Autor Tópico: ISO digital. O que existe de fato  (Lida 2255 vezes)

Ivan de Almeida

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Online: 25 de Outubro de 2004, 22:57:24
Prezados:

Desde que, tentando entender o fenômeno do ISO digital, li a respeito da Latitude ISO do sensor, isto é, da faixa de captura que corresponderá aos ISOs possívels naquele sensor e na qual o menor deles será o ISO de menor ruído, percebi se o ISO algo que podia ser não apenas enganador, mas também limitante, pois obediente aos sets de ISO a exploração da exposição e de seu aproveitamento no PS ficava ocultada.

Embora seja uma idéia meio estranha, e parcialment falsa, porque de fato o módulo A/D reliza uma amplificação diferenciada para cada ISO, Se ignorássemos tudo isso e usássemos apenas o ISO mais baixo da câmera, sempre me pareceu que isso bastaria, desde que o contraste fosse corrigido posteriormente.

Li dois fragmentos de textos -apenas fragmentos- que me fizeram mais convicto de estar certo. O primeiro foi na página RAW FAQ do site Digital Outback, no qual encontre pela primeira vez a descirção do aproveitamento da latitude ISO (embora o artigo não use essa expressão) e a indicação de haver duas estratégias: a estratégia de preservação da altas-luzes, e nela é menos fácil estourá-las, mas em compensação há mais ruído nas áreas claras, e a estratégia mais comum de diminuit o ruído à custa de tornar a imagem mais facilmente estourável.

Antes de falar no segundo fragmento, que tenho agora aberto em outra janela, é preciso mostrar um exemplo prático. O exemplo prático é a S810 Fuji, a qual vém com o mesmo CCD da S7000, mas com ISO mínimo de 80, ao invés de 160/200 da S7000. Lendo o review da câmera no dpreview, é interessantíssimo notar ser nele dito ter o ruído ficado num nível excelente, mas que a câmera deve ser dusada como quem fotografa com cromo, vigiando muito cuidadosamente as altas-luzes, devido á sua tend~encia de estourar.

Ao ler esse review, ficou claro para mim que simplesmente houve um deslocamento da informação fotométrica para a esquerda, de modo que guiando-se pelo fotômetro da câmera se faz um pouquinho mais de exposição do que se faz na S7000, para a mesma luz ambiente. Essa exposição a mais tem o efeito de sensibilizar o CCD na faixa correspondente ao ISO menor. O espaço de proteção das altas-luzes foi "comido" pela nova regulagem, e o novo ISO é exatamente isso.

Porém agora mesmo, falando exatamente desse tipo de abordagem, eis que leio um review da Leica Digilux 2 no qual o autor diz:

"Or my preferred technique when I need ISO 400 jpegs: set the camera to ISO 100, contrast and saturation settings to “low”, and underexpose 2 stops (EI 400 instead of ISO 400). "  The Leica Digilux 2 - a review By Andy Piper

Observem que a estratégia do Andy Piper é exatamente a mesma, somente para o lado oposto. Para fazer ISO 100 nas Fujis que partem de ISO 200, basta expor mais um ponto (em RAW), e aproveitar as altas luzes que hão mas não são aproveitadas no JPEG, fazendo na conversão o que a Fuji fez na fotometria da S810 (na conversão é fácil, basta regular a exposure ou a sensitization em -1). Inversamente, para fazer ISO 400 bastará subexpor 1 ponto e levantar a luz no PS ou no conversor (sensitization +1).

No fim, o que importa é a luz que entrou e sensibilizou o sensor.

Ivan


 


André

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Resposta #1 Online: 25 de Outubro de 2004, 23:11:15
Duas perguntas:

Na S810 Fuji seria melhor, então usar a câmera no ISO 160, ao invés do ISO mais baixo permitido (que seria o ISO 80)?

Não existe nenhum ganho em usar a conversão A/D da câmera para simular um ISO mais alto sobre uma edição no PS ou num conversor RAW>TIFF/Jpeg?

Sobre a 2ª pergunta, eu penso que, o fato do conversor da câmera estar trabalhando sobre um dado analógico (teoricamente muito mais amplo), e não sobre um dado de 12bits, poderia dar uma vantagem na qualidade. (antes que tu digas, tô indo ler o artigo)  :rolleyes:  
André Sant'Anna
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Melão

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Resposta #2 Online: 25 de Outubro de 2004, 23:14:30
Ivan,

No caso de estarmos utilizando uma S5000 (que é a que eu consigo testar mais facilmente) no modo RAW com ISO 200 em modo manual, se fizermos um regulagem na exposição em -1 teremos algo equivalente a um ISO 100?

Talvez a prática seja mais fácil de compreender, pois a impressão que me deu é que precisaríamos alterar as regulagens de abertura e exposição para um possível ISO100 mesmo a câmera estando em ISO200. Seria isso ou não entendi nada do teu artigo?

Abraço,

Melão
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Leo Terra

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Resposta #3 Online: 26 de Outubro de 2004, 01:20:19
Ivan a latitude fica comprometida porque na S810 o sensor fica fora da faixa dinâmica para reduzir o ruído, infelizmente o sensor da Fuji é mais sensível (operando em ISO mais alto para máxima latitude), eles criaram o super CCD SR para aliar os benefícios da tecnologia super CCD, com baixo ruído e boa latitude, infelizmente eles não tem feito muito uso do super CCD SR.

Agora podemos entrar em um outro ponto sobre tudo isso. Hoje em dia é comum discutir latitude como uma coisa benéfica, ou seja, quanto maior a latitude melhor a câmera, porém nos tempos dos filmes as coisas não eram bem assim, o pessoal sempre preferiu cromos a negativos para fatos profissionais e a maioria dos cromos tem por volta de 1 ponto de latitude ISO, enquanto a maior parte dos negativos tem 4 pontos, eu particularmente sempre preferi trabalhar com negativos (mesmo com o menor contraste causado pela grande latitude) mesmo porque eu sepre gostei de Scanear meus negativos, tratar eles e passar para um negativo de volta para ampliar (isso mesma dava uma tremenda trabalheira tratar no computador antigamente :)), por isso me sinto totalmente a vontade para preferir câmeras com grande latitude ISO (pois sempre gostei de ter grande liberdade), mas outro dia estive em uma palestra onde um grande fotógrafo brasileiro (não responderei a perguntas sobre o nome ;)) falava que os tempos dos cromos é que eram bons, que as câmeras digitais não tinham qualidade de imagem adequada, principalmente para fotos P&B, porque tinha uma latitude muito pequena e etc.
Fiquei pensando comigo mesmo, o cara é fã de cromo (com 1 ponto de latitude em média) P&B (com 2 pontos de latitude em média) e vem reclamar da latitude das digitais que tem 4 pontos em média? Achei isso quase uma piada, mas é assim mesmo, os indivíduos tendem a bloquear as novas tecnologias, principalmente as que não estão habituados, eu me orgulho muito de gostar de inovações, desde quando eu fotografava como amador eu tinha Scanner de negativos para pós processo, me orgulho muito de ter começado no mundo de fotografia digital em 1999 e de ter abandonado completamente o filme em 2001, exatamente porque acredito totalmente na qualidade final das digitais, exatamente por darem uma boa maleabilidade nos tratamentos.
Desculpe ter saído um pouco do assunto ;) Mas é que eu realmente estava esperando uma oportunidade para dar uma opinião sobre estes papos de latitude ser importante e etc, tem gente que esquece que durante muito tempo fotografar sem latitude (como em cromos) era coisa para os artistas da fotografia, porque tal política também não pode se aplicar às digitais?.

Finalizando Ivan eu acho que este procedimento de fazer ISO 100 com exposição não faz muito sentido, pois o ISO (assim como seu ruído) é elevado através de ganho elétrico no CCD, enquanto o calculo de exposição envolve aberturas e velocidades distintas, baseados na sensibilidade já ajustada do CCD.
Se você regula seu CCD para ganho de ISO 200 o ganho elétrico será aumentado no sensor, carregando consigo o ruído de ISO 200, ao expor em -1 ponto você estará realmente preservando as altas luzes (como era feito nos filmes também), porém tal procedimento pode ser feito em qualquer ISO setado, sendo que quanto menor o ISO setado menor será o ruído nesta condição.
Eu uso muito trabalhar com exposição abaixo, principalmente em fotos com flash onde sempre trabalho 1/2 ponto abaixo para preservar as luzes altas, usava este recurso também nos filmes, o aumento do ISO para adotar tal procedimento não é bom pois provoca um demasiado aumento do ruído nas sombras, aconselho que você tente este procedimento mantendo o ISO mínimo do equipamento, mesmo porque fora do ISO ideal o equipamento deverá trabalhar com uma latitude menor do que a ideal (pelo menos espera-se que o fabricante tenha colocado o ISO mínimo no ponto ideal de máxima latitude), quando saímos deste ponto a faixa de latitude vai estreitando e no caso de grandes ganhos vai gerando ruído, normalmente os fabricantes colocam o ISO mínimo do equipamento na faixa de máxima latitude.
« Última modificação: 26 de Outubro de 2004, 01:34:19 por mahain »
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Resposta #4 Online: 26 de Outubro de 2004, 09:01:10
Melão:

Para usar, "ISO 100", é + 1 ponto de exposição, fotografando em RAW e recuperando as altas luzes na conversão. Contudo, tal estratégia funcionará muito bem para contextos onde as luzes mais altas sejam médias, e, à semelhança do que acontece com a S810, estourará as fotos quando houver luzes muito brilhantes.

Não é mágica, assim como a S810 não fez mágica, somente, como bem diz o Leonardo, foi configurada para trabalhar fora da faixa ótima da latitude ISO. Trabalhar fora da faixa ótima pode ser ótimo, se voc~e faz consciente e de acordo com a oportunidade. Como o problema do ruído é muito menor em contextos com altas luzes, basta usar a exposição certa nesses contextos e usar a exposição +1 em contextos sem altas luzes, pois ao fazer isso através da exposição você aproveitará outra faixa da latutude do CCD. Para usar a exposição +1 é só fotometrar no modo M e depois diminuir a velocidade dividindo-a por 2 (por exemplo: se deu 1/200, usar 1/100).

É claro que não necessáriamente precisa dividir por 2, pode diminuir só um pouco, e se estará com uma exposição correspondente a ISO 160, etc.

Ao contrário, para usar ISO 200 com resultado de ISO 400, basta subexpor 1 ponto, isto é, aumentar a velocidade multiplicando-a por 2.

A estratégia de diminuição do ISO equivalente através da exposição funciona melhor nas Fujis de ISO alto, pois é característico nelas a preservação das altas luzes. É impressionante como é possível recuperá-las em RAW.

Ivan


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Resposta #5 Online: 23 de Dezembro de 2004, 22:13:28
Citar
Para usar, "ISO 100", é + 1 ponto de exposição, fotografando em RAW e recuperando as altas luzes na conversão.
Ivan, me desculpe a ignorância :). Mas na conversão de Raw, como recupero as altas luzes ? A conversão deve ser no Photoshop ?


TheRipper

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Resposta #6 Online: 28 de Dezembro de 2004, 12:35:05
Pergunta idiota, eu acho:

Quer dizer que a qualidade final vai se parecida se eu  fotografar em ISO100, ou ISO 50 -1EV e ajustar a luz no PS? Digo, a câmera vai capturar a mesma imagem e o ajuste no PS vai funcionar como se fosse o aumento do ISO(aumento do sinal elétrico do CCD) da própria câmera? Se for assim, vale mais a pena, já que no PS é possível um ajuste mais fino, certo?  
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Resposta #7 Online: 28 de Dezembro de 2004, 12:45:30
Não. Tem um outro tópico onde isso foi largamente discutido:

Ruido - Dilema

Quem dera as coisas fossem simples assim :/
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TheRipper

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Resposta #8 Online: 28 de Dezembro de 2004, 14:09:05
Citar
Não. Tem um outro tópico onde isso foi largamente discutido:

Ruido - Dilema

Quem dera as coisas fossem simples assim :/
Leo, li o tópico inteiro. Juro que me deu até dor-de-cabeça  :P

Mas no fim, acho que sua explicação é mais coerente. De qualquer forma, vou fazer uns testes quando minha digital chegar(maldito fim-de-ano).
Por enquanto só estou com uma Minolta SR-7 de 1962 hehehehueh  
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