Autor Tópico: Como cobrar por servicos fotograficos - Introducao  (Lida 690 vezes)

Stanke

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Online: 29 de Janeiro de 2010, 21:36:44
Li esse material e achei muito interessante...

Como cobrar por serviços fotográficos (Introdução)
Por Geraldo Garcia, em 5 de maio de 2009


Texto original publicado em 10/04/2006 na comunidade “Câmeras DSLR Brasil” do Orkut
Texto revisado e complementado para essa nova publicação.
Parece até gripe… todo ano, aproximadamente na mesma época uma “febre” varre as comunidades e listas de fotografia: “O mercado está ruim porque muitos jogam o preço no chão…”, “A culpa é dos fotógrafos iniciantes…”, “Vamos ensinar os iniciantes a cobrar…”, “Não! Vamos deixar que morram!”, “já cansei disso, já cansei daquilo…” Bla-bla-bla-bla…

Esse assunto é recorrente e muito importante. Escrevi esse texto faz alguns anos, pois acredito que o problema todo é fruto da falta de informação e isso acontece porque os fotógrafos novatos não recebem apoio e instrução dos fotógrafos “das antigas”. Na verdade muitos desses veteranos agem de forma discriminatória e protecionista sem perceberem que é essa atitude que faz com que os novatos cometam erros e prejudiquem o mercado.

Felizmente existem exceções e alguns fotógrafos preocupados com isso sempre tentam organizar encontros, palestras e debates para abordar essa questão e educar o mercado.

Esta versão revisada (quase totalmente reescrita) desse texto vai abordar mais aspectos da composição de preço do que o artigo original (que era focado exclusivamente nos custos).

 

Quem deve ler esse artigo?

TODOS os que trabalham ou pensam em trabalhar com fotografia. PRINCIPALMENTE os que querem fazer “bico” como fotógrafos (esses podem ter sua vida salva por esse debate).

Vamos aos problemas que geraram esse debate.

 

Primeiro Problema:

A classe fotográfica (profissionais de fotografia de tempo integral) estão sofrendo (não é de hoje) com a depreciação absurda de seus serviços. E porque isso acontece? Muitos apontam o grande número de curiosos e novatos que entram no mercado cobrando preços ridiculamente baixos como razão. O advento da fotografia digital e as facilidades de processamento inerentes a esse sistema realmente permitem que um grande número de pessoas entre nesse mercado de forma muito mais fácil que a 20 anos atrás. Isso é fato, mas não é “O PROBLEMA”, é apenas uma parte dele.

 

Segundo Problema:

Esses novos profissionais ou os que fazem apenas “bico” não fazem a MENOR idéia dos seus próprios custos, não sabem calcular um preço JUSTO e acabam (no desespero de faturar) pegando serviços por qualquer R$200,00.

É evidente que um sujeito que mora com os pais, não tem estúdio, usa sua câmera digital que ganhou de aniversário e seu PC para fazer as fotos vai ter um custo muito inferior que o profissional que tem estúdio, várias câmeras, material de iluminação, assistente, etc. Isso é óbvio e NÃO é o problema. O problema é que esse sujeito não sabe que mesmo ele tem custos e não os leva em consideração na sua composição de preço. Eu GARANTO que trabalhando de casa com a câmera e o PC que ganhou de aniversário ele tem um custo mensal fixo de, no mínimo, R$1.000,00. Só que ele não enxerga esse custo, e com isso acaba pegando trabalhos por preços muito baixos. Resultado: mesmo trabalhando de casa em uns quatro anos ele QUEBRA. Não é alucinação da minha cabeça não! Isso é a coisa mais comum no mercado. (Mais pra frente vamos entender essas contas).

O problema é que, durante esses quatro anos ele achatou o preço do mercado. Ele acaba quebrando por conta disso, mas pra cada um que quebra entram mais dois (que vão quebrar também) que continuam achatando o mercado.

Esse “fotógrafo novato” também não conhece seus direitos e a legislação, acha que fazer um retrato da “dona Maria”e vender-lhe a cópia é a mesma coisa que fazer uma foto de produto que vai ser publicada no país inteiro por um ano… e acaba cobrando a mesma coisa por isso. Ele também não sabe que as horas de manipulação PRECISAM ser cobradas. Tudo isso deveria entrar na composição de preços, mas não entra.

 

A Contra-argumentação:

Nessa hora muitos se levantam e alegam (com razão): “Mas se o profissional é bom e tem um preço justo, porque ele vai ter medo do novato? Se a qualidade da foto do novato é suficiente para o cliente porque ele deveria pagar mais caro pelo profissional?”

De fato! O profissional não deveria temer o novato e os clientes devem sempre ter liberdade para comprar serviços de quem melhor lhes atender. Isso não se discute. O problema é que o próprio novato está SE MATANDO em médio prazo e matando os profissionais junto. Os GRANDES clientes nunca vão contratar alguém inexperiente, vão continuar pagando R$50.000,00 por uma foto na mão dos “maiorais”, lógico. Mas quantos clientes assim existem? 90% do mercado é abastecido por clientes médios e pequenos, com serviços de R$4.000,00 ou menos. Aí é que mora o problema!

Se o tal novato soubesse calcular seus custos corretamente, ele daria um orçamento de R$1.000,00 para uma foto X. O profissional com estúdio, assistentes e custos mais elevados daria um orçamento de R$2.000,00 para a mesma foto X. **PERFEITO!!!** isso está certo! O cliente pode pagar menos e “se arriscar” ou pode pagar mais para ter mais garantias. O nível de importância do serviço e o bolso do cliente é que vão decidir a questão.

O problema é que, do jeito que as coisas estão, o profissional dá o orçamento de R$2.000,00 e o novato diz que faz por R$300,00. Sabe o que acontece? Muitas vezes o novato até pega o serviço, mas outras tantas o cliente vira pro profissional e fala: “Você está louco? Me ofereceram por R$300,00… eu sei que o cara não é tão bom quanto você, mas é muito mais barato! Eu te pago R$1.000,00 e a gente fecha. Que tal?” E o profissional, no desespero, acaba fechando por um valor que mal cobre seus custos fixos. Nessa situação quem saiu perdendo? TODOS! O profissional, o novato e o cliente. (Ou você acha que o fotógrafo vai se preocupar em fazer a melhor foto do mundo por esse valor?)

 

Então o que fazer?

É isso que estamos discutindo e debatendo. Esse é o motivo dos encontros e das palestras. Como a fotografia não é uma profissão regulamentada, não existe a possibilidade de criação de um “Conselho” como existe em medicina, engenharia, advocacia, etc. que impede o exercício da profissão por qualquer um e estabelece uma tabela de valores mínimos. Mas não lamento isso, acho que podemos continuar “não-regulamentados” e mesmo assim mais unidos e conscientes. Acredito que INFORMAR e EDUCAR os novatos e os profissionais seja a solução. Os clientes só serão educados “na marra”. O que queremos não é impedir o novato de trabalhar, muito pelo contrário, queremos que ele CONTINUE a trabalhar, que cobre um preço correto que não prejudique o mercado e que não o faça falir em poucos anos.



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As partes subseqüentes deste artigo serão postadas nos próximos dias e abordarão a descoberta dos custos reais, a composição dos custos de produção da foto e dos valores de licenciamento (e quando cobrá-los).



Por hoje é só,

Abraços.
« Última modificação: 29 de Janeiro de 2010, 21:38:18 por Stanke »
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