, eu também tenho dificuldades em perceber as diferenças, por isso quis abordar esse ponto, até pra ver se alguém consegue mostrar isso de forma irrefutável. Nos exemplos que o Leo postou, a diferença é bem sutil.

Estou entendendo então que a maior vantagens de mais bits e faixa dinâmica é no tratamento. Até aí tudo bem, concordo, pois vejo que faz diferença tratar um TIF ou um JPEG. Mas aí vem o problema que você levantou, chega na hora de dar saída e vai tudo pra 8 bits. Será que essa redução não acaba fazendo com que os ganhos que temos na hora da conversão acabem sendo mínimos?

Leo, você tem algum exemplo de fotos da D700 que explorem bem essa maior faixa dinâmica, ou algum site, Flickr?


Leo Terra

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Resposta #9 Online: 21 de Dezembro de 2009, 12:45:39
Rodrigo não tenho nenhum exemplo da D700 aqui.
A questão da saída é interessante, porque você não precisa necessariamente jogar para JPG. JPG é uma alternativa, mas que pode ser insuficiente na saída final da imagem.

Agora a principal diferença da latitude não é no tratamento é na própria resposta fora do ponto de exposição. Uma câmera com latitude pequena (note que estou falando de latitude e não faixa dinâmica) terá pouco espaço real de recuperação, pois terá um espaço muito pequeno de tons, em torno do ponto ótimo de exposição, recuperáveis com qualidade. Neste caso mesmo que você não faça tratamentos uma câmera com baixa latitude vai se portar com uma imagem muito boa nos tons perto do ponto ótimo de exposição, mas de forma estranha e com falhas de qualidade e desvios longe desse ponto de exposição. Diferente do que a maioria imagina a latitude não tem muita relação com os tons de saída (isso quem dá é o tratamento), Tanto a exposição quando a latitude têm relação com a qualidade de registro de cada faixa de tons em relação ao 0EV.
Por exemplo, com uma latitude de +/- 2EV uma câmera teria um espaço tonal com registro razoável apenas para os elementos que irradiam entre -2EV e +2EV em relação ao 0EV da exposição. Isso quer dizer que se eu for buscar algo fora deste espaço de registro eu poderei tornar problemas de registro considerados inaceitáveis mais evidentes. Ao mesmo tempo se eu também terei um bom registro mesmo em pontos com menor exposição. Já uma câmera com +/- 1EV de latitude e a mesma faixa dinâmica da anterior, terá uma exibição de sombras e luzes altas significativamente degradada. O que os fabricantes costumam fazer é apertar a faixa dinâmica do JPG para dar uma ofuscada nestes probremas, já que os problemas ficarão muito claros ou muito escuros e com elevados contrastes entre o claro e o escuro, mascarando os problemas de transições.  
« Última modificação: 21 de Dezembro de 2009, 13:59:44 por Leo Terra »
Leo Terra

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Resposta #10 Online: 21 de Dezembro de 2009, 13:31:21
O problema de tudo isso é que se está falando somente do lado direito. Na verdade, o que importa é quanto de latitude (isto é, informação recuperável com qualidade aceitável) podemos obter, visto que o posicionamento do cinza médio (0EV) é um posicionamento arbitrário no sentido de ser resultado de aplicação de um gamma sobre o tiff-like resultante da conversão do RAW, e o tom origem no tiff-like não é absolutamente um cinza sequer perto do médio.

O problema é que não existe uma regulação de ISO para a fotografia digital onde o cachorro não morda o rabo, que não seja circular, isto é, o OEV, melhor dizendo, implica em um resultado esperável em JPEG ainda quando a foto é em RAW. (ou seja,fotografamos em RAW, mas o 0EV refere-se ao resultado previsto do JPEG).

Quando praticamos outra conversão, ou seja, quando aplicamos outro gamma sobre o tiff-like diretamente derivado do demosaico, já não estará o 0EV no mesmo lugar, e portanto a distribuição tonal será diferente. Particularmente, acho ISO um conceito inapropriado para a fotografia digital, sendo, em minha opinião, mais preciso falar em "ganho". Ganho 1, 2, 4, 8, etc. Tudo o que temos de fato é um ganho pela amplificação sobre uma informação que será indexada a tons conforme o gamma aplicado.

A Latitude, dentro do apropriado conceito do Leo de ser aquilo que de fato tem serventia, será resultado não apenas da captura mas também da maneira como os tons são distribuídos, dentro de qualidade aceitável dos tons baixos, e não dos tons altos.. É irrelevante dizer que o limite alto é esse o aquele, mas sim qual o intervalo de aceitabilidade entre o limite alto e o baixo. Pois se os tons altos oferecem limites, acima dos quais temos informações já de qualidade insuficiente ou mesmo irrelevantes para a imagem perceptualmente entendida, interessa saber onde termina nos tons baixos a aceitabilidade de sua qualidade dentro desses limites impostos pelos tons altos, pois aí estará o limite, limite esse que será explorado variando o gamma aplicado no tiff-origem.
« Última modificação: 21 de Dezembro de 2009, 13:32:43 por Ivan de Almeida »


Pictus

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Resposta #11 Online: 23 de Dezembro de 2009, 02:28:56
 :ok:

Para a galera com inglês em dia(o link abaixo pode ser traduzido, mas os vídeos do segundo não)

Noise, Dynamic Range and Bit Depth in Digital SLRs
http://theory.uchicago.edu/~ejm/pix/20d/tests/noise/index.html

Post interessante do Dpreview
http://forums.dpreview.com/forums/readflat.asp?forum=1021&thread=31480644&page=1
Recomendo ver tb os outros vídeos do PhotoTechEDU


Leandro Rodrigues

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Resposta #12 Online: 23 de Dezembro de 2009, 12:53:11
Não sei se contribui pro tópico, mas quando eu só usava filme, mesmo sem utilizar a fotometria correta eu aproveitava 90% das fotos. Agora, com digital, isso é impossível. Se não tomar muito cuidado perco a maioria delas, ou estouram num ponto ou ficam escuras em outro. Posso até arruma-las depois, mas não é mesma coisa.


Pictus

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Resposta #13 Online: 23 de Dezembro de 2009, 16:51:20
Canon APS-C é ruim de latitude/dynamic range, as FF são melhores veja http://www.imaging-resource.com/PRODS/D3000/D3000IMATEST.HTM
Diferente da tabela no link eu colocaria a Sony A900/850 em segundo lugar.

VC pode amenizar fotografando em RAW, expondo para o lado direito do histograma e convertendo
com DXO, LightRoom 3, talvez usando o highlight priority mode...


thiagolara123

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Resposta #14 Online: 24 de Dezembro de 2009, 17:19:30
Só pra tentar ilustrar de maneira mais intuitiva o que o Leo Terra e o Ivan estão falando, um teste interessante de se fazer é fotografar com digital uma parede branca fotometrada para -4, -2, 0, +2 e +4. Quem fizer esse teste e olhar os histogramas vai perceber que o "morrinho" formado é mais gordinho no "0", e vai se afinando ao chegar mais perto das pontas do histograma. O motivo disso é que perto do "zero" o sensor apresenta a sua melhor capacidade de resposta, com mais tons dentro de um mesmo "EV"; e nas pontas, ao contrário, o contraste é mais rápido, menos tons para cada EV. É o contrário do filme, que vai preservar mais tons nas pontas e ser rápido no contraste dos meios tons.

Interessante reparar, por exemplo, que na maioria das fotos uma curva de contraste clássica, em S, trará bons resultados justamente por corrigir essa "característica" do digital: o menor número de tons nas pontas do histograma.

Estou falando tb em filme porque isso não é novidade do digital. Ampliações analógicas são feitas usando filtro de contraste, ou seja, a rigor não se revela a latitude inteira de um negativo (a não ser que seja essa a intenção), da mesma maneira que não se revela a latitude inteira de um RAW. Aliás, a grande sacada do Sistema de Zonas não é conseguir espremer 12 EVs num negativo, pois é muito difícil, muito difícil mesmo, vc arrumar uma cena com 12 EVs pra fotografar. A sacada é justamente contar os EVs da cena, e conhecendo a curva de contraste do filme (ou agora, a do sensor), colocar os EVs na "altura" da latitude desejada de forma a otimizar os contrastes da maneira desejada.

Rodrigo, vc disse que "Adicionar contraste, que é uma prática comum, significa, de certa forma, diminuir a latitude."

Não tem "de certa forma", é isso mesmo: são inversamente proporcionais.

Agora, concordo com vc, Rodrigo, que mais importante do que todo esse blablablá analógico/eletrônico é a possibilidade prática que ele oferece.

Pra mim (e pra muita gente :D ) a aplicação prática é vc poder capturar tons que estariam fora da sua curva de contraste original e depois trazê-los de volta através de ajustes localizados (o que tb não é "novidade digital", ajuste localizado faz parte da linguagem fotográfica clássica).

Um exemplo:



Aqui eu tive que escolher entre fotometrar pro céu e levantar o castelo e a modelo na pós, ou fotometrar pra modelo e pro castelo e abaixar o céu depois. Tipo quando o pessoal faz aqueles HDR de um RAW só.  :D

Escolhi fotometrar pra modelo e estourar o céu pra recuperar depois, pois era mais importante ter detalhe nela e em todos esses tons de cinza do castelo e deixar "posterizar" o céu do que "posterizar" o castelo e a modelo e ter um monte de tons no céu.

Quanto a 16 bits X 8 bits, num arquivo finalizado de fato não há diferença. Agora, pega um Tiff de 16 bits, salva uma cópia em 8 bits, e aplica o mesmo tratamento nos dois, que vc vai ver que o de 16 bits responde muito mais limpo.
http://www.thiagolara.com <<<Não me odeie, não me inveje, TRABALHE!

O Brasil somos eu e vc, não é só os outros não. Então samba aí: "Se gritar pega ladrão / não fica um meu irmão / se gritar pega ladrão / não fica um..." http://www.youtube.com/watch?v=2WQtQwRHD6k