Autor Tópico: LINGUAGEM: Desfoque do fundo  (Lida 6178 vezes)

Ivan de Almeida

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Online: 13 de Agosto de 2006, 19:39:50
Desfoque do fundo: uma linguagem oriunda do aparelho fotográfico 35mm reflex.
Ivan de Almeida


Uma das questões mais interessantes sobre o processo criativo é a interinfluência entre a subjetividade criadora e o instrumento. Quando tratamos de uma arte que depende de um artesanato, como a gravura, a pintura, é praticamente impossível distinguir onde termina a idéia simbólico-representativa e começa a idéia pictórica-técnica. Na fotografia também é assim.

Um dos fenômenos da fotografia onde podemos examinar isso é no conhecido ajuste da cãmera que produz o fundo desfocado, colocando o primeiro plano nítido em uma prevalência perceptiva, dando a ela uma legibilidade diferenciada.

O fundo desfocado, tão caro a todos os que se dedicam a retratos, contudo, não corresponde a uma experiência perceptiva reconhecível, e se contrapõe à representação da perspectiva cônica com a qual a fotografia é aparentada.

Parece que nas primeiras décadas do Século XX os fotógrafos simplesmente ignoravam essa possibilidade. Não vou dizer que inexistam, mas eu mesmo não me recordo de nenhuma fotografia do período que tenha se valido do desfoque do fundo como forma de conjugar os elementos da foto. Ao contrário, parece que os fotógrafos perseguiam o oposto: a nitidez de toda a profundidade visual, sendo a falta de nitidez um defeito ótico, e não uma característica.

É preciso dizer que os fotógrafos usavam câmeras de visor direto e telemétricas (que também têm visor direto). A opção pelo foco fundo correspondia na verdade a reproduzir o que efetivamente estava à vista no visor. O desfoque podia no máximo ser imaginado, jamais antevisto. Observando pelo visor direto compunham o quadro, depois procurando em arranjos de abertura/distância de foco uma combinação que garantisse nitidez para aquilo visto no visor.

As lentes mais luminosas permitiam fotografar em condições de baixa luz, mas seu dramático desfoque era um efeito colateral aparentemente indesejado. Serviam para fotografar em distâncias de média a longa e assim deixar tudo mais ou menos nítido, mas não era o desfoque o valor delas, ao contrário, era seu problema.

É preciso observar que as rangefinders não são cãmeras boas para o uso de teles. Havia lentes de retratos e teles modestas, mas é sempre difícil, devido ao dramático efeito da paralaxe, fotografar com teles em uma RF. Ao contrário, a fotografia com grande-angular, outro reforçador da profundidade de campo, se fazia mais comum.

Provavelmente foi o uso de câmeras reflex o catalizador da percepção do desfoque criar possibilidades narrativas interessantes, e não ser exatamente um problema. Nas câmeras reflex podemos ver efetivamente o desfoque, podemos perceber o desfocado antes da fotografia ser feita. Assim, o defeito torna-se recurso compositivo, mas não se pode dizer ser ele derivado de uma correspondência com a percepção, mas pura e simplesmente induzido pelas características da prática artesanal de fazer fotografias.

Atualmente quando surgiram as câmeras digitais de sensor pequeno e enorme DOF o que se observa é a elas atribuírem os fotógrafos um menor valor exatamente por sua incapacidade de produzir um desfoque vigoroso. Os fotógrafos agora anseiam pelo que os anteriores consideravam um vício. Quando fotógrafos organizaram-se em uma tendência chamada f/64, isto é, em torno do paradigma do diafragma mínimo e máxima nitidez de profundidade, e quando fotógrafos como o Ansel Adams diziam que “fotografia de verdade começa em f32”, isso era uma eloqüente demonstração de não haver valor algum no desfoque produzido pelas lentes. Em oposição, hoje há inúmeras decisões de compra de câmeras que são descartadas porque “a câmera não desfoca o fundo”.

A câmera digital dita prosumer provavelmente seria a ferramenta perfeita para os que desejavam a fotografia em hiperfocal. Uma câmera com sensor 2/3”, para um comprimento focal correspondente aos clássicos 50mm do filme 135 (que seria 12,5mm na digital com sensor 2/3”) pode se dar ao luxo de conseguir na abertura de maior nitidez dela que é f5.6 uma nitidez aceitável entre 1,70m e INFINITO dede que faça foco em um ponto a 3,40m.

Em uma abertura de f2.8, bastante luminosa, é possível focando em 6,8m ter nitidez entre 3.40m e INFINITO, algo impensável no filme.
Paradoxalmente, essa é a ferramenta dos sonhos do fotógrafo que queria tudo nítido, e assim é a fotografia clássica. Mas desprezada pelos fotógrafos de agora, prisioneiros da estética gerada pelas câmeras reflex do fundo desfocado.


Philos

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Resposta #1 Online: 14 de Agosto de 2006, 02:17:00
Legal o artigo.

Acho que essa questão de linguagem é realmente tão importante quanto a classe de equipamento (mais que o preço) de acordo com as prioridades de cada fotógrafo na construção de sua linguagem pessoal.

Abração


André Sena

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Resposta #2 Online: 14 de Agosto de 2006, 07:33:09
Eu acho que dependendo da foto em certos momentos um desfoque fica perfeito e em outros a nitidez em todo o plano é ideal.

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Atualmente quando surgiram as câmeras digitais de sensor pequeno e enorme DOF o que se observa é a elas atribuírem os fotógrafos um menor valor exatamente por sua incapacidade de produzir um desfoque vigoroso. Os fotógrafos agora anseiam pelo que os anteriores consideravam um vício. Quando fotógrafos organizaram-se em uma tendência chamada f/64, isto é, em torno do paradigma do diafragma mínimo e máxima nitidez de profundidade, e quando fotógrafos como o Ansel Adams diziam que “fotografia de verdade começa em f32”, isso era uma eloqüente demonstração de não haver valor algum no desfoque produzido pelas lentes. Em oposição, hoje há inúmeras decisões de compra de câmeras que são descartadas porque “a câmera não desfoca o fundo”.
Interessante isso, não sabia.

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André Sena


Ivan de Almeida

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Resposta #3 Online: 14 de Agosto de 2006, 07:36:02
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Legal o artigo.

Acho que essa questão de linguagem é realmente tão importante quanto a classe de equipamento (mais que o preço) de acordo com as prioridades de cada fotógrafo na construção de sua linguagem pessoal.

Abração
Philos:
É exatamente o que penso.


Seymor

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Resposta #4 Online: 14 de Agosto de 2006, 10:40:46
Interessante, essas idas e vindas. Não sabia que o desfoque chegou a ser algo absolutamente indesejado, e tratado como defeito.
 


Ivan de Almeida

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Resposta #5 Online: 14 de Agosto de 2006, 10:46:48
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Interessante, essas idas e vindas. Não sabia que o desfoque chegou a ser algo absolutamente indesejado, e tratado como defeito.
Veja, quando o grupo f64 diz que fotografia abaixo de f32 não é fotografia, é exatamente isso que está sendo dito, não acha?

Não é que fosse claramente tratado como defito, mas observando a produção fotográfica e o que era tentado nela, vemos que isso estava subentendido.


Marcelo Almeida

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Resposta #6 Online: 14 de Agosto de 2006, 10:57:54
Acho radicalismo demais considerar o desfoque um defeito, ele é um método eficiente que gera imagens agradáveis e bonitas, com ênfase para o objetivo.

Mas acho que realmente é um método muito mais simples que efetuar uma composição bem elaborada e com foco em toda a imagem.


helder84

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Resposta #7 Online: 14 de Agosto de 2006, 11:06:08
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Acho radicalismo demais considerar o desfoque um defeito, ele é um método eficiente que gera imagens agradáveis e bonitas, com ênfase para o objetivo.

Mas acho que realmente é um método muito mais simples que efetuar uma composição bem elaborada e com foco em toda a imagem.
Das duas, uma:
Ou você está se contradizendo, ou não consegui compreender o que você escreveu (comparação do 1° com o 2° paragrafo)  :laughing:
Abraço  :thmbup:

Editado: Já entendi, era eu que nao estava compreendendo  :thmbup:  
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Helder Viana

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Carlos Magalhaes

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Resposta #8 Online: 14 de Agosto de 2006, 11:08:32
Aprendi muitas coisas com esse texto. No final das contas, o importante é não sair por aí seguindo tendências sem saber o porquê. Desfoques podem ser muito significativos e bonitos. Mas podem ser horríveis também. Já vi uns em que as pessoas do segundo plano ficam com a cara dos mortos do filme "O Chamado". Dá até medo!
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Ivan de Almeida

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Resposta #9 Online: 14 de Agosto de 2006, 11:09:53
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Acho radicalismo demais considerar o desfoque um defeito, ele é um método eficiente que gera imagens agradáveis e bonitas, com ênfase para o objetivo.

Mas acho que realmente é um método muito mais simples que efetuar uma composição bem elaborada e com foco em toda a imagem.
Marcelo:

Eu não estou dizendo que o desfoque É um defeito, até porque o uso (como já disse em outro lugar, nós todos somos fotógrafos pós-desfoque, não adianta achar que ele não nos influencia). O que digo é que antes, na primeira metade do Sec XX o desfoque era algo indesejado, exceto por casos raros. Os fotógrafos só passaram a querer o desfoque quando o aparelho fotográfico tornou sua interpretação direta.


helder84

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Resposta #10 Online: 14 de Agosto de 2006, 11:11:41
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Aprendi muitas coisas com esse texto. No final das contas, o importante é não sair por aí seguindo tendências sem saber o porquê. Desfoques podem ser muito significativos e bonitos. Mas podem ser horríveis também. Já vi uns em que as pessoas do segundo plano ficam com a cara dos mortos do filme "O Chamado". Dá até medo!
Um dia desses vi um desfoque que me deixou confuso (juro).
A foto tinha 2 objetos: 1 desfocado e outro com foco: a composição da foto me levava a olhar pra um lugar, mas ao olhar pra esse lugar, ele estava desfocado, aí eu queria voltar pro outro focado que me levava pro desfocado por ter sido feito de forma uma forma que nao parecia ser o tema principal... e assim ia...  :heat:
« Última modificação: 14 de Agosto de 2006, 11:13:29 por helder84 »
Helder Viana

"É um que sabe mais que o outro."


Ivan de Almeida

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Resposta #11 Online: 14 de Agosto de 2006, 11:12:20
Transcrição de outro lugar onde este debate ocorre também:
-----------------------------

Em um fórum apresentaram-me questões sobre esse texto, entre as quais a das relfex existirem a mais tempo, e o das lentes sempre terem permitido desfoque (ceio até que isso se deveu a uma leitura atalhado do escrito, pois nunca disse o contrário).

Mas talez a resposta tranga algumas nuances importantes:
--------------------------------------------------------------

Resposta no fórum www, fotografiabrasil.com
por Ivan de Almeida
---------------------------------------------------------------

Eu não creio haver tanta discordância assim, talvez somente não tenha ficado clara a ênfase dada à coisa.

Os estudiosos da percepção humana, entre os quais o Merleau-Ponty, os gestaltistas, etc, desprezam o conceito de sensação como sendo inútil. Argumentam que percepção é sempre um ato coordenado, sempre algo que resulta inteligível para a mente, assim não havendo possibilidade de falar em uma sensação pura. Toda percepção é ATO não fato, de modo que ela é conformada desde sempre. A sensação é incognoscível, pois quando conhecida ela já é percepção, não sensação.

Se somente analisássemos o olho, cada visada, cada foco em um ponto seria mais que desfocado, pois o olho além de foco curtíssimo tem imensas aberrações. Mas a imagem construída na mente referente ao campo visual é uma colagem de inúmeras micro-visadas e essa colagem se faz varrendo o campo visual e alterando o foco à medida em que isso é feito, de modo que o cérebro compõe um mosaico significativo -isso sim percepção- que é todo em foco. A mente não deixa de perceber o desfoque por que o olho não o produz, ao contrário, o olho produz abundantes desfoques. A mente deixa de de perceber o desfoque por um motivo muito mais simples: falta de significação do desfoque.

O sistema reflex através de reflexão parcial por vidro tranparente é mais antigo que o RF. Contudoo desfoque não tem valor para a sobrevivência, e o desfoque não é significado. Por isso minha afirmativa de não ser o desfoque correspondente à percepção. Percepção é significação, não mero funcionamento dos sistemas. O próprio funcionamento dos sistemas é orientado pela busca de significação, é orientado pelas significações possíveis, prováveis E, PRINCIPALMENTE, FUNCIONAIS.

Quanto ao fato de ter havido ou não lentes capazes do desfoque, ou arquitetura reflex, a coisa não se resume à mera cronologia. Reflex sem espelho basculante (usando reflexão parcial em vidro transparente) é aliás uma arquitetura mais antiga que as RF. Mas isso não importa. Importa, isso sim, que a forma predominante de fotografia era com RF e médio-formato não single-lens-reflex, e ainda, que os fotógrafos perseguiam o paradigma da perfeita perspectiva cõnica, essa um fenômeno interessante, pois não corresponde a nada que o olho possa fazer, mas corresponde sim ao que a mente foi treinada a fazer na interpretação do campo visual.

Ainda quanto ás lentes capazes de desfoque, acho haver aí uma mistura de coisas. Há de se distinguir a lente ser capaz de desfocar -isso sempre foram- com ser projetada para desfocar. Até onde sei, lentes de retrato foram projetadas para foco suave, e isso não deve ser confundido com projetadas para desfocar. Desfoque não é foco. Foco suave é foco sem nitidez agressiva, mas foco.

Sobre a discussão a respeito de comprimento focal, diafragma, etc, veja, ninguém aqui está dizendo que os fotógrafos ignoravam a existência do desfoque. O que estou dizendo é que o paradigma dominante da fotografia até bem depois dos anos 60 é um paradigma do campo nítido, e não do campo focado. Os fotógrafos não ignoravem o desfoque, mas não o desjavam normalmente, embora, é claro, possam ser encontrados (melhor dizendo, pinçados) exemplos de uso dele. Não falo de casos isolados ou minoritários, falo do paradigma fotográfico dominante.

Contudo, o uso das reflex colocou o fotógrafo em condições de observar o desfoque enquanto fotografava, contrariamente ao que apenas o supunha (evidentemente, nas de grande formato o desfoque sempre foi visível, mas paradoxalmente, reforçando a idéia do paradigma orientador da fotografia, a experiência com grande-formato se orientou E AINDA SE ORIENTA para o campo todo nítido.

Falando de forma direta: o modelo da fotografia incuia a herança do paradigma renascentista da perspectiva cñica -da qual a cãmera escura é o instrumento captador por excelência- e os fotógrafos orientavam-se por ele, buscavam-no nas suas fotos, ignorando (não no sentido de desconhecer, mas de desprezar) outras possibilidades que a ótica acrescentava à fotografia. Digamos que o fotógrafo da primeira metade do século XX tentava fazer fotografia estenopédica usando uma lente para melhorá-la, mas com o mesmo tipo de nitidez de campo.

O uso massivo (não eventual, não exceção, mas massivo, pois o que cria as mudanças culturais são os movimentos massivos) das reflex colocu toda uma geração em contato direto com a visualização do desfoque. O paradigma do retrato, principalmente, sofreu brutal transformação, a tal ponto que hoje o ignoramento é da possibilidade de fazer retratos com fundo focado, retratos ambientais, e esse paragima dominante aparece quando se posta em uma comunidade de fotógrafos uma foto com fundo nítido sendo retrato, e IMEDIATAMENTE se começa a ouvir "você devia ter aberto mais a lente para desfocar o fundo". Hoje há um preconceito que é um rebatimento do antigo. Os fotógrafos da primeira metade do Século XX desprezavam o desfoque, os autuais desprezam o DOF fundo.

No meio, no ponto de transição, há a alteração profunda na maneira de fotografar provocada não pela invenção, mas pela DISSEMINAÇÃO das reflex de espelho, que se tornam verdadeiramente dominantes após a década de setenta. A predominância do desfoque como linguegem fotográfica é posterior a isso.

Veja, acho que é preciso distinguir aspectos técnicos de aspectos culturais. O meio técnico sempre foi capaz do desfoque. Eu tenho uma RF com projeto da déccada de 40, lentes com projeto Sonnar f2, e ela desfoca incrivelmente. Mas isso não é a questão. A questão é que a linguagem dominante da fotografia não incuia o desfoque como válido, mas sim como uma insuficiência do fotógrafo, uma quase imperícia. Isso é cultural, não técnico.

Contudo, foi, na minha análiise, a disseminação das reflex de filme que trouxe a linguagem do desfoque para o campo das linguagens válidas, a tal ponto que hoje a comunidade fotográfica considera ser problemática uma câmera que não tenha capacidade de desfocar fortemente. A disseminação das reflex de filme deu a uma geração inteira de fotógrafos a oportunidade de antever o desfoque, e isso fez toda a diferença.


Ivan de Almeida

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Resposta #12 Online: 14 de Agosto de 2006, 11:14:04
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Aprendi muitas coisas com esse texto. No final das contas, o importante é não sair por aí seguindo tendências sem saber o porquê. Desfoques podem ser muito significativos e bonitos. Mas podem ser horríveis também. Já vi uns em que as pessoas do segundo plano ficam com a cara dos mortos do filme "O Chamado". Dá até medo!
Um dia desses vi um desfoque que me deixou confuso (juro).
A composição da foto me levava a olhar pra um lugar, mas ao olhar pra esse lugar, ele estava desfocado, aí eu queria voltar pro outro... e assim ia...  :heat:
Pois é, Helder. E assim o desfoque entra no jogo, e vamos cada vez jogando mais com ele, de anulador de fundo pode se tornar até o verdadeiro ponto de interesse. Mas é interessante observar como essa aquisição da linguagem se faz na História da Fotografia.


Marcelo Almeida

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Resposta #13 Online: 14 de Agosto de 2006, 11:28:52
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Acho radicalismo demais considerar o desfoque um defeito, ele é um método eficiente que gera imagens agradáveis e bonitas, com ênfase para o objetivo.

Mas acho que realmente é um método muito mais simples que efetuar uma composição bem elaborada e com foco em toda a imagem.
Marcelo:

Eu não estou dizendo que o desfoque É um defeito, até porque o uso (como já disse em outro lugar, nós todos somos fotógrafos pós-desfoque, não adianta achar que ele não nos influencia). O que digo é que antes, na primeira metade do Sec XX o desfoque era algo indesejado, exceto por casos raros. Os fotógrafos só passaram a querer o desfoque quando o aparelho fotográfico tornou sua interpretação direta.
Eu sei que você não está falando isso Ivan, inclusive dei uma pesquisada e vi algumas coisas sobre o grupo f/64, bem interessante.

abs,


helder84

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Resposta #14 Online: 14 de Agosto de 2006, 11:50:03
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Mas é interessante observar como essa aquisição da linguagem se faz na História da Fotografia.
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Helder Viana

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