Autor Tópico: Por HCB...  (Lida 870 vezes)

Pris WerSo

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Online: 15 de Fevereiro de 2014, 10:05:12
Bom dia!!!!!!! Achei uma boa leitura e compartilho com os amigos... transcrevendo...  :assobi:

O instante decisivo
| Artigo de Henri Cartier Bresson |
Na fotografia existe um novo tipo de plasticidade, produto das linhas instantâneas
tecidas pelo movimento do objeto. O fotógrafo trabalha em uníssono com o movimento,
como se este fosse o desdobramento natural da forma, como a vida se revela.
No entanto, dentro do movimento existe um instante no qual todos os elementos que se
movem ficam em equilíbrio. A fotografia deve intervir neste instante, tornando o
equilíbrio imóvel.
O olhar do fotógrafo está constantemente avaliando. Um fotógrafo pode captar a
coincidência de linhas simplesmente ao mover a cabeça uma fração de milímetro. Pode
modificar a perspectiva com um leve dobrar de joelhos. Ao colocar a câmara próximo
ou distante do objeto, o fotógrafo pode desenhar um detalhe - ao qual toda a imagem
pode ficar subordinada ou ainda que tiranize quem faz a foto. De qualquer modo, o
fotógrafo compõe a foto praticamente na mesma duração de tempo que leva para apertar
o disparador, na velocidade de um ato reflexo.
Algumas vezes acontece de o fotógrafo paralisar, atrasar, esperar para que a cena
aconteça. Outras vezes, há a intuição de que todos os elementos da foto estão lá, exceto
por um pequeno detalhe. Mas que detalhe? Talvez alguém repentinamente entrando no
enquadramento do visor. O fotógrafo, então, acompanha seu movimento através da
câmara. Espera, espera e espera, até que finalmente aperta o botão - e então sai com a
sensação de que captou algo (embora não saiba exatamente o quê).
Mais tarde, no laboratório, ele faz uma ampliação da foto e procura nela as figuras
geométricas que aparecem à análise e o fotógrafo se dá conta, então, de que a foto foi
feita no instante decisivo. O fotógrafo instintivamente fixou um padrão geométrico sem
o qual a foto estaria sem forma e sem vida.
A composição deve ser uma das preocupações do fotógrafo, mas no ato de fotografar
isto só acontece a partir da sua intuição, já que ele está ali para captar o momento
fugidio e todas as relações dos elementos que compõem a cena estão em movimento.
Ao aplicar a "Regra dos Terços" , o único compasso que o fotógrafo tem são seus
próprios olhos. Qualquer análise geométrica, qualquer redução da foto a um esquema,
só pode ser feita - pela sua própria natureza - depois que a foto já foi tirada, revelada e
ampliada. E aí, ela só pode ser usada para um exame "post-mortem" da cena.
Espero nunca ver o dia em que as lojas de equipamentos fotográficos vendam esquemas
geométricos para colocarmos nos visores de nossas câmaras; ou a "Regra dos Terços"
colada nos nossos óculos. Se um fotógrafo começa a cortar uma boa foto, isto
representa a morte à correta relação geométrica das proporções entre os elementos que
compõem a imagem. Além do que, raramente ocorre de uma má foto, que tenha sido
mal composta, seja salva pela reconstrução de sua composição no laboratório, pois a
integridade da visão do fotógrafo não estará mais lá. Há muita conversa sobre os
ângulos da câmara, mas os únicos ângulos válidos existentes são os ângulos da
geometria da composição e não naqueles fabricados pelo fotógrafo que se deita no chão
ou coisa que o valha para encontrar seu enquadramento.

* Henri Cartier Bresson foi fotógrafo e viveu em Paris, França.

Tradução livre e informal do inglês por Paulo Thiago de Mello de trecho do livro The Decisive Moment,
New York, 1952
. Copyright 1952 Cartier-Bresson, Verve and Simon and Schuster.


Lucas M. Dias

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Resposta #1 Online: 15 de Fevereiro de 2014, 10:20:47
Mto bom  :clap:
Infelizmente as câmeras já tem essa possibilidade de colocar a grade pra regra dos terços.
Se um dia as regras virarem "obrigação", a fotografia morre como arte :no:


Pris WerSo

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Resposta #2 Online: 15 de Fevereiro de 2014, 10:46:50
Mto bom  :clap:
Infelizmente as câmeras já tem essa possibilidade de colocar a grade pra regra dos terços.
Se um dia as regras virarem "obrigação", a fotografia morre como arte :no:

É só desativar a grade... não precisa usá-la se não quiser. ;)


Lucas M. Dias

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Resposta #3 Online: 15 de Fevereiro de 2014, 10:49:42
É só desativar a grade... não precisa usá-la se não quiser. ;)

Hahahaha eu sei, aliás nunca a usei, mas estou comentando pq sei q mtos usam e isso acaba com a visão criativa das pessoas :ok:


spiderman

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Resposta #4 Online: 15 de Fevereiro de 2014, 11:03:38
Essas grades aí dão a sensação de estar atrás das grades. Acho muito estranho.
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Resposta #5 Online: 15 de Fevereiro de 2014, 11:07:29
Excelente texto para reflexão.
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C R O I X

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Resposta #6 Online: 15 de Fevereiro de 2014, 15:45:48
Acabei de citar Bresson em outro topico e logo em seguida achei esse aqui falando algo semelhante ao que citei ha anguns minutos atras. haha.

Mas eh isso mesmo. Nao tem regra apenas olhar atento. Uma vez que vc sente que esta agradando o olhar vc sabe que esta bem composta e fez uma boa foto.

O problema eh que a maioria das pessoas deixam de olhar para a cena e sentir as formas em si para moldar a cena em regras que passaram a usar como lentes para a visao. Ou inda pior, passa a ser influenciado por referencias que transmitem o prazer material do que foi fotografado, como as imagens comerciais e as tendencias das demais pessoas copiarem como se o prazer que a imagem comercial trabalha em nos fosse o mesmo prazer que existe na expressao artistica. Ou pior, considerando a qualidade da fotografia que usa o apelo material entre outros como real qualidade artistica, e nao reconhecendo mais criacoes artisticas originais.
« Última modificação: 15 de Fevereiro de 2014, 15:47:33 por C R O I X »


spiderman

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Resposta #7 Online: 15 de Fevereiro de 2014, 21:06:29
Acabei de citar Bresson em outro topico e logo em seguida achei esse aqui falando algo semelhante ao que citei ha anguns minutos atras. haha.

Mas eh isso mesmo. Nao tem regra apenas olhar atento. Uma vez que vc sente que esta agradando o olhar vc sabe que esta bem composta e fez uma boa foto.

O problema eh que a maioria das pessoas deixam de olhar para a cena e sentir as formas em si para moldar a cena em regras que passaram a usar como lentes para a visao. Ou inda pior, passa a ser influenciado por referencias que transmitem o prazer material do que foi fotografado, como as imagens comerciais e as tendencias das demais pessoas copiarem como se o prazer que a imagem comercial trabalha em nos fosse o mesmo prazer que existe na expressao artistica. Ou pior, considerando a qualidade da fotografia que usa o apelo material entre outros como real qualidade artistica, e nao reconhecendo mais criacoes artisticas originais.
É que hoje em dia a gente é tão bombardeado com publicidade que passamos a achar que a melhor obra é aquela que se aproxima dessa estética publicitária. Talvez se fossemos bombardeados de arte diariamente, os nossos parametros seriam outros.
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Palmeida

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Resposta #8 Online: 15 de Fevereiro de 2014, 21:20:02
Outro dia postei um tópico parecido aqui na sala.

Na minha imensa ignorância, discordo do mestre HCB neste quesito. Não considero que as facilidades disponibilizadas pelas câmeras, como as linhas de grade, prejudicam a ato fotográfico. Também não considero que o corte de uma fotografia esteja tirando o seu valor. O próprio HCB já utilizou o crop na foto do cara do pulinho - então, se ele ousou esta exceção para tornar a sua foto melhor, nada impede que outras fotos também fiquem melhores.

Quanto ao instante decisivo eu acho ele importante. É muito bacana quando vc capta aquele momento ideal. Porém, não acho que o "instante decisivo" deva ser algo a ser perseguido com tresloucada dedicação.
O que eu amo: Deus, família, amigos, trabalho,fotografia, contabilidade, estudar e tecnologia!


C R O I X

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Resposta #9 Online: 16 de Fevereiro de 2014, 06:27:17
É que hoje em dia a gente é tão bombardeado com publicidade que passamos a achar que a melhor obra é aquela que se aproxima dessa estética publicitária. Talvez se fossemos bombardeados de arte diariamente, os nossos parametros seriam outros.

Exatamente.

Eh um dos motivos de eu preferir a sugestao de colecionar e estar sempre observando obras de mestres artisticos, e tentar nao dar atencao e ter menos contato com obras comerciais. Pessoalmente, acredito que isso seja mais importante do que aprender regras de composicao e enquadramento.

Outro dia postei um tópico parecido aqui na sala.

Na minha imensa ignorância, discordo do mestre HCB neste quesito. Não considero que as facilidades disponibilizadas pelas câmeras, como as linhas de grade, prejudicam a ato fotográfico. Também não considero que o corte de uma fotografia esteja tirando o seu valor. O próprio HCB já utilizou o crop na foto do cara do pulinho - então, se ele ousou esta exceção para tornar a sua foto melhor, nada impede que outras fotos também fiquem melhores.

Quanto ao instante decisivo eu acho ele importante. É muito bacana quando vc capta aquele momento ideal. Porém, não acho que o "instante decisivo" deva ser algo a ser perseguido com tresloucada dedicação.

Eu acho que o texto que a Pris postou eh muito generico e raso. Mas como eh a opiniao de Bresson...

Existe sim a questao da influencia da midia. A midia, influenciando a maneira que vc trabalha, se relaciona com a sua criacao e observa o objeto, cena, tema que vc quer trabalhar, influencia sim no resultado em inumeras maneiras, as vezes de forma sutil e particular, outras vezes de forma clara e evidente.

Estudando historia da arte e das midias vc ve o quanto a mudanca de tecnologias na comunicacao (artistica e nao artistica) muda a maneira das pessoas se expressarem, consequentemente muda a maneira das pessoas pensarem e finalmente muda a maneira das pessoas criarem e transmitirem mensagens.

A tecnologia fotografica em si fez com que a ferramenta se tornasse um obstaculo, ou a principal relacao do fotografo, o aquilo que ele fotografa algo mais distante. E isso nao aconteceu somente com a fotografia.

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A imprensa fez com que as pessoas tivessem mais acesso a literatura e testos filosoficos/politicos da mesma forma que a camera 35mm deu acesso as pessoas ao seu proprio registro e expressao visual.
O primeiro foi crucial para a revolucoes politicas pelo mundo, como a Independencia dos EUA e a Revolucao Francesa. O segundo crucial para a revolucao cultural.

 E o telegrafo aumentou a velocidade da informacao de forma instantanea da mesma maneira que a fotografia digital.
E ambos criaram a banalisacao e baixa qualidade da informacao, a primeira fazendo com que jornais se tornassem menos analiticos e passassem a ser mais factoriais com textos mais curtos. E o segundo pela distracao que citei antes entre outros, como a preca de querer ter mais numeros de registros, a dependencia da tecnologia substituindo o raciocinio e trabalho do fotografo, semelhante ao telegrafo onde a velocidade de transmitir a noticia se tornou um distrativo que tornam as pessoas mais distantes da informacao em si.

E depois a internet que em ambos os casos, seja para a noticia ou fotografia, criou uma poluicao de informacao nunca antes haviado.
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